quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aberta a temporada de caça aos naturistas

Nos últimos dois meses, duas pessoas me procuraram por estarem sendo investigadas sob a alegação de "pedofilia". Motivo básico? São naturistas, uai!

Num dos casos, a pessoa trabalhava com crianças e pelo simples fato de ser naturista já foi motivo suficiente para o conselho tutelar investigá-la. Noutro caso, um casal perdeu a guarda da filha até a abertura do processo. Dentre os motivos da investigação, e questões feitas pelo conselho tutelar, estava o interesse em saber se era verdade que eles andavam nus na frente da criança, se eram naturistas etc...

A posição que recebi de membros da FBrN é que temos que "aguardar até o final do processo para se manifestar". Nem para auxiliar e dizer "o que é naturismo" não estavam disponíveis. Bom, é uma posição coerente de uma associação que só existe para defender as empresas e empreendimentos. Veja o famoso caso Colina dos Ventos e a tentativa de censura imposta ao Jornal Olho Nu (www.jornalolhonu.com). Ela não existe para defender e nem auxiliar a pessoa do naturista. Para o naturista que precisa auxílio ou defesa, a FBrN é cega, surda, e muda.

Há muito tempo peço à FBrN para auxiliar os naturistas e obter um parecer jurídico: se crianças podem freqüentar espaços naturistas?, se os pais podem criar o seus filhos dentro do naturismo?, se é crime fotografar uma criança ou adolescente nu? Tudo isso para saber se estamos dentro da lei e os nossos direitos estão protegidos. A resposta? Pasmem, silêncio sepulcral!

Agora com a campanha "Fazer Denúncia!" promovida pelo Senador Magno Malta, do Espírito Santo, pouco importa que exista um mínimo de verdade, foi aberta a caça do naturista. Ser naturista já é motivo suficiente para ser denunciado pelo conselho tutelar ao Ministério Público. Mesmo os membros do Ministério Público, percebendo o ridículo da acusação, continuam a investigar, pois a mídia está em cima e se não acharem nada, provavelmente serão acusados de incompetentes pelo conselho tutelar ou pelo Senador Malta. No caso de Catanduva, a delegada que se recusava a entregar os nomes dos acusados, pois não tinha nenhuma evidência contra eles, foi execrada pelo Senador e massacrada pela imprensa por isso.

Esses não foram os primeiros casos, temos o caso Colina do Sol, onde o Dr. Andre Herdy, presidente da FBrN na ocasião, e mais 3 naturistas, moradores e freqüentadores da Colina do Sol, foram acusados de pedofilia por seu desafetos dessa mesma comunidade. E o que fez a FBrN? Além de se omitir do caso, destituíram o seu presidente, Dr. Andre Herdy e retiraram o site do ar. Negaram ajuda quando foram procurados e elevou os detratores a posição de fiéis escudeiros do naturismo.

Bom, o que podemos fazer então? Acho que podemos seguir a recomendação de Douglas Adams no livro O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy).

"DON'T PANIC"

"Tudo o que você precisará quando o universo acabar é de uma toalha".

A saga de cinco livros conta a história de Arthur Dent e seus amigos em aventuras pela galáxia e pelo tempo. Um detalhe importante da história é a importância da toalha para os "viajantes da galáxia", a qual seria útil para as mais variadas e inimagináveis situações."

Uma dessas histórias é a Besta Voraz de Traal. Um ser tão imensamente idiota que acredita que se você não pode vê-lo então ele também não pode ver você. Em nosso planeta, por vezes assume a forma de FBrN e afins.

Como visto, já temos uma vantagem, pois como preconiza o código da etiqueta da FBrN no seu "item II.9 - Utilizar assentos de uso comum sem a devida proteção higiênica.", todo naturista leva junto sua toalha, já é meio caminho andado para a solução. Portanto embrulhe a cabeça na toalha (esquecendo onde estava antes) e fique feliz. Essa é a pratica adotada pela FBrN: ignore o problema, não veja o problema assim ele não existe.

Enquanto aqui no Brasil se discute a definição do que é naturismo para incluir o inominável, ANRR tem preocupações mais sérias como definir os direitos dos naturistas - Nudist Bill of Rights. Entre as várias preocupações, está o direito de criar nossos filhos dentro das nossas crenças e valores sem a interferência de outros.

A notícia mais recente da FBrN, a resolução nº 001/2010, define o uso dos selos da INF e a cobrança dos mesmos (ver no Jornal Olho Nu):

..que a venda do Selo INF-FNI, necessário à validação do CartãoINF, é atualmente a única fonte de renda da FBrN, e está de acordo com o Artigo 7º, alínea “i” do Estatuto da FBrN, que estabelece como condição essencial para que uma associação mantenha-se filiada “pagar antecipadamente as mensalidades a que estiver sujeito(a) ...”.

Como se nota essa associação que nada oferece ao naturista: só serve para cobrar. Os naturistas pagam o custo do selo, quem ganha os benefícios é a empresa. Para aqueles que não se lembram veja o caso Colina dos Ventos veja nos post abaixo:

Agora, nesses casos, onde seria razoável esperar que essa associação chamada de FBrN ajudasse a figura mais importante do naturismo: o Naturista, ao invés disso como a lendária Besta Voraz de Traal, colocam a toalha na cabeça e ignoram aquele que é o objetivo último do naturismo. Enquanto isso... está aberta a temporada de caça aos naturistas.

Bom, como bom peladista, peguei a minha toalha e vou indo para um bom churrasco...

terça-feira, 1 de junho de 2010

IN GOD'S WILDNESS LIES THE HOPE OF THE WORLD

IN GOD’S WILDNESS LIES THE HOPE OF THE WORLD

No dia 05/06 comemora-se o “Dia Internacional do Naturismo”, acho bom pisar no freio e fazer algumas reflexões. O que há de tão importante neste movimento para que se tenha uma data comemorativa internacionalmente? O que temos para comemorar?

Há 93 anos nasceu Dora Vivacqua, conhecida como Luz Del Fuego que provocou mudanças na sociedade brasileira, com história documentada de uma pessoa à frente do seu tempo. Dnª Wanylda, sobrinha de Luz diz que ela estava 100 anos à frente de todos (Jornal “A Tribuna” de 11/04/2010). Dizia ela: “Para a fome temos o pão, para a sede a água, para a imoralidade, a Nudez”. (Luz Del Fuego – A Verdade Nua – 1950).
Sabia ela perfeitamente que a nudez corporal era uma coadjuvante na história, a nudez verdadeira era mental, era preciso jogar os lixos mentais fora e substituir pelos valores naturais. Continua sendo assim nos dias atuais.

O autor do título desse texto é John Muir, escocês, filósofo e naturalista. Sua família emigrou da Escócia para os Estados Unidos na metade do século XIX, outra pessoa à frente do seu tempo, escreveu “In God’s Wildness Lies the hope of the world” cujo significado é mais ou menos o seguinte: “As matas preservadas são de Deus e nelas estão a esperança da humanidade”. Interessante é que esta frase não foi escrita agora, já que o assunto “meio-ambiente” virou modismo, ela foi dita no século XIX, ou seja, há 100 anos atrás. Outra frase dele foi “Deixe as crianças andarem na floresta para elas aprenderem como funciona a natureza...” Todas as escolas da Califórnia comemoram o “dia de John Muir” em 21/04, data de seu nascimento.

Citei uma rápida informação de duas pessoas que fizeram a diferença na história, poderia citar muitas outras também, mas não é o propósito deste texto. O que eu quero deixar bem claro é que pessoas desse perfil são raras, difíceis de serem encontradas na praça. Conta-se numa mensagem em power point que circula na internet, não sei de quem é a autoria, que um determinado professor disse na sua sala de aula o seguinte:

“Desde que comecei a lecionar, e isso já faz muitos anos, descobri que nós professores trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma; Em todos esses anos observei que, de cada cem alunos apenas cinco fazem realmente alguma diferença no futuro; Apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95% servem apenas para fazer volume; são medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.”

Se a estória é verídica eu não sei dizer, mas a mensagem é muito interessante e reveladora. Para fazer parte desses 5% tem que ser pessoas especiais, que buscam conhecimento, têm a consciência do seu papel como agentes transformadores de uma sociedade, procuram fazer o melhor em tudo que se propõem e são livres para pensar, não são influenciadas pelos pensamentos da época, sempre estão alguns anos à frente.

O Naturismo continua sendo uma filosofia de vida praticada por um grupo minoritário, isto considerando a população total. A maioria possui a dificuldade de vencer seus bloqueios pessoais diante da nudez, a consciência da sua natureza não foi ensinada nas escolas e ainda reprimidas desde à infância. Pode ser que quando atingirem uma idade mais avançada a “ficha irá cair” e será percebido que a sociedade privilegiou o jovem, o bonito, o sarado, a melancia etc. e tudo isso foi para o espaço, acabou. A única coisa que ficou foi o sentimento de frustração pelo reconhecimento que a vida foi uma prisão social quando deveria ter sido livre.

Carlos Bernardo González Pecotche (mais um adiantado no tempo), em seu artigo “Liberdade: Princípio e Fundamento da Vida” diz “A Liberdade é prerrogativa natural do ser humano” e ainda “O conhecimento confere maior liberdade a quem sabe usá-la com prudência e inteligência”. Novamente o conhecimento colocado em evidência ao lado da liberdade. Neste sentido tenho uma preocupação constante, nossos jovens não gostam de ler e “matam o tempo” como se não tivesse nenhum valor espiritual. Na era “Orkutiana” a preferência é ficar trocando figurinhas com diálogos nada enriquecedores. Estamos assistindo a maior pobreza cultural de todos os tempos.

A consciência é transformadora e enriquece o ser na busca do conhecimento de si mesmo, incentiva a luta por um ideal e nos torna mais humanos. Vejam que A AMAES e a SOPAES, representados pelos incansáveis Rômulo Vitório e Virginia Brandão tentam conscientizar a classe política sobre as questões de proteção aos animais, tendo em mãos o projeto da primeira Delegacia de Proteção e Defesa Animal do ES, estão obtendo vitórias expressivas e conquistando o direito da vida e da liberdade. Com certeza estes fazem parte dos 5% mencionado pelo professor.

O Naturismo tem muito para comemorar, cada dia mais grupos se formam numa demonstração clara da consciência da própria natureza humana, livre de preconceitos e nua como a natureza é. Vem mostrando a sua cara e exigindo o respeito que o naturismo merece, afinal é uma filosofia de vida rica e que precisa ser estudada à luz de outros valores sociais. Valores estes mais humanos e mais livres.

Alegramo-nos com o natural e nos entristecemos com toda e qualquer agressão a ela impingida seja no ar, na água ou na terra. É um movimento importante que busca o sentido da vida na igualdade de todos nós, não importa a cor, a crença, sexo ou as opções sexuais. Como diz o meu amigo Paulo Pereira, a natureza não pede julgamento algum. Não importa se somos minoria, afinal somos somente os 5% que querem fazer a diferença.

Vamos abrir nossa champagne e comemorar, um brinde a todos.

Evandro Telles
01/06/2010.

domingo, 30 de maio de 2010

There's no sin below the equator

Thirty years ago a popular Brazilian soap opera, "Pecado Rasgado", had a catchy title tune, the refrain to which was "Sin doesn't exist below the equator". You can find the opening sequence with the title music on YouTube.

That sin doesn't exist isn't an exaggeration, but there are distinctly different attitudes. We remarked here over a year ago on the fairly relaxed Brazilian attitude towards naked children in the media. I haven't returned to that as further examples appear, because that would involve nearly weekly updates. And there's a name for that sort of thing, and apparently an audience.

Family newspaper

Newspaper readership in Brazil is far lower than in the United States - the newspaper of record, the Folha de S. Paulo, sells a bare 300,000 copies. That means that the audience is somewhat more select, and somewhat more sophisticated, than the average American paper. Even so, it's a "family newspaper."

A week ago, one of the Sunday supplements, a glossy tabloid-size magazine titled "Serafina", had an illustrated interview with photographer David LaChappelle.

The magazine, from the ads, is aimed at an adult audience, though there is an article on a parrot puppet originally designed to appeal to children, on a morning TV show. Other articles are on Spanish bullfighters, Prince Charles's country house, and the Copacabana Palace Hotel.


Adult nudes

It's long been a tradition in Western art that child nudity is perfectly acceptable and non-sexual. A Pope ordered that Michelangelo's nudes in the Sistine Chapel be retouched for "decency", there being if I recall a special admonition to cover those with their bottoms facing the viewer. But there was no problem at all with frolicking cupids or the naked infant Christ.


In recent decades, adult female nudity has become widely acceptable. Dicks, however, are something else. A strange reversal, from adults being verboten but naked boys being all right yet infant girls excluded, to naked adult women being fine, but adult men and children of either sex being indecent.

No complaints

I've included links to three of the photos printed in the newspaper, from the site of Maruani & Noirhomme Gallery in Belgium which held an exibit, that from the site closed this month. The picture are about six inches high, and so the resolution is vastly better than non only the inline pictures here, but than the larger images to which they're linked.

In this Sunday's Folha, the ombudsman says that it's a "sign of the times" that she received no complaints at all about the frontal nudity. Several about cruelty to animals, but none on the naked men.

Geographic differences

Perhaps it's really is being south of the equator, perhaps there are other cultural factors. During much of the year, in much of the country, the most comfortable clothing is as little as you can get away with. The country makes no secret of the Indian ancestry shared by much of the population, or that there are still Indians in parts of the country who wear nothing. Nudity in the theater is so common as to not be worth comment.

And Speedos are standard beach wear for males, except during the teen years when board shorts enjoy a brief popularity. The notion that men are or ought to look as if built like Ken dolls has never enjoyed currency in Brazil.

Changing times

Fashions change. The notion that current fashion somehow expresses universal moral standards is one that has always been popular. Once anarchists were a great threat, now they're quaint. And as we've shown, the varieties of nudity that are acceptable has shifted.

A hundred and fifty years ago, it was uncommon for men to swim in anything other than their skins. A hundred years ago, proper gentlemen wore wool getups that did not indecently expose their chests. It was fifty years from Michelangelo painting the Sistine Chapel, to the genitalia being painted over.

And two hundred years ago, the papal choir that sung in the chapel included castrati, who could sing with the celestial voices of women. The practice was only finally banned in 1903. It was a career option for poor boys - or a quick florin for their families. One online article suggests it was no more likely to lead to a successful musical career in the 1770s then, than letting one's hair grow long did in the 1970s.

We of course are aghast at the genital mutilation of boys, yet circumcision is still widely practiced. How can we know for which of our practices our descendants will condemn us?