segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Lei Gabeira foi para o arquivo

Recebemos ontem de César Fleury a notícia de que a Lei Gabeira está morta. César encaminhou email de senador Eduardo Suplicy, com anexo mostrando quem assinou o pedido de desarquivamento:

Prezado César,


Agradeço sua mensagem e a confiança em mim depositada.

Sobre o PLC 13/2000, que fixa normas gerais para a prática do naturalismo, apresentei o requerimento de desarquivamento da matéria (anexo), mas, infelizmente, de todas as tentativas – e foram muitas nesses 60 dias – que fiz para colher as assinaturas necessárias, somente consegui 8 colegas para referendar o pleito (são necessárias 27 assinaturas). Com isso, o prazo regimental de desarquivamento expirou-se.

Fiz o que pude, mas os senadores que procurei, na sua maioria, decidiram não assinar o desarquivamento.

O abraço,
Senador Eduardo Matarazzo Suplicy

Agora tem que recomeçar do zero, não somente no Senado mas na Câmara também.E Fernando Gabeira não é mais deputado.
Era para ser aprovado faz tempo, quando Gabeira estava lá. Dr. André Herdy me contou que estava tudo combinado sobre como proceder. Era para aproveitar a onda do Congresso Internacional em Tambaba.

Mas, a corja da Colina do Sol resolveu que uma denúncia falso de pedofilia serviria para que eles poderiam dar o calote no Fritz Louderback, e afastaria as esforços tanto de Fritz quando de Dr. André de examinar o assunto das terras da Colina. E também, assim, poderiam dividir o dinheiro de SBT entre o pequeno grupo, pois não haveria alguém para se opor.

Assim, for perdido o momento. As interesses mesquinhas de um pequeno grupo foram abraçados pelo "naturismo organizada", pelo FBrN e pelos nomes de sempre, e o interesse dos naturistas ficou para trás.


De onde vem a notícia?

A notícia veio de César Fleury. Foi ele que tentou que a Lei Gabeira continuasse em palco, foi ele que procurou, e foi atendido por, um dos senadores mais respeitados do Congresso.

E a FBrN? Fez o que?

Bem, foram para Brasília ano passado, e tiraram fotos em frente dos monumentos. Sempre há político disposto a receber qualquer grupo, e fazer pose para fotos. Mas para fazer algo, é outro papo.

César não consegui. Mas, pelo menos, tentou. E, falhando, transmitiu a notícia para todos nós.

É outra diferença do naturismo "oficial".   Nunca se ouve que a FBrN falhe em nada. Primeira, pois nada tenta. E segunda, pois nada divulga de "notícias ruins". Se for dito que haveria 4000 no congresso do INF em Tambaba, não se fala que o movimento de pico na praia não passou de 400 almas.

Nunca há notícia ruim, então nunca há notícia confiável.

Vejamos a FBrN, indo do norte ao sul, pregando para os fieis, e se seguem o estilo Celso Rossi, esperando que tudo seja por conta da casa. É bom para eles.

Mas bom para nós, é o que César Fleury tentou.

Conheço César, e creio que ele vai continuar tentando.

Enquanto a FBrN continua sua viagem para a irrelevância.


SENADO FEDERAL
Gab. Senador Eduardo Suplicy

REQUERIMENTO *40692 14218*

        JUSTIFICAÇÃO


     Requeremos, nos termos do § 1.2 do art. 332, do Regimento Interno do Senado Federal, o desarquivamento e a continuidade da tramitação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) na 13, de 2000, que "fixa normas gerais para a prática do naturalismo", do Deputado Fernando Gabeira. 

     O PLC na 13, de 2000, procura estabelecer as normas gerais para a prática do naturalismo, entendido este como o conjunto de práticas e vida ao ar livre, como forma de desenvolvimento da saúde física e mental das pessoas de qualquer idade. Na sua justificativa, o autor mostra que o naturalismo nasceu na Alemanha, em 1903, tendo, à época de apresentação na matéria na Câmara dos Deputados, em 1996, "mais de setenta milhões de adeptos espalhados pelo mundo". Assim, avaliamos que a matéria deve continuar sua tramitação, a fim de afastar "a incidência das normas penais referentes ao atentado ao pudor nos casos e condições especificados e fornecer suporte normativo à autorização da atividade pelo poder público".

[Lista de senadores e assinaturas]

domingo, 3 de abril de 2011

Os naturistas e as suas “vergonhas”


Estava vendo a foto oficial da diretoria eleita da FBrN. Ali havia somente uma mulher e também me chamou a atenção de haver um vestido de índio e outro com um chapéu. Oito homens em pé e a mulher e três homens agachados, à frente.

O de chapéu, o novo presidente, vestido de chapéu, dizem que é uma imitação da moda lançada por Richard Pedichini. O chapéu não tem o mesmo charme do chapéu de Richard e faltou o bigodão.

O cocar do personagem vestido de índio parece-me ser um made in China. Quando o Japão estava no processo de decolagem à potência econômica era o grande fabricante de produtos indígenas norte-americanos. Eram todos made in Nipon. Um bonito cocar!

Fui ao Google procurar algum conceito de naturismo. Encontrei este:

O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Naturismo)

Sinônimo de nudismo. Entre outras atitudes. Quais são? Não sei. Vamos pensar no nudismo. –ismo. Quando eu era novo o –ismo significava doutrina, escola filosófica, doutrina política, religiosa, etc. Mas também significava condição patológica. Este significado suplantou todos os demais. Com o movimento gay o homossexualismo virou doenças e agora o politicamente correto é se referir à homossexualidade. Mas o naturismo ainda não chegou a ser condição patológica. Mas não sei... Pelas atitudes da polícia e da justiça de primeira instância, em casos recentes precisamos colocar as barbas de molho.

Este blog optou pelo –ista. Este sufixo indica a práxis dos –ismo. Se considerarmos com um pouco de esforço que o “conjunto de princípios éticos e comportamentais” seja uma doutrina, os partidários do naturismo seriam os naturistas. Ou nudistas. Andar nu. Ou, como se prefere, a nudez social.

Até aqui tudo bem. Mas a fotografia a que me referi acima me suscitou uma pergunta: o que é ficar nu? O nosso amigo que se apresenta com um cocar o faz para se aproximar aos indígenas, exemplo de se andar nu. Hoje em dia é tão pequena a distância entre o andar vestido e andar nu que em algumas situações nem sabemos quanto se está numa ou outra situação. Fora isto, em certas situações a nudez e a não nudez depende das lentes morais de quem observa. Ou é situacional: um maiô fio dental ou uma sunga são vestimentas numa praia, mas podem indicar nudez na Avenida Paulista.

Então talvez seja melhor reformular a pergunta: o que é estar nu? Os nossos amigos de cocar e de chapéu estão nus? Lá no começo foi comentado que o de chapéu segue a moda Pedichini e o outro se sente índio porque os índios andam nus. A maioria andava.

Eu acho que já andei comentando por aqui que o corpo é a metáfora da sociedade, segundo os ensinamentos de Mary Douglas, uma antropóloga inglesa. Isto quer dizer que o nosso corpo identifica “o que somos” em sociedade. Classe etária, social, econômica, gênero e até opção sexual. Fazemos isto utilizando-nos de nossas roupas e do nosso corpo. Maquiagem, tatuagem, tipo de barba e bigode., cortes de cabelo, anéis, etc. Nós nos vestimos socialmente. Desta forma poderemos estar vestidos socialmente sem qualquer peça de roupa no corpo. Isto é, com as marcas que nos identificam.

Um dos primeiros textos deste blog, escrito por Ariana, há um comentário interessante, da preocupação de as pessoas repetirem em cada encontro naturista as suas atividades de trabalho, sociais, enfim do que elas são em sociedade. Elas estão se vestindo verbalmente. Ao se sentirem socialmente despidas pela fala dos signos que a identificam socialmente começam a se vestir verbalmente. Nós conseguimos nos relacionar com o outro quando o identificamos e este é o motivo destas nossas vestes verbais quando o nosso corpo está sem as vestes sociais, as nossas roupas.

Entre os índios que ainda não aderiram às roupas isto é feito através de pinturas corporais, cortes de cabelo, determinados enfeites nos indígenas têm o mesmo significado, de eles se vestirem socialmente.

Desta forma o cocar quanto muito identifica o que pensamos a respeito dos índios, Mas sem qualquer significado para eles.

O que acontece entre os naturistas (brasileiros, pelo menos) é uma espécie de complexo de culpa à nudez de Adão e Eva depois da imposição da folha de parreira. O naturismo dos nossos naturistas parece-me ser o desejo da volta ao paraíso quando o mito o associa ao pecado da nudez. Tal é a insistência de tentar associar a nudez passagens bíblicas. E inconscientemente (ou conscientemente?) associar a nudez ao sexo. Mesmo negando. Exemplo disto é discriminação ao homem solteiro. Uma demonstração do machismo tão negado.

Toda esta repressão à nudez, dentro e fora do naturismo é porque se entende que estar nu é estar com “as vergonhas” descobertas, como os cronistas quinhentistas deixaram registrado.

Enquanto isto o que é primordial do nudismo (no sentido da nudez), como o respeito e aceitação do corpo de cada um e dos outros, fazê-lo respirar, é deixado num lugar secundário.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1º de abril de 2011

Há 47 anos, nas primeiras horas deste mesmo dia em 1964 as tropas do General Olímpio Mourão saíram de Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro. No decorrer do dia aconteceram várias coisas e no final foi consumado do golpe de 1964.

O que temos depois deste tempo? Temos este Brasil. Esta é a realidade. Uns dizem que com o golpe está pior e sem o golpe seria muito melhor. Não sei. Temos o que temos.

Dizem que temos uma democracia cheia de defeitos. Democracia sem defeitos é utopia; ela é defeituosa por não é um fato, mas um processo. E este processo nos obriga olhar para trás, não só nestes 47 anos, mas nos 66 anos desde a queda do Estado Novo em 1945, ou mesmo nos 81 anos do golpe de 30. Ou até antes. Olhar para trás para que possamos olhar o futuro sem os erros do passado.

Os erros são muitos e recorrentes. Ainda temos o peleguismo atuante. Desde Getúlio. Um governo com características peleguista é um governo fascista. O peleguismo foi a base do governo Lula. Ainda bem que ele soube segurar os seus pelegos. Hoje temos duas classes de políticos, ambos órfãos do regime militar : os que choram a pretensa “ilha de paz e sossego” que se pretendia passar aos cidadãos, e uma outra classe que aprendeu todos os defeitos do regime e hoje posa de vítimas.

E nós, cidadãos, vítimas de um processo capenga? Teremos que tomar consciência de nossa cidadania, escapar do marcatismo “de esquerda”, do politicamente correto.

O dia 1º de abril é o dia da mentira. Proponho torná-lo o dia da consciência da cidadania.