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terça-feira, 13 de maio de 2014

Rebeldes sem calça

Do Zero Hora, notícia de festas em Porto Alegre com peladismo. A matéria até tem referência a uma "Movimento Peladista":

Ativista da causa, Pepe Martini é o criador do Movimento Peladista. Organiza a Pedalada Pelada e discute intensamente a nudez como ato político. Ele vê o assunto "lentamente entrando em pauta". Considera o assunto ainda tabu, mas vê a discussão evoluindo.

– Minha pilha não é criar uma comunidade isolada com gente pelada, mas de naturalizar a nudez e o próprio corpo. "...

Isso é a Movimento Peladista oficial? Pergunta errada: peladismo não tem mania de "oficial", e é sobre o peladismo, e não sobre o movimento.

Rebeldes sem calça

Festas de Porto Alegre têm uma nova moda: tirar a roupa

Participantes do movimento explicam que a prática da nudez tem conotação política e artística

02/05/2014 | 10h58
Festas de Porto Alegre têm uma nova moda: tirar a roupa Volt Project/Divulgação
Foto feita em uma das festas em que a prática da nudez é comum na Capital gaúcha Foto: Volt Project / Divulgação
Faz calor em Porto Alegre quando começa mais uma edição da festa Cadê Tereza? na Casa de Teatro. O verão mais quente da história da Capital parece ainda mais intenso no andar de baixo do prédio, onde a música de Tim Maia que explode nos alto-falantes faz o ambiente ferver. Prender o cabelo em coques e jogar água no pescoço não adianta mais quando barrigas, dorsos, seios nus começam a aparecer.
Não se surpreenda: a cena não é algo raro em Porto Alegre mesmo agora nos dias mais frios. Ocorre desde dezembro em quase todas as edições da Cadê Tereza?, cuja edição mais recente foi na quarta-feira, mas poderia ter sido protagonizada em noites no Beco, no Cucko, no L.A.B., no Club 688 ou em outra dezena de baladas que já foram palco para pessoas ficarem nuas em meio a outras que permanecem vestidas. Se antes a prática se restringia a núcleos ligados ao feminismo, ao anarquismo ou à arte, desde o ano passado passou a respingar em locais de público mais heterogêneo de Porto Alegre.

Pelo restante da matéria, http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2014/05/festas-de-porto-alegre-tem-uma-nova-moda-tirar-a-roupa-4490066.html

terça-feira, 1 de março de 2011

Carta de Referência para um Desconhecido

Na lista Papo Naturista, Renata Freira do NIP, também presente no debate no Congrenat, fez umas colocações que creio que iluminam o assunto do papel do passaporte naturista.

Como já falamos aqui, alguém que não acompanhou um diálogo que se arrasta faz anos tem um certo dificuldade em seguir uma conversa com muitas referências implícitas às outras carnavais.

Mas, também, alguém que participa de um debate, tende a ouvir mais seus próprios argumentos, e sentir que estes tiverem uma aceitação maior do que os de um outro participante, com outras idéias, pensaria.

Venda do passaporte é livre no exterior

Na lista Peladistas Unidos, que é internacional (como o ELAN não foi), chegaram missivas d'além mar. "Latin Nude Naturist" confirmou a visão do sr. Marcelo Pacheco, afirmando que qualquer um pode comprar o passaporte no site do AANR, e que ninguém nos EUA exige este bendito passaporte. A AANR saiu da INF, então a disponibilidade do passaporte INF pelo AANR já pode ser coisa do passado, mas durou um bom tempo sem implicância da INF, então não há porque o Brasil deve ser mais restritivo que os EUA.

Pelo email, sr. Fritz Louderback, com ampla experiência em naturismo internacional, confirma a versão de que o passaporte é livremente vendido e é para levantar dinheiro, e contribuiu umas informações sobre o histórico do documento:
A INF venderá e quer vender cartões INF. Eles nunca foram para ser evidência de uma conexão com naturismo. O homem que originou os cartões é um americano, Hap Hathaway. Eu jantei com ele no seu aniversário ontem. Os cartões era para levantar dinheiro e dava um desconto para aqueles que compraram. Hap nunca pretendia que os cartões seriam usados como uma licença para entrar num área naturista.

Um recado no grupo usenet uk.rec.naturist.uk de 2006 afirma que:
INF "passports" (sic) now have their place firmly in history and only but a few French resorts seem to be clinging to the requirement to have them.

O que senti da reunião, foi que a posição do Pacheco levou o debate. Ainda, se alguém emitiu 300 passaportes para qualquer um que mandasse dinheiro, na prática já foi para o espaço a idéia de que o documento qualifica o portador.

A visão do Pacheco difere da minha visão do Passaporte INF. Porém, as colocações de pessoas que conhecem naturismo em outros partes do mundo, me persuadem que o Pacheco está certo neste ponto, e eu estava errado.

Carta de referência

Vamos passar, então, para a visão do cartão da Renata:

O cartão é uma referência e deve ser aceito como isto. Na realidade não é uma declaração de perfeição, mas é uma referência de bons costumes "assinado" pelo responsável que concedeu o cartão e o recomenda....


O que vem à cabeça de imediata é um texto de Benjamin Franklin, "Modelo de uma Carta de Referência para uma pessoa que você nem conhece":

Paris, 2 April, 1777.
"Sir,
"The bearer of this, who is going to America, presses me to give him a letter of recommendation, though I know nothing of him, not even his name. This may seem extraordinary, but I assure you it is not uncommon here. Sometimes, indeed, one unknown person brings another equally unknown, to recommend him; and sometimes they recommend one another! As to this gentleman, I must refer you to himself for his character and merits, with which he is certainly better acquainted than I can possibly be. I recommend him, however, to those civilities, which every stranger, of whom one knows no harm, has a right to; and I request you will do him all the good offices, and show him all the favor, that, on further acquaintance, you shall find him to deserve."

Vamos repetir parte disso em português:
"Eu o recomendo, para receber aqueles cortesias, devidas a qualquer estranho sobre quem não se conhece nada desabonador; e peço ainda você lhe presta toda a assistência, e trata como todo o favor, que o conhecendo melhor, você julga que ele merece."

Síntese

Pacheco vende para qualquer desconhecido. Renata disse que é somente uma carta de referência. E Franklin (que vale notar costumava tomara um "banho de ar" pelado todos os dias) nos fornece uma carta de referência para um desconhecido.

Chega de exclusão

Uma das coisas que mais achei estranha no naturismo brasileiro, é a obsessão com exclusão. Quem podemos restringir? Como deve ser o procedimento para expulsar pessoas? Quantas barreiras podemos colocar para alguém entrar num grupo, num espaço, até numa praia pública?

Com mais pesquisa no naturismo brasileiro, entendi que várias destas obsessões -- contra solteiros, contra homossexuais, as patrulhas ideológicos (mas chamadas de "eticas") permanentes -- não são características históricas do naturismo brasileiro, mas somente as distorções da era Rossi, que está se encerrando, tardiamente.

Como o naturismo pode crescer se qualquer um que aceita um novato, está colocado na posição de fiador moral? Arnaldo do Mirante, o espaço naturista mais próximo ao maior metrópole do País, nem emite para não ter responsabilidade.

A carta de Franklin é, ainda depois 230 anos, um modelo que podemos seguir, em como tratar um desconhecido. Está mais do que na hora de abandonar as paranóias e a exclusão que foram impostos no naturismo brasileiro no último quarto de um século, de voltar à liberdade, à tolerância e à espírita aberta que caracterizaram o naturismo de Luz del Fuego e seus sucessores.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A(s) Lei(s) em Tambaba

O peladismo é minimalista e dispensa o desnecessário e busca o básico, achando o corpo mais nobre que a roupa, o pé mais lindo que o sapato, e o fonte original mais seguro do que o comentários sobre ele.

Nesta filosofia, ouvindo de Nelci-Rones Pereira de Sousa de que a Lei Municipal 286/2004 de Conde, regulamentando a praia naturista de Tambaba, é indispensável e imexível ...

Comunicamos a todos os naturistas do Brasil que a Lei Municipal 286/2004 é uma luta e uma conquista da SONATA e de todos os naturistas do Nordeste, frequentadores de Tambaba. Qualquer pessoa que tomar qualquer medida no intuito de desqualificá-la ou modificá-la será considerado "persona não grata" na nossa praia.

... ficamos curiosos em saber o que é, exatamente, esta Lei de ouro, ou pelo menos de bronzeamento. E sendo que ela data de 2004, enquanto a praia naturista de Tambaba funciona desde 1991, o que foram as leis anteriores?

Encontramos o texto da lei no Portal Jacumã, onde vimos que além das suas outras qualidades sui generis, a lei é intraduzível: "praia de Turismo" em português vira "nudism area" no inglês; a proibição vernacular de portar animais, para estrangeiros veta a porte de armas, e por aí vai.

Mas o que se espera, quando nem a frase persona non grata consegue passar incólume?

Para entender a disputa entre Sonata, José Wagner, e a FBrN, Cláusulas I e II do Artigo 1 da lei, parecem de maior relevância, enquanto o parágrafo único de Artigo 2 aponta a solução mais adequada. Uma leitura das leis anteriores (cujo texto recebi em 2009 de Dr. André Herdy, e coloco abaixo) e auxiliares, ajuda formar juízo.

Cláusulas I e II

Estas cláusulas estabelecem que o nudismo é obrigatório e não opcional na praia de Tambaba, e proíbem a entrada de homens desacompanhados. Parecem o cerne da disputa:

I - Fica proibido o uso de qualquer peça de roupa ou vestimentas incompatíveis com o naturismo;
II - Fica proibido o ingresso na área específica para a prática do naturismo de homens desacompanhados de mulheres, por ser contrário aos princípios naturistas e familiar, exceto quando a serviço;

Lei atual e anteriores

Começando com a lei original, de 1991, vimos o motivo de estabelecer uma praia naturista em Tambaba: "Considerando e comprovado interesse despertado pela pratica do naturismo, incentivando o turismo nacional e internacional em alta escala;

A praia está lá para incentivar turismo nacional e internacional, e assim contribuir para o crescimento econômico de Conde.

É difícil entender como parar de honrar a credencial naturista internacional, está "incentivando turismo nacional e internacional".

É mais ainda entender como que é banir qualquer segmento de turistas, como homens solteiros, incentiva turismo.

O tom bairrista da manifestação de Roni, sugere que entre a visão da Prefeitura de Conde de atrair turistas, e a de Sonata de fazer da praia pública um clubinho só para eles, a divergência não é de detalhes, mas de fundamentos.

Este proibição foi a causa do desastre de Massandupio, quando um grupo gay procurou seus diretos na Justiça e varreu o naturismo organizado de Bahia para vários anos.

Que o lei municipal permite não é defesa; a lei nacional e a Constituição são acima. Esta lei municipal mostra uma certa ingenuidade legal, afirmando por exemplo no se Artigo 3 que "Qualquer desobediência ao disposto nesta Lei, é considerado ilícito penal, previsto nos Códigos Legislativos Brasileiro" sem dizer qual código e quais capítulos seriam violados. Assim não pode.

A herança de Celso Rossi

Esta lei, na sua afirmação de que a entrada de homens solteiros é "contrário aos princípios naturistas", fala bobagem. Não existe norma naturista em qualquer lugar no mundo, menos Brasil, que barra homem solteiro em praia pública.

O naturismo brasileiro parece que vai sofrer, como previsto no Velho Testamento, até a sétima geração para extirpar os pecados de Celso Rossi, que confundiu seus manias particulares com princípios éticos, e consegui que todos os naturistas brasileiros embarcaram nas suas idéias - ou pelo menos expulsou todos que discordaram.

Observância seletiva da lei

Vimos pela histórica de Tambaba, que durante 13 anos, não houve nenhuma proibição aos homens solteiros na lei. Difícil dizer, então, que é indispensável.

É preciso modificar a lei? Não, somente deixa de fiscalizar esta cláusula. Eu estava em Tambaba para o Congresso Mundial de Naturismo em 2008, e era inescapável que para o sul, além das pedras no final da praia da pousada, mais ainda dentro da área naturista que vai até o rio, tinha freqüentadores assíduos de sexo promíscuo ao ar livre. Eles achavam o Congresso, e todos aqueles policias, um saco, porque interferiu com a sacanagem.

Eu não entendo a atitude deste pessoal, até por motivos práticos. Como uma mulher disse para 007 numa praia deserta em On Her Majesty's Secret Service, "Não aqui, há demais de areia."

Ao contrário de Celso Rossi, não confundo minhas preferências e fobias com princípios éticos. Mas posso citar cláusula VII desta Lei indispensável:

VII - Fica proibida a prática de gestos, ações e propostas que tenham conotações sexuais;

A SONATA faz olhos grossos ao descumprimento deste cláusula - que realmente reflete os princípios naturistas - então porque não honre a Constituição e desiste da proibição de homens solteiros?

Sonata não é indispensável

A lei original de 1991 subroga administração da praia "sob a Forma de Concessão Exclusiva À ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DE TAMBABA - AAPT". A Lei de 2004 é mais cautelosa e isenta, dizendo somente:

Artigo 2 - Fazer cumprir esta Lei é responsabilidade da Prefeitura Municipal de Conde, que poderá a seu critério, conceder poderes de fiscalização à entidade existente na região que tenha comprovada atuação no movimento naturista.

A Prefeitura de Conde, então, tem a opção - sem nem a necessidade de mudar a lei - de entregar a administração da praia de Tambaba para outra entidade naturista, não sendo SONATA.

Mas existe outra opção? A única atividade financeiramente auto-sustentável do Congresso Mundial de 2008 que continua acontecendo anualmente, é o campeonato Tambaba Open de Surf Naturista.

É administrado por outro grupo naturista sediada em Conde. Porque não eles?


Decreto Municipal 256/2002 regulamenta decreto nº. 276/91:


- Lei nº. 256/2002

O prefeito constitucional de Conde Estado da Paraiba, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei faz que a Câmara de Vereadores aprova e eu sanciono a seguinte lei.

Art 1 - trata a presente lei da regulamentação do decreto n.276/91 que criou área de preservação ambiental e da prática do naturismo no balneário de Tambaba.

Art 2 - fica regulamentado como sendo a área para a prática do naturismo a faixa de terra compreendida entre a pedra dos despachos e a prainha, divisa com a praia da barra de garaú.

Art 3 - fica terminantemente proibida a pratica de naturismo em qualquer outro local que não seja a área especificada no artigo anterior incorrendo aquele que desobedecer em infração ao diploma repressivo brasileiro.

Art 4 - fica extinta a área determinada como alternativa a área comprendida desde o estacionamento passando pelo bar do xexéu até o início da falésia para a prática do naturismo.

Art 5 - esta lei entra em vigor na data de sua puiblicação.

Art 6- revogam-se todas as disposições em contrário.

Conde, 21 de fevereiro de 2002.

Temístocles de Almeida Ribeiro

Prefeito

Decreto Municipal 276/91 autoriza a prática de naturismo:


- Decreto 276/91

Decreto N. 276, de 25 de Janeiro de 1991 Institui Área de Preservação Ambiental, autoriza à Pratica do Naturismo, sob a Forma de Concessão Exclusiva À ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DE TAMBABA - AAPT, e dá outras Providencias;

O Prefeito Municipal de Conde, Estado da Paraíba, no uso das atribuições que lhe confere a legislação em vigor, e, considerando que a preservação ecológica e as suas implicações decorrentes do desenvolvimento e da estrutura da comunidade e suas relações com o meio ambiente, constitui uma das metas prioritárias do Governo Municipal:

Considerando que se faz necessária a participação de setores organizados da comunidade na administração Municipal, apresentando sugestões, notadamente no que toca à proteção ecológica.

Considerando que o Naturismo é um modo de vida visando a harmonia com a natureza , caracterizado pela pratica do nudismo em grupo, voltado para o auto respeito, a respeito mutuo e para preservação do meio ambiente;

Considerando e comprovado interesse despertado pela pratica do naturismo, incentivando o turismo nacional e internacional em alta escala;

Considerando ainda que já existem áreas demarcadas para proteção ecológica e pratica do naturismo em grupo, nos Estados de Santa Catarina, na Praia do Pinho, município do Balneário de Camboriu e no Rio de Janeiro, na Praia Brava, município de Cabo Frio;

Decreta:

Art 1 Fica instituído como área de preservação ambiental e da pratica do naturismo, o Balneário de Tambaba, na área do sul, entre a Pedra dos Despachos e a Prainha , divisa com a Praia de Barra de Garaú;

Art 2 a Secretária Municipal de Administração e Urbanização , regulamentará o presente Decreto, viabilizando a sua aplicação de modo a possibilitar a obtenção do seu fim assegurando o acesso da população à referida Praia.

Art 3 Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação revogando-se as disposições em contrario;

Prefeitura Municipal do Conde, 15 de janeiro de 1991.

Conde - PB, 25 de Janeiro de 1991

Aluisio Vinagre Régis

Prefeito

Lei 7308 (De utilidade pública Estadual)

O governo do Estado da Paraíba reconhece de utilidade pública a Sociedade Naturista de Tambaba (SONATA):

O Exmo. Governador do Estado da Paraíba.

Faço saber que o poder legislativo decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Art 1- fica reconhecida de utilidade pública a Sociedade Naturista de Tambaba (SONATA) - no município do Conde, neste Estado.

Art 2- esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art 3- revogam-se as disposições em contrário.

Palácio do Governo do Estado da Paraíba

João Pessoa, 10 de Janeiro de 2003
Cássio Cunha Lima

Governador

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Patriotismo, jornalismo, e ética

Walter Cronkite, "a pessoa mais confiável da América", teve um encontro com o Ministro de Defesa dos EUA, durante a guerra de Vietnam, em que o ministro falou da necessidade de patriotismo em todos os setores. Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de S.Paulo, conta a história na edição 18 de Politica Externa, e a reação de Cronkite:

"Não é trabalho do jornalista ser patriota. Alias, como é que se pode determinar o patriotismo? É patriotismo simplesmente aprovar sem discussões todos os atos do governo? Ou podemos definir-lo como ter a coragem de falar e agir com base nos princípios que consideramos os melhores para o país, que quer estejam com a vontade do governo, quer não?"

O jornalismo, e em especial Cronkite, foi um grande força para trazer ao fim a tragédia de Vietnam. Além de implorar patriotismo, o governo tentou impor censura, no caso famoso do Pentagon Papers, que eram classificados de sigilosos porque mostraram em detalhe os erros do governo, naquele conflito.

Caso Jornal Olho Nu

Já sugeri antes aqui uma ética peladista, que contrastei com a maneira que que se age no reino de naturismo brasileiro.

Uns dos nossos irmãos sul-americanos acham bastante estranho esta tentativa de censurar o único jornal de naturismo brasileiro (o público de "Brasil Naturista" lê com uma mão). E com razão.

Jabuticaba

O "Codigo de Ética" do FBrN não é baseado em nada semelhante da INF ou qualquer outra Federação nacional. Que nem a regra que restringe solteiros na praia, discriminação claramente contra a Constituição brasileira e que resultou da expulsão de naturismo organizado da Bahia durante anos, é uma coisa que somente há no Brasil.

"Tudo que só dá no Brasil, e não é jabuticaba, é bobagem," reza o velho ditado.

A regra de omerta, o silencio de terror imposto em qualquer área dominado por organização criminal, e a discriminação contra solteiros, é enraizado no naturismo brasileiro. A erva daninha de "somente casais" foi exterminado em algumas áreas, como na Praia de Abricó no Rio de Janeiro, onde o próprio Pedro Ribeiro, editor de Olho Nu, tem demonstrado que é possivel se despir sem desrespeitar a Constituição.

Código de "Ética"

A tentativa de intimidação do Jornal Olho Nu pela ilegítima (em todos os sentidos) "Conselho de Ética" da FBrN, deve ser visto pela ótica de ética universal, e não pela coisa pobre e maltrapilha que a FBrN chama de uma Código de Ética. Que não é. A censura não é etica.

Faz o que quiser, menos falar a verdade

A FBrN segue uma regra muito peculiar, de que qualquer desvio de conduto, tão sério que seja, pode ser tolerado, feito pelas pessoas "certas", e que não faz mal que ninguém fala.

O caso Colina do Sol

O caso mais notório data de 2007, quando as corja que domina a Colina do Sol fez acusações falsas contra quatro naturistas. As vítimas das falsas acusações, que amargaram 13 meses presos, incluiram Dr. André Herdy, o próprio Presidente da FBrN, e o americano Fritz Louderback. Os acusadores eram desafetos e devedores de Fritz.

Silvio Levy, maior dono da Colina do Sol, escreveu a favor dos acusados, Pedro Ribeiro abrindo espaço no Jornal Olho Nu.

A corja da Colina, inclusive seu presidente Etacir Manske, e o condenado por sequëstro e dono da camping Tuca, fizerem a denuncia infundada de que eles se sentiram ameaçados pelas cartas de Silvio, acusação do qual ele foi devidamente absolvido.

O que a FBrN fez sobre a falsa denúncia contra Silvio Levy? Levou Etacir Manske para Brasilia para falar com parlamentares, colocando em perigo anos de esforço a prol de uma Estatuto de Naturismo.

Fraude, seqüestro, ou assassinato? A escolha é sua!

Ainda mais, aprovou a realização da III Elan na Colina do Sol. Lá, nossos hermanos da América Latina tem opções de hospedagem. Podem ficar na camping de Tuca, condenado por seqüestro. Há ainda, o Hotel Ocara, penhorado devido ao dinheiro público pego emprestado e não investido. O maior investidor no hotel, Dana Wayne Harbour, foi assassinado na Colina do Sol quando investigou o paradeiro do seu dinheiro, e conforme relato de fonte confiável, evidências do fraude, e pistas aos mandantes do assasinato, foram extraidos da sua casa no dia seguinte por sr. Colin Collins, que é dono da outro opção de hospedagem, cabanas para alugar.

Conselho de Ética ilegítima

Sr. José Tannus foi eleito Presidente da FBrN duas vezes: uma vez por um eleição convocado e conduzido de forma irregular atrás de portas fechadas no Mirante de Paraiso em março de 2009; o outro convocado e conduzido conforme os estatutos e a lei em Praia do Pinho em 15 de novembro de 2009.

Os dois atos foram registrados no Cartório de Balneário Camboriu: de uma maneira ou outro, Tannus é o presidente.

Porém, as eleições divergem na composição do Conselho de Ética. Por exemplo, o conselho da eleição ilegítima inclua sr. Marcelo Pacheco, que agiu com um rapidez que sugere preparo para destituir Dr. André da presidência no mesmo dia da sua prisão fundado somente nas acusações da Colina, e que responde a vários processo por utilizar fotos de crianças nuas, sem permissão dos pais destes, para vender sua revista.

Sendo que um dos conselheiros legítimos me informa que não foi avisado deste processo contra Pedro Ribeiro, presumo que foram os ilegítimos.

Achei que eles não tiveram vocação para lidar com ética. Este processo confirma.

O perigo está na Colina

Este "código de ética" vem da época negra de naturismo brasileira, quando seu longo tradição, que vem da Luz del Fuego e antes, que levou a bandeira nacional para a fundação da INF, que mantive e a chama acesa durante a ditadura militar, foi apropriado por um "fundador". Na realidade, nada fundou além do estilionaturismo, que usa naturismo primeiro para atrair "investidores", e depois para abafar qualquer examinação dos seus métodos empresarias, fora do comum, e fora da lei.

Os que visitam Colina para o III Elan devem evitar qualquer tipo de "compra" ou "investimento". É muito esperar que todos voltassem para seus países com seu dinheiro, mas reza que esta vez pelo menos, vão escapar com suas vidas.

O Marquês de Abricó

Pedro Ribeiro é editor do Jornal Olho Nu, que segue os melhores tradições de jornalismo, não somente em sua longa e consistente divulgação de naturismo, mas em seu comportamento de ética e coragem no caso Colina do Sol.

A Praia de Abricó é a resultado do trabalho de muitos, mas não há nenhuma dúvida de que a estabelecimento e o sucesso contínua da praia devem mais ao Pedro Ribeiro.

Pedro mostrou com Abricó que a velha regra contra solteiros era entulho do autoritarismo da época negra. Com a defesa do Dr. André e os outros falsamente acusados, desafio os "poderes" de naturismo.

A tentativa de censurar Olho Nu é retaliação contra seu rectitude e coragem. É para ser um aviso para outros, do perigo de divergir das idéias antiquadas e autocratas que tentam voltar do seu túmulo na Colina do Sol.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A NUDEZ EM AMBIENTE NATURISTA É ARTIFICIAL


Feliz ano novo, moçada pelada do meu Brasil varonil que apesar da distância física está bem vivo no coração. E vamos que vamos para esse 2010 que já começou há alguns dias. E viva o blog dos peladistas que completa um aninho.

Bom, minhas observações sobre esse fenômeno que é tirar a roupa continua a toda prova. Tenho entendido, pelo que vejo na mídia, nos comportamentos de frequentadores desses espaços, e de memórias de locais que freqüentei, que a nudez em ambientes naturistas é totalmente artificial.

Claro que é artificial. Por quê? Como você pode fazer uma afirmaçãozinha dessas? Calma naturista irritado! Estou dizendo que vocês tiram a roupa para ficar pelados por mais tempo possível num local combinado. Criam um ambiente onde a nudez é permitida. Criam uma situação de lazer em que a nudez é aceita. A nudez em si é natural, mas em comunidades, o natural seria se a nudez fosse aceita em todos os ambientes e os ambientes naturistas fossem apenas uma extensão da sociedade, aí talvez nem precisasse existir ambiente naturista. Além disso, todos os que ficam pelados em comunidades, seja peladista, naturista, nudista, mazoquista os cambal, é visto como ET pela sociedade.

E ainda pra completar muitos vão no embalo, nem sabem porque estão tirando a roupa. Apenas porque ouviram dizer que ficar pelado diante de outras é bom para o ser humano porque o-f-a-z-d-e-s-p-i-r-d-e-s-e-u-s-p-r-e-c-o-n-c-e-i-t-o-s e por aí vai repetindo como um papagaio aquilo que leu ou ouviu por aí.

Então o que acontece? Se a nudez é artificial e ninguém se conscientiza disso, seus gestos, seus movimentos, suas falas, acompanham essa artificialidade e caminha para a hipocrisia. O que se tem é um grupo de pessoas que se reuniu para se empanturrar de comida e ficar pelado sem saber o motivo.

Mas que churrasco é bom é né?

Ariana Boss

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

TIRAR A ROUPA NÃO É NATURAL

Sabe, povo, andei pensando um pouco mais sobre essa história de naturismo, de ficar pelado, de tirar a roupa. É claro que sou peladista convicta, mas andei descobrindo mais umas coisinhas sobre o assunto.

Bem, tirar a roupa, é tirar algo que está fora de si, é algo que está na superfície, logo os olhos vêem. É como se descascássemos uma laranja, como se pelássemos um ovo cozido, é como se raspássemos a cabeça. Legal essa visão, né??? Pois bem, ao fazermos isso o que vemos é algo pelado, algo sem roupa, sem casca. Uma superfície lisa, um corpo sem cobertura, sua superfície. Sua parte externa. É fácil então não encontrar sentido para a coisa. Porque a vestimenta está tão introjetada nos seres humanos, por causa da cultura, tão internalizado que é como se fosse natural estar vestido. É como se estar sem roupa não fosse natural. Ou seja, é como se fosse natural usar roupa e não o contrário. Então, tirar a roupa é como se fosse antinatural. E o que não é um processo natural, além de ser mais difícil dá abertura para que o orgulho e a vaidade entrem em cena e ocupem cada vez mais espaço para defender o indivíduo de possíveis ameaças. É como se ao estar realizando uma ação não natural, os mecanismos de defesa agissem para defender a criatura de ameaças. Aí o orgulho, a vaidade, ou objetivos tortos entram em cena para amparar o cidadão que se sente “vazio”, “desprotegido”, “ameaçado”.

Filosófico né??? Continuo com meu raciocínio.

Se tirar a roupa é um processo antinatural, o corpo precisa se defender. Logo, os naturistas inconscientes dessa inversão motivada pela cultura, ficam buscando justificativas para tirar a roupa; e não preenchendo o vazio criado, colocam o sexo em primeiro plano, associando a nudez ao sexo, já que culturalmente fomos ensinados que só se tira a roupa para práticas sexuais. Aprendemos que se tira a roupa para seduzir, para ter prazer no momento dedicado à realização do sexo, para excitar o parceiro ou a parceira e revelar seus desejos sexuais, enfim.

Caro indivíduo que tira a roupa, você já pensou por esse ângulo? Já pensou que você, usar roupa é natural, e tirar a roupa é antinatural? É como o processo de “falar” e “ler-compreender”. A “fala” é algo particular, que vem do interior para o exterior do indivíduo um processo natural (sei que você pensou em outras coisas que vem do interior para o exterior!!!!); já “ler-compreender” é algo do exterior para o interior. É um processo não natural e por isso exige certas habilidades. Exige mais do indivíduo, assim como tirar a roupa.

E, para mim, essa coisa de tirar a roupa, gera tanta confusão, tanta polêmica, inventa-se tanta história, criam-se tantas palhaçadas porque as criaturas que o fazem pensam culturalmente, ou seja, pensam que tirar a roupa não é natural. Se pensassem naturalmente, como alguns poucos naturistas e peladistas que conheço, a coisa seria menos dolorosa e causaria menos confusão.

Então, convido aos chamados naturistas a, por uns poucos segundos, deixar de pensar como naturistas, e olhar a coisa por esse ângulo de visão que estou apontando.

E até o próximo churrasco!!!