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domingo, 27 de abril de 2014

Invasão de Tambaba

Temos o prazer de dar boas-vindas ao naturista Nelci-Rones Pereira de Sousa como autor e não como o assunto da matéria.

A diferença entre ser autor e o assunto é importante, como ilustra este texto inicial. Participar do naturismo é uma coisa, ser objeto de curiosidade de turistas é outra. O convívio social é fundamental ao naturismo, e colocar naturistas como animais no zoológico ou como freaks de carnaval do interior, não combina com os princípios do naturismo, nem com a boa educação. Nem seja um bom pressagio para o futuro de naturismo no Brasil.

Grupo AndaBrasil na praia de Tambaba
Pra justificar a invasão de mais de cem pessoas vestidas dentro da área naturista de Tambaba, em uma travessia que fazia parte de uma “caminhada ecológica”, a líder do grupo, esposa de um dos comerciantes da localidade, deu uma entrevista à uma TV local, onde cunhou a frase: “ O naturismo vai além da nudez”.

Esta frase vem sendo usada com muita frequência em Tambaba, e até pelo Brasil afora,  para justificar um monte de práticas não naturistas por diversos tipos de pessoas que se autodenominam naturistas, mas na realidade exercem atividades muito diferentes daquelas vinculadas ao naturismo.

Ora, que eu saiba, a expressão “além”, tem sentido de “depois”. Isto leva à uma conclusão simples: sem a nudez não existe naturismo, como, aliás, está implícito no próprio enunciado que define a filosofia. Por outro lado “além da nudez” é uma expressão que quer dizer que o naturismo não é só a nudez. Implica outros conceitos, como auto respeito, respeito ao próximo e respeito à natureza. Apesar de não ser “só” a nudez, quando praticada em grupo,  continua sendo o fundamento principal.

A julgar pela estupefação das pessoas que visitavam a praia no momento dessa travessia, a atitude pecou em todos os quesitos que definem o naturismo. Inicialmente, ao não estarem despidas para essa caminhada, demonstraram que não possuem auto respeito pois necessitaram de subterfúgios, suas próprias roupas, para se sentirem confortáveis. Depois, ao se apresentarem vestidos na presença de várias pessoas nuas, provocando o absoluto desconforto e constrangimento destas, desrespeitaram todas elas, trazendo o total descumprimento do quesito “respeito às pessoas”. Por último, não me consta que “caminhadas ecológicas” sejam eventos de “respeito à natureza”. Qualquer pessoa sabe que essas caminhadas têm como objetivo apenas apreciar a natureza, trazendo benefícios a si próprio e não à natureza, podendo, às mais das vezes, ao contrário, trazer prejuízos de diversos graus e gravidades.

Assim sendo, onde existe a presença de naturismo nessa atitude? É muito claro que esta é uma atividade que está muita “aquém” do naturismo. Portanto, está provado que a expressão usada é altamente deturpada e praticada no seu total antagonismo.

Mas, o que mais me preocupa, e traz a minha total indignação, é o apoio que esses eventos recebem das diversas entidades e associações que representam o interesse dos naturistas no País, vislumbrando assim um quadro de total alteração nos objetivos dessas entidades. Pior é que essas associações vêm se fortalecendo com a participação em seus quadros de pessoas que não têm a menor característica da filosofia, demonstrando uma alta deformação dos propósitos iniciais firmados por quem os introduziu.

Sinceramente, estou com elevadíssimas cismas sobre o FUTURO DO NATURISMO BRASILEIRO.

Nelci-Rones Pereira de Sousa
Naturista.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Viva a Liberdade Nua!

ManiFESTAçao pela Liberdade da Nudez #4
1º de dezembro de 2013, na ciranda de palmeiras na Praça da Paz – Parque do Ibirapuera – São Paulo


A debate no programa SuperPop da RedeTV! considerou se a nudez deve ser liberado, ou confinada nas gaiolas das áreas naturistas. Já aconteceram no Parque de Ibirapuera três ManiFESTAcões para a liberdade de nudez. A primeira, nas fotos acima e ao lado, simbolicamente retirou as faixas pretas da censura. A segunda foi coberta pelo jornal naturista Jornal Olho Nu, principal veículo naturista do Brasil, assim como a terceira ManiFESTAção.

Todas estas manifestações foram pacíficas, foram comunicados anteriormente às autoridades competentes, e apesar de acontecer no maior parque da maior cidade do Brasil, acontecerem sem
transtornos e sem muito incômodo para os outros usuários do parque.

É legal?

As manifestações políticos e culturais são protegidas pelas leis e pela Constituição do Brasil. O Ministério da Justiça já liberou o nu sem conteúdo sexual para a televisão aberto, a qualquer horário.E muitos protestos recentes tem usado nudez.

A reação dos frequentadores do parque à manifestação foi variada. Uns chegaram mais perto, inclusive famílias com crianças, outros poucos se afastaram, mas a grande maioridade não deram muita bola. Um grupo de adolescentes indo jogar bola atrasaram o passo um pouco, mais continuaram até o campo de bola.

A Guarda Civil manteve a paz nos três Atos
As guardas municipais, e as guardas terceirizados do parque, estavam preparados para qualquer dificuldade. Não houve. Sacaram então seus telefones, e fizerem recordações do evento.

E as crianças?

Crianças no naturismo sempre suscitam perguntas. Ser visto nus por outros pode lhes causar danos? E pode causar danos a crianças ver o nudez alheio? Ser fotografada faz mal à criança?

Até agora nenhuma família com crianças participou das ManiFESTAções. Foi cena corriqueira ainda no final do século passado crianças pequenas nadando peladas no espelho d'agua em volta do Obelisco no Parque, ou no fonte em frente do Catedral da Sé. Os jornais imprimem fotos de crianças peladas até na capa quando é notícia. Em 1990, Bia Lessa encenou "Suor Angélica" no Theatro Municipal, com umas cinquenta crianças peladas correndo no palco na cena final. E isso é falando das áreas nobres da cidade. O pudor é um privilegio dos ricos - quanto privacidade tem uma família morando num quarto de cortiço ou favela?

E não podemos esquecer de Chico Bento nadando pelado na roça, ou os indiozinhos de Castelo Ratimbum andando pelados como seus antepassados e como seus parentes de hoje.

Mas crianças vendo algo desacostumado, poderiam sofrer danos? Os museus da cidade são repletos de nus. Em 2005 a Oca de Ibirapuera recebeu a exibição "Corpos Pintados", onde conforme um critico de jornal, "Tudo pode ser visto na tez macia de uma garota ou na pele flácida de um idoso." A exposição de pinturas, fotos e esculturas de corpos nus foi frequentado inclusive por grupos de estudantes em uniformes da rede municipal e estadual.

No Parque de Ibirapuera, e no Brasil, o nudez da crianças pode ser visto, e ela poder ver o nudez dos outros. E sempre foi assim.

Tradição naturista brasileira


O naturismo formal nasceu no Brasil com Luz del Fuego, que abandonou sua família tradicional e seu nome Elvira Pagã, para abraçar o naturismo e dançar no palco com duas cobras. Ela fundou o Partido Naturista Brasileira nos anos 50, exigiu o naturismo rigoroso na sua Ilha do Sol na baia de Guanabara, onde exigiu que todos ficassem completamente nus - até o Censo. Luz aguentou a chegada no regime militar, mas foi vítima de um assalto na sua Ilha em 1967. Virou assunto de filme em 1982, peça de teatro em 1992, e ficou até mais famosa depois da morte do que na vida.

Atenção da mídia

O naturismo interesse a mídia? Não. Mas o nudez interessa. Muita cobertura de "naturismo" na televisão em anos recentes, não foi de naturismo. Usou o naturismo para disfarçar o interesse em corpos nus, ou em comédia da mais baixa qualidade.
A matéria na Folha de São Paulo em julho foi de outro padrão. Não foi pruriente, nem humorística, nem "chapa-branca", mas foi jornalismo mesmo.  Investigou vários recantos naturistas, e não engoliu as palavras do entrevistados. Tratou o "código de ética" como regras de etiqueta, por exemplo.
  
O tratamento da RedeTV! foi também respeitoso, pelo menos no estúdio. Não posso opinar sobre o que foi ao ar, pois isso é escrito antes.

Uma coisa é certa: a atenção da mídia deve garanti que haverá bem mais gente no Parque de Ibirapura no primeiro dia de dezembro. Mais gente para observar, e esperamos, mais gente para participar. A liberdade de nudez não é de um pequeno grupo, ou de uma pequena fatia de sociedade que tem o luxo de frequentar áreas particulares. É um liberdade com que todos nós nascemos.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Folha de S. Paulo: a panelinha de naturismo

A Folha de S. Paulo escreveu hoje de naturismo, com grande perspicácia e com espaço enorme, a capa e sete páginas internas da revistinha de domingo. Domingo a noite estava como a matéria mais lida da edição online. Li a matéria logo depois um ensaio de Fernando Gabeira em que o autor da Lei Gabeira nota que, "O mês de junho envelheceu rapidamente os partidos, como se as câmeras os fotografassem usando o efeito sépia para transmitir a atmosfera de passado que os envolve." As manifestações pacatas no Parque de Ibirapuera, e esta matéria no maior jornal do Brasil, envelheceram o "naturismo organizado" brasileiro.

O título da matéria principal é "Todo mundo pelado: naturistas paulistas brigam entre si pelo direito à nudez pública", e os repórteres Ricardo Senra e Danila Moura entrevistaram aderentes de vários movimentos: Alfredo Nora que organizou as manifestações no Parque do Ibirapuera, Rose Santana do SP-Nat, da Marcha das Vadias, da Pedalada Pelada. Um dos criadores desta última, André Pasqualini, deu a frase emblemática da reportagem:

"Acho uma incoerência enorme alguém que se diz naturista ser contra esse movimento no parque", afirma André, que foi preso na primeira bicicletada nudista.

Sobre a rusga entre os pelados radicais e tradicionais da cidade, André tem o seguinte a dizer: "Sabe qual é o motivo? Briguinha de ego, gente reclamando de quem está a fim de formar uma panelinha naturista".

O suite de matérias mostra uma divisão entre os naturistas novos, que fazem alguma coisa, que levam naturismo para as ruas ou os parques, e um outro grupo, que é retratado como pessoas plantadas defendendo seus castelos isolados, com seus mentes medievais.

O jornal ainda coloca as opiniões de três renomados juristas sobre o naturismo público. Topless nunca dá processo, conforme um. E o uso do nu em protesto, é protegido pela Constituição.

Recomendo a leitura integral das matérias. Só não as coloco aqui para respeitar o copyright. Além da mateira principal há uma sobre aspetos legais; sobre terapia corporal nu; sobre "pelados que viraram notícia", e regras de etiqueta, onde se encontra o que a FBrN incorretamente chama de "Código de Ética".

O que importa?

Alfredo Nora postou no Facebook depois que a matéria saiu,

agradeço à revista da folha ter me dado a capa de hoje. mas lamento que mesmo cheios de boas intenções e com pessoas esclarecidas envolvidas, colocaram em primeiro plano, acima das questões fundamentais, uma novela ridícula e insignificante do que chamaram de "guerra entre naturistas radicais e tradicionais" ...

Panelinha velha?
Enquando Alfredo era o principal entrevistado, não era o único. Porque São Paulo lembre a Revolução de 1932 enquanto o resto do Brasil nem dá bola? Porque o Guerra Civil americano é ainda importante para os estados do sul, e águas passadas para os do norte? É que a guerra importa mais para o lado que perde.

E como a matéria mostrou, os "naturistas tradicionais" estão perdendo a guerra. Alfredo os procurou e foi repulsado. Sem dúvida, os repórteres ouviram muito mais do "conflito" do lado das pessoas ligados ao "naturismo organizado", do que ouviram de Alfredo, pois para eles, importa mais. Eles que estão fazendo guerra - e vendo que suas "armas" nem atingem o "inimigo". São irrelevantes e obsoletos.

Discorde de Alfredo de que a agressão dos coligados da FBrN seja uma "novela ridícula e insignificante". Eu já escrevi no Jornal Olho Nu sobre a segunda e a terceira "ManiFestAção" no Parque de Ibirapuera. Eu sabia da fricção com o "naturismo organizado", e foi por isso que fui assistir. Não escrevi disso pois ao meu ver não combinava com a linha editorial do veículo, e também porque parecia que poderia ser um aberração momentânea de uma dirigente que estava sob estresse por outros motivos. E atacar uma pessoa nesta situação, não combina com minha linha.

Acertou na mosca

A Folha acertou em cheio. O naturismo brasileiro vive, de fato, uma guerra. A guerra é pior do que a Folha imagina: comentamos esta semana o papel que a atual diretoria da Federação Brasileira de Naturismo tinha nas acusações falsas de pedofilia que causaram a prisão do então presidente da FBrN, Dr. André Herdy. Sobre a "panelinha", uma breve olhada na estrutura da FBrN mostra que a multiplicação de "diretorias" é limitada somente pelo número de parentes e amigos dos manda-chuvas que querem hospedagem grátis em áreas naturistas. A Colina do Sol é um pesadelo de perseguições de quem esteja fora da panela, e privilégios para quem está dentro.

A psiquiatra Carmita Abdo da USP também compara as manifestações usando o nu, e os outros protestos recentes:

Carmita vê paralelo entre a causa de Alfredo e a onda de protestos que começou com cobrança por menores tarifas de transporte público e se tornou algo muito maior no país. "As novas gerações sempre propõem rupturas, que começam com pequenos grupos e atingem o social."

O mundo gira

Para um estrangeiro, a fascinação de Brasil com o "oficial" é em si fascinante. A obrigatoriedade do trabalhador se afiliar ao sindicato do setor (e pagar um imposto ao particulares), e da empresa pertencer ao "sindicato patronal" e também ser tungada, é coisa bizarra. A noção de que tudo mundo precisa ter um "representante oficial", e ainda pagar por isso, remete à época em que esta regras nasceram, quando fascismo emprestou suas ideias para implantar o Estado Novo e seus arquitetos para projetar as grandes construções de São Paulo.

O mundo gira. A crença em representantes "oficias" sumiu, até nos representantes eleitos, como as manifestações desta mês mostram. As vantagens organizacionais de um grupo naturista, foram largamente ultrapassadas pelo Internet e pelas redes sociais. O modelo da ditadura de Vargas, as monopólios estatais e reservas de mercado da ditadura militar, reproduzidos em tamanho "PP" nas "concessões" da Colina do Sol, são coisas do passado.

O mundo gira. O novo chega. O velho cede. Mas cedendo, esperneia.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Luz del Fuego, saindo dos acervos


Luz em casa na Avenida Niemayer
A mãe de naturismo brasileiro, Luz del Fuego, foi uma figura de controvérsia na vida, que deixa obstáculos para traça seu legado depois da sua morte, violenta e prematura.
Felizmente, a digitalização de arquivos de jornais anda facilitando quem quer saber mais de Luz del Fuego. Ilustramos esta matéria com fotos do extinto jornal carioca Última Hora, agora no Arquivo Publico do Estado de São Paulo. As edições do jornal que correspondem às fotografias ainda não está digitalizadas.  O Estado de São Paulo, que já foi um grande jornal, anunciou ano passado um plano de digitalizar seu acervo, que foi recentemente concluído, um acesso livre para todos até dia 20 desta mês.

O jornal O Estado de S. Paulo noticia a participação da Luz na peça "Fruto da Eva", mas ela aparece muito menos viva do que depois da sua morte, especialmente na primeira década deste século, ou quando um filme foi lançado em 1982. Veja o gráfico dos resultados da pesquisa "Luz del Fuego":

FILTRE POR PERÍODO De 1875 a 2010 ( 109 )
  • 1870
  • 1880
  • 1890
  • 1900
  • 1910
  • 1920
  • 1930
  • 1940
  • 1950
  • 1960
  • 1970
  • 1980
  • 1990
  • 2000
  • 2010
As barras no gráfico exibem a quantidade de ocorrências do termo procurado em cada período.
Clique sobre uma das barras para exibir resultados do respectivo período.

O jornal tem ainda um sumário da "personalidade" Luz del Fuego, com um texto muito semelhante o de Wikipedia, e links para seis páginas do jornal

Viva, notamos em 20/06/1959, na página 6 da edição nacional:

Luz del Fuego ameaçada de perder a Ilha

Rio, 19 ("Estado" - Pelo telefone) -- O sr. Fernando Sehwah, delegado de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro, solicitou informações da União acerca dos fins a que se destina a Ilha do Sol, cuja concessão foi dada à atriz Luz Del Fuego. O delegado pretende averiguar se o Clube Naturalista Brasileiro foi autorizado a funcional naquele local.
Enquanto eu procurava ver instância da censura impedindo Luz del Fuego, encontrei Luz del Fuego impedindo o censo. Em 22/09/1960, na página 8, O Estado informou:

Luz del Fuego impediu o censo na Ilha do Sol

Rio 21 ("Estado") Dora Vivaqua, conhecida pelo nome artístico de "Luz del Fuego", proibiu o desembarque dos recenseadores em sua ilha, a Ilha do Sol, devido à negativa daqueles funcionários em cumprir os regulamentos da colonia de nudismo ali existente, isto é, desembarcar sem roupa.
Assim, apesar da intervenção dos jornalistas, que fizerem ver a artista, que sua atitude era ilegal, "Luz Del Fuego" e os membros de sua colonia deixaram de responder aos quesitos do censo.
Seguiu em 12/10/1960, página 7:

Recenseamento na Ilha do Sol

RIO, 11, ("Estado") -- Um agente do Recenseamento pôde ontem finalmente cumprir o seu dever na Ilha do Sol, reduto de "naturalistas", que têm à frente a antiga vedeta Luz Del Fuego. Apenas três pessoas foram ali recenseadas pelo agente, que trajava um calção.
Mais tarde, Luz Del Fuego disse que, se houvesse maior numero de "naturalistas" na ilha, o censor teria que trabalhar inteiramente despido.

A morte de Luz

Photo sem data de Jean Mazon
Nas edições de Última Hora disponibilizadas pelo Arquivo do Estado, a morte de Luz del Fuego está na edição vespertino de 01/08/1967 na página 9 do primeiro caderno, com a título indo de um lado para outro da folha:

Preso confirmou a morte de Luz

Preso ontem pela polícia fluminense, o homicida e foragido da Justiça Alfredo Teixeira Dias, irmão de Mozart "Gaguinho", o principal suspeito de ter assassinado Luz del Fuego e seu caseiro Edgar, revelou que houve realmente o duplo homicídio e que tanto êle quando seu irmão ajudaram a fazer submergir, perto da Ilha do Sol, os dois cadáveres. Afirmou entretanto que os crimes foram praticados pelo amante de Luz, Hélio Luís dos Santos.

Na continuação do texto, a matéria revela rivalidades entre os dois lados da baia de Guanabara. Num lado ficava o estado de Guanabara, antigo Distrito Federal, e noutro o estado de Rio de Janeiro, com seu capital em Niterói. Chegou ao ponto de que quando a lancha com jornalistas de um lado esguichou, o outro não socorreu: foram regatados por pescadores.

No texto do Última Hora, os irmãos Alfredo e Mozart jogam culpa no amante de Luz, uma versão que não foi acolhida pela Justiça nem pela História.

Nascimento da lenda

A gráfica de citações de O Estado ilustra a renascimento da lenda de Luz del Fuego. Pontos importantes foram o lançamento do filme "Luz del Fuego" em 1982, que não ganhou uma resenha no O Estado: somente registros de horários de cinema, um dos quais notou a entrada reduzida para menores de 10 anos.

Uma década depois, em 11 de dezembro de 1992, O Estado trouxe sob o título "Os escândalos de Dora Vivaqua" uma crítica de Alberto Guznik, da peça "Luz del Fuego", passando no Teatro Imprensa. O jornal continuava:

Quase ninguém sage quen é Dora, mas quase todos se lembram de Luz del Fuego, como ficou famosa pelas suas aventuras, nudismo e cobras. A vida de Dora está em cena.

domingo, 17 de março de 2013

QUEBRANDO OS MUROS DO NATURISMO


Em função da matéria “Nudistas da Praia do Abricó não aconselham topless em Copacabana”, na qual fala de ginastas dinamarquesas fazendo topless, e as respostas de alguns naturistas de Abricó para o portal G1, suscitou alguns comentários muitos interessantes nas listas de discussão sobre naturismo. 

O naturismo é NORMAL , é simples, sem complicações. É necessario levar e mostrar isso as pessoas comuns.  Sair fora de "guetos" e "locais escondidos" é necessario. Certamente uma associação deve recomendar para famílias locais "seguros", porem isso não deve limitar e nem inibir ações que desejem mostrar a população em geral a forma simples e sem complicações que é a nudez.

Abaixo é reproduzido alguns desse comentários:  

Cada vez entendo menos e me decepciono mais com as declarações de alguns naturistas quanto à nudez e, agora, especificamente quanto ao topless praticado pelas ginastas dinamarquesas em Copacabana. 


Quer dizer que seios nus como forma de exibicionismo, tipo no carnaval e pelas meninas para atrair turistas pode? Mas, exibir naturalmente os seios ou o corpo totalmente nu não pode; tem que ser escondido entre pedras altas, num local quase inacessível, como se a nudez fosse em si uma ofensa. Lamentável que alguém da Associação de Abricó condene seios à mostra na praia de Copacabana em pleno século XXI, com a argumentação esdrúxula de que havia prédios por perto.
Quem luta pelo naturismo, pratica o naturismo, deveria lutar pelo nu, pela liberdade de estar nu em qualquer lugar e não pela nudez entre quatro penhascos! E essa desculpa de que os brasileiros não estão preparados para isso me cheira à mesma argumentação usada durante um tempo negro da nossa história de que nosso povo não sabia votar... 
O ato em favor da nudez  realizado no Ibirapuera serviu para provar o contrário e para calar a boca dos que querem o naturismo emparedado. Provou que, sim, o povo está preparado para aceitar civilizadamente a nudez pública, sem muros nem penhascos. A Pedalada Pelada deste ano ocorreu sem incidentes, com a Polícia apenas dando proteção aos participantes.
Nunca é demais lembrar que a evolução só acontece quando se avança, e só se avança quebrando tabus, dogmas, paradigmas, ousando. Ou será que alguém ainda pensa que a terra é quadrada e é o centro do universo?
Acordem naturistas!

Verdade este comentário.
Também estou procurando entender como o Naturismo está se comportando frente a estes fatos.
Nudez pode no Carnaval em todos os momentos, parece tudo liberado, mas o topless é mal visto ou pouco tolerado devido falta de entendimento ou consciência da população. Se uma pessoa denunciar ou se chocar, não se pode fazer.
Engraçado que neste país a corrupção, o roubo de verbas públicas, as falcatruas, maracutaias não chocam e ninguém denuncia ou fica indignado, mas diante da nudez há um clamor geral.
Se a manifestação ocorrida no Ibirapuera acontecesse com maior frequência, talvez pudéssemos ter uma clara noção da mentalidade do povo. Ou aceitariam e entenderiam ou seria proibido totalmente, porque, com certeza teriam reclamações e denúncias de atentado ao pudor, o que não ocorreu desta vez.
Por que atentado ao pudor, se as autoridades e governantes não tem pudor nenhum e nem vergonha na cara? Isto precisa ser repensado.
Recentemente estive no Rio de Janeiro com um casal de espanhóis e a mulher fez topless na praia de Copacabana. Ela fez perto de um posto policial, mas antes perguntou aos policiais se não teria nenhum problema e eles disseram que não e que ela poderia fazer topless.
Dai entendemos que as pessoas não fazem porque não querem... porque a polícia até dá proteção.
Mas tem uma coisa: quem não quer fazer também não quer que ninguém faça e aí denuncia.
E os comentários dos naturistas não foram felizes, já que se eles atingiram um estágio evoluído de liberação do corpo, porque limitar a evolução dos outros.
Precisamos de mais espaços e não se limitar aos já existentes.
Devemos pensar em sair do casulo e se mostrar mais no naturismo, perdendo o medo que sempre nos foi imposto por  ideias  e comentários errados a respeito.
Os naturistas devem defender mais o naturismo para que ele saia da condição marginal.

A questão naturismo, ainda esbarra no “socialmente correto”, e as pessoas que no final de semana fazem parte dos encontros naturistas, em chácaras “fechadas”, não querem ser descobertos na segunda feira pelo seu chefe ou pessoal da empresa que trabalha.
Na igreja que frequenta, em sua família muita das vezes..... então os naturistas ficam na defensiva.

Em Copacabana, praia que sempre foi motivo de alegria aos cariocas, deve ser sim praia do TOPLESS.
Quem deseja tirar tudo, vai para ABRICÓ.
O topless nas praias brasileiras não é “proibido”, e segundo o principio ontológico do direito o que não é proibido é permitido; porem como nossas leis são ridículas, basta uma “autoridade” se sentir no direito de reclamar ao “pudor da família” e pronto, policia armada, todos na delegacia para “registro do BO”.
Tento por vias políticas fazer uma “lei federal”, dando total amparo ao TOPLESS em todas as praias brasileiras. Segundo o senador Suplicy existe a tal bancada evangélica que é totalmente contra esta ideia... mas vamos tentando...
O ato no Ibirapuera deve ser feito, incentivado, dado total e amplo apoio. Mostra que o naturismo é NORMAL, é simples, e NATURAL.
Se não houve na primeira vez ninguém contra, vamos fazendo e quem sabe nunca terá uma denuncia.......
Mas um advogado deve ser avisado, e ficar de sobre aviso no dia da ocorrência.

sábado, 2 de março de 2013

A nudez não é pornográfica...

www.carolinaatuesta.com.ar
O evento é sobre a nossa liberdade de expressão, nosso direto da nossa imagem, pacifico e com nudez no parque Ibirapuera, aqui em São Paulo -SP,Brasil. Se você é um daqueles que gosta fotos de adolescentes nuas ou crianças peladas, esqueça: não vai acontecer.
Aqueles quem forem participar deve ser maior de idade. "Pense nas crianças" é a reclamação padrão contra qualquer coisa que sai do habitual.
O Ministério da Justiça já liberou a nudez simples, não-sexual, na televisão para todos as idades. Se puder nas ondas abertas, porque não ao céu aberto? Claro que é um evento não convencional como já foi dito no texto nudez social
Apesar de ser uma manifestação, um protesto sobre a nudez sem conotação sexual, não terá placas e gritos de ordem. Será mais uma festa, um momento de alegria e paz pela liberdade de ficar nu.
Como disse o organizador dos eventos:

"estamos pelados não pra se expor e nem pra ver os outros pelados, não por exibicionismo ou voyerismo, é fundamental primeiro desassociar a nudez da sexualidade... estamos pelados porque está calor pacas e as roupas incomodam, é um saco nadar de roupa e depois ficar com as roupas molhadas, fora que tem um monte de doenças por causa de sunga e biquíni molhados tipo cystite, infecção urinária e aquelas bolinhas na bunda - só pra citar as mais comuns ... estamos pelados porque é saudável e natural, então é um absurdo ser proibido ficar pelado!" Alfredo Nora ao publico de curiosos na mani festa ação pela liberdade da nudez 2, praça da paz, Ibirapuera.


Dados do Evento:
terceiro ato

pela liberdade da nudez
na praça da paz no ibirapuera
(para esta edição contaremos com a presença da policia do parque - todas as nossas manifestações foram pacíficas e com calorosa recepção do publico desavisado presente, essa medida é só pra garantir que assim seja sempre...)
- se vc é de fora de sampa, agita na sua cidade neste dia! -
pela liberdade de estar nú
em praças, praias, cachoeiras e facebook!
pra criarmos a cultura da nudez
pq a nudez é natural, é saudável e é lynda!
pq a proibição da nudez gera:
tanta pornografia e tanta violência contra mulher
tanto pudor ao proprio corpo e ao prazer
pela paz mundial
pelo fim da associação da nudez com sexo:
para libertar a nudez da sexualidade!
tragam frutas, flores, comidas, bebidas, instrumentos, tintas, argilas, cangas, barracas, livros, amores...
convidar todos os seus amigos
é nos unir e propagar esse movimento!
dia 30 de maio de 2013 as 15hs
na ciranda de palmeiras da praça da paz
do parque ibirapuera de são paulo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nudez Social

O nu se liberou das amarras no parque domingo
O evento em prol da Nudez social e sem conotação sexual realizada recentemente num parque em São Paulo, lembra que devemos ter alguns cuidados. Mesmo assim não é garantia contra uma possível ação contra, ou que as fotos ou imagens daqueles que estão nus não parece em algum noticioso.
Nesse ultimo evento realizado em São Paulo, segundo informe, varias autoridades foram previamente comunicadas inclusive, para que os organizadores pudesse cumprir uma ordem contra a sua realização.
A tese para sua realização tem por base os seguintes pontos:
  • Constituição Federal de 1988 dispor que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente, nos termos do artigo 5.°, inciso XVI;
  • A reunião ser um direito fundamental e princípio basilar de um Estado Democrático;
  • A liberdade de expressão garantida também no texto constitucional brasileiro em seu artigo 5.°, quando dispõe nos incisos IV e IX: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; é livre a expressão de atividade intelectual, artística,científica e de comunicação, independente de censura ou licença;
O fato de que essa proteção constitucional refere-se não só às reuniões estáticas, em específico local aberto ao público, como também às manifestações em percurso móvel, como as passeatas, os comícios, os desfiles etc.
Tem por objetivo chamar a atenção das pessoas ao fato de que o NU é natural do ser humano, partindo do entendimento de que a legalização da nudez tornará a sociedade mais saudável, com menos pornografia, bem como, poderá excluir com o preconceito e diferenciação que há no tratamento das pessoas pela forma da vestimenta, além do que, criará maior segurança às mulheres que sempre são assediadas ao usarem roupas curtas., visando a paz, os direitos igualitários e a liberdade sobre o próprio corpo.
A criminalização e a descriminalização devem ter por base precipuamente o sentimento jurídico do povo, pouco importando tratar- se do Direito Penal em si mesmo ou de contravenções penais, desde que se destinem a reprimir certas condutas que a sociedade não pode tolerar.
Suspensão nu dá foto
Não sou advogado e nem tenho formação formal na área do direito, portanto, profissionais do direto podem fornecer mais orientações.
Também é bom lembrar, que muitos empregadores são contra a “nudez social”. Veja por exemplo a noticia: “FBI avisa que mandar foto nu dá suspensão”
Até por isso acho uma pratica contra naturistas fotografias feitas em locais naturistas, sem a autorização dos fotografados.
Outro ponto é quem for participar deve ser maior de idade. "Pense nas crianças" é a reclamação padrão contra qualquer coisa que sai do habitual.
O Ministério da Justiça já liberou a nudez simples, não-sexual, na televisão para todos as idades. Se puder nas ondas abertas, porque não ao céu aberto?
Lembrando todos esse pontos, e que o evento foi pacifico, achei positivo pois chamou a atenção que a nudez sem conotação sexual é parte da natureza humana. O evento visou normalizar o estado mais natural do ser humano. A concepção do evento foi ousada, a realização bem preparada, e o resultado sem drama. Como deveria ser.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Perdendo terreno virtual

Além da perda iminente da área da AAPP na Praia do Pinho, o naturismo oficial brasileiro está perdendo espaço virtual. Fomos estes dias para o site www.pelados.com.br, que também age sob o nome "Brasil Naturista", para verificar quais revistas e DVDs estavam a venda.

Devemos escrever sobre "Brasil Naturista"? O "Manual de Estilo da Folha de S. Paulo" exige cuidados especiais quando escrevendo de concorrentes. Mas pensando bem, "Brasil Naturista" não é nosso concorrente. Afinal, nós não cobramos por conteúdo.  E eles não fazem jornalismo.

Procurei então, a venda da revistas na página principal de www.pelados.com.br. Cliquei no item do menu "Quem Somos", e depois "Revista Brasil Naturista", assim:


Mas o que aparece não é a lista de revistas a venda. Aponta para outro site, www.revistabn.com, e o que aparece é uma lista de links, que por alguma lógica retorcida começa com "Manequins Espirais":

Em contraste, em 2011, a revistabn.com ofereceu um monte de coisas naturistas à venda, conforme pode ser visto no Wayback Machine.  A mesma coisa acontece com lojanaturista.com, que vendia não somente as revistas encalhadas, mas também o Passaporte Naturista INF, DVDs, livros e álbuns de fotos. Mas hoje dá somente uma notícia de "temporariamente fora do ar". Parece que a loja virtual foi feito através de
/http://www.snetcommerce4.com.br/ecommerce_site,

e outras loja virtuais com a mesma estrutura continuam no ar, então o problema não é da ordem técnica. 

Ou a situação é temporário, ou a venda pela Internet caiu mesmo. Caiu -- ou foi empurrada? Desorganização interna, ou problemas financeiras ou legais?


Nunca deu muita grana 


Nos já vimos que o Portal e Revista Brasil Naturista nunca deram muita grana, uma média mensal de R$3.707,05. Para comparação, vimos:
Piso da categoria dos jornalistas no Rio Grande do Sul
Salário Normativo 2011/2012
R$ 1.591,00 - data base: Jun - Capital
R$ 1.333,00 - data base: Jun - Interior
A renda bruta da revista dá quase o piso do capital para a editora e editor. Claro que moram no interior - bem ao lado do Motel Sahara - e nunca estão lá, pelo menos quando oficial de Justiça visita. Mas lembre que o número R$3.707,05 é a venda bruta. Há, também, despesas. Não deve chegar líquido nem o valor de um jornalista do interior.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O jornalismo de qualidade

Já visitamos duas vezes o processo contra Marcelo Pacheco da revista Brasil Naturista e do site www.pelados.com.br por ter colocado na capa da revista um menor, sem a devida permissão dos seus pais.  Já vimos a explicação de que não é preciso permissão dos pais e que naturista nem liga em ser fotografado; e vimos o tamanho do império mediática de Sr. Pacheco: 310 cópias vendidas da revista trimestral, e rendimento mensal média conjunta da revista e portal de R$3.707,05.

Dinheiro é somente uma maneira de avaliar um empreendimento. Comparar a Praia de Abricó ao Mirante do Paraíso em termos de faturamento é descabido. Mas um comparação em número de frequentadores até vai.  A descompasso entre resultado financeiro e qualidade do produto é especialmente acentuada em jornalismo, pois os jornais tipo "espreme, sai sangue" tendem a ser os mais populares.

Onde os advogados de Sr. Pacheco encontraram informações?

O Brasil Naturista e www.pelados.com.br são boas fontes de informações naturistas? Bem, os advogados de Sr. Pacheco anexaram ao processo várias informações naturistas. Para mostrar que Luciano, o pai do menino, morou na Colina do Sol, citaram www.calunia.com.br nas fls 46-47 do processo. Para mostrar que foto de criança pelada não é crime (acho que é isso que estavam tentando comprovar) citaram ensaio deste blog Peladistas que foi re-veiculados no Jornal Olho Nu, nas fls 49-50 do processo.  Nas fls 50-51 é a vez do site Naturistas Cristãos. Há, também, nas fls 51-50 a carta encaminhado para o Ouvidor Nacional de Direitos Humanos com o relatório escrito por Sílvio Levy e por mim.

Vimos, então, que os advogados de Marcelo Pacheco, procurando boas informações sobre naturismo no Brasil, os encontraram não no Brasil Naturista, mas nos concorrentes grátis do seu cliente - e geralmente em matérias da minha autoria.

Onde entra Brasil Naturista? 

Os defensores de Marcelo Pacheco citam suas próprias publicações somente ao dizer que a foto do filho de Luciano é "contextualizada", e fornece um login para que o meritíssimo juiz poderia conferir isso por conta própria. Infelizmente, o login não funciona, o magistrado ficando sem condições de "passear" pelo site, algo que seu cargo de trabalho provavelmente nem permitiria.

O que diz a defesa?

Nosso trabalho jornalistica aqui é de explicar: de comparar documentos, depoimentos, e outras evidências, e assim separar os fatos das "versões". Um bom exemplo disso é que, na onda de falsas acusações de pedofilia pelo qual Brasil passa atualmente, peça-chave é sempre o "laudo psicológico" ou psiquiátrica que "comprova" abuso.

No Caso Colina do Sol, comprovamos que a "psiquiatra" nem psiquiatra era; e quando os filhos de Sirineu foram entrevistados por psiquiatras de verdade, sua conclusão de que poderia ter tido abuso, foi baseado num relato da escola de perda de rendimento escolar: mas há duas escolas no Morro da Pedra, e o relato era de uma, e os periciados estudavam já faz muitos anos, na outra.

Analisamos também os registros públicos dos negócios de Celso Rossi, como na Junta Comercial ou no Registro de Imóveis, e vimos a realidade das suas transações.

Porém, tinha um realidade lá para desvender, que geralmente não era o que Celso dizia que era. A vantagem de registros públicos é que exigem que ele se encaixe no mesmo molde de negócios do restante do mundo.

No caso da defesa de Pacheco, não há o que explicar para meus leitores. Os advogados dizem que fugir de Oficial de Justiça durante 3 anos, serve para escapar de culpa. Advogados me falam, que não é assim. Disse que tinha permissão do "padrinho" da criança para usar sua imagem; o advogado de Luciano juntou a certidão de batismo do pequeno, e o padrinho é outro. Disse que naturista nem liga se foto sua ou do seus filhos seja publicada, e meus leitores naturistas tem mais conhecimento disso do que eu.

Do restante dos argumentos, não entendo o que os advogados estão dizendo, se realmente estão dizendo algo. Parece que o argumento é "Se alguém foi acusado de pedofilia, a Justiça deve fechar suas portas não somente para ele mas para todos seus amigos e conhecidos". Creio que o argumento não procede. O Fórum de Taquara parece que tem uma crença divergente da minha, e por isso mesmo Luciano resolveu reivindicar os direitos do seu filho em outra comarca.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

O império da mídia desnudado

Homem Invisível: Somente um muro
separa o base de Pacheco do Sahara.
Mas Oficial de Justiça nunca o veja lá.
A revista Brasil Naturista é a única do gênero impressa do Brasil, e junto com seu portal www.pelados.com.br é a única mídia naturista com fins lucrativos do Brasil. O fim é lucrativo, e temos aqui uma fraqueza para a maneira quantativa de olhar o mundo. Ou trocando em miudos, "Tem fins lucrativos. Quanto lucro ganha?"

O lucro líquido é o que entra, menos os custos. Sr. Marcelo Pacheco, ou pelo menos seus advogados, informou "quanto entra" na ação 015/1.09.0002398-2, na 3ª Vara Civil de Gravatai, pedido de indenização por danos morais impenetrado por Luciano Fedrigo, cujo filho foi colocado na capa da revista, sem permissão do Luciano ou da mãe do garoto.

"Portal Brasil Naturista e edição de revistas Ltda" teve em 2011 receita de R$44.484,60, para uma média mensal de R$3.707,05. Não vou chamar a quantia de pequena, pois é uma média mensal R$3.707,05 mais do que Peladistas Unidas faturou no mesmo exercício.

Quantas revistas são vendidas? Vimos na próxima folha do processo que para o número Junho/Julho/Agosto de 2007, foram impressos 2.000 cópias da revista. Onde foram? Viramos mais uma página, e lá está: 1150 foram dados de uma maneira ou outro; 540 encalharam (ou "estão no estoque da empresa") e somente 310 foram vendidos.

No processo, os advogados de Pacheco alegam que a venda da revista só serve para pagar o custo de impressão e envio, sem falar do custo de produzir a matéria editorial. Deixe de contabilizar a renda de propaganda, que em muitas revista bate ou ultrapassa o que os leitores pagam.

Viagens?

Quem acompanha a revista ou o site www.pelados.com.br, nota as constantes viagens do Sr. Pacheco e seu equipe: "BN na Estrada", "Pelados na Europa", etc. Oficial da Justiça constata mesma coisa: Pacheco nunca pode ser encontrado no seu apartamento. Parece que é mais deserto do que o Sahara ao lado!

Não consigo imaginar como nem um solteiro podeira viajar tanto, no Brasil e no exterior, com uma renda mensal média de R$3.707,05. Muito menos levando um entourage.  Pode ser que Marcelo não custeia as viagens com o que ele ganha com sua caneta, ou como dizemos no inglês, "pen", como na expressão "The pen is mightier than the sword". Ouvi até que o "pen" de Marcelo é somente parte da explicação, talvez uns 3/5 da explicação. Mas lidamos aqui com jornalismo, e não com fofocas.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Cúpula dos Povos


Manifestantes na av. Rio Branco, ontem, durante a Marcha Global da Cúpula dos Povos
Pedro Kirilos/Agência O Globo
Hoje, o maior jornal do Brasil, a Folha de S. Paulo, colocou a foto abaixo na capa do caderno Cotidiano da edição impressa. A foto convide reflexões sobre a liberdade de expressão, o nudez , o protesto e a imagem.

Liberdade de expressão

Um dos maiores perigos que o naturismo enfrenta é a falsa acusação de pedofilia, muitos vezes fotos naturistas sendo apresentados para a imprensa como  "pornografia infantil", ou "a polícia encontrou fotos de crianças nuas" como justificava pela prisão.

Possuir ou tirar fotos naturistas, de pessoas de qualquer idade, não é crime. Seria útil a imprensa dizer isso. Mais útil ainda é quando a imprensa exercita a liberdade de usar a foto do nu, em vez de pontificar sobre o assunto. A Folha  imprime fotos de nudez de vez em quando, até na primeira página.  Já documentamos aqui no blog o uso de imagens de crianças nuas na grande imprensa brasileira. No uso do nu no protesto, "the medium is the message": o direito de usar o nu, e o direito de veicular a imagem, são ambos reforçados pelo uso.

Protesto

Pedro Kirilos/Agência O Globo
Agora, o que estes três estão protestando mesmo? A Folha mandou uma jornalista, Laura Capriglione - a mesma que produziu os primeiros textos sérios na grande imprensa sobre a caça às bruxas de Catanduva -  para Avenida Rio Branco, onde ela encontrou "todo tipo de protesto". Outro foto deste mesmo grupo, visto de costas, coloca o assunto em perspectivo: os recados estão sendo escritos com pincel atômico por um homem que veste uma camiseta Ché Guevara, o santo-coringa de tudo que é protesto da esquerda.


Nudez serve hoje em dia para chamar atenção. Certos eventos, como o World Naked Bike Ride, conseguiram banalizar o nudez público. Aqui, estes três conseguiram emplacar no capa de caderno do maior jornal do país, o fato de que eles estavam protestando. Protestando o que? O público não ficou sabendo, e acho possível que daqui não muitos anos, nem estes três vão lembrar exatamente que recado estavam tentando passar.


Nudez

Estou esperando um texto de naturistas ou nudistas reclamando do uso de nudez por estes jovens, porque "não são naturistas", e "aproveitaram o nudez para outra agenda". Felizmente, estamos aqui no blog Peladistas, onde é desnecessário fingir que a "filosofia" de não usar roupa é mais profunda do que a "filosofia" de usar chapéu.

A ideia de que  ha "naturistas verdadeiras" e outras que não são "verdadeiras" apesar de tirar a roupa é útil no naturismo brasileiro, onde já serviu na Colina do Sol para expulsar pessoas e confiscar aquilo para qual pagaram dinheiro.

Quando eu tinha a idade dos jovens nestes fotos,  tatuagem era bastante marginalizado. Uma jovem que apareceu no colégio com um piercing seria internado para tratamento psiquiátrica. Ambos estas modas se normalizaram. Não é mais necessário divulgar que um tattoo no braço não é sinal de uma ficha na polícia. A moda espalhou, a comunidade pequena cresceu. E se diluiu. Perdeu o espírito do grupo perseguido. Mas a ideia não é mesmo deixar de ser perseguido?

A banalização do nudez, em protestos públicos como este, ou eventos culturais como as peças de teatro do Zé Celso, serve para normalizar naturismo. Claro que fazer de naturismo algo normal, o tira dos seus "donos", ou melhor dito, dos seus exploradores. Sei porque eles não gostam disso. Mas não ligo.

A imagem
   
Vimos que estes jovens não estão nus: cobriram seus rostos. E porque?

Ele usaram seus corpos para chamar atenção para seu recado, seja lá  o que for. Mas escondendo seus rostos, mantém sua intimidade. O que importa se uma foto do seu peito ou pinto enfeita a capa do caderno do jornal, se ninguém sabe que é seu?

Já li vários relatos de naturistas novatos que acham bem mais fácil experimentar o naturismo social, se estejam longes de casa onde há pouco chance de encontrar qualquer conhecido. A camisa na cabeça fornece a mesma proteção contra conhecidos, ainda que confere um ar de rebelião de Febem.
 

O saldo do protesto

Creio que os jovens do foto atingiram seu alvo: foram para Rio de Janeiro, participaram de um grande protesto, aparecerem no jornal, e não duvido que houve música, cerveja e sexo. Seu "recado" não foi passado, mas foi algo que eles não cogitaram cinco anos atrás e não lembrarão em mais cinco.

Mas vão guardar o foto de jornal para mostrar para amigos, colegas, e talvez um dia filhos e netos.

O "causo" que ganho com este protesto foi naturismo, ou pelo menos peladismo. Os leitores do jornal foram expostos ao nu em público, e o céu não caiu. Outros jovens, com outros "causos", vão ver de que com mil palhaços na Avenida Rio Branco, num protesto que lembrava os desfiles da Avenida Marquês de Sapucai, foi esta a imagem escolhida para a capa do caderno. Haverá imitadores.

sábado, 9 de junho de 2012

Nudity on Brazilian television

Earlier this year, the Ministry of Justice issued new rules for what's considered proper on Brazilian television. One surprise - for people in North America, anyways - is that simple nudity, without eroticism, is considered proper for all ages, and can be broadcast at any time of day.

In light of that decision, let's look at at past nudity on Brazilian TV. It's never been absent, as documentaries with Brazilian Indians, who don't wear clothes, have always been acceptable, so much so that the popular children's TV series Castelo Ra-Tim-Bum included two boys enacting Indian legends, dressed in only their skins.

But the best example in not in the programming, but the commercials. Two of the most remembered Brazilian television commercials of all time were the Mila Margarine commercials in which a couple of dozen nudist children highlighted Mila's "natural" qualities. Juvenal Azevedo, one of the creators of the ads, posted a remembrance of the campaign's creation five years ago, which we translate below for our Portuguese-impaired readers.

The Swedish Mila Margarine commercial. Image from Juvenal Azaredo's blog

In 1979 (whoa, it's been 28 years!), I directed the Center's creative nucleus along with my partner, Luis Di Nallo, and went to Sweden to oversee the filming of a commercial for Mila margarine. It's worth a long detour to explain why a Brazilian commercial was made in Sweden.

Initially, the briefing we received from Sanbra was to do a campaign along the lines of that of rival margarine Becel, saying those things about the heart, and so forth and so on, almost to the point of the consumer having to ask for a prescription to consume it.

Then, exchanging ideas with Carlos Edo, director of planning and customer service for the agency and a guy who I unfairly forgot to include in the pantheon of great planners (in the article "When planning and creation were lovers," see here in Portuguese), we concluded that, at that stage of the market (28 years ago, don't forget!) to position Mila almost as a medicine would be to give the product the last rites.

By the way, Mila, which was previously handled by another agency, already had its head in the noose, since its sales were below 80,000 tons, or megatons, or who knows what, and if the new campaign did nor raise sales to a level close to 150 tons or whatever, it would be discontinued by Sanbra.

Well, one day when I went out with Di Nallo for lunch - and I remember the food well, because it was a Wednesday and we went to eat feijoada at a place next door to the French restaurant Freddy - while we were tossing down a caipirinha, in the time-honored way I had an insight, and said, "Man, I've bagged the Mila campaign."

With his air of a Buenos Aires joker, Di Nallo looked at me and asked what I had shot. And then I explained, "You know vegetarians and nudists, those exotic people that nobody takes seriously, but everyone respects their point of view, this thing of healthy living, back to nature?". "Well," I continued, "we'll make the campaign in a nudist colony, where the guys eat only fruits, vegetables, whole-wheat bread and, of course, Mila Margarine, since Mila is part of a healthy life."

The gringo's eyes shone, and the meal finished, we went back to the agency and told the idea to Carlos Edo, who immediately saw the campaign's potential and called in one of his partners, Federico, who was not in the business but had common sense, Otto from Media, Leonardo from Production and Vasco from Customer Service, the unfailing Luiz Gonzaga Vasconcellos, and told them the idea. But, in the retelling, Carlos included a detail that only I, when I created the campaign, had imagined differently, and gave the information that the models were to be kids (I confess that in my mind, the models were almost all adults) which led me to "clam up," as they say.

This change, otherwise, helped us to please all sides, such as Federico Common Sense himself, and all began to applaud the creative solution.

And so it was done. I wrote two scripts, one with children rolling in the snow, to be filmed outside of Brazil, of course, and another with a tropical setting amid the vegetation and climate and Brazil, which was eventually filmed in Guarujá on the São Paulo coast.

[Both films can be seen on Juvenal's son's site The line "A única que veio do milho" means "The only one made from corn", which helps explain why corn on the cob appears so much.]

[Juvenal writes a bit about Sweden, and of the ins and out of the advertising business.]

Closing the subject of Mila, the campaign was in the air, and less than a week later, Sergio Mendes asked the Nucleus to to suspend the campaign.

Mila, which in order not to be discontinued needed to reach the level of 150,000 tons or megatons, I don't know, in less than two weeks in the media reached the mark of 450,000 whatevers, tying Sanbra's production line in knots.

In 1989, and so ten years later, I was in Enio and I had lunch with Maria Ines, product manager for Cica who had recently left Sanbra, and during our conversation at lunch, when she knew I had worked at the Center, she told me that at Sanbra they had considered running the films again, but they had given up due to the difficulty of finding the models (by now no longer children) to obtain authorization. She also said that, in research commissioned by the company, Mila's campaign, despite having been broadcast for no time at all and been off the air for ten years, was still the most remembered in the margarine market. A wonder!

What can we expect of the change in the Ministry of Justice rules, which explicitly allow non-erotic nudity, giving as an example of what's acceptable a documentary of Indians? Certainly, the naturist lifestyle is just as acceptable as that of Indians. But the part of television with the strongest motivation to seize and hold the viewer's attention, is the commercials. This was not the only Mila Margarine commercial to feature nudity, or even nude children. This one came later:

Anything in advertising that works is imitated, and this worked very well indeed. There have been other such commercials. I recall one for leading retail chain C&A for Mothers' Day in 1995, with a bunch of naked children running on the beach.

One that revolved around being set at a nudist beach showed an man selling a new ice-cream bar, and the nudists being ecstatic about how good it was, licking their lips and going "Mmmmm". A nudist mother then covered the eyes of her nudist child, saying the spectacle was "indecent". It's worth noting that although in that case the nudists were of all ages, the protagonists were mother and child.

With the new rules we may see more commercials with nude people, and even with nudists, and perhaps even again nudist children. Certainly there is now a moral hysteria that did not exist thirty years ago, but on the other hand "natural" and "organic" too are far more marketable than they were three decades ago.

The desire to sell stuff has not changed, nor the desire to capture the viewer's attention.

For thirty years the United States has been locking up an ever greater share of the population for ever more minor offenses. That trend is now being slowed not by the realization that it is pointless, cruel and evil, but simply because it is expensive and budgets are tight.

If there is a force that can prevail against unfounded hysteria, it is the thirst for money. The greatest ally of freedom of expression may turn out to be the profit motive, simple greed.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Naturismo lembrado no Teatro Oficina





O texto abaixo foi lido no final da apresentação da peça Macumba Antropófoga, no sábado 19 de maio, em São Paulo:


Não iremos, hipocritamente, admirar o nu apenas nas artes, mas também na realidade, praticando o nu social no naturismo organizado.Naturismo é a doutrina filosófica que se baseia num modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente. É gratificante, harmonioso, a sensação de conviver nu em grupo de pessoas amigas em toda e qualquer parte desta Terra.Sabe-se que o manifesto Antropofágico fala que a roupa inibe a verdade !!!

Também é a nossa verdade.
A nudez é tão importante quanto ser livre !!!

Vamos ver a Macumba Antropófaga! Que todos os grupos tenham alguém presente lá no próximo sábado e domingo. Veja no blog abaixo para maiores informações que são sempre atualizadas



 Membros do Chat no Teatro Oficina interagindo com os atores  de Macumba Antropófaga





No final da peça - MACUMBA ANTROPÓFAGA a equipe do TEATRO OFICINA deu um grande presente aos membros do chat, fizeram uma interação dos internautas com os atores AO VIVO no final da peça.

Veja o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=N39RimaiWfc