domingo, 13 de abril de 2014

Quando a ideologia vale mais que os fatos...


No caso Colina do Sol temos algumas curiosidades. A mais marcante foi apelação feita pelo MP onde a doutrina, a ”ideologia”, “o que se acha do caso” são mais importantes de que fatos pontuais e concretos. O antigo presidente da Federação de Naturismo foi “condenado” pela ideologia e não por fatos. Para muitos, o que importa, é a ideologia e não fatos. Logica, racionalidade, pensamento logico é coisa de burguês (nunca escutou essa?).

Pior, a ideologia que foi usada é do tipo “crime perfeito”: se as vitimas confirmarem então o réu é culpado. Se as vitimas negarem, então o réu deve ter subornados os envolvidos, e é culpado disso também. É uma acusação maravilhosa, pois pela ideologia, não precisa de provas para negar as teorias. Fatos são irrelevantes. Bastam indícios e denúncias. Uma ideologia, onde a "criança pode mentir sobre tudo, mas não mente sobre abuso sexual." É uma teoria oferecida sem evidências, pois evidências não há. A criança pode ser campeã de mentiras e contradições, mas nesse ponto, “ela não mente” por ideologia. Se as outras mentiras não servissem para tirar a credibilidade da vítima (pois abuso sexual é um caso especial), não há maneira nenhuma do acusado se defender. Contudo a palavra da vítima tem relevância especial, contanto que seja consistente e coerente com as outras provas no processo (ou pelo menos não refute as mesmas).

Ah, sim, se no meio do caminho você afirmar que as vitimas, por serem pobres, estão mentindo, não se preocupe. Essa falácia será aceita placidamente e ninguém ficara revoltado. Afinal pobres são mentirosos, não é? Ou será que não? Eu acho que não, pois uma das poucas coisas em que sobra é a honra e honestidade da pessoa. Mas fazer o quê, a ideologia reinante necessita disso.

De certa forma isso me lembra do conceito de polilogismo. Mas o que significa esse “palavrão”? Descobri pesquisando na net que significa “a crença de que há uma multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana, e estas formas estão subdivididas em algumas características grupais”. Ou seja, acredita-se que há uma diversidade de estruturas lógicas da mente que dependem das características de uma nação, grupo ou do corpo. (ver em http://mauricioserafim.com.br/polilogismo/) Nesse link existe um vídeo com uma aula muito interessante, em espanhol, de Jesús Huerta de Soto, prof. de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madrid.
Outro local que apresenta um texto interessante sobre o tema sob o titulo: “A Falácia do Polilogismo” está em http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2008/07/falcia-do-polilogismo.html.

Mas qual a razão dessa lembrança? Além do absurdo dessa falácia (do polilogismo) ela tem um forte cunho ideológico. Foram usadas por marxistas e nazistas. Se não concorda com a ideia é por que você “não presta”, “é pedófilo”, “um ser racional que mostras todo seu totalitarismo, um burguês, por não aceitar essa ideologia”. Fato? Isso é coisa de “burguês”. Não precisamos de fatos, logica ou deduções. O simples fato de ser contra a tese já mostra a sua origem. Se for vitima e pobre “tem que negar o fato ocorrido, afinal é pobre e pobre deve mentir por causa disso” e estamos todos em paz com essas falácias. 

O ataque “ad hominen” (em outras palavras, xingamento) "quem defende, é pedófilo" é antigo. Em vários casos nos EUA, como na caça às bruxas de Wenatchee, a polícia simplesmente indiciava qualquer um que defendia os acusados. Tinha gente de fibra, mas sem dúvida tinha outros entenderam o recado e desistiram. A comunidade a onde ocorreu o caso sempre usou o portão, o "estatuto" e os "conselhos" contra quem defendia os acusados. Afinal, umas das boas variações polilogismo é usar um pouco mais de ataque “ad hominen”.

No caso de "rede de pedofilia", o ataque ad hominen tem um vantagem oficial. Alguém fala 'não há rede de pedofilia', os acusadores logo dirão: “pegamos mais um! A rede é maior do que pensávamos!" É um jogo “ganha-ganha”, win-win.

Outra coisa bacana desse tipo de acusação: "as vítimas negam; logo foram então ameaçadas ou subornadas; é mais uma prova do tamanho e poder da conspiração" é uma variação deste ataque.  Sem falar, que nesse tipo de “logica”, a “pobre sempre mente e sempre se vende”. Isso serve, por exemplo, como justificativa para colocar por quase um ano um "grampo" num telefone sem achar nada.

“Mas alguém “dirá” foram naturistas que denunciaram naturistas”. Com isso querendo mostras superioridade moral dos naturistas em relação aos outros. Mas alguém já se perguntou qual a razão disso?

Qual a razão que no inicio, foi divulgado, que o Sr. Louderback era “figura desconhecida” da comunidade? Afinal era membro ativo e tinha sido presidente da comunidade. Ah, isso não importa, o que importa é a superioridade moral dos “naturistas” de lá. Não concorda? Lembre-se da ideologia reinante e o polilogismo. Isso já fala muito sobre você, se não concordar com essa tese.

Qual a razão, de apesar de sempre cumprir as regras mutantes impostas pela comunidade, acusaram as vitimas de não seguirem as regras? Para confirmarem a sua superioridade moral em defesa dos “pobres que devem mentir, é claro, por serem pobres”. Ou “usavam “ o portão, o estatuto e a comunidade para acusar de” mais um membro da rede de pedofilia”?

Uai, não vai aparecer nenhum ONG ou grupo para defender os menores desse tipo de afirmação absurda (“que pobre mente”)? Claro que não, isso vai contra; e racionalidade é coisa absurda, é coisa de burguês. Qual a razão de sempre afirmarem que eram meninos os envolvidos? Está mais parecendo uma falsa acusação que precisa de uma “mãozinha” de grupos e ONGs em prol dos direitos do LGBS.

Teve casos de pais, que foram acusados criminalmente, por não concordarem com a tese que seus filhos “mentiam”. Além de tudo, teriam que confirmar, que seus filhos, agiam como garotos de programas (por serem pobres e pobres se vendem fácil, por qualquer coisa segundo essa ideologia). Claro que tinha que ser acusado, não acusar é ir contra a ideologia! Não vai aparecer nenhuma organização de “diretos humanos” para ajudar os pais? Obvio que não! E a lista segue...

E ai tem uma pequena “bobagem”, uma coisa trivial, mas comum: “os ciúmes”. Em poucos anos o ex-presidente da FBRN acusado pela comunidade naturista de lá, fez muito mais que os presidentes anteriores. Claro, isso gera uma “dor de cotovelo” básica. E como ficam os “piposos”, maravilhosos, seres moralmente superiores desse local? Aqueles que afirmam que são pessoas ilibadas, que suspeitas contar a sua hora é crime “Lessa majestade”?

Até escutei de um desses ilustres seres iluminados, que quando aparece alguém doente no barco, o capitão deve jogar o mesmo pela mureta afora. Pena que não gravei brilhante declaração.

Os naturistas afirmam que são seres superiores moralmente, contudo abandonaram alguns dos seus membros, quando em caso de necessidade, a sua própria sorte. Nem perguntaram se precisava de uma ajuda, uma indicação de um bom advogado. Você acha, que em casos mais simples irão ajudar a você?

“Por fim gostaria de deixar os comentários de Mises sobre o “Polilogismo”: “..não é uma filosofia ou uma teoria epistemológica. Ele é uma atitude de fanáticos limitados, que não conseguem imaginar que alguém pode ser mais razoável ou inteligente que eles mesmos. O polilogismo também não é científico. Ele é a substituição da razão e da ciência por superstições. Ele é a mentalidade característica de uma era do caos”.
Parafrasearia o conceito da superioridade moral de um grupo de “naturistas” como sendo outro caso de polilogismo... Negar a figura de “Luz del Fuego” para o naturismo nacional, no mínimo, é ridículo.


Qualquer semelhança com a realidade você esta sofrendo de um caso agudo de polilogismo...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Morre ambientalista e naturista Augusto Carneiro

Morreu dia 7 o ambientalista e naturista gaúcho Augusto Carneiro. Entre as lutas de Augusto, O naturismo é mencionado em poucos obituários, não saindo por exemplo na Folha de S. Paulo hoje. Uma construção na Colina do Sol foi batizado com seu nome, anos atrás.

Não o conheci, e seu falecimento não foi reconhecido pela FBrN, Colina do Sol, etc., então reproduzo obituário de ONG ambientalista.


http://www.oeco.org.br/noticias/28188-morre-aos-91-anos-o-ambientalista-augusto-carneiro

Morre aos 91 anos o ambientalista Augusto Carneiro

Carneiro1Augusto Carneiro comemora seus 90 anos com seus amigos da Agapan. Foto: Arquivo Agapan.
Na madrugada desta segunda-feira (07) a comunidade ambiental perdeu Augusto Cesar Cunha Carneiro, um dos fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), considerada uma das primeiras associações ecológicas do Brasil. Carneiro Porto Alegre e, 31 de dezembro de 1922 e estava com 91 anos. Em fevereiro, foi internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. Segundo a imprensa local, a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.
Em 2005, aos 82 anos, Carneiro recebeu a reportagem de ((o))eco em seu apartamento para falar sobre a história que ajudou a construir. Na ocasião, reclamou do jeito como a imprensa trata o ambientalismo. "Os jornais abandonaram a nossa causa depois da redemocratização", queixa-se. "Nosso último grande momento foi na Eco 92, de lá para cá entramos em declínio".

Senhor da memória

Era a memória viva do começo do ambientalismo no Brasil e dela se valeu para escrever o livro História do Ambientalismo, publicado pela editora Sagra-Luzzatto em 2003.
Ano passado, teve sua biografia publicada pela jornalista e escritora Lilian Dreyer. A obra “Augusto Carneiro – depois de tudo – um ecologista” demorou 2 anos para ficar pronta.
Nunca deixou de militar pela causa. Entre suas lutas, está o incentivo a criação dos Parque Estadual de Itapuã e do Parque Estadual da Guarita. Além da fundação da Sociedade Brasileira para a Conservação da Fauna e a Pangea - Associação Ambientalista Internacional. Foi agraciado, em 2004, com o Prêmio Ecologista do Ano José Lutzenberger da Câmara de Porto Alegre.

NUDISMO/NATURISMO - UMA MISSÃO IMPOSSÍVEL



Missão impossível é um filme dos Estados Unidos dirigido por Brian de Palma, com Tom Cruise, Jon Voight, Emmanuelle Béart e outros. Parece-me que a missão não foi tão impossível assim, já que no final ela foi cumprida.

 Mas não é sobre o filme que quero tecer comentários e sim dizer que a filosofia nudista/naturista jamais conseguirá modificar as inversões de valores sociais. Viegas Fernandes da Costa em seu artigo “Sobre a Nudez Social” fez o seguinte relato: Ao iniciar estas breves reflexões a respeito da minha experiência com a nudez social, ocorre-me à lembrança uma matéria da revista Veja do final da década de 1990, que tratava da guerra civil na Libéria. Chamou-me especial atenção uma fotografia que exibia o cadáver de um homem nu que havia sido linchado pelos guerrilheiros e abandonado à rua. Podia-se ver todo o corpo, suas feridas, a expressão de dor na face inerte e as lanhuras nos braços e pernas. Sobre o pênis, entretanto, uma espécie de tarja. Fiquei me perguntando o que seria mais obsceno: se a guerra civil e toda sorte de dor e destruição que esta provoca, onde cadáveres humanos são abandonados insepultos em meio à população que desesperadamente tenta sobreviver; ou se a exposição de um pênis aos olhos de leitores pudicos que poderiam se escandalizar, dando uma conotação sexual doentia a uma parte de um corpo humano barbaramente torturado e morto. Encaramos com naturalidade a guerra, o genocídio, a desestruturação social e a tortura, mas a nudez que nos cobre desde nosso nascimento é desnaturalizada ao ponto de um pênis supostamente chocar mais que a própria barbárie da guerra. Há aqui, certamente, uma inversão de valores sobre a qual devemos nos questionar e incomodar.

No entanto existem inversões mais sutis, de modo despercebido pela maioria das pessoas do nosso convívio, do tipo: “Coloque pelo menos uma cuequinha, fica mais bonitinho”. Por que tal afirmativa é uma inversão de valores? Tentarei esclarecer em poucas linhas já que longas explicações jamais serão lidas.

Não existe senão um único templo no Universo, e é o Corpo do Homem.
              Nada é mais sagrado do que esta elevada forma.

Curvar-se diante do homem é um ato de reverência feito diante desta
        Revelação da Carne. Tocamos o céu quando colocamos nossas mãos num
                corpo humano.

Novalis (pseudônimo de autor de Frederich Von Hardenberg, 1772. Citado em Miscellaneous Essays, vol II, de Thomas Carlyle).
  
Tanto a pele quanto o sistema nervoso originam-se da mais externa das três camadas de células embrionárias, a ectoderme, logo, o sistema nervoso é uma parte escondida da pele ou, ao contrário, a pele pode ser considerada como a porção exposta do sistema nervoso (1). Isto é muito significativo uma vez que a pele possuindo uma conexão com o sistema nervoso central ou interno, é também responsável pelas nossas percepções do mundo externo em que vivemos.

Muitos estudos têm sido feitos a partir da década de 70 com resultados surpreendentes e admiráveis com funções variadas: a) base dos receptores sensoriais; b) mediadora de sensações; c) barreira contra materiais tóxicos; d) responsável por um papel de destaque na regulação da pressão e do fluxo de sangue; e) órgão implicado no metabolismo e armazenamento de gordura são alguns poucos exemplos que cito. Até mesmo o autor do livro “Tocar” Ashley Montagu fica intrigado dos motivos da poesia se mostre tão desapontadamente estéril. Diz ele:

Foram escritos poemas para celebrar praticamente todas as partes do corpo, mas a pele, inexplicavelmente, parece ter sido negligenciada, como se não existisse. Num artigo intitulado “Hugging Humans” (Humanos Abraçando) ele se queixa do fato de muitos dos mais prezados poetas ingleses permanecerem encapsulados em seus intelectos, mantendo com alta freqüência um relacionamento muito precário com o seu corpo físico.

Para sentir a beleza de todo o corpo humano, é fundamental entender com o que estamos lidando, com uma fronteira cujo funcionamento ainda não totalmente explicável em nossas pesquisas científicas. E se mesmo assim uma simples “cuequinha” for mais bonita que a pele que nos cobre só mesmo chamando Tom Cruise para mais uma missão impossível de resgate, só que não será de uma pessoa e sim da própria identidade de todos nós.

(1)   Ashley Montagu; Tocar

Evandro Telles
03/04/14