terça-feira, 16 de abril de 2013

SOS Tambaba: Folha do Meio Ambiente

A Folha de Meio Ambiente, na sua edição impressa de março, veiculou uma matéria sobre a ameaça que o empreendimento "Reserva de Garaú" representa para a Area de Proteção Ambiental (APA) de Tambaba.

O autor, Reginaldo Marinho, entrevistou o engenheiro Antônio Augusto de Almeida, que foi secretário de Meio Ambiente de João Pessoa, durante a gestão do atual governador de Paraíba, Ricardo Coutinho, e também entrevistou o professor André Piva, da Universidade Federal da Paraíba, onde ele é Coordenador do Programa de Pós-graduação lato sensu em Turismo de Base Local.

Foi o próprio Reginaldo que nos alertou da matéria, com um comentário aqui no blog.

Típica das perguntas e respostas é:

FMA - As experiências fracassadas de megacomplexos turísticos, no Brasil e na Espanha, indicariam que a licença ambiental poderia ser usada para mascarar o loteamento da área?

Antônio Augusto -  Sim. Vivemos uma vulnerabilidade total das instituições responsáveis pela implementação das bases da sustentabilidade em nosso país, especialmente na Paraíba. A verdade é que gestão ambiental em nosso estado – e muito no Brasil inteiro - é somente formalidade para mascarar a legalidade.

APA e Praia Naturista

Enquanto Reginaldo abre a matéria com a Praia de Tambaba, seu foco é a Área de Proteção Ambiental, bem maior (e um bem maior) que a praia naturista. Mas nossos leitores que somente se interessem por naturismo nem devem por isso pular a matéria. Mas sem a isolamento garantido pela área preservada, a praia naturista não pode continuar. Quem imagina que 8 mil pessoas bem abastecidas morando acima das falésias vão deixar 300 metros de praia para gente sem roupa, quando "há famílias querendo usar a praia", está delirando.

Regras e realidade

Nos relatamos em janeiro:

  1. Que o documentação no site da Sudema mostra que o empreendimento pretende privatizar a área até "o Oceano Atlântico", incluindo a Praia de Tambaba;
  2. que os documentos essenciais (como por exemplo um mapa não borrado) não constam no site da Sudema;
  3. o que os planos públicos da "Reserva de Garaú" planeja (ou melhor, não planeja) para coexistir com a praia naturista;
  4. que a linha de preamar de 1831, já foi determinado (apesar do documentação do empreendimento dizer que não foi) e que a praia e falésias pelo menos são públicos e não particulares;
  5. o que o plano diretor para o litoral de Conde prevê para Tambaba;
  6. e que a Sudene tem poderes para rejeitar este empreendimento.

Agora, temos duas visões distintas e contraditórias aqui.

Minha avaliação, baseada nos documentos, leis e regulamentos que consegui levantar em poucos dias antes e depois da audiência pública, é que o empreendimento, de carácter totalmente incompatível com o planejamento local, estadual e nacional, e exatamente o que uma "Área de Proteção Ambiental" é estabelecida para evitar, deve ser rejeitado. E que as múltiplas camadas de aprovações necessários, deveriam barrar esta destruição de área ambiental tombada.

A visão de Antônio Augusto de Almeida, que já foi Secretario de Meio Ambiente do atual governador de Paraíba, é que há mesmo perigo deste projeto faraônico ir em frente.

Qual visão é mais correto? Bem, recomendo ler o que Almeida tem a dizer, no primeiro link deste postagem. Se eu precisava aposta dinheiro, colocaria na visão de Almeida. Mas notem também, se ele achasse que não tinha nada que poderia ser feito, não estaria falando.

domingo, 14 de abril de 2013

A UNIVERSALIDADE DO NATURISMO




Pressupõe universalidade aquilo que é comum a todos, por exemplo: O riso que é uma linguagem universal, comum a todos os seres humanos. Esta é a conclusão de um grupo de investigadores da University College London no Reino Unido, que realizou uma investigação com um total de 20 mil pessoas no seu próprio país e na Namíbia utilizando sons associados ao riso para estudar a questão. Não é difícil entender a causa do Naturismo também possuir essa característica, o corpo humano e a sua natureza, para delírio de alguns, é universal.

O pesquisador Waldo Vieira apresenta em seu livro “Homo sapiens pacificus” uma lista contendo 100 diferentes reações grupais ou condições humanas opostas à vivência do universalismo, entre esses estão os preconceitos, fanatismos, idolatrias, dogmas, nacionalismos, facciosismos, paroquialismos, provincianismos ou sectarismos de qualquer natureza.(1)

É bom que se tenha um melhor entendimento da relação de grupos sectários com o Naturismo e que não exista influência desses grupos porque fatalmente irá trazer conflitos e contradições maiores dos que já possuem. Pessoalmente questionei isso no CONGRENAT (Congresso Nacional de Naturismo), por que cantamos o hino nacional nesses eventos? A melhor resposta é que ainda estamos condicionados a pensar como grupo e não como um todo. Augusto Cury salientou esse comportamento em seu livro “O Vendedor de Sonhos”: Enquanto as nações pensarem de forma individualizadas a paz e harmonia que tanto defendemos jamais poderá ser conquistada. (2)

Não é diferente com relação às religiões, estimativa feita pelos britânicos Joanne O’Brien e Martin Palmer no Atlas das Religiões, segundo o qual existiriam 33.800 seitas cristãs espalhadas pelo Planeta, cada qual com diferentes interpretações da mensagem bíblica, pretensa revelação da “verdade única” e obrigatória a toda humanidade. (1)

Ora, o naturista pode ser o que ele quiser, tem toda a liberdade para isso, só não pode trazer para dentro do Naturismo suas orações e/ou cânticos que tragam implícitas as suas crenças individuais, as religiões trazem nas suas bases a impossibilidade do universalismo e o Naturismo não. Essas ações não devem acontecer até mesmo por uma questão de respeito por aqueles que em nada acreditam.

Luz del Fuego não ficou de fora dos conflitos políticos e religiosos de sua época (4), a universalidade pretendida não poderia ser compreendida por aqueles que fragmentavam o homem, isso era impossível naquela época e não é diferente na atualidade. Para aqueles que estão entrando para o Naturismo terão que romper e criar novas estruturas internas, como disse o amigo Viegas Fernandes da Costa: “Ao compreender isso, percebi a dimensão libertadora da nudez social. Libertadora porque contribuiu, primeiramente, para um processo de reconhecimento e aceitação pessoal, o que alterou estruturas internas, psicológicas.” (3)

Penso ainda que, mesmo para aquelas pessoas que há tempo praticam o Naturismo, terão que romper os grilhões criados por nossa sociedade, um mergulho para dentro de si mesmo será inevitável e é exatamente por isso que o Naturismo é transformador. O indivíduo irá buscar a sua essência humana e irá questionar suas ações com mais intensidade.

Vejam que não é a simples nudez causadora das verdadeiras transformações e sim das reações provocativas que o Naturismo desencadeia. Quando há o reconhecimento das superficialidades da vida que vivemos e a universalidade for verdadeiramente entendido, o ser humano não mais precisará matar uns aos outros, não mais será necessária as guerras, a vida será o que realmente temos de maior valor.

O problema não é a guerra, e as marchas de protesto não irão ajudar. O problema é a agressão interior nos indivíduos. As pessoas não estão à vontade consigo mesmas, daí precisar haver a guerra; do contrário, essas pessoas enlouquecerão. A cada década uma grande guerra é necessária para descarregar a humanidade de sua neurose. (5)

E assim os indivíduos ficam lutando entre si para conseguir fiéis às suas verdades que na realidade não são verdades absolutas. Se pelo menos tivermos uma pequena (não precisa se grande) noção da universalidade do homem, as guerras desapareceriam na face da terra e com certeza o Naturismo não é uma solução definitiva, mas pode ajudar muito.



Evandro Telles
10/04/2013





(1) Luz; Marcelo – Onde a Religião Termina?
(2) Cury; Augusto – O Vendedor de Sonhos e a Revelação dos Anônimos.
(3) Costa; Viegas Fernandes – Artigo “Sobre a Nudez Social”
(4) Luz Del Fuego – A Verdade Nua
(5) Osho – Alegria, A Felicidade que Vem de Dentro






sábado, 13 de abril de 2013

ÍSIS - UMA FLOR NO CONGRENAT




O Congresso Nacional de Naturismo, um evento realizado de dois em dois anos onde reúne naturistas oriundos de diversos lugares desse país, inclusive de outros países também. O XIII CONGRENAT realizado na Praia de Barra Seca, Linhares-ES, encerra hoje os seus trabalhos onde tivemos muitos assuntos importantes para o Naturismo Brasileiro e a eleição para Presidente e Conselheiros da FBrN (Federação Brasileira de Naturismo).

Dentro da programação estava prevista a palestra com o tema “Naturismo e o Respeito à Nudez” que seria por mim apresentada, mas não houve o tempo hábil para tal intento, o microfone só foi liberado às 13:00 hs e os participantes ainda nem tinham almoçado, mas ninguém estava reclamando, nem eu. Para falar a verdade, prefiro o silêncio, é mais significativo.

No silêncio aprendo mais, observo detalhes que fugiria aos meus olhares quase sempre muito atentos. Digo sempre aos meus amigos: Quer passar despercebido? Não fique no meio de quem escreve. Não se trata de qualidade ou defeito, é uma constatação da nossa própria natureza. O músico ouve sons que aparentemente ninguém consegue escutar, o escritor percebe o que ninguém consegue ver. É um perigo para os que gostam de mentir.

Na sexta-feira à noite tivemos duas apresentações teatrais na Pousada Lua Nua, a primeira, uma belíssima representação do Jorge Bandeira de Manaus, muito significativa e poderíamos analisar sob diversos aspectos, não pretendo fazer essa análise aqui. Ele mostrava se as roupas tivessem vida e no início ele dizia: “is she” ou “i si”, acho que ele queria dizer “Isis”.

Em seguida uma peça mostrando a resistência de duas crianças que precisavam conviver com a sua avó nudista, apresentando argumentos da nossa sociedade moderna. Uma dessas crianças foi a autora do enredo e que estava brilhantemente (no sentido exato da palavra) sendo a atriz, os demais foram coadjuvantes. Será que serei perdoado pelos amigos que estavam trabalhando na peça? Outra hora farei a justiça e os elogios que também são merecedores, mas agora não, meus olhos e ouvidos atentos estão focados na Ísis.

No segundo ato, a menina de 8 anos de idade, a própria Ísis, conversa com uma árvore. Só um naturista que atingiu seu ápice pode realizar tal diálogo, porque entendeu a universalidade da vida. Mas não é algo que se busca como meta, como se fosse um objetivo de um planejamento. Simplesmente acontece aos que nunca foram tocados pela sociedade e vivem livremente. São puros de coração e tudo admira, entendeu o “todo” que não pode ser separado, que a linguagem humana não é algo que a impeça de entender o que a natureza nos diz.

Quando fui apresentado a ela por sua mãe essa assim disse:
- Olha filha, esse é quem escreve os textos que a gente lê nos nossos encontros.
Ela responde
- Nossa!! Numa total demonstração de admiração
Mentalmente respondia
- Nossa!! Nunca tinha visto um anjo de verdade, como a admiro por sua simplicidade diante da sua própria natureza, estou comovido por sua admiração de algo que nada fiz por merecer.

Ficou difícil identificar quem ensinava ou quem aprendia. Isso se tornou indiferente porque se tornou uma só coisa, a mente não entendeu isso e embaralhou toda a lógica e assim foi possível o coração entender o que as palavras não poderiam explicar.

Obrigado Ísis pelo exemplo do que é ser uma naturista.


Evandro Telles
31/03/2013

Ísis foi uma deusa da mitologia egípcia foi cultuada como modelo de mãe e esposa, protetora da natureza. (Wikipédia).