domingo, 20 de maio de 2018

Fim da censura

Ficamos desde 26 de março de 2016 sob censura judicial. A censura foi levantada em outubro do ano passado, mas meu advogado não foi intimado. Somente foi informado somente na última semana, e me informou, que o caso está arquivado definitivamente, e junto com ela, todas suas consequências, inclusive a censura.

O primeiro ato de censura foi o ordem

Data Despacho
26/03/2014 Vistos. Adoto a promoção retro do MP, para indeferir o pedido de prisão preventiva. Designo o dia 21 de maio p.v, às 9h30min, para audiência de conciliação. Intime-se as partes, e o querelado também para que exclua de seu site: http: www.calunia.com.br/2013/05/stj-julga-cncs-x-sbt.html, toda e qualquer referência ao querelante. 

Uma regra da sociedade é que ordem de juiz se obedece. Poderia criticar, mas obedece, ainda quando ordem é dado sem nem ouvir o outro lado. A ordem de excluir "http: www.calunia.com.br/2013/05/stj-julga-cncs-x-sbt.html" foi prontamente atendido.

A "queixa-crime", vindo em papel, era sem pé nem cabeça: mais 15 páginas, com a primeiras palavras que tem a ver com a queixa concreta nas fls. 11, parágrafo 6, e pulando mais umas resmungas, nas fls 14, parágrafos 3, 4, 5 e 6. Todos sem mérito. Diz, por exemplo, que apontei quem assassinou Dana Wayne Harbour. Eu não sei quem matou Wayne. Eu sei quem o defraudou, e como, e comprovei com documentos do Registro de Imóveis, da Junta Comercial, e com entrevistas com uma dúzia de antigos donos das terras onde fica a Colina do Sol, ou com seus herdeiros, e uma mapa na Google Maps que evoluiu conforme meus conhecimentos cresceram. Disse, e comprovei. Mas sendo que não sei quem matou Wayne, então não disse.

Vale lembrar que calunia é acusar alguém falsamente de um crime. Acusar do que fez e provar, pode. É função da imprensa.

Meses depois, veio uma nova reclamação, de que o pedido do advogado, adotado pelo juiz, não era bem o que queria dizer. Parece que era para eu adivinhar o que o advogado queria, e não conseguir articular. A culpa do pedido errado era minha, e não dele, e veio um novo ordem:

Data Despacho
09/06/2014 Vistos. Intime-se o querelado para que, em 24 horas, suprima toda e qualquer referência ao querelante em qualquer de suas publicações. Diligências legais.

Mais uma vez, o ordem foi cumprido, substituindo o nome do reclamante por "Ele que Não Pode Ser Nomeado",e na única foto dele, a cabeça de Capitão Jack Sparrow, para sua. (Havia só esta fota, tanto por motivos de direto autoral, quanto motivos estéticos.) Trabalho que levou um bom tempo de programação, e programação é caro. Como programador, tenho notado que advogados não ruins com termos exatos.

De novo, uma nova ordem, ainda mais

Data Despacho
14/08/2014 Vistos. Intime-se o réu, pessoalmente (se por AR, por MP), para que cesse, imediatamente, toda e qualquer referência que possa sugerir a pessoa do querelante, em qualquer publicação, impressa ou em redes sociais, enquanto tramitar a presente queixa-crime, pena de multa diária de R$ 1.000,00  

A multa fabulosa deixou pouca escolha. Aqui na Peladistas, todos os postagens que fizerem referencia a "Ele que Não Pode Ser Nomeado" foram colocados como invisíveis.

No blog Calunia.com.br, a decisão foi mais difícil. As denúncias de pedofilia do caso Colina do Sol, que partiram da corja da Colina do Sol, são interligadas com as fraudes de terras. É impossível entender um sem entender o outro. Tirar as referências às fraudes e quem os praticou, deixaria um caso já difícil de entender, incoerente.

Fritz Louderback às vezes precisa responder a pergunta, "Se as acusações foram falsas, porque foram feitas?" O blog calunia.com.br responde à pergunta, e é seu melhor defesa: serviu como base para montar sua defesa bem-sucedida na Justiça. Com a censura decretada, Fritz fez um espelho do blog nos EUA, no www.calunia.com, sob sua respondibilidade, e sob a proteção da Primeira Amenda da Constituição americano. Ele acrescenta o que quiser a calunia.com (sem o .br), eu não tenho nem a senha.

Hoje, restaurei as postagens censuradas da Peladistas, e estamos prontas para de novo colocar a boca no trombone. Restaurando links quebradas etc. na www.calunia.com.br, também logo estará a volta.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Quando genitalia é melancia

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nudez filosófico em Londrina: direto do diretor

Escrevemos ontem sobre o nudez de alunos em apresentação de conclusão de curso no Universidade Estadual de Londrina. Usamos precedente indiano para sustentar que a nudez, a falta de roupa, pode sim expressar ideias, e até expressar filosofia consistente. E que este performance poderia ter, mesmo, um sentido, mas que as matérias da imprensa não informavam.

Domingo a tarde, fiz outra busca sobre o assunto, e encontrei matéria de Pedro Willmersdorf no jornal Extra, onde este reportagem consta como um dos mais lidos. Ele encontrou a página do autor do trabalho de final de curso, Aguinaldo Moreira de Souza, que é também Professor de Artes Cênicas na mesma universidade onde ele cursa filosofia. Pedro colou fotos do trabalho no jornal - e também uma explicação do aluno/professor:

Em seu perfil no Facebook, o professor explicou o conceito da apresentação: "É um trabalho de filosofia política que aborda o holocausto nazista. Os atores estão peladões porque acabaram de sair da câmara de gás, para onde foram enviados achando que era um banho coletivo. Uma página horrível da História para ser discutida, e as pessoas só veem genitália".

Em seguida, comenta sobre a reação dos atores: "Todos os presentes ficaram com um nó na garganta, por lembrar da chacina do Carandiru, evento recente no Brasil, sobre o qual nós quisemos falar. A nudez é a retirada da dignidade de homens em situação de humilhação. Ver "peladões" na cena, ou ainda tecer comentários sem tê-la visto, é falta de percepção. Mas é comum. Os comentários "sem noção" estão mostrando uma falta de percepção, só isso. Falamos de morte e de violência, não de sexo.

Vimos, então, que havia na peça um sentido, e que o análise do professor foi igual ao nosso aqui: criticando a tendência dos desinformados a "só veem genitália".

Um pouco de pequisa sobre o professor encontra que ele é autor do livro "O Corpo Ator". Vimos que isso não é a primeira vez que ele apresenta espetáculo que foge do convencional, pois em 2009 os atores formados usaram "técnicas corporais de teatro e dança; técnicas de esportes verticais" que, pela foto, quer dizer que descerem de rappel pelo prédio.

Apresentou um análise de um festival de teatro que comprove que ele esteja perfeitamente capaz de produzir o convencional e esperado:

“Tradição e modernidade sempre estarão em diálogo e existe também um futuro líquido que se anuncia num tipo de leitura do presente.

Os espetáculos que fizeram parte do Fentepira 2015 trataram de explicitar essa assertiva.

No último link há uma foto do professor, que apesar de ter uma poesia tatuada no pescoço, não parece louco.

O jornalista Pedro ainda cita uns dos comentários que as fotos provocaram no Facebook, começando com a pérola ao lado. "Não sou obrigada a ver alguém pelado": bem, menina, vira a cabeça ou feche os olhos. Ou ao argumento de sempre: "temos crianças, idosos lá". A vulnerabilidade de idosos ao que já deveriam ter visto nunca entendi.