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terça-feira, 21 de abril de 2015

A censura é nossa!

Traduzimos o protesto do ministro de cultura, Juca Ferreira, contra a censura pela Facebook de uma foto de um casal de índios Botocudos, com os seis da mulher a mostra. Depois, Facebook reverteu a censura, e G1 relembrou a reação do ministro:

"Se os índios não podem aparecer como são, o recado que fica é que precisam se travestir de não-indígenas para serem reconhecidos. Isso é de uma crueldade sem fim", disse nesta sexta o ministro da Cultura.

Aplaudamos a postura anti-censura do ministro. A postura física também: deu entrevista em frente à foto da Botucada, em contraste do ex-ministro de Justiça americano, John Ashcroft, que comprou cortinas para encobrir uma estátua com o seio amostra no ministério.

Censura histórica

Porém, não é tão simples. A fotografia foi postada para chamar atenção ao arquivo de fotografias históricas do Instituto Moreira Salles. Indo para o arquivo, encontramos o seguinte imagem:

Ou a foto explica o declino na população botucuda - falta de genitália - ou o ministro está defendendo de censura, um arquivo que já foi censurado. Quem duvidar que a censura vem de longa data pode examinar o scan em resolução maior na Biblioteca Nacional - examinação da legenda escrita em caneta, confirma que trata da mesma imagem física.

Censura moderna

Enquanto o ministro defende o Internet do perigo externo da censura de Facebook, estamos vulneráveis à censura doméstico. Encontramos no Jornal Olho Nu de março, esta foto:

É a mesma hipótese dos Botucutos: ou os jovens sofrem de deficiência física, ou a foto sofreu censura. O Jornal Olho Nu não costuma censurar fotos naturistas, de quem quer que seja. A lei brasileira não proíbe, e a publicação de tais fotos pela "grande imprensa" é corriqueira, como já mostramos diversas vezes, como aqui.

Que o ministro enfrenta Facebook é ótimo. Porém, o que adianta a defesa contra a censura de corporações estrangeiras, quando a censura é imposta no Brasil mesmo, pelo poder publico (ou o medo dele) dos grotões do país?

Atrás da censura

Porque esta vez, censura? É que as fotos foram tiradas na Colina do Sol, que fica no reino de Taquara. A Colina do Sol assinou um Termo de Ajuste de Conduto (TAC) com o Ministério Público de Taquara. A íntegra do TAC está no link. O essencial é:

CLÁUSULA PRIMEIRA: O compromitente assume a obrigação de não fazer, consistente em abster-se de permitir e/ou divulgar ou comercializar imagens de crianças e adolescentes nus.

O que significa isso, e o que tem a ver com a foto?

Lidando com censura, conceito importante é o "chilling effect", efeito esfriador. Quando não há uma definição claro do que é permitido e o que é proibido, e os efeitos de ultrapassar a linha são draconianos, pessoas prudentes ficam longe da linha. Não havendo nada perto da linha, esta tende a ser empurrada, para restringir mais ainda.

Direito e informática

O TAC entre o Ministério Publico de Taquara é claro? Longe disso. Veremos abaixo umas das confusões - não em o que deveria ser (assunto para outra hora) mas na tentativa de simplesmente entender o que está escrito num documento de poucas folhas.

Não sou advogado, mas sou programador de computadores, dos bons e antigos. Mais difícil do que instruir o computador do que deve fazer, é entender que merda o cliente está tentando dizer, que muitas vezes nem ele entende bem.

O TAC parece uma primeira minuta de especificação, feito pelo cliente (nenhum programador de nível escreveria uma coisa destas). Refiro meus leitores ao link acima, para conferir CLÁUSULA QUARTA, sem erros por ser inexistente, ainda que consta uma CLÁUSULA QUINTA.

Em vez de interpretar o documento, vou listar uma das perguntas que ele levanta, no contexto da foto censurada.

  1. O TAC proíbe "... permitir e/ou divulgar ou comercializar imagens de crianças e adolescentes nus". Quer dizer, permitir imagens é proibido pelo TAC, ainda que não fossem divulgadas.
    A Colina do Sol permitiu imagens de crianças nuas?
    Claro que sim. As imagens publicas são censuradas, mas foram feitas sem a censura. Então o TAC for violada.
  2. Conforme os preliminares do TAC, seu propósito é evitar vexames:

    Considerando que configura crime submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento (artigo 232 do ECA) ...

    Porém, quando adultos querem evitar que ficassem conhecidos como naturistas, para evitar vexames, Jornal Olho Nu e outros sites naturistas borram suas caras. As crianças nas fotos podem ser facilmente reconhecidas por colegas e amigos.
    Este borramento evitaria aborrecimentos, evite vexame ou constrangimento?
  3. O TAC estipula multa para violações:

    CLÁUSULA TERCEIRA: O descumprimento da obrigação ajustada na CLÁUSULA PRIMEIRA sujeitará o compromitente responsável ao pagamento de multa no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por criança ou adolescente que tiver sua imagem divulgada, sem prejuízo das sanções cíveis e criminais cabíveis.

    Mas, ainda que CLÁUSULA PRIMEIRA proibe permitir ou divulgar imagens, a multa é somente para divulgar imagens - será que a proibição de permitir imagens fica sem dentes?
  4. O cálculo da multa não está claro. Se for R$ 10.000,00 por criança, depois da primeira multa, tá na faixa. Presuma-se que a pretensão é outra. Na foto acima, aparecem cinco (05) meninos. Uma olhada rápida na página sugere que um total de sete crianças nuas aparecem em uns 13 imagens - vamos por, contando cabeças, um total de umas 30 aparições: uma criança poderia estar em 5 imagens, outro em 2, etc. A multa então seria:
    1. R$ 70.000,00 - sete crianças fotografadas;
    2. R$ 130.000,00 - treze fotos de crianças nuas;
    3. R$ 300.000,00 - trinta instâncias de crianças nuas aparecendo em fotos; ou
    4. R$ Zero - o Ministério Publico vai fechar os olhos.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Como são vistas as fotos de Sally Mann


O New York Times traz neste domingo matéria de Sally Mann, que vinte anos atrás publicou o livro "Immediate Family" com fotos das suas crianças, as vezes peladas. O título é "A exposição de Sally Mann: o que uma artista capta, o que uma mãe sabe e o que o público vê pode ser coisas perigosamente diferentes.

O análise da Mann não é jurídica, mas artística e filosófica: quer dizer, mais profundo do que é comum neste assunto. Que não quer dizer que ela desprezou o lado legal - entendeu, e foi além. Em busca de orientações décadas atrás, procurou o FBI e foi lá com o marido e os filhos, para falar com o agente Kenneth Lanning. Já conheço o nome de Lanning, que foi um daqueles que acabou com o febre de "abuso ritual satânico" de escolinhas lá nos EUA.

A foto não é a pessoa

No lado filosófico, Mann explica a velha regra de que a mapa não é o território:

O fato é que estes não são os meus filhos; eles são figuras em papel prateado pinçadas fora do tempo. Eles representam os meus filhos em uma fração de segundo em uma tarde específico com infinitas variáveis ​​de luz, expressão, postura, tensão muscular, estado de espírito, vento e sombra. Estes não são de fato os meus filhos; estas são as crianças de uma fotografia.

Até as próprias crianças entenderam essa distinção. Uma vez, Jessie, que foi de 9 ou 10 anos na época, estava experimentando vestidos para vestir a uma vernissage numa galeria em Novo Iorque das fotos de família. Era primavera, e um vestido era sem mangas. Quando Jessie levantou os braços, ela percebeu que o peito era visível através das cavas grandes para os braços. Ela jogou o vestido de lado, e uma amiga comentou com alguma perplexidade: "Jessie, eu não entendo. Por que diabos você se importa se alguém pode ver o seu peito através das cavas quando você vai estar em uma sala com um monte de fotos que mostram que mesmo peito nu? "

Jessie foi igualmente perplexo com a reação da amiga: "Sim, mas aquilo não é o meu peito. Aquelas são fotografias."

A Folha de S. Paulo traz várias matérias do NY Times toda semana, com sorte esta será uma. Senão, voltaremos com mais extratos traduzidos.

Além do superficial

Mann reclama que vários críticos confundem o papel de fotógrafa com a papel de mãe. Ela revisita o controvérsia de ambas destas perspectivas, e de outros.

Em contraste, as críticas com que o livro foi recebido faz vinte anos, parecem superficiais. Não captam a distinção entre pessoa e imagem que até Jesse Mann já entendeu com nove anos.

Partem da pressuposição de que não há nada mais invasiva do que a exposição da pele. Porém, tudo mundo tem um pele, e na pré-adolescência, os peles seguem um padrão (ou dois padrões) bastante, bem, padronizadas. Já notamos gente rica expondo nudez dos filhos ou até as própria fotos de infância, sem preocupação e sem consequências.

Além da visão legal

Há uma ideologia entre advogados, promotores, etc. de que quem não adota a visão jurídica, "não entende" do assunto ou da lei. É possível entender e discordar, até por entende o assunto melhor. Mann entende, e entende melhor que as críticas, e melhor que a comunidade jurídica. A matéria compensa muito a leitura.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O jornalismo de qualidade

Já visitamos duas vezes o processo contra Marcelo Pacheco da revista Brasil Naturista e do site www.pelados.com.br por ter colocado na capa da revista um menor, sem a devida permissão dos seus pais.  Já vimos a explicação de que não é preciso permissão dos pais e que naturista nem liga em ser fotografado; e vimos o tamanho do império mediática de Sr. Pacheco: 310 cópias vendidas da revista trimestral, e rendimento mensal média conjunta da revista e portal de R$3.707,05.

Dinheiro é somente uma maneira de avaliar um empreendimento. Comparar a Praia de Abricó ao Mirante do Paraíso em termos de faturamento é descabido. Mas um comparação em número de frequentadores até vai.  A descompasso entre resultado financeiro e qualidade do produto é especialmente acentuada em jornalismo, pois os jornais tipo "espreme, sai sangue" tendem a ser os mais populares.

Onde os advogados de Sr. Pacheco encontraram informações?

O Brasil Naturista e www.pelados.com.br são boas fontes de informações naturistas? Bem, os advogados de Sr. Pacheco anexaram ao processo várias informações naturistas. Para mostrar que Luciano, o pai do menino, morou na Colina do Sol, citaram www.calunia.com.br nas fls 46-47 do processo. Para mostrar que foto de criança pelada não é crime (acho que é isso que estavam tentando comprovar) citaram ensaio deste blog Peladistas que foi re-veiculados no Jornal Olho Nu, nas fls 49-50 do processo.  Nas fls 50-51 é a vez do site Naturistas Cristãos. Há, também, nas fls 51-50 a carta encaminhado para o Ouvidor Nacional de Direitos Humanos com o relatório escrito por Sílvio Levy e por mim.

Vimos, então, que os advogados de Marcelo Pacheco, procurando boas informações sobre naturismo no Brasil, os encontraram não no Brasil Naturista, mas nos concorrentes grátis do seu cliente - e geralmente em matérias da minha autoria.

Onde entra Brasil Naturista? 

Os defensores de Marcelo Pacheco citam suas próprias publicações somente ao dizer que a foto do filho de Luciano é "contextualizada", e fornece um login para que o meritíssimo juiz poderia conferir isso por conta própria. Infelizmente, o login não funciona, o magistrado ficando sem condições de "passear" pelo site, algo que seu cargo de trabalho provavelmente nem permitiria.

O que diz a defesa?

Nosso trabalho jornalistica aqui é de explicar: de comparar documentos, depoimentos, e outras evidências, e assim separar os fatos das "versões". Um bom exemplo disso é que, na onda de falsas acusações de pedofilia pelo qual Brasil passa atualmente, peça-chave é sempre o "laudo psicológico" ou psiquiátrica que "comprova" abuso.

No Caso Colina do Sol, comprovamos que a "psiquiatra" nem psiquiatra era; e quando os filhos de Sirineu foram entrevistados por psiquiatras de verdade, sua conclusão de que poderia ter tido abuso, foi baseado num relato da escola de perda de rendimento escolar: mas há duas escolas no Morro da Pedra, e o relato era de uma, e os periciados estudavam já faz muitos anos, na outra.

Analisamos também os registros públicos dos negócios de Celso Rossi, como na Junta Comercial ou no Registro de Imóveis, e vimos a realidade das suas transações.

Porém, tinha um realidade lá para desvender, que geralmente não era o que Celso dizia que era. A vantagem de registros públicos é que exigem que ele se encaixe no mesmo molde de negócios do restante do mundo.

No caso da defesa de Pacheco, não há o que explicar para meus leitores. Os advogados dizem que fugir de Oficial de Justiça durante 3 anos, serve para escapar de culpa. Advogados me falam, que não é assim. Disse que tinha permissão do "padrinho" da criança para usar sua imagem; o advogado de Luciano juntou a certidão de batismo do pequeno, e o padrinho é outro. Disse que naturista nem liga se foto sua ou do seus filhos seja publicada, e meus leitores naturistas tem mais conhecimento disso do que eu.

Do restante dos argumentos, não entendo o que os advogados estão dizendo, se realmente estão dizendo algo. Parece que o argumento é "Se alguém foi acusado de pedofilia, a Justiça deve fechar suas portas não somente para ele mas para todos seus amigos e conhecidos". Creio que o argumento não procede. O Fórum de Taquara parece que tem uma crença divergente da minha, e por isso mesmo Luciano resolveu reivindicar os direitos do seu filho em outra comarca.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fotos de crianças nuas: Pacheco explica

Com esta imagem evitamos danos duplos.
Poupamos Marcelo Pacheco do uso da sua imagem.
E poupamos nossos leitores de uma imagem de
Marcelo Pacheco.
Damos a palavra hoje para Marcelo Pacheco, dono e editor da revista Brasil Naturista e do site www.pelados.com.br. É difícil conseguir os pensamentos originais de sr. Pacheco - até o nome da revista era de outro, e ele registrou como sendo seu - mas conseguimos para nossos leitores as palavras dos seus advogados, em juízo. Mais sincero, impossível.

O caso é 015/1.09.0002398-2, na comarca de Gravataí, RS, onde Marcelo Pachedo está sendo processado por ter colocado na capa da sua revista o filho de quatro anos de Luciano Pinheiro Fedrigo. Preciso tirar o chapéu para os defensores de Pacheco pelo seu discernimento e cultura na escolha da quase a totalidade das evidências apresentadas:  anexaram ensaios de raro profundidade e lucidez sobre naturismo brasileiro, ainda que com estranhas falhas de português.

Porém, apesar dos anexos que comovem pela força implacável da sua lógica, confesso que não consigo seguir os argumentos dos advogados. Com meu entendimento leigo de direito, umas contestações soaram falsos, o que foi confirmado por advogado. Por exemplo, não é verdade de que quem foge de oficial de Justiça durante três anos ganha como prêmio o direito de não pagar. E as afirmações que os advogados fazem sobre o papel de Marcelo Pacheco no caso Colina do Sol são irrelevantes, mas também são mentiras. Se Pacheco mentiu para os advogados, ou os advogados mentiram para o juíz, não sabemos.

Mas vamos ao Pacheco sobre fotos naturistas. Ele esclarece, por meio dos seus advogado, de que:

Naturista não sofre dano quando foto seu pelado é publicado:

Observa-se de que o menino que é sustento da presente ação, filho do autor Luciano, irmão de Cristiano e afilhado de André Herdy, na época Presidente da Federação Brasileira de Naturismo, estava no evento com os padrinhos e este autoriza formalmente o uso da imagem. A presença do menino em eventos naturistas é uma constante, já que residia na Colina do Sol, reduto exclusivamente naturista, portanto a sua presença nu, embora a foto assim não o demonstre, não lhe causa qualquer abalo ou dano.

Permissão dos pais para publicar fotos pelados dos seus filhos não é necessário, se, no opinião do fotógrafo, "Os pais do menino se no local estivessem teriam autorizado ..."


Os pais do menino se no local estivessem teriam autorizado, como fez o padrinho, as fotos do menino, e a divulgação desta no Portal e na Revista, pois participaram e ainda participam do convívio próximo com o naturismo. Vide documento anexo que dá conta de que eles teriam inclusive lote residencial na Colina do Sol, local, que como dito anteriormente e de conhecimento público, é exclusivo reduto naturista.

Naturista acho normal que seja fotografada nu para e sua imagem seja vendida:

... e um fato corriqueiro e normal no mundo naturista, não tem apenas este vertente. Ora, se todo mundo está despido, se todas as fotos retratam o local e as pessoas, as pessoas aparecerão nas fotos, do modo que estão: nus. Não se susteniara a pretensão indenizatória, senão pela pretensão locupletacionista, não fosse outra a vertente auxiliar na inclinação do autor.

E sendo que o nudez é "um reflexo de verdade", os naturistas não se importam em ter seus fotos, ou os fotos dos seus filhos, assim expostos:

Daí a troca de um posicionamento que, caminhando ao lado da cultura naturista, e dela participando ativamente, traveste-se num novo entendimento, desta feita sentindo-se lesado por uma colheita de cena, que o menor - filho do autor - participara desde sempre, pois como diz a própria inicial, e que é reflexo da verdade, o menino criou-se na Colina do Sol, e convivendo com o naturismo. Portanto uma cena que reflete apenas um evento naturista, e que de forma alguma expõe o menino. Sinalando-se de que o padrinho do menor, que o leva ao evento, e que era, na época Presidente da Federação Brasileira de Naturismo, autoriza a foto.
Observa-se, e as publicações assim o demonstram que o movimento naturista é formado por famílias, e com regras rígidas de ética.

Pacheco esclarece para nos que o uso da foto sem permissão e sem compensação não deve ser indenizada, porque isso uso comercial é "sem ofertar ao mesmo qualquer prejuízo":

...exibição da foto alcança ao menor, filho do autor, de modo contextualizado, sem ofertar ao mesmo qualquer prejuízo, mormente por ser ele, e sua família, oriundo e praticante do naturismo e por estar no evento (Primeiro Acampamento Naturista do Sul do Brasil) assim como os vídeos e as publicações refletem eventos familiares.

Então, assim são as explicações de Sr. Marcelo Pacheco para a Justiça sobre a publicação e a distribuição pelo Internet de fotos de menores nus.

Quem discorda dele, pode reclamar com a Federação Brasileira de Naturismo. Ou pode reclamar no meio democrático das listas naturistas.

Nos próximos dias, vamos brindar nossos leitores com mais revelações de naturismo de Marcelo Pacheco, e dados exclusivas sobre o tamanho inacreditável do império de comunicação comandado por este barão da mídia naturista. Fique ligado!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Fotos, crianças, e a próxima naturista

Fotos de crianças peladas é uma tema recorrente do blog, pois enxergamos nisso um grande perigo para naturismo, e principalmente, para naturistas. A prisão de Nelci Rones, com a proibição imediata de menores na praia, e em semanas a proposta de acabar com a praia de Tambaba, para abrir espaço para um empreendimento imobiliário, mostra quanto é grande o perigo, e quanto é curta a distância entre o ataque ao naturista, e ao naturismo. 

"Precisamos proteger as crianças" são as palavras de ordem em qualquer linchamento. Os homossexuais "precisam recrutar nossos filhos"; comunista come criancinha; judeus usam o sangue de nenês cristãos. Hoje, as características supérfluas são dispensadas: o vilão é "o pedófilo".

A notícia de hoje de que o Ministério Publico de Paraíba esta preparando um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para formalizar a proibição de menores na praia de Tambaba, mostra quanto é irresistível esta ladainha. As fotos de Rones não são pornográficas; não foram comercializadas; e não foram feitas na praia de Tambaba: mas para "proteger as crianças", vão proibir que freqüentassem a praia. Não há evidência que crianças sofreram abuso, muito menos que o que não aconteceu tinha a ver com a praia.

Porque tanto afinco para resolver uma problema que, ao que tudo indica, nem existe?

A "demanda" excede a quantidade real

A dificuldade que o naturista (e o dono de escola infantil, e o técnico de time mirim, e qualquer outro que lida com crianças) enfrenta, é que o abuso sexual de menores quase sempre acontece em familia. O estranho que oferece balas é muito raro; a "rede de pedofilia", quase não existente. Não é que o padastro que abusa não seja do mal; é que a imprensa é maniqueista, e procura o "outro" para o papel de vilão, e o homem estranho é mais "outro" do que o pai de familia que fez algo de que se arrependeu logo depois.


Há poucas oportunidades de posar de paladino, "defendendo as crianças", então a saída para quem busca os holofotes que acompanham esta "luta" (é uma luta quando todos estão no mesmo lado?) é de atacar perigos inexistentes, moinhos de vento que podem ser apresentados como gigantes. 

Um exemplo, é que há 50 mil sequestros de crianças por ano nos EUA - e 49.900 são disputas de guarda dos filhos. Uns 100 são por estranhos - mas são estes que o FBI refere como "seqüestros esterotípicas", e que atraiam a atenção da mídia -especialmente quando a sumida seja uma menina branca e bonita.

Os números financeiras para "redes de pedofilia" são sempre absurdos. Alguém que ganhou $250 mil por ano com pornografia de todos os tipos, "domina o mercado milionário de pornografia infantil". Um livro que na véspera do lançamento estimava o número de prostitutos juvenis americanos como 30 mil, é publicado afirmando 300 mil, e uma "protetor de crianças" logo multiplica para mais de um milhão. Para a imprensa, o número mais atual e confiável, é sempre o número maior.

No Brasil, o Ministério Publico Federal de São Paulo rompeu seu convênio com o ONG Safernet, predileto do senador Magno Malta, porque o ONG estava falsificando números para exagerar sua eficácia. A imprensa pouco ligou; deu o "outro lado" do Safernet sem desconfiar, e o ONG ganhou uma elogia de duas páginas na Folha de S. Paulo de domingo passado - com se nada tivesse acontecido.  

A favor de Safernet, e a favor de qualquer acusador, há três fraquezas da imprensa brasileira: o hábito de rapidamente escolher quem é herói e quem é bandido, e nunca mais mudar os personagens de papel; a sede para acusações, tanto mais cabeludas melhor (e a "rede de pedofilia" se encaixa nisso); e a preguiça Procrustiano de encaixar qualquer caso novo num padrão antiga, cortando fora detalhes que não se encaixam, ou adicionando as que faltam.

Nota por exemplo que Nelci Rones era para ser tarado por meninas, então as fotos do seu filho Júnior não foram mostradas para a imprensa;  Fritz Louderback na Colina do Sol era para ser gay, então escondeu-se as provas de que seu ONG beneficiava também meninas.

Fotos de crianças, e crianças mesmo

Já falamos aqui da questão da Justiça e a criança no naturismo, e também dos possíveis efeitos de expor crianças ao naturismo. Nossa conclusão foi de que nada na lei ou jurisprudência impede - mas o naturista que confia que está com a razão, quando vem um Conselheiro Tutelar ou promotor contra, está na mesma posição de que um pedestre que está na faixa quando vem um caminhão. Estar correto não adianta muito contra a força superior.

As maneiras dos outros são nojentos

Conheço pessoas de Paraíba que lá constumavam comer um tipo específico de formiga, e no interior de São Paulo há quem come também. Juro que para classe média norte-americano, coração de galinha é uma coisa nojento. Aprendi a gostar, rapidinho - mas recusei na primeira churrascaria.

Para naturista, foto de gente pelado, ou de criança pelada, não é nada de fazer tremer o céu e a terra. O naturismo parece impossível para quem nunca experimentou, mas a novidade passa em uns vinte minutos.

Mas promotor e juíz não experimentam naturismo durante vinte minutos. Eles vejam "fotos de crianças peladas", e reagem com gringo enfrentanto "entranhas de galinha" pela primeira vez. Com nojo.

Há saída? 


A experiência própria com naturismo já muda preconceitos. Na hora de prisão de um naturista, e a acusação de que ele tem fotos de crianças peladas, não há muito a fazer. Já vimos no caso Colina do Sol de que não tinha mesmo foto de criança pelada (a não ser na capa de uma edição de Brasil Naturista para qual Marcelo Pacheco enfrenta processo civil), mas isso não é obstáculo nem para a polícia nem a imprensa - eles inventam.

Não podemos esperar que juiz ou promotor vai fazer experiência própria de naturismo. O que eles fariam, é ler um parecer, de um jurista de renome, que aponta que não há crime em simples nudez de menores.

Porém, juristas famosas cobram caro para fazer um parecer. Uma coisa destas não pode ser feito com pressa, é preciso examinar a lei e a jurisprudência. Havendo algo que o advogado de um naturista poderia já apresentar para o juiz (e para a mídia, também) haveria um chance muito melhor de o acusado seria solto, e talvez nem denunciado.


O que podemos fazer aqui, é citar quanto é comum, e aceito, a publicação de fotos de crianças peladas, até na primeira página de jornal. E fizemos isso, com exemplos. Podemos notar os absurdos lógicos, na argumentação feito. E fizemos isso.

Mas o que o próximo Nelci-Rones precisaria - e podem confiar que haveria um próximo, e alguém que confia que seria outro, será enganado - seria um parecer jurídico.

A hora de prepara é agora, e não quando a polícia e a imprensa estão na porta, buscando fama e IBOPE ao custo dos outros. Naturistas já se mostraram um alvo fácil, que pode pegar um e os outros fogem, ou como no caso Colina do Sol, até participariam, contando mentiras sobre inocentes.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Caso Tambaba: Juiz decreta prisão preventiva de Nelci Rones

Domingo, a família de Neci Rones estava no Fórum antes de 08:00 para saber se seu pai estaria solto. A promotora chegou as 11:30, e a decisão do juíz somente saiu em volta das 18:00, enquanto os peladistas estavam reunidos na fila para a peça "Bacantes" de Zé Celso em São Paulo.

Aqui está a carta do Nelci Júnior, que deixe claro que o que foi julgado não foi Nelci Rones, mas naturismo. O caso - ou melhor, as proporções que o caso assumiu no lente distorcida da imprensa - já acabou por ora com o naturismo familiar na praia de Tambaba.

O naturismo organizado - da Sonata à FBrN - para "preservar naturismo" abandonou Nelci Rones, o jogando para os lobos. Que ficaram mais bem alimentados, e talvez adquiriram o gosto para carne que não deixe fiapos de tecido entre os dentes. O tempo é o senhor de razão, diferenciando prudência de covardia, e sagacidade de miopia.


 
Amigos,

A decisão do juiz acabou de sair. Ele negou nosso pedido e decretou a prisão preventiva.

As palavras do juiz foram muito fortes, dando a perceber que faz parte de uma sociedade altamente preconceituosa.

Acusa meu pai de ser um perigo pra sociedade, pois, segundo seu depoimento, assume alguns dos crimes com muita naturalidade, associando ao naturismo e não a pornografia (segundo o juiz as fotos são pornográficas).

Disse ainda que o que mais pesou na sua decisão foi o fato de meu pai ter dado seu depoimento com muita serenidade, sem qualquer complexo de culpa, dizendo que o que fez é correto, mostrando um distúrbio psicológico grave e sua soltura pertubaria a paz pública.

Entramos em contato com o criminalista, que entrará o mais breve possível com o pedido de Habeas Corpus junto ao TJ.

Agradecemos a fé depositada. Perdemos a batalha, mas não a guerra.

Um abraço.

Nelci Júnior
 

sábado, 18 de dezembro de 2010

Expondo Crianças

Crianças e adolescentes foram barrados da Praia de Tambaba, o maior destino naturista no nordeste do Brasil, depois da prisão cinematográfica de Nelci Rones Pereira Sousas, sob acusações de distribuir fotos pornográficas de crianças que teria abusado. Até agora, não há indício nenhum de que ele distribuiu fotos; as fotos exibidas como troféus não são ilegais; e as crianças entrevistas pela polícia negam abuso.
Primeira praia, olhando do estacionamento. Escada no final

Ainda sem comprovação que alguma crime aconteceu, resta a proibição da entrada de menores. O problema com menores na praia é que eles pode ser vistos, ou que eles podem ver algo? A situação é diferente para crianças do que para adolescentes? Há também a ocorrência de sexo ao ar livre, e que a cidade de Tambaba tirou a administração da praia de Sonata, ONG de que Nelci Rones é diretor e de que já foi presidente. E para entender tudo isso, é preciso entender a extensão física da praia, que tem três zonas distintas.

Crianças podem ser vistas em praia naturista?

O veto aos menores engloba qualquer um com menos de 18 anos, inclusive crianças de colo, para quem um mar de seios a mostra sugeria apenas incontáveis lanches. A proibição contra estes pequeninos é incoerente. Em praia urbana, movimentada, eu já vi crianças pequenas sendo trocadas na praia, sem que elas, seus pais, ou qualquer um por perto se importasse com isso. Na minha última visita para Ceará, passei por uma vila do interior em que houve incontáveis meninos no jardim de casa completamente pelados, ainda que as meninas estavam de calcinha. Já vi aqui em São Paulo meninos pelados em frente das suas casas, especialmente em dias de calor, e me recordo de um pai com um criança pelada nos ombros, em pleno Viaduto de Chá, que arrancou uns sorrisos de pedestres, mas nada além.

Fora das experiências particulares, noto que no Castelo RaTimBum, ainda sendo re-veiculada, há dois indiozinhos que aparecem em lendas indígenas, sem roupas e sem sombras, ângulos de câmera discretos, ou outros artifícios. Os atores tinham uns seis ou oito anos, e um deles foi depois um dos "Chiquitas" na programa de Xuxa, e um pagina de fofocas revela uma seqüela: o apelido "Pingolim Famoso". E não foi Angêlica que apareceu nua, bem pequena, numa propaganda de margarina?

Poderíamos citar exemplos históricos. Gilberto Freyre aponto que nos meados do século retrasado, os filhos do engenho, dos escravos até o herdeiro da casa grande, viviam pelados até seus cinco anos.

Mas basta. Já mostramos que criança pequena ser visto pelada não perturbe em outros lugares do Brasil. Exigir que exatamente em praia de nudismo não pode, seria absurdo.

A atitude da Prefeitura de Conde para com crianças na praia, durante o Congresso Mundial da INF - Federação Internacional de Naturismo em 2008, talvez tratamos outro dia.

Mas o que as crianças podem ver?

A exposição das crianças à nudez adulto poder criar para eles algum empecilho?
Bem, do mesmo sexo, a exposição é corriqueiro em lugares como o vestiário do piscina.

Praia prinicpal de Tambaba, olhando da escada.
E, quando falamos do "vestiário do clube" estamos já mostrando uma ponta de vista da classe média. Quem recebe salário de promotor pode morar em apartamento em que cada criança teu seu quarto, e cada quarto seu banheiro, mas para grande parte da população, especialmente em áreas como o interior de Paraíba, a casa é de um ou duas cômodos, e água encanada é um sonho para o futuro. A comarca em que Conde fica é melhor, mas este progresso foi em grande parte trazido pela fama da Praia de Tambaba, que colocou a cidade na mapa e no roteiro turístico.

Se isso for um perigo que exige a colocação de fiscais do governo, para que criança não veja nudez adulto na praia de nudismo, porque não colocar um fiscal no banheiro de cada casa particular, para evitar que uma criança escova os dentes enquanto o irmão mais velho toma banho? O pai teria que escolher entre prisão de ventre, e prisão?

Os índios brasileiros viviam nús o tempo todo, e não são a única sociedade que deu pouco importância à nudez. O Brasil de classe média para cima tem uma renda que permite mais privacidade, mas o maior virtude do governo que encerra com o ano, é que reconheceu o outro Brasil, onde a grande maioria vive sem este plenitude, sem condições de sustentar certas padrões de consumo - e certas padrões de pudor.

De criança para adolescente

Há um diferença entre criança e adolescente. Caso o leitor seja velho demais para lembra sua adolescência, recomendo "Doze Anos" onde Chico Buarque canta de
   Sair pulando muro
   Olhando fechadura
   E vendo mulher nua

Poucas anos atrás, perto de Canoa Quebrada, um senhor me contou de quando tinha uns oito anos, ele e os amigos gostavam de ir para o praia de nudismo que ficava em frente ao cemitério. Precisavam tirar o calção, mas para ver mulher pelada, não se importavam.

A explosão imobiliário acabou com a praia de nudismo de Canoa Quebrada. O pessoal de Incra me falou que até tentaram lotear o vender o cemitério, com placa espetada onde o ventou tirou a aréia e deixava os pés dos finados expostos: a especulação imobiliário não respeita nem os nús nem os mortos.

Mas adolescente quer ver mulher pelada, e vai ver. Se não puder dar um pulo na praia, vai pular o muro. Meninas não tema a mesma mania, mas muitos já ajudam trocar as fraldas dos irmãos mais novos.

Além das pedras, além da nudez

Mas o que crianças e adolescentes encontram na Praia de Tambaba vai além de nudez. Meus conhecimentos da praia vem do Congresso INF lá em 2008, mas uma rua íngreme desce das falésias, para o estacionamento. No estacionamento e a praia em frente o naturismo é proibido.

Há uma escada que leva até a próxima praia, uma grande meia-lua com uma pousada, onde acontece anualmente o Tambaba Open de Surf Naturista. Na escada há "fiscais" que exigem que as visitas entrem nuas, e parece que proíbem homens solteiros, num afronto à Constituição brasileiro.

No final da meia-lua, há umas pedras grandes, e além delas uma terceira praia, maior ainda. O decreto municipal estabelece a zona naturista até o final desta praia, marcado por um rio.

A prática estabelece esta terceira praia como palco de sexo à céu aberto, e de troca de casais.

Para adolescente, há uma diferença entre revista de mulher pelada e revista de sexo explicito. O turismo trazido pelo naturismo pode ser de pessoas qualificadas, muitos vezes pessoas aposentadas com renda disponível, que preferem não aguentar mais os invernos europeus. Mas o turismo atraido por sexo à ar livre é o turismo sexual, e somente a logística o separa do envio de brasileiros para Europa para atender em domicílio a mesmo mercado.

Coexistência

Claro que crianças pequenas não se soltam dos pais para explorar a zona além das pedras. Enfatizo que a mesma geografia que isola a praia naturista das praias comuns, isola a área de safadeza da área de naturismo familiar. Mas o que vale para crianças da idade em que o mar e as ondas são perigos reais e imediatas, não vale para adolescentes. Que se soltam dos pais, sim.

Além destas pedras, a libertinagem. Fotos:Jornal Olho Nu
Quando os jovens já chegam num idade em que é mais provável que ele salvariam mamãe das ondas, do que vice-versa, e quando podem chegar sozinhos à praia, podem ir além das pedras, e além da conta.

A praia atrai uma turma de surfistas de todos as idades, e eles vão onde estão as ondas, não importando o que mais há: um ponto de surf popular em California tinha o nome de "Shit Pipe" devido ao cano de esgoto da cidade vizinha.

Estes adolescentes podem encontrar tentações? Bem, um cavalheiro distinto cujo nome não preciso citar, já contou para um grande revista de mulher pelada cujo título não preciso citar, que há lugares e idades em que até cabritas apresentam tentações irresistíveis.

Mas o problema em Tambaba não é a segunda praia onde pessoas andam seu roupas, mas a terceira praia onde a libertinagem corre sem restrições.

Antes da prisão

Antes da prisão de Nelci Rones, já em 22 de novembro, a Prefeitura de Conde tinha tomado de volta de Sonata a administração da praia de Tambaba. A praia tem uma certa renda provindo do estacionamento, renda que deu a Ong condições de fiscalizar e excluir solteiros - mas não, aparentemente, "casais liberais" para usar um dos eufemismos.

A exclusão de solteiros fere o turismo. Houve pessoas de Sonata - e incluo Nelci Rones entre eles - que achavam que Sonata deveria administrar a praia pela conveniência e preferência dos sócios de Sonata, e não pelo bem do município de Conde.

Seria bom saber o que motivou a rescisão pela Prefeitura. Será interessante como a prefeitura lida com a proibição de menores - dita temporária - imposta pelo Ministério Público. Sexo ao ar livre e criança não combinam, ainda que a geografia das praias de Tambaba permitia uma certa separação, na minha visita senti uma clima menos não co-existência harmonioso, mas de cessar-fogo.

Há duas saídas. Uma é o retorno das crianças e do naturismo familiar, com a expulsão dos libertinos. Outra é que o veto contra crianças vira permanente, em que caso o naturismo familiar vai abandonar o espaço para os libertinos, e depois do próximo escândalo, à especulação imobiliária, e a praia de Tambaba viraria mais um condomínio fechado.

E assim fecharia a história e o futuro de naturismo no nordeste brasileiro.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sol na praia, luar na neve

Estamos na época de Natal, como lembra em carta aberta o filho de Nelci Rones Pereira de Sousa, preso perto da praia de Tambaba, quase exatamente três anos depois que eclodiu o caso Colina do Sol, com acusações igualmente pesadas - e evidências igualmente insubstancias, e igualmente chamado "Operação Predador".

O Correio em João Pessoa acaba de soltar o título que "Delegado diz já ter provas em caso de pedofilia", mas o corpo de notícia informa que "Segundo o delegado, as meninas ouvidas disseram que não foram abusadas pelo acusado..." Não tem provas, e indo assim, não terá.

Para repetir, notícias nestes casos se entende pelos buracos, porque jornalista brasileira não informa, somente acusa. Se algo fortalece a acusação, é notícia; se comprova inocência, é caso de retorcer ou esconder.

Mostraram as fotos - não são pornográficas. Ouviram as meninas - não foram abusadas. No Rio Grande do Sul, nesta etapa, o próximo passo da polícia foi de torturar menores para "confessar" abuso, chamar uma psiquiatra desqualificada para "interpretar" as declarações de outros menores ("palavra de menor tem peso especial nestes casos" vamos ouvir - que não vale quando a palavra é "não aconteceu"), e plantar evidências.

Tudo do que vimos até agora, é exatamente o que veremos, se o Sr. Nelci Rones for inocente. Daqui em diante, começam as mentiras, e as alegações que "sigilo de Justiça" veta maiores informações sobre o caso. Incoerente, pois teria proibido o que já saiu com tanto barulho.

Agora policias e promotores vão se distanciar de fatos comprováveis para vagar pelo campo de psicologia, e abandonar acusações específicas que precisam se encaixar em algum artigo da Código Penal, e partir para a difamação, anunciando qualquer coisa que pode servir para macular quem foi, esta vez, "pego por Cristo".

Polícia, imprensa ...

Da polícia tivemos a truculência de sempre. Da imprensa, a eterna postura de claque apto a aplaudir e acreditar em qualquer um que acusa, de publicar manchetes que são desmentidos pelo corpo da notícia, de posar de paladino quando está brigando com seus pares para tomar o frente no posse de linchamento.

Para acreditar neste história, nestas "evidências", nesta interpretação da palavra das meninas que afirmaram claramente não foram abusadas, somente quem é desonesto ou incompetente.

Mas a polícia que temos, conhece os jornalistas que temos.

... e naturistas

E os naturistas. As reações que temos até agora são do Sr. José Antônio Ribeiro Tannús, que enfiou a cabeça na areia com a rapidez conquistada com muita prática. Depois, SONATA convocou uma reunião de emergência para "posicionamento desta Sociedade com relação ao ocorrido". O estimado presidente do ONG da Praia do Pinho sugere que está na hora de aderir aos padrões, e enforçar o que ele chama da "Código de Ética" - que não é um Codigo de Ética, que é um dos raízes do problema.

A prefeitura de Conde pegou a praia de Tambaba de volta de Sonata - mas já fez isso dia 22 de novembro, uma leitura mais cuidadosa revela. As acusações na casa Colina do Sol foram contra quem investigava irregularidades financeiras. Há algo atrás desta diferença de data que ainda não foi explicado. E deve ser.

Trenó

Nelci Rones Júnior, na sua carta aberta, detalhou os fatos, e fez uma réplica as acusações. Foi claro e focado - algo que vamos ver cada dia menos da polícia e da imprensa, conforme aumenta sua pressa e sua fúria para sustentar as acusações que já fizerem. Que são insustentáveis, pois falsas.

Mas no final, Júnior lembra de Natal.

Moramos num país tropical, onde estranhamente em pleno verão se pode encontrar neve num shopping. Os Natais da minha juventude era no visual iguais aos visões do marketing norte-americano; a realidade era de um frio brutal. Mais longe da praia de Tambaba, impossível.

Mas pensei naqueles ícones de Natal de outro hemisfério, e entendi a estratégia dos naturistas quando lembrei do trenó.

Não, não o trenó de Papai Noel - a decisão da TJ-RS que dizimou a indenização do Ratinho para Colina do Sol será publicado esta sexta-feira, e a Colina não vai encontrar um presente na meia, mas somente uma pedra de carvão.

Lembrou daquele trenó russo. Um noite de luar na floresta, a turma no trenó voltando da festa, e entre as sombras das árvores, outros vultos que se movimentam, e uivam e ficam cada vez mais próximos. Dá para ver o branco dos olhos, as bocas abertas, as dentes afiadas. E um é escolhido, e jogado para os lobos, e enquanto param para comer, o trenó, agora mais leve, se afasta.

Mas é por pouco tempo. Eles retomam a caçada, e logo é hora para outro ser jogado.

Pois é preciso preservar o trenó. "Não podemos permitir que a filosofia adotada pela Sonata seja confundida pelo mau comportamento de um membro", como disse a presidente da Sonata, Gione Pereira.

No luar da Sibéria, entendemos o que vai passar na praia de Tambaba, sob o sol de Paraíba. Será a mesmo que deu antes em Taquara, e o que dará na próxima vez que os lobos atingem o trenó. Quem foi jogado e está sendo jantado não foi nós, então porque olhar para trás?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Justiça permite a criança no naturismo?

O naturismo mundialmente se apresenta como prática saudavel e familiar. Mas no Brasil, há segmentos da Justiça que vejam a nudez infantil, ou a exposição da criança a nudez, como um perigo claro e iminente. Chegou a nos esta semana um apelo de uma mãe que informa  que enfrenta o perigo de perder a guarda da sua filha, pois o Conselho Tutelar disse:
"...que eu não poderia expor minha filha numa praia de naturismo, uma vez que ela é menor de idade e ainda por cima, é uma criança..."
O peladismo é minimalista, mas os peladistas são também, unidos. Uma tentativa de tirar uma criança da sua familia é, como a prisão de inocentes, algo que apela para quem tiver um mínimo de compaixão humana. Há quem da comunidade peladista que já respondeu, oferecendo precedentes que podem ajudar a mãe e seu advogado agirem neste caso:
  • Um advogado aponta uma falta de jurisprudência uniforme no Brasil;
  • outro aponta uma decisão gaúcha de mais de 10 anos atrás estabelecendo que numa briga sobre a guarda de crianças, o fato que a mãe morava num área naturista (pelo qual leio Colina do Sol) não justificava, em si só, uma decisão liminar tirando as crianças dela.

Insegurança Jurídica

De uma certa forma, a coisa é fácil: se haja uma divergência, é porque não existe uma proibição clara na lei. Mas se um promotor, ou delegado, ou Conselheiro Tutelar, da altura da seu moral classe média, corre para "preservar a criança", pode render um processo. O "pode" é onde pega. Conforme o advogado Fábio Medina Osório disse numa reunião de Febrasul ontem:
Por esse motivo, segundo ele, que também foi promotor de Justiça no Rio Grande do Sul, deveria haver um cuidado maior em relação à possibilidade do aumento das interpretações e do subjetivismo, por parte dos membros do Ministério Público. De acordo com Osório, isso permite a expansão da insegurança jurídica e pode desencadear obstáculos na agenda de desenvolvimento do País..
A insegurança jurídica aumenta os custos para uma empresa, que os repassa. Mas num caso destes, os custos podem quebrar as finanças da familia, e os procedimentos podem deixar sequelas na vida da criança. Neste caso, por exemplo, a criança já está várias semanas fora do seio familiar.

No Brasil se fala de um "estado democrático de direito", um dos patriarcas dos Estados Unidos, John Adams, escreveu de "a government of laws and not of men", um governo de leis e não de homens. Se o naturismo familiar depende não da lei, mas dos caprichos de qualquer "autoridade" é um direto precário, que qualquer um poderia ter que defender e reconquistar a cada hora. E o preço é alto.

Divergências geográficas

Partindo da experiência americana, o naturismo corre mais risco de encontrar falta de entendimento nos grotões do país; numa disputa de guarda de criança em que um dos pais utiliza o naturismo contra o outro; quando há fotografia envolvida; e quando há uma Autoridade que quer aparecer na imprensa, ou quer justificar uma besteira que fez.

A mãe neste caso escreve do interior do Rio de Janeiro, mais de meio caminho andado para Espirito Santo, e a filha tem menos que cinco anos. Para a grande sorte dela, a imprensa brasileira, sensacionalista e incompetente, não entrou no caso.

Ver ou ser visto? 

A preocupação do Conselheiro Tutelar no caso é com adultos na praia vendo a nudez da criança, ou a criança vendo o nudez dos adultos? No apelo da mãe isso não está claro, e creio que também não está claro na cabeça do Conselheiro. Este guardião dos bons costumes também se implicou com uma foto da mãe segurando a filha no colo enquanto tomava cerveja, algo que creio que qualquer um que tem filho e churrasqueira já fez.  

Duas perspectivas na Colina do Sol

O advogado dr. Horácio Xavier Franco Filho cita um caso de Rio Grande do Sul, que pela comarca (Taquara) e contexto (comunidade naturista) só poder tratar da Colina do Sol. O TJRS resolveu :
(E) GUARDA - MENORES VIVENDO EM COLÔNIA NUDISTA - ALTERAÇÃO LIMINAR -
INDEFERIMENTO.

- Guarda. Filhas vivendo em centro naturista. Alteração liminar. Indeferimento.
Não havendo prova nos autos de qualquer prejuízo que possam estar sofrendo as
menores na colônia nudista, local onde foram residir com a mãe e onde preferem
morar, descabe a alteração liminar da guarda em favor do pai, mormente pelo fato
de que a questão demanda análise e cognição plena. Agravo de instrumento
desprovido.
(TJRS - 8ª Câm. Cível; AI nº 70000088989-Taquara; Rel. Des. José S. Trindade; j.
30/9/1999; v.u.) RJA 26/355
BAASP, 2377/347-m, de 26.7.2004.
- MENOR - MORADIA - AMBIENTE DE NUDEZ - AUSÊNCIA DE PREJUÍZO
Dr. Horácio continua:

"Somente podera haver a modificação de guarda, caso seja comprovado que a permanência dos menores sofre algum prejuizo de ordem moral e que prejudique a sua educação. É materia a ser amplamente discutida no âmbito de provas, além de análise psicosocial no decorrer do processo.... Sou advogado e atuo na area, qualquer duvida estarei a disposição."
A questão naturista não somente não resultou num liminar, mas no julgamento de mérito, a mãe continuava com a guarda das crianças.

A promotoria de Taquara vs Colina do Sol

Mas ha outras visões. A Promotoria Publica de Taquara já fez a Colina do Sol assinar um compromisso de não permitir a fotografia de crianças nuas. Já colocamos o termo no Internet, no final desta matéria.

Aqui vemos de novo a dificuldade de interpretações variantes, da insegurança jurídica. A promotora Dra. Lisiane Messerschidt Rubin (que eu já vi agir com grande competência no processo pelo morte de Zeca Diabo) ou errou em que falou para Zero Hora, ou Zero Hora a interpretou mal. Fotografia de criança nua não é crime, nem é crime menor freqüentar área de naturismo.  E, o Termo não proibe foto de crianca nua sem a permissão dos pais; proíbe foto de criança nua, e ponto final.

Vimos, naquele mesma postagem, que a permissão parental de que a promotora não vale: a única evidência física contra Barbara Anner são umas fotos que estavam emolduradas na parede, de seus filhos e netos. Absolutamente inócuas.  

O que diz a lei? 


Sr. César Fleury informa que ele já no passado verificou o assunto, e nada na ECA proibe naturismo para crianças: podem assistir ou participar. A lei municipal carioca que estabeleceu a praia do Abricó (texto de PROJETO DE LEI Nº1164/2007) não contém nada que proíbe a entrada de menores.

Anos atrás nos EUA houve regulamentos propostas para fechar uma praia naturista no estado de Massachusetts. A proposta criminalizava o nudez na praia, mas incluiu uma cláusula de que isentava crianças de até 10 anos de idade. No Brasil, é corriqueiro ver pais trocando crianças pequenas na praia. Ninguém implica com a nudez infantil.

Classe Social

Grande parte do Brasil vive sem saneamento básico, em moradias mínimas: barracos de favela ou casebres rurais. Até por necessidade, as padrões de privacidade são outros do que são pressupostos por quem é de classe média, num apartamento espaçoso digno dos rendimentos confortáveis de um promotor, por exemplo. O pobre tem menos "mistura" no rango que o rico, e tem menos privacidade em casa, pelo mesmo motivo, menos dinheiro.

Durante quase a totalidade da história humana, a nudez infantil era corriqueiro; no Brasil até 500 anos atrás, era constante; em Casa Grande e Senzala, Gilberto Freyre aponta que nas sedes rurais no meio do século retrasado, os filhos tanto da família quanto dos escravos eram criadas até os cinco anos mais ou menos como animais domésticos, e os meninos pelo menos, pelados.

A Folha de São Paulo de vez em quanto imprime fotos de crianças peladas. Poucos tempo atrás houve na primeira página de jornal um foto de vítimas de enchentes no norte ainda em abrigo temporário, tomando banho ao ar livre. Os adultos como a roupa de corpo, mas o foto mostravo dois meninos, que aparentavam uns dois e uns oito anos, peladinhos e sem artifícios.

Depois disso, na coluna social houve uma foto de uma grã-fina, muito branca num vestido branco, segurando nos braços o filho adotivo, negro e pelado. Aquele foto foi "discreto", mas já vi no mesmo espaço foto de filho de "colunáveis", de nú frontal. E lembro um foto do finado deputado Clodovil, mostrando sua casa na praia, e exibindo no chuveiro uma falta total de marca de bronzeamento. Quando P.C. Farias foi trazido preso de Tailândia para Brasil, uma pequena nota na coluna política da Folha informou que os policiais que fizerem o exame de corpo delito notaram o bronzeamento total.

Dizem que a moralidade é como uma corda esticada na altura do peito: o pobre passe por baixo, o rico por cima, e a classe média bate e recua. Uns anos atrás eu ouvi um ator de novela que reside em Paratí a reclamação de que "o nudismo se socializou". Era sempre um privilégio de quem tem tudo, e uma necessidade de quem não tem nada.

  
A vantagem da união

Um entendimento pacífico de que o naturismo não traz prejuízo às crianças, ou pelo Lei de Naturismo, ou pelo produção de um kit de jurisprudência, pareceres de advogados renomeados, recortes de jornal, estudos acadêmicos, etc., serviria para que cada naturista que enfrente uma situação destes não precisa bancar os custos sozinho; que cada advogado não precisa fazer uma pesquisa sobre o assunto, e apresentar um relatório e apresentar uma conta. Para uma familia que já esta sob estresse emocional e financeira. 

A máquina de Justiça é fácil de ligar, e difícil de desligar. Um socorro rápido e de peso poderia persuadir um conselheiro tutelar ou promotor que a prática familiar de naturismo não é algo que exige um intervenção do estado. Uma vez que o processo já começou, é difícil fazer ele parar antes que ele cumpre toda sua rotina, que para uma familia custa uma fortuna, e para uma criança, leva um eternidade. E infelizmente, quem entre nesta ramo tende a ser gente "mandona", que também tende a ser pessoas que tem dificuldade para admitir um erro. Vendo que não há nada mesmo, o caso não procede rapidamente à extinção. Muito ao contrario: é esticado "porque é de baixa prioridade", e para adiar a hora que a Autoridade tem que reconhecer seu erro.


O naturismo é exótico. Tudo mundo já ouviu falar, mas poucos conhecem profundamente. Ter pronto, no Internet ou disponível por email, os documentos que uma familia pode entregar na hora para o advogado, que pode usar para dissuadir a guardiães de  moralidade de prosseguir, economizaria muito dinheiro, e muito tempo.

A FBrN mantém seu silêncio padrão neste caso. Afeita somente a fortuna e o futuro de uma familia e de uma criança. Não afeita os interesses comerciais dos "amigos do rei"; não coloca em perigo o livre exercício de estelionato. Para a FBrN, então, não importa.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"Eu gostei aquela pintura", disse Dilma

Quais foram as pinturas que encantaram Dilma Roussef em Paris? O Estado de São Paulo ("Já foi um grande jornal") de quinta-feria informa que ela visitou a exibição "De El Greco a Dali" no Museu Jacquemart-Andre e que:

Lá, fixou o olhar com maior demora em três obras-primas sobre crianças feitas pelo pintor impressionista espanhol Joaquin Sorolla y Bastida. "Eu gosto daquela pintura. Pare de novo para vê-la", aconselhou Dilma ao secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, que a acompanha na visita a Paris.

Na site da exibição, a foto 6 mostra um parede com três pinturas de crianças de Sorolla:

A pintura na esquerda é "En la playa":


A do meio, "Nino En Las Rocas Jarea", somente encontro em um lugar, e com a imagem digital oferecida somente mediante pagamento:


O terceiro imagem não encontro no internet, mas o assunto é de novo um dos preferidos de Sorolla, crianças peladas no mar.

E, parece, um assunto que agrada Dilma Roussef, também.

domingo, 30 de maio de 2010

There's no sin below the equator

Thirty years ago a popular Brazilian soap opera, "Pecado Rasgado", had a catchy title tune, the refrain to which was "Sin doesn't exist below the equator". You can find the opening sequence with the title music on YouTube.

That sin doesn't exist isn't an exaggeration, but there are distinctly different attitudes. We remarked here over a year ago on the fairly relaxed Brazilian attitude towards naked children in the media. I haven't returned to that as further examples appear, because that would involve nearly weekly updates. And there's a name for that sort of thing, and apparently an audience.

Family newspaper

Newspaper readership in Brazil is far lower than in the United States - the newspaper of record, the Folha de S. Paulo, sells a bare 300,000 copies. That means that the audience is somewhat more select, and somewhat more sophisticated, than the average American paper. Even so, it's a "family newspaper."

A week ago, one of the Sunday supplements, a glossy tabloid-size magazine titled "Serafina", had an illustrated interview with photographer David LaChappelle.

The magazine, from the ads, is aimed at an adult audience, though there is an article on a parrot puppet originally designed to appeal to children, on a morning TV show. Other articles are on Spanish bullfighters, Prince Charles's country house, and the Copacabana Palace Hotel.


Adult nudes

It's long been a tradition in Western art that child nudity is perfectly acceptable and non-sexual. A Pope ordered that Michelangelo's nudes in the Sistine Chapel be retouched for "decency", there being if I recall a special admonition to cover those with their bottoms facing the viewer. But there was no problem at all with frolicking cupids or the naked infant Christ.


In recent decades, adult female nudity has become widely acceptable. Dicks, however, are something else. A strange reversal, from adults being verboten but naked boys being all right yet infant girls excluded, to naked adult women being fine, but adult men and children of either sex being indecent.

No complaints

I've included links to three of the photos printed in the newspaper, from the site of Maruani & Noirhomme Gallery in Belgium which held an exibit, that from the site closed this month. The picture are about six inches high, and so the resolution is vastly better than non only the inline pictures here, but than the larger images to which they're linked.

In this Sunday's Folha, the ombudsman says that it's a "sign of the times" that she received no complaints at all about the frontal nudity. Several about cruelty to animals, but none on the naked men.

Geographic differences

Perhaps it's really is being south of the equator, perhaps there are other cultural factors. During much of the year, in much of the country, the most comfortable clothing is as little as you can get away with. The country makes no secret of the Indian ancestry shared by much of the population, or that there are still Indians in parts of the country who wear nothing. Nudity in the theater is so common as to not be worth comment.

And Speedos are standard beach wear for males, except during the teen years when board shorts enjoy a brief popularity. The notion that men are or ought to look as if built like Ken dolls has never enjoyed currency in Brazil.

Changing times

Fashions change. The notion that current fashion somehow expresses universal moral standards is one that has always been popular. Once anarchists were a great threat, now they're quaint. And as we've shown, the varieties of nudity that are acceptable has shifted.

A hundred and fifty years ago, it was uncommon for men to swim in anything other than their skins. A hundred years ago, proper gentlemen wore wool getups that did not indecently expose their chests. It was fifty years from Michelangelo painting the Sistine Chapel, to the genitalia being painted over.

And two hundred years ago, the papal choir that sung in the chapel included castrati, who could sing with the celestial voices of women. The practice was only finally banned in 1903. It was a career option for poor boys - or a quick florin for their families. One online article suggests it was no more likely to lead to a successful musical career in the 1770s then, than letting one's hair grow long did in the 1970s.

We of course are aghast at the genital mutilation of boys, yet circumcision is still widely practiced. How can we know for which of our practices our descendants will condemn us?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Carta Maior, interesses maiores

Recebi no email uma carta recheado com abobrinhas. Apesar da vontade de mandar a carta direta para o cesto de lixo, e sua autora para um outro lugar, vou tentar responder as poucos pontos coerentes que da para extrair da narrativa desorganizada, pelo perspectivo do Artigo 5 da Carta Maior.

Dr. André precisa provar sua inocência?

O André agora tem brigas pessoais dentro do Naturismo ...
Escuta aqui. Pessoas supostamente naturistas mentiram para colocar Dr. André dentro da cadeia durante 13 meses, e faz ele enfrentar um processo que já durou quase dois anos, sustentado somente pelo "sigilo de Justiça" que esconde a fragilidade total das "provas", e as crimes da polícia e da promotoria.

Isso não é uma "briga pessoal". Isso é um crime de proporções históricos, de interesse nacional.
... ainda precisa provar sua inocência naquele processo que ainda não terminou e que ainda respondem ....

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

Não, Dr. André não precisa comprovar sua inocência, que é presumido pela Constituição. O Ministério Público precisa comprovar sua culpa, e dado a falta total de evidências, e de "vítimas" críveis, a situação da promotora que se aventurou neste barco furado é desesperador.
  ... estando em liberdade por liminar.
Dr. André foi solto não por liminar, mas por habeas corpus, nos termos da Constituição:

LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

Não consegue calar?

"não podemos ficar calados quando vemos o Naturismo sendo atacado rotineiramente."

A autora da Carta, e a FBrN, conseguiram muito bem ficar calado quando a Naturismo foi atacado com a prisão do seu presidente, Dr. André Ricardo Lisboa Herdy, comprovado a falsidade da afirmação acima.

Calou-se sobre a mentira, mas reclama quando outros insistem na verdade.

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

Registro da Ata

Porém, nem sabemos se realmente esta Ata, datada de 01 de Outubro de 2009 (reparem bem a data, recentemente!), está registrada em cartório de Camboriú porque nada foi apresentado...
Encaminhei a ata para quem registrou, e encaminhei uma segunda versão quando este primeiro foi rejeitado por motivos técnicos, nas duas ocasiões colhei a firma do dr. André no Tabelião. Quem foi encarregado me confirmou que a segunda versão da Ata foi devidamente registrada.
... mas mesmo que esteja, não faz nenhum sentido MORAL
Foi feito conforme mande a lei da República e o Estatuto da FBrN.

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Os conquistas do Dr. André

Por vezes questionamos se ele trabalhava e onde encontrava tempo para tanta dedicação, se não é aposentado e nada ganhava financeiramente da FBrN.
Bem, não conheço a autora da carta, mas se for de novo ao qualquer evento da FBrN, saberia como reconhecer-la de longe: pelo hálito. A afirmação acima deixe claro que ela não visitou sua dentista faz muito tempo. Ou pelo menos não pagou a conta dela. Se não, entenderia como um bom dentista pode ganhar a vida clinicando sem necessidade de trabalhar de branco a semana inteira.

A "passagem negativo" da prisão do Dr. André

O André teve muitas passagens negativas dentro do Naturismo quando inventou a tal Polícia Naturista, quando jogou o nome do Oxentenat numa briga, e depois quando foi preso
Não conheci Dr. André antes da sua prisão, mas ouvi de várias pessoas do episódio da "Polícia Naturista", e todos (inclusive Dr. André) reconhecem como um erro.

Mas culpar Dr. André por ter sido preso sob acusações falsas? Culpar a vítima? Lembrem:
Os acusaçôes contra Dr. André partiram da Colina do Sol, e somente dela.
Os acusações contra Dr. André Herdy, Cleci Ieggli da Silva, Fritz Louderback e Barbara Anner, partiram somente, e tão somente, de um pequeno grupo de sócios da Colina do Sol, com rixas pessoas com André e Fritz, e várias destes devedores de Fritz, que pararam de pagar suas obrigações tão logo que conseguiram a prisão do seu credor.

Os autores desta "passagem negativa" não são Dr. André Herdy nem Fritz Louderback. São um pequeno grupo dentro da Colina do Sol, que foi calorosamente acolhido pelo naturismo organizada depois de ter conseguido a prisão do Dr. André.
Agora recebi uma informação de um suposto perfil pedófilo dentro do NuBrasil, que disse ser amigo do André. Já conversei por alto sobre isto com um amigo da PF, mas ainda nada fiz, nem revelei o email e nem o msn.
Bem, uma pessoa se diz pedófilo, e se diz amigo de Dr. André. E se ele tivesse dito que fosse amigo da autora da carta? Ou se tivesse dito que era Napoleão Bonaparte, e pai da nova diretoria da FBrN toda?

No Internet, se encontra cada louco.

Não se pode culpar Dr. André por todos que entrem no NuBrasil, por mais cuidado com que ele age. Sei com certeza que ele baniu um caluniador, e um estelionatário notório no meio naturista brasileiro, mas como ele pode saber de todos?

Assassinatos


Não sei, mas relendo fiquei com a impressão de que estão usando o André, que está sendo manipulado
Isso foi a resposta da autora ao um trecho de uma entrevista do Dr. André, onde ele diz entre outras coisas que: "...mas estou me afastando antes que também me matem, pois tentar tentaram!"

Assim voltamos ao começo. Dr. André ficou preso 13 meses devida a falsas acusações, e a autora enxerga nisso "brigas pessoas". Ele afirma que tentarem matar ele, e ela responde que "fiquei com a impressão de que estão usando do André."

Que falta absoluta de distinguir o importante do trivial! De empurrar ao lado os fatos grandes, reais e importantes em busca da mesquinhices que aparentemente são tudo que cabe na cabeça desta mulher!

Como todos os outros investidores no Hotel Ocara, Dana Wayne Harbour perdeu seu investimento. Os outros investidores abandonaram o dinheiro e a Colina do Sol, um casal abandonando também sua casa quase acabada. Wayne acumulou provas, e foi assassinado dentro da sua casa na Colina, as provas sumindo na manha seguinte.

A corja da Colina não somente foi para a Promotoria reclamar quando Barbara Anner recebeu seus amigos e advogados na sua casa, para que esta senhora de 73 anos de saúde abalada fosse mandado de volta para a cadeia, onde bem poderia ter morrido. Quando ela estava em prisão domiciliar, se ausentou para ir para uma audiência no Fórum, e alguém subia no telhada da sua casa - atrás das cercas da Colina, atrás do portão cuidadosamente monitorado para barrar os amigos da sua família, e colocou uma bomba incendiária no seu chaminé.

E Nedy, a habitante mais antiga da Colina, de origem humilde mas ética irreprendível, que ficou ao lado da verdade, contra a maldade da Colina e apesar da inércia da FBrN, até que seu grande coração não aguentou.   

Gente morreu nisso, houve homicídio e tentativa de homicídio. Os filhos de Nedy perderam sua mãe. Pessoas de bem gastaram a poupança da vida inteira para se defender; Cristiano Fedrigo e os outros jovens de Morro da Pedra tiveram seus futuros postos em xeque.

Coisas importantes acontecerem no caso Colina do Sol. Há interesses maiores em jogo. Abrem os olhos, abrem os mentes.

Confusão

... está esgotado em ver tanta confusão causada por um pequeno grupo de pessoas.
Muito bom. O pequena grupo de pessoas ao que a autor refere só pode ser os autores da falsas acusações contra Dr. André e os outros três. Dr. André, como presidente de fato e de direto, já os suspendeu da FBrN, deixando sua expulsão definitivo de naturismo brasileiro para a nova diretoria.
Mas a FBrN somente tem uma marca para zelar, e muito precisa ser feito para a continuidade do Naturismo brasileiro.
Sim, nisso a autora tem razão. O primeiro passo já foi feito dia 15 de novembro no bar Capop em Praia do Pinho: uma eleição conforme o estatuto, aberto ao todos os interessado, conforme manda o lei do país.

O resultado da eleição foi conferir legitimidade na eleição do Sr. José Tannus. Se, conforme a autora da carta, a eleição de Dr. André foi irregular, e conforme ele, muitas das assembleias anteriores da FBrN foram irregulares, agora (ou quando a Ata for registrada, que será logo) a FBrN teria um presidente legalmente eleito e indisputado.

Diretoria


Porém, a Diretoria legalmente eleito é aquela cuja nomeação foi devidamente registrada em cartório por Dr. André; que concorreu sem contestação; e que foi legalmente eleito e empossado no Praia do Pinho da dia da Proclamação da República.

E realmente, como poderia ter num Comissão de Ética naturista um réu em múltiplas processos por usar foto de criança pelada sem permissão? Seria um absurdo.

nem que seja na base do respeito e do "fio do bigode"
Aqui, a autora usou uma frase feliz. O respeito exige que os acusadores do Dr. André, seus colaboradores, e a eminência negra atrás deles, não sejam acolhidos enquanto as acusações graves feitos por eles não sejam comprovados. Realmente, sendo que Silvio Levy já foi inocentado das acusações feito por este mesmo grupo, eles já tem uma violação de ética para explicar.

Quando procurei Elias Perreira, que estava agindo como Presidente da FBrN, eu queria que a FBrN ajudasse Dr. André e os outros, e sua ajuda teria sido útil e bem vindo naquela hora - realmente, durante aquele ano.

A ajuda não veio em boa hora. Não é mais preciso. O que preciso agora é somente que a FBrN, que não levantou um dedo a favor dos inocentes, não defende e protege os criminosos, os acusadores.

A ajuda institucional não veio, mas encontrei gente de bom índole, de fibra, que agiram com a coragem da consciência. Juntos, cumprimos a obrigação de qual a FBrN se esquivou.

Agora, aqui, não falou por eles. Falo somente por mim.

Caminhos divergentes


A eleição em Praia do Pinho de uma diretoria sem representação das influências nocivas que participaram do golpe contra Dr. André permite que a FBrN tomasse um caminho para o futuro. E permite que eu continuo no meu caminho, seguindo interesses menos provincianos, e permite que nossos caminhos não cruzam mais.

Caso, porém, a FBrN que não me ajudou, tentasse me impedir, eu faria o que posso e o que seja preciso. E nisso dou o fio do bigode.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ou vai ou racha

O grupo Graúna, ouvimos, resolveu não participar da eleição da FBrN marcado para 15 de novembro próximo em Praia do Pinho.

Talvez o poeta de Grauna acha que o convocação é "só prosa". Mas Dr. André Herdy se disse "presidente de direto e de fato" da FBrN. De direto e de fato, é. A FBrN é uma associação pública, e o que vale é o que acontece publicamente, e é registrado no cartório público.

A resolução do Graúna, enviado do email do Jorge Bandeira, diz que a atual administração foi "eleito e aclamado". Bem, não sei nem poderia saber - eu estava lá no Mirante do Paraíso, exatamente para assistir a eleição, mas foi conduzido à portas fechadas, desrespeitando não somente a transparência, mas a lei.

Grauna diz que "os atuais ataques" visam "macular o nome de FBrN".

Macular o nome do FBrN? Como? Seria como molhar o mar, ou aquecer o Inferno.

Quando o presidente da FBrN foi preso em 11 de dezembro de 2007, alvo de acusações falsos vindo de "naturistas", a FBrN tirou o dela da reta. Numa reunião irregular, convocada ao que ouvi falar no incentivo do sr. Marcelo Pacheco, amigo dos acusadores, a FBrN jogou seu presidente aos lobos.

Durante treze meses de prisão injusto, fundamentado somente nas mentiras de acusadores "naturistas", e nas fabricações da polícia, a FBrN em nada ajudou.

A prova mais dura contra Dr. André Herdy, até hoje, foi um número da revista Brasil Naturista encontrado e exibido pela polícia.

Um pouco de ajuda - uma explicação da filosofia de naturismo, uma defesa do que seria uma foto naturista - teria sido se ajuda enorme. Não veio isso nem mais nada, em treze meses.
Foi por falta de pedir ajuda? Não foi, não. Sr. Elias Pereira foi procurado por telefone pelo pai de Dr. André, depois da prisão, e nada. Escrevi para sr. Elias na véspera de Natal de 2007, e nada. Fui a empresa dele no Distrito Federal, junto com Cristiano Fedrigo, em maio de 2008, e nada. Fui para a reunião da diretoria da FBrN em julho de 2008 no Mirante, e nada - ainda que fui destratado por este mesmo Marcelo Pacheco, que viu no fato que fui preso em frente do Fórum de Taquara, durante uma manifestação pública das supostas vítimas a favor dos acusados, como algo que me desqualificasse.

Nada, nada, e nada. A FBrN não tinha disposição de defender seu presidente contra ataques dos mais vis. Mas quando este, finalmente livre, deu entrevista para o jornal Olho Nu, veio na hora a defesa - deles e da sua inação.

E os acusadores, recebidos cordialmente pelo FBrN, permitidos para votar e ser votados, até para o conselho de ética, no caso do Marcelo Pacheco! Ainda que ele responde processo por aquele mesmo número da sua revista que a polícia mostrou como uma das provas - e que o tempo mostrou, a única prova, contra dr. André. A FBrN achou que sendo que até aquele momento Pacheco tinha conseguido fugir dos oficial de Justiça, estava tudo bem.

Macular o nome da FBrN seria redundante, e ela própria, com sua covardia infame, já maculou a fama dela própria e de naturismo e uma maneira que toda a água do mar não lavaria, e nem o sol tropical nunca esbranqueceria mais.

Mais o que a FBrN fez desde o golpe contra Dr. André Herdy é somente o começo, o começo do fim. O futuro promete pior, pois há de volta a figura de Celso Rossi.

Do que ouvi, ele é banido de várias áreas naturistas. Tanto a promotoria federal quanto estadual estão atualmente estudando denúncias contra ele para vários das fraudes por ele cometidas na Colina do Sol, conforme decisões de dois juízes. Estudei os documentos públicos sobre o empreendimento Ocara, que engoliu uns R$700 mil do dinheiro dos outros, inclusive R$170 mil do contribuinte, e onde o sócio que mais colocou dinheiro no hotel, e que acumulou documentos comprovando a fraude, amanheceu morto.

Sim, a FBrN permitiu a volta do Celso Rossi, que conforme a Ata da reunião em Tambaba, tem as mesmas idéias antiquadas de sempre, como a discriminação contra solteiros, que resultaram em tantas perdas, inclusive do naturismo organizado em Bahia. E, como sempre, com o olho no dinheiro dos outros.

Celso Rossi não é o fundador da FBrN, cujo tradição data de 1947. E é menos o herdeiro de Luz de Fuego, morto no Rio de Janeiro em 1967, do que de Carlo Ponzi, que morreu no Rio em 1949. Silvio Levy pagou uma pequena fortuna para tirar Celso da Colina do Sol. Achei muito; aprendendo mais sobre a figura, entendi que teria sido barato no preço.

Macular o nome do FBrN? Abandonou um amigo, e na hora de perigo. Só resta saber se a organização seja  apostata ou impostor: se abandonou bons princípios, ou se nunca os teve.

Abandonou os bons, abraçou os maus, e aceitou de volta os piores.

Há na eleição da Praia do Pinho um oportunidade de reverter o quadro antes que seja tarde. A FBrN poderia reconhecer seus pecados, fazer penitência, afastar as influências nefastas que tanto a atrapalhou durante as últimas 20 anos, e procurar um rumo ao futuro.

Se a imagem da FbrN esteja ruim, é porque reflete a realidade. Se esteja preocupada com sua imagem, porque acolher os que já estão na mira da Justiça, e abraçar os verdadeiros criminosos do caso Colina do Sol, contra quem inevitavelmente a Justiça e a imprensa vão se virar? A casa de Luz del Fuego virou a casa da Mãe Joana; a bandeira de igualdade foi trocado por a de exclusão; a liberdade de andar nu pelo libertinagem.

Se a FbrN quiser parecer pura, que limpe a própria casa, que se esforçasse a ser o que já foi meio século atrás, que parasse de servir como testa de ferro de negociatas.

Estão convocados para o Praia do Pinho, em 15 de novembro, as dez horas da manha.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Where are the children of Nemo?

see http://nudelife.ning.com/profiles/blogs/where-are-the-children-of-nemo

This text is originally published in Portuguese on the website of the Jornal Olho Nu (Naked Eye) - ediction number 107 from October of 2009. Read the original here.

Until the year of 2007 all the Brazilians happily celebrated on October 12th the Children's Day. Gifts were distributed, treats were made and the joy was in the air. All the Naturist areas was not different, a lot of joy and fun and too many children around.

This year the Brazilians also celebrated the Children's Day, there was many celebrations in everywhere, but Naturist areas ...

No official program was designed or carried out in any Naturist area in Brazil. No one simple note from the "self-called" Direction of the FBrN was made.

Read the text:



Where are the children of Nemo?


Nemo have seven children - a half Indian - half African guy that many people believe that is my brother. His skin color, face, hair style, physique, everything are very similar to me. Exactly two years ago, they - the children of Nemo - were all here, in my little farm, in a family gathering to celebrate the children’s day. (In Brazil the celebration of the Children’s Day is at October 12th)

What a joyful day. I remember that Nemo, the father of seven kids, spend all that day talking with me, promising, among other things, that some day he would be a naturist and that he, like everyone else in that day, would bathe naked in the stream. Nazareth, his wife, with the smallest child in her arms, was helping Eliane, my wife, to prepare the food for all that hungry kids. Children, ragged dressed, that usually are hidden only in his underwear and hers panties, were playing manjale (an Amazonian Indian game) and bathing in the cold and muddy stream’s water. But there was one child who removed the clothes and stood naked at the side of her father. The clothes, the rain, the heat and the humidity produced a lot of rashes in the body of that child. It, really, was a very poor family, and there were days that they had nothing to eat. And just in that day - The Children’s Day - our table was plentiful for all of them.

Balls, dolls, clothes... I do not know where, and how, Eliane found so many gifts to give to the children of Nemo.

Wow - she explained - "I always talk about these children with my friends, and that is the result of it.

I love these children. If I could, I would adopt some of them. "But my first priority was to feed all those children.”

And every time we went to my little farm, we are carrying bags of toasted bread for the kids. Moreover, Eliane had the idea of “charging” one admission fee (for all the Naturists that came here for the GRAUNA’s [Manaus Naturist Group] meetings) as one kilo of non-perishable food.

All the Naturists were working together (some of them bringing more than one kilo) and everything was delivered to the children of Nemo.

But from last year, this picture changed. The Family Naturism in Brazil had suffered a mortal attack and the presence of children in the Naturists Areas, after an absurd and untrue accusation of some “self called naturists” against the president of FBrN (Brazilian Naturist Federation), came to be questioned by the courts. It was the straw that was needed to bring down on the Naturism a lot of questions about involving the children in this lifestyle. And, because it, the Family Naturism started to be seen by the society as a breeding ground ready to encourage the practice of pedophilia and abuse against children. Give gifts, celebrate birthdays, or help and feed the malnourished children that surround the naturist areas, was seen as evidence of pedophilia and therefore punishable with prison.

Fearing about the children, the Family Naturism kicked. In GRAUNA, the reaction was immediately. The seven kids of Nemo were instructed to no longer attend to our Naturist site. Desolate, they started attending the nearby small farms, where they found a bunch of drunks, junkies and lots of sex. Eliane, concerned about the future of those children, tried to warn the parents without results.

The oldest girl of Nemo began to steal. Complaints against all the children of Nemo start to come from everywhere. Finally, the whole family disappeared. And anyone never saw the smile of those children again.

To illustrate this text I thought of putting a photo of the children of Nemo, collecting fruits with Eliane, at our small farm. In the photo that I have, those children was barefoot and in rags but were showing a huge smile and they were really happy. But my sense recommends me to applied black stripes on their faces to protect their identity and dignity. And this would leave hidden just what I was trying to show: the smile of the children of Nemo, collecting fruits in our Naturist place. It’s better to not put a photo, I thought…

And, as occurred with the Family Naturism, I gave up the idea. I gave up the children’s picture for this text. And I gave up with the children’s day for the GRAUNA.

Today we have a “Family Naturism in Brazil” without children. The naturism became an “adult’s only recreation” and, as a porn film, started to show at the opening the fateful message: "Forbidden for under 18”. For these things, and others, that I gasp when I read the official Naturist reports saying that the Brazilian’s Naturism is in its better phase. A phase of success! What a success...

Eliane and I are now at our small farm alone. Today is the Children’s Day. Our farm is empty. While I draft this text I can hear the laughter of kids playing in the neighborhood. Laughs of children mixed with the loud sound of the music that says: "Suck it! It’s grape!” (A Brazilian music that has one ambiguous lyric that could be talking about drinking a juice or doing an oral sex) Yelling of children mixed with the laughs of drunken people.

Today is the Children’s Day. My small farm has no more Children. The GRAUNA’s meetings have no more children… Where are the gifts? Where are the treats? Where are the smiles? Where are the children of Nemo?

* Carlos Sena
Member of Grauna Naturist Group
Manaus-AM
profsena@gmail.com

(sent on October 13, 2009)