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sábado, 6 de outubro de 2012

O que a Mulher gosta?

A presidente Dilma está na capa da Folha de S. Paulo de hoje, admirando a "Medusa Morta" de Carvaggio, na abertura no Palácio do Planalto da exposição que atraiu fila enormes para o MASP. A legenda cutuca a curiosidade com a informação de que Carvaggio é "um dos seus pintores favoritos", e remete para a Página A6 onde o leitor depare não com as gostas artistas da presidente, mas com o desgosta de vários políticos com o que passa no outro lado da Praça dos Três Poderes, no julgamento no Supremo.
Presidente Dilma Admirando São Jeronimo
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O que é mesmo que a Mulher (pois enquanto como a Folha, rejeitamos a palavra "presidenta", nada temos contra dá para a Mulher o mesmo maiúsculo empregado para o Homem) gosta? Já notamos aqui que quando visitou a exposição  "De El Greco a Dali" em Paris, conforme os jornal O Estado, ela "fixou o olhar com maior demora em três obras-primas sobre crianças feitas pelo pintor impressionista espanhol Joaquin Sorolla y Bastida". As pinturas, notamos, retratavam crianças brincando peladas na praia.

O blog do Planalto foca na exibição mesmo,  mas a frase da presidente é genérica:
“Eu queria dizer que pra mim é um momento especial porque nós estamos aqui numa obra moderna, original, que é o Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, estamos recebendo seis telas de um dos maiores pintores (…) É um encantamento poder permitir que milhares de brasilienses que nasceram aqui ou que visitam essa cidade tenham acesso à essas seis obras (…) Um palácio de governo serve para várias coisas: serve para a gente passar os dias gerindo e se esforçando para governar bem o Brasil; mas deve servir também para que a gente possa expor grandes pintores”, afirmou a presidenta.
A exposição em São Paulo incluiu não somente as seis obras do mestre, mas vários outras da sua escola, incluindo uma reprodução seissentista, muito bem feita, do seu quadro dos trapaceiros de cartas.

Houve muitos santos idosos, notáveis pela delicadeza das aureolas, que pareciam mesmo círculos de luz e não pratos dourados. Houve muitos crânios também, e um número assustador de degolações. Uma das características do Carvaggio é que ele pintava de modelos vivos; onde encontrou modelos degolados, não estou disposto a pesquisar.


Convite de presidente é irrecusável, além do qual o Planalto é muito bem localizado, e a recente reforma do palácio respondia especialmente a questões de segurança física e climatização. E contra roubo, bem, sede de governo conta com esquema de proteção especial.

Mas enquanto Sua Excelência poderia muito bem cede os salões do Palácio para uma exposição itinerante, não teria tem o tempo nem o peso para especificar quais obras vinham para o Brasil.

Algo que faltava no MASP, e assim faltaria no Planalto, foi o nu. Uma olhada pela obra de Carvalho disponível online revela vários nus, não femininos mas masculinos, e geralmente juvenis. Um dos quadros mais famosos do pintor é o "Amor Vitorioso". Não veio de Berlim para São Paulo; obras deste porte raramente viajem.

A acolhimento do Carvaggio confirma o gosto da Mulher para o artista, mas estas obras que vieram, não necessariamente são suas prediletas. Seria preciso seguir seus passos pelas grandes coleções de Europa, para saber o que gosta mesmo. E jornalistas infelizmente são muito menos interessados nas obras-primas que atravessaras os séculos, do que as mesquinhices do momento.

Nem o blog do Planalto interrogou a presidente sobre a arte, talvez porque com vários dos seus antecessores, teria sido uma tocaia. FHC poderia ter respondido sem tropeçar, mas ... melhor nem começar.

Um político norte-americano não poderia ser ligado às pinturas de Sorolla, dado a associação que a mídia faz entre crianças peladas e o cheiro de enxofre. Dilma, sendo brasileira, tem mais liberdade. Já usamos uma obra de Carvaggio para ilustrar o outro blog, faz um bom tempo, com um Jesus criança e pelado, pisando no serpente. O uso do nu infantil era corriqueiro na Renascença. Até parece que para preencher qualquer vazio numa pintura religioso, ou de qualquer outro motivo, uns puttis  peladinhos sempre cabiam. Não chegou, ainda, ao ponto de que qualquer artista que pintou criança nua tem até seus santos olhado como suspeitos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tambaba beach holds nude surf competition

The fifth Tambaba Naturist Surf Open was held this weekend, attracting new people to naturism, and mainstream jornalism to the beach. We've translated an article from Globo Esporte, the sports news of the country's dominant TV network. 

A TV clip from SBT,  perennial second-place broadcaster, can be found here (there may be an ad before the video starts). Although as we recently published, Brazilian TV censorship rules now consider non-sexual nudity to be proper for all ages, the network chose to blur the competitors' "naughty bits". Globo just picked photos taken from an angle that revealed only the surfing.

For our Brazilian naturist readers, SBT has another offereing of interest: "A Brazilian is victim of fraud every 16 seconds."


16/09/2012 18h38 - 19h44 Updated 16/09/2012

Over 40 'nudies' vie in Tambaba Naturist Surf Open

Seeking freedom and a tie to nature, surfers gather at the Tambaba nudist beach to compete in a naked surfing event

By Larissa Keren  in João Pessoa
Seeking freedom and a tie to nature, over 40 "confirmed nudies" gathered at Tambaba Beach, Paraiba, to attend the 5th Tambaba Naturist Surf Open, held this weekend. At the event, which by the way is beyond unusual, the athletes competed in the competition's three classifications using only a colored shirt so that the judges could identify them from the beach..

Peladões de Tambaba, na Paraíba, Surfe Naturista (Foto: Larissa Keren / Globoesporte.com)
Athletes of all ages participated in the competition
(Photo: Larissa Keren / Globoesporte.com)
The tournament featured competition in the categories Local for local beach goers, Open with no age limits, and the Expression Session, for surfers who like to innovate on the board.
Peladões de Tambaba, na Paraíba, Surfe Naturista (Foto: Larissa Keren / Globoesporte.com)
Edson Filho has practiced naturist surfing since
his teens (Photo: Larissa Keren / Globoesporte.com)

For surfer Edson Filho, who had practiced the 'modality' since his teens and competed in the Local category, the main difference between nude and normal surfing is the sense of freedom that comes when the athlete has no clothes.
"The connection to nature is extreme. You feel freer and that's great. Early on, surf wax bothers a little, because it abrades the skin and causes rashes in some cases. But after you get used to surfing naked it is one of the best things in life," said Edson Filho, who also has played some editions of Paraibano Surfing Championship.
 
Another who prefers the naturist modality is Reginaldo Filho, age 9. The little athlete, participating in the event for the second time, was taken by his father to Tambaba beach and fell in love with the sport.
 
"I was embarrassed to undress the first time my father brought me. But now it's epic. You get less constrained, so I'd rather surf without clothes," said Reginaldo, who qualified for the semifinals of the Local category.
Peladões de Tambaba, na Paraíba, Surfe Naturista (Foto: Larissa Keren)
Reginaldo filho, only 9 years old, was embarassed the 
  first time he took part  the event (Photo: Larissa Keren)
The first edition of the Tambaba Open was held in 2008, during an international naturism congress, which occurred on the Paraíba beach. According to the competition's coordinator, Carlos Santiago, the tournament was so successful that the Brazilian Confederation of Naturism has plans to promote the Brazilian Championship of Nude Surfing.
"There are naturist surfing exhibitions around the world. However, only here in Tambaba is there a competition that is conducted along the lines of the official World Surfing Federation. Our event was so successful that the Confederation wants to organize a Brazilian Championship, involving the other nude beaches of Brazil. As we are accustomed to innovate, we of the Paraíba Naturist Federation will be organizing surfing classes here at Tambaba surfing in the summer," said Carlos Santiago.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

VAMOS FICAR PELADOS DE NOVO NA MACUMBA ANTROPÓFAGAAAAA!


Zé Celso Martinez Correia, um dos gênios vivos do teatro brasileiro, comemorando o sucesso da peça MACUMBA ANTROPÓFAGA nos proporciona uma nova temporada, agora POPULAR de 8 de outubro a 2 de novembro.
E como todos já sabem, os espetáculos do Zé Celso são recheados de NUDEZ, pois o objetivo dele é quebrar com todos os paradigmas da moral hipócrita reinante. Nesse espetáculo em especial, além de todos os atores e músicosficarem nus O TEMPO TODO, em determinado momento da peça, as atrizes chamam e convidam a todos para que tirem suas roupas, num ato de autofagia completa.
Mas nós PELADISTAS não precisamos esperar pelo chamado da peça! Conclamo a todos para comparecermos, novamente no dia 2 de novembro FERIADOOO para assistirmos DURANTE TODO O TEMPO DO ESPETÁCULO, DESDE O INÍCIO JÀ COMPLETAMENTE NUS!!!
E para FACILITAR a compra dos ingressos, já muito procurados, a produção confirmou a possibilidade do depósito antecipado. 
A invasão dos PELADISTAS vai ser então no último dia dessa temporada, 2 de novembro, feriado às 16:30h. SOLICITO A TODOS QUE CHEGUEM UMA HORA ANTES!!!
O procedimento do PAGAMENTO ADIANTADO agiliza na entrada e eu recomendo que todos aproveitem, pois a procura para a peça está muito popular, causando um congestionamento na porta que conta APENAS com uma bilheteria.
Para garantir seu ingresso é só depositar o pagamento na conta abaixo e enviar, via email, o comprovante do depósito, o nome e um número de documento da pessoa que vai retirar os ingressos na bilheteria, com até uma hora do início da sessão.
Na hora da entrega dos ingressos será solicitado documento de identificação com foto. Assim como para os ingressos de meia entrada, entregues somente com apresentação de documento válido.

O preço é de R$ 20,00 inteira.
Os ingressos não são numerados e não são feitas reservas.

Dados da Conta:
Banco do Brasil
Agencia 2809-6
Conta Corrente 22771-4
CNPJ: 53.255.451/0001-36
Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

Essas instruções foram me dadas por e-mail pela própria produção da peça, fazendo então parte EXCLUSIVA do agenciamento deles, sendo o meu interesse inteiramente e exclusivamente voltado para montar um grupo de amigos  PELADISTAS em uma oportunidade única e original para todos.
***Obviamente que não serão permitadas faixas ou distribuição de cartões, pois nosso objetivo NÃO É OFUSCAR A PEÇA, mas sim fazer parte dela!!!!!!!!!***

Data: 2 de novembro de 2011
Local: Rua Jaceguai, 520 - Bexiga, São Paulo
LUCIANA NARDELLI
(11) 3106-5300 / (11) 8238-1811
luciananardelli@globo.com

www.teatroficina.uol.com.br
Realização: NaturistasGays, NUBrasil, Peladistas Unidos e Teatro Oficina.








quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SOBRE A NUDEZ SOCIAL

(publicado em http://evandrotelles.blogspot.com/2011/02/artigo-sobre-nudez-social.html)



Por Viegas Fernandes da Costa

I – A genitália encoberta pela hipocrisia

                “Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano. Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder”, dizia Dora Vivacqua (1917 – 1967), a dançarina que entrou para a história do naturismo brasileiro sob o pseudônimo Luz del Fuego e como fundadora o primeiro clube naturista do Brasil, na Ilha do Sol, Rio de Janeiro, em 1954. Ativista da nudez social, Dora enfrentou o moralismo dos carolas de plantão através da exposição da sua nudez à sociedade e fundando um partido político – o Partido Naturalista Brasileiro – pelo qual chegou a se candidatar ao cargo de Deputada Federal. Apesar de todos os esforços, e do movimento que começou a se organizar a partir da sua atuação, a prática do naturismo enfrentou (e ainda enfrenta) muitas resistências em nosso país, tendo seus adeptos sofrido a repressão dos militares, da igreja, da sociedade mal informada e daqueles que entendem a nudez humana como algo a ser explorado pela indústria pornográfica.

                Ao iniciar estas breves reflexões a respeito da minha experiência com a nudez social, ocorre-me à lembrança uma matéria da revista Veja do final da década de 1990, que tratava da guerra civil na Libéria. Chamou-me especial atenção uma fotografia que exibia o cadáver de um homem nu que havia sido linchado pelos guerrilheiros e abandonado à rua. Podia-se ver todo o corpo, suas feridas, a expressão de dor na face inerte e as lanhuras nos braços e pernas. Sobre o pênis, entretanto, uma espécie de tarja. Fiquei me perguntando o que seria mais obsceno: se a guerra civil e toda sorte de dor e destruição que esta provoca, onde cadáveres humanos são abandonados insepultos em meio à população que desesperadamente tenta sobreviver; ou se a exposição de um pênis aos olhos de leitores pudicos que poderiam se escandalizar, dando uma conotação sexual doentia a uma parte de um corpo humano barbaramente torturado e morto. Encaramos com naturalidade a guerra, o genocídio, a desestruturação social e a tortura, mas a nudez que nos cobre desde nosso nascimento é desnaturalizada ao ponto de um pênis supostamente chocar mais que a própria barbárie da guerra. Há aqui, certamente, uma inversão de valores sobre a qual devemos nos questionar e incomodar.

                Ao ler artigos de naturistas portugueses, deparo-me com a expressão “sociedade têxtil”, que sempre considerei pertinente e que pode ajudar a explicar a aversão da exposição da nudez total do corpo humano em sociedade para além do moral. Em 2008 Viviane Castro desfilou no carnaval carioca pela escola de samba São Clemente, “vestindo” apenas um tapa-sexo de três centímetros. Não fossem esses três centímetros, a passista seria considerada nua e sua escola perderia pontos junto aos jurados. Em ensaio intitulado “O casaco de Marx” Peter Stallybrass escreve que, em uma sociedade capitalista, a mercadoria “torna-se uma mercadoria não como uma coisa, mas como um valor de troca. Ela atinge a sua mais pura forma, na verdade, quando ela é mais esvaziada de particularidades e de seu caráter de coisa”. Para exemplificar a sua afirmação, Stallybrass se utiliza dos usos que Karl Marx fazia do seu casaco; aqui, entretanto, quero me valer do tapa-sexo de três centímetros “vestido” por Viviane Castro. Afinal, qual a função representada pelo tapa-sexo em questão? Vestir? Cobrir a nudez? Acaso o corpo da mulher restringe-se somente à vagina? À que ordem ou economia pertence a obrigatoriedade do encobrimento da genitália, ainda que ínfimo, nos regulamentos do carnaval carioca, uma festa popular que explora a sexualidade tão explícita? Da mesma forma nos questionamos a respeito da moda que propõe transparências, principalmente no vestuário feminino, permitindo o vislumbrar dos seios e outras partes do corpo até então escondidas por tecidos opacos, sem entretanto fazer com que julguemos nua quem as veste. Está vestida de transparências, mas está vestida. Assim, qual a função da transparência na sociedade têxtil? O que o faz com que uma mulher ou um homem sintam-se vestidos na praia, ainda que trajando minúsculos biquínis e sungas?

                Certa vez ouvi um historiador da indumentária dizer que a moda ainda cometerá muitas ousadias, entretanto, jamais a de propor, seriamente, a nudez total para o ser humano, sob o risco de destruir a si e à indústria que alimenta. Tinha razão. O que liga o tapa-sexo, o casaco de Marx, as roupas transparentes, as sungas e os biquínis ínfimos é justamente o fato de estarem esvaziados do seu caráter de coisa, como disse Stallybrass. Tais objetos são, na realidade, representação, e possuem um caráter de mercadoria. O uso que fazemos deles, enquanto mercadoria, nem sempre corresponde a uma certa função de coisa que lhes possa ser inerente. Viviane Castro não “vestiu” o tapa-sexo de três centímetros para cobrir sua nudez, mas para atender às exigências de um discurso; da mesma forma que Marx não utilizava seu casaco para exclusivamente se proteger do frio, mas também para aparentar distinção a fim de que pudesse ser aceito na biblioteca onde fazia suas pesquisas. Quando vamos à praia vestidos de fios-dentais e sungas, oficialmente estamos atendendo também a uma ordem discursiva de pudicícia; entretanto, não é exatamente pudico nosso critério de escolha quando estamos em uma loja comprando a roupa de praia para o próximo verão. Todos sabemos o quanto uma roupa pode fetichizar nosso corpo, e é este poder de fetichização que muitas vezes buscamos quando nos postamos diante do espelho de um provador. Assim, ao escondermos, mostramos, e na maioria das vezes mostramos algo que não existe senão no desejo, seja no de exibir, seja no de ver. Não quero aqui, porém, incorrer no mesmo equívoco que critico. A fetichização estimulada pela indumentária não é, em si mesma, algo errado, desde que compreendida em sua dimensão cultural. Se a roupa me serve como instrumento de representação social, devo reconhecer tal fato, e não naturaliza-lo sob um discurso hipócrita que imputa aos genitais sujeira e vergonha. “Vergonhas” era como Pero Vaz de Caminha se referia às vaginas das nativas em sua carta de “achamento” ao Rei de Portugal: “ali andavam entre eles três ou quatro moças, muito novas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos, caídos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha”  Vejamos, Caminha está impregnado do discurso do seu tempo, ainda assim conclui dizendo que não tinham eles, europeus cristãos, vergonha alguma em contemplar a nudez dos nativos. Compreendeu Caminha que um corpo socialmente nu, que assume assim sua condição integral de corpo ante os olhos do outro, deixa de ser apenas uma vagina, um pênis ou um par de seios?

                O poder econômico reprimiu nossa nudez e agora pode vendê-la; o poder simbólico da ética judaico-cristã, moldada no elogio da dor e da carência, reprimiu nossa nudez, desejos e prazeres para assim melhor nos disciplinar. Disciplina que nos move para a guerra e para a fábrica; economia que nos fragmenta, fetichiza e transforma em mercadoria. Ao fim restamos como aquele cadáver fotografado, abandonado nas ruas da Libéria, a genitália encoberta pela hipocrisia.

II – Despindo espartilhos
               
                Quando me propus a escrever um depoimento a respeito da minha experiência com a nudez social e comunidades naturistas, não pretendia tanta tergiversação sobre a nudez e a sociedade têxtil. Entretanto, faz-se necessário compreender que despir-se das vestes no seio de uma coletividade implica não apenas assumir e respeitar seu próprio corpo, bem como afrontar toda uma ordem discursiva que entende existir no corpo o contrário daquilo que defendia Dora Vivacqua, ou seja, que portamos parte pudentas, vergonhosas, sujas e incontroláveis, e que por isso mesmo devem permanecer resguardadas para a intimidade. Ordem discursiva inerente aos interesses materiais e simbólicos do nosso tempo e sociedade. Tenho consciência da falta de ineditismo das reflexões que trago aqui, afinal, a discussão sobre a nudez social é antiga nas sociedades ocidentais (e há sociedades onde esta discussão sequer se faz necessária, pois jamais alijado o corpo do direito à nudez), tendo os movimentos de nudismo se organizado, na Europa por exemplo, desde o inicio do século XX.

                Ainda assim, no Brasil, a nudez social é mal compreendida e resiste muito preconceito em relação ao tema e seus adeptos. Após o assassinato de Luz del Fuego, em 1967, o então chamado o movimento naturalista começou a se dispersar, e sobraram alguns poucos adeptos do nudismo, que enfrentavam a marginalização e se entregavam à prática em praias de difícil acesso, estado agravado pela ditadura militar brasileira. Segundo narra Celso Rossi, em seu livro “Naturismo: a descoberta do homem”, foi apenas a partir da segunda metade da década de 1980 que um movimento organizado, autointitulado naturista, começou a se desenvolver a partir da Praia do Pinho, no litoral catarinense. À época a Praia do Pinho, localizada no município de Balneário Camboriú, era acessada por uma estrada de terra bastante íngreme e em péssimo estado de conservação, o que atraía os praticantes da nudez social para aquele local, já que tornava-o pouquíssimo frequentado. Após uma reportagem sensacionalista da revista Manchete, em 1984, a Praia do Pinho foi apresentada ao país como um local onde pessoas nuas tomavam banho de sol e mar, atraindo para lá toda sorte de curiosos e a atenção das autoridades públicas e das forças de repressão. Como resposta à invasão de curiosos e à repressão aos naturistas freqüentadores do Pinho, alguns destes começaram a organizar um movimento que, em 1986, resultou na Associação Amigos da Praia do Pinho e na redação de um Código de Ética Naturista. Dois anos depois, em 1988, ainda a partir do Pinho, foi fundada a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN). Como se vê, uma história bastante recente. Segundo o “Guia Brasileiro de Naturismo”, publicado na edição de número 10 da revista “Brasil Naturista” (dezembro/2010), são pouco mais de vinte as áreas onde a nudez social é legalmente institucionalizada e praticada em todo território nacional, e estima-se em aproximadamente 300 mil o número de naturistas brasileiros declarados.

                Foi justamente na Praia do Pinho, há poucos anos, que, acompanhado de minha esposa, passei a experimentar a nudez social. Experiência e vivência que pretendo brevemente discutir agora.

                Considerando o fato de vivermos inseridos em uma sociedade profundamente hedonista, onde o culto a um “corpo perfeito”, padronizado nos discursos da moda, da mídia e da medicina estética, leva uma imensa quantidade de pessoas às academias de ginástica, mesas de cirurgia e aos balcões das lojas de suprimentos alimentares e inibidores de apetite, o imaginário a respeito da geografização do nosso corpo muitas vezes potencializa nossas neuroses e nosso medo da nudez. Ou seja, além de toda ordem discursiva que procura cercear nosso direito à nudez, tememos também nos despir por nos acharmos feios e disformes. Que nossa nudez agredirá o olhar do outro não apenas pela nudez em si mesma, mas porque nosso corpo nu, em particular, não condiz com uma norma estética, arbitrariamente idealizada, mas que muitas vezes reconhecemos como socialmente legítima. Internalizamos a crença de que estar fora desta idealização agride não apenas ao olhar que busca o “belo” em meu corpo, mas que permite ao outro me julgar não apenas como feio, mas também como um desleixado, por ter permitido que a indisciplina moldasse minhas carnes, ou, e ainda pior, como um fracassado, já que perseverei no “cuidado de mim”. Assim, despir-se das vestes em público significa ato não apenas de ruptura com uma moral que encontra em nossos corpos partes pudentas, naturalmente obscenas, e por isso necessárias de serem encobertas, como já discutimos, mas também ato de assunção do próprio corpo enquanto estrutura integral e natural, apesar de todas as interferências culturais que sobre si recaem. Conviver socialmente com um corpo completamente descoberto significa, também, compreender uma mudança de valoração social. Enquanto sujeitos múltiplos, continuaremos representando papeis, ainda que nus; porém, o fetiche que a sociedade têxtil imprime sobre nossos corpos através da indumentária e do jogo de esconder e revelar que esta estimula, na prática da nudez social dá lugar a outro nível de valoração, que considera o sujeito naquilo que este diz e na maneira como age no interior do grupo. Persistem com a prática da nudez social – que não sejamos românticos – camadas de preconceito para consigo e para com o outro; entretanto, a primeira camada de julgamento social que tecemos quando avistamos alguém trajado com sua fantasia no seio de uma sociedade têxtil, desaparece. Serei julgado quando me fizer conhecer, e não apenas pelas etiquetas que exibo afixadas nos panos que me cobrem. E o que parece um gesto breve, de pouca importância, resulta em um processo de novos despires onde pré-conceitos podem dar lugar a relações pautadas por conceitos, construídos a partir do conhecimento, do diálogo e da interação. Conceito que construímos não apenas a respeito do outro, bem como a respeito de nós mesmos; ou seja, a nudez social estimula a alteridade.

                Sabemos, portanto, do quão transgressor pode se caracterizar o gesto de tirar a roupa e conviver socialmente sem esta. Insisto lembrar que o caráter transgressor da nudez está relacionado com o contexto social em que se insere, em nosso caso, a sociedade têxtil. A transgressão e ousadia do ato parece ainda maior quando se trata de corpos que a sociedade classificou como “defeituosos ou deficientes”. Ou seja, que por alguma característica que manifesta, afasta-se da imagem que temos de um corpo normal, construída em nosso imaginário. Digo isso de experiência própria, já que carrego em meu corpo as marcas de uma doença neuromuscular que me atrofiou os membro inferiores e superiores, e provocou “deformidades” em minha coluna e tórax. Então, além da necessidade de se desconstruir todo discurso moralista, higiênico e jurídico que recai sobre a nudez social, a pessoa, cujo corpo se apresenta marcado por “deformidades”, necessita descontruir o estigma que internalizou a partir de uma série de discursos limitadores e deformadores do portador de direitos especiais. Ao dizer isso, ocorre-me o caso de Emma Muller, filha do naturista alemão Fritz Müller (1822- 1897), radicado no Vale do Itajaí a partir de 1852. Emma possuía uma doença que lhe afetou o desenvolvimento físico e mental, e era, por este motivo, afastada do convívio social. Este caso chama ainda mais quando sabemos que Fritz Muller, renomado cientista, foi um dos principais defensores da teoria evolucionista desenvolvida por Darwin. Temos consciência que situações de afastamento social, como no caso de Emma, não era exceções, mas regra no século XIX; e que apesar de todos os avanços jurídicos e de todas as mudanças culturais que presenciamos em nosso país naquilo que se refere aos direitos e às condições das pessoas portadoras de direitos especiais, ainda agora, em pleno século XXI, aquele que carrega no corpo os estigmas de uma doença ou trauma físico precisa lutar não apenas contra o preconceito social, mas principalmente contra os estigmas que intenalizou e assumiu como reais. Se Malcom X ensinou às mulheres negras estadunidenses a se olharem no espelho e se reconhecerem enquanto belas, da mesma forma, cada sujeito, independente de suas “marcas pessoais”, deve aprender o mesmo.

                Peço desculpas ao leitor se me estendi em demasia para dizer o que parece óbvio, mas ao pensar a respeito da minha experiência particular com a prática da nudez social, primeiramente na Praia do Pinho (um balneário preponderantemente turístico) e, posteriormente na Colina do Sol (uma comunidade naturista), necessitei compreender as razões das dificuldades do ato de me despir, ainda que muito o desejasse; e percebi que tais razões perpassam toda uma teia que imbrica discursos e estratégias que se configuram no político e no pessoal, e que contribuíram na minha subjetivação. Ao compreender isso, percebi a dimensão libertadora da nudez social. Libertadora porque contribuiu, primeiramente, para um processo de reconhecimento e aceitação pessoal, o  que alterou estruturas internas, psicológicas. Ao me aceitar com todas as marcas que me constituem e me apresentam aos olhos do outro, nego a este outro o direito de me envergonhar, porque não há corpo que não carregue sua parcela de “graça” e “desgraça”. Quando despidos dos espartilhos contemporâneos, das vestes que nos imprimem uma ortopedia social, percebemos que não há liberdade na idealização, que o verdadeiro “Frankenstein” é aquele que obedece todas as medidas, e que não pode, portanto, ser humano, ainda que tocado pela civilização. Só há “graça” na diferença, pois apenas a diferença pode oportunizar a conciliação,  o congraçamento.

                Assim, ao despir-me, na Praia do Pinho, reconheci a “graça” em mim, o “cuidado de si” não para atender às necessidades estéticas do outro, mas para a minha conciliação comigo mesmo, em um processo de reconhecimento da minha integralidade. Da mesma forma como o corpo de Viviane Castro não se resume à vagina, meu não se resume ao pênis ou aos pés atrofiados, por exemplo, que até então escondia dos olhos que não fossem meus. Daí  este sentido libertador que a nudez social significou para mim, e que se aprofundou depois que passei a freqüentar a comunidade naturista Colina do Sol, no município gaúcho de Taquara. Em vida comunitária, a nudez social estabelece outros tipos de relações, ainda mais honestas, e as possibilidades de assunção integral de si são maiores e mais intensas.

                Agora, ao finalizar estas linhas, recordo-me de uma situação que talvez possa sintetizar o que procurei compartilhar aqui. Há algum tempo, quando conversando com amigos a respeito da prática social da nudez, expliquei que em minha residência, na maior parte do tempo, não vestia qualquer tipo de roupa, e quando acaso aparecia alguma visita, era assim, nu, que a recebia. Neste momento um amigo interpelou-me, argumentando que tal prática não era adequada, já que eu deveria respeitar as minhas visitas. Penso que foi justamente esta fala deste amigo que me levou a escrever estas linhas. Tal qual Dora Vivacqua, também não posso conceber que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder. Nasci nu, e nu fui primeiramente reconhecido. Desrespeito seria, portanto, aceitar que alguma parte minha deve causar vergonha a um amigo, que algo em meu corpo é, em essência, imoral ou indigno. Afinal, neste caso, a depravação não está na carne que se mostra, mas no olhar que julga.

 Viegas Fernandes da Costa é escritor e historiador. Autor dos livros “Pequeno álbum”, “De espantalhos e pedras também se faz um poema” e “Sob a luz do farol”. A publicação deste texto está permitida desde que mantido na íntegra e citado o autor.

domingo, 30 de maio de 2010

There's no sin below the equator

Thirty years ago a popular Brazilian soap opera, "Pecado Rasgado", had a catchy title tune, the refrain to which was "Sin doesn't exist below the equator". You can find the opening sequence with the title music on YouTube.

That sin doesn't exist isn't an exaggeration, but there are distinctly different attitudes. We remarked here over a year ago on the fairly relaxed Brazilian attitude towards naked children in the media. I haven't returned to that as further examples appear, because that would involve nearly weekly updates. And there's a name for that sort of thing, and apparently an audience.

Family newspaper

Newspaper readership in Brazil is far lower than in the United States - the newspaper of record, the Folha de S. Paulo, sells a bare 300,000 copies. That means that the audience is somewhat more select, and somewhat more sophisticated, than the average American paper. Even so, it's a "family newspaper."

A week ago, one of the Sunday supplements, a glossy tabloid-size magazine titled "Serafina", had an illustrated interview with photographer David LaChappelle.

The magazine, from the ads, is aimed at an adult audience, though there is an article on a parrot puppet originally designed to appeal to children, on a morning TV show. Other articles are on Spanish bullfighters, Prince Charles's country house, and the Copacabana Palace Hotel.


Adult nudes

It's long been a tradition in Western art that child nudity is perfectly acceptable and non-sexual. A Pope ordered that Michelangelo's nudes in the Sistine Chapel be retouched for "decency", there being if I recall a special admonition to cover those with their bottoms facing the viewer. But there was no problem at all with frolicking cupids or the naked infant Christ.


In recent decades, adult female nudity has become widely acceptable. Dicks, however, are something else. A strange reversal, from adults being verboten but naked boys being all right yet infant girls excluded, to naked adult women being fine, but adult men and children of either sex being indecent.

No complaints

I've included links to three of the photos printed in the newspaper, from the site of Maruani & Noirhomme Gallery in Belgium which held an exibit, that from the site closed this month. The picture are about six inches high, and so the resolution is vastly better than non only the inline pictures here, but than the larger images to which they're linked.

In this Sunday's Folha, the ombudsman says that it's a "sign of the times" that she received no complaints at all about the frontal nudity. Several about cruelty to animals, but none on the naked men.

Geographic differences

Perhaps it's really is being south of the equator, perhaps there are other cultural factors. During much of the year, in much of the country, the most comfortable clothing is as little as you can get away with. The country makes no secret of the Indian ancestry shared by much of the population, or that there are still Indians in parts of the country who wear nothing. Nudity in the theater is so common as to not be worth comment.

And Speedos are standard beach wear for males, except during the teen years when board shorts enjoy a brief popularity. The notion that men are or ought to look as if built like Ken dolls has never enjoyed currency in Brazil.

Changing times

Fashions change. The notion that current fashion somehow expresses universal moral standards is one that has always been popular. Once anarchists were a great threat, now they're quaint. And as we've shown, the varieties of nudity that are acceptable has shifted.

A hundred and fifty years ago, it was uncommon for men to swim in anything other than their skins. A hundred years ago, proper gentlemen wore wool getups that did not indecently expose their chests. It was fifty years from Michelangelo painting the Sistine Chapel, to the genitalia being painted over.

And two hundred years ago, the papal choir that sung in the chapel included castrati, who could sing with the celestial voices of women. The practice was only finally banned in 1903. It was a career option for poor boys - or a quick florin for their families. One online article suggests it was no more likely to lead to a successful musical career in the 1770s then, than letting one's hair grow long did in the 1970s.

We of course are aghast at the genital mutilation of boys, yet circumcision is still widely practiced. How can we know for which of our practices our descendants will condemn us?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Dúvidas comumente encontradas entre os principiantes do Naturismo

Fonte http://nubrasil.ning.com/page/duvidas-1


A NUBrasil sabe que como iniciante no naturismo muitas dúvidas podem surgir. Aqui listamos as mais comuns, no entanto se ainda persistirem algumas dúvidas não respondidas, por favor entre em contato conosco.
Em qualquer situação o bom senso sempre deve ser utilizado para evitar maiores problemas.

O que é naturismo?

O conceito de "Naturismo", editado pela INF-FNI - Federação Internacional de Naturismo em 1974 num congresso onde (diferente do que alguns querem afirmar) o Brasil esteve representado, define essa prática como sendo "Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente."
Ressaltamos que Naturismo não possui nenhuma conotação sexual e ao contrário disto, quem se portar de forma sexualmente explícita será convidado a se retirar do local e/ou grupo naturista.

O que é uma Federação de Naturismo?

Nada mais é do que uma associação de amigos que visam promover, difundir, regulamentar, defender e organizar a prática desta filosofia de vida em um determinado país.
Ao contrário do que muitos pensam, não existe a obrigatoriedade de se ter apenas uma Federação Naturista em cada país. Na verdade países como os EUA, Canada, Suíça, França, Alemanha... tem mais de uma Federação Naturista em seu Território Nacional.
A partir do momento que uma determinada associação de amigos não está escutando as vozes de seus associados, estes podem seguir alguns caminhos como por exemplo convocar uma nova eleição ou criar uma nova associação que siga os rumos desejados.
Pelo princípio filosófico do Naturismo acreditamos que toda decisão de uma associação de amigos Naturistas (Federação Naturista) deve ser tomada de forma direta, ou seja, todos os Naturistas devem ter direito de votarem e serem votados, devem ter o direito de opinarem em todas as assembléias e a diretoria eleita democraticamente deve acatar o desejo da maioria (sem ferir os princípios filosóficos) e não apenas os interesses comerciais ou políticos de alguns membros de um seleto grupo que tomou conta do poder.
Aliás, é somente através desta participação direta que poderemos evoluir o Naturismo no Brasil.

O Naturismo Brasileiro começou antes da chegada dos Europeus (Portugueses) através dos nossos índios e posteriormente a capixaba Luz del Fuego organizou a nossa primeira entidade Naturista na década de 30. Esta entidade se mantem até hoje, mesmo tendo trocado de nome diversas vezes, no entanto, talvez tenha chegado o momento de ser feito alguma alteração já que certas pessoas se apoderaram desta entidade e estão utilizando-a de forma contrária aos princípios Naturistas.

Onde posso praticar o naturismo?

O naturismo é um estilo de vida! Repetimos que nada tem em comum com sexo!
A NUBrasil recomenda que você procure um local oficial para a prática do naturismo. Ir a casas de outras pessoas ou tentar formar um grupo sem haver conhecimento do Código de Ética pode levar a experiências frustradas.
Também devemos avisar que frequentar praias não oficiais além de correr os mesmos riscos de não ser realmente naturista e sim hedonista, existe o problema legal da nudez em público que pode nestes casos ser considerado "atentado ao pudor" e assim ter problemas com a polícia. Somente nas praias oficiais temos a garantia legal de que a polícia estará do nosso lado, nos protejendo em nosso estilo de vida!
Claro que em nossa casa também podemos andar nus, desde que todos os que moram conosco aceitem nosso estilo de vida! Naturismo não é exibicionismo, portanto se perceber que sua nudez está agredindo as pessoas que vivem em sua casa, recomendamos que vista-se ou converse com os mesmos. Tenha bom senso! Se apenas puderes ficar nu em seu quarto, ou apenas em algumas horas do dia, ou mesmo se apenas quando estiveres em uma praia ou local naturista, tudo bem! O estilo de vida está dentro de você! Não é uma coisa de fora para dentro. Está ligada ao seu íntimo!
Também não recomendamos usar a nudez como forma de protesto ou tentar forçar a aceitação em nenhum local. Entendemos que existem pessoas que não conseguem aceitar bem a nudez social e devemos respeita-las assim como queremos ser respeitados. Invadir parques, praias, clubes com um grupo de pelados nunca seria a forma mais adequada de mostrar nosso estilo de vida!

Não é ilegal praticar o naturismo?

O naturismo é um estilo de vida! Você tem o direito de seguir a filosofia de vida que desejar!
No Brasil existe um projeto de lei de autoria do Dep. Federal Fernando Gabeira que irá regulamentar o nosso estilo de vida, no entanto não existe nenhum problema legal de se praticar o puro naturismo nas áreas oficiais de naturismo.
Apenas ressaltamos que práticas sexuais não são atividades naturistas e as mesmas além de levarem a expulsão dos seus agentes daquele lugar podem ser consideradas atentado ao pudor e levar a detenção policial.
Com relação ainda as leis é que recomendamos veementemente que o naturismo só seja praticado nas áreas oficiais e/ou dentro de sua casa.

Posso encontrar mais sites naturistas na Internet?

Sim existem vários sites naturistas na Internet! No entanto devemos recomendar que tome cuidado, pois existem muitos sites ditos "naturistas" que na verdade nada tem em comum com nosso estilo de vida!
A Internet é um ambiente sem grande fiscalização até agora! Existem países que não proíbem nenhum conteúdo em seus domínios. Infelizmente acabamos nos deparando com sites de pornografia e com o título de naturista.
Também devemos orientar que todos os sites ou redes Naturistas devem seguir um padrão onde não se tenha sexualização nas fotos, não seja centrado em fotografias ou videos, não incentive o voyeurismo nem o exibicionismo e principalmente não venda acesso para ver fotos. Se você entrar num site que não possua pornografia, porém algumas coisas estejam em desacordo com o que você já sabe sobre naturismo, tome cuidado! Você pode estar sendo enganado!

E se eu tiver uma ereção?

A maioria dos homens tem ereções, isto é natural que ocorra em vários casos e é periódico e previsível principalmente entre os mais jovens. Ereções ocorrem periódicamente durante o sono como resultado de estímulos internos, elas também ocorrem naturalmente como resultado de estímulo externo principalmente em situações sexuais. Como cada homem tem diferentes critérios de estímulos, é difícil definir que a ereção ocoreu por este ou aquele motivo.
Estes problemas ocorrem menos frequentemente do que você pensa. Recreações nudistas não são nada sexuais para a maioria dos participantes. Como em qualquer encontro social, as boas maneiras devem ser aplicadas. Se você ficar excitado numa praia naturista ou em qualquer encontro naturista, você e o grupo onde você está são os melhores juíses para definir sobre colocar a roupa ou tomar outra atitude. Naturistas geralmente dão um desconto a iniciantes para que eles não se sintam sem graça; você também deve usar seu bom senso para evitar que eles se sintam desconfortáveis com a situação. Se necessário, tome um banho de mar, uma ducha fria, sente-se, cubra-se discretamente com uma toalha ou canga ou mude de pensamento por algum tempo. Em qualquer situação, tenha bom senso e seja discreto.

E se eu estou menstruada?

Novamente, isto é natural que ocorra, e isto é uma das realidades do corpo que as mulheres devem conviver. Se você estiver confortável em usá-lo, um OB é o método mais simples de resolver estes períodos do mês. Se for necessário um absorvente normal, então você deve usar um short ou a parte de baixo de um biquine.
Na maioria dos casos, a mulher deve usar o que se sente mais a vontade; os outros não reclamarão se isto for feito de forma natural e apenas nos períodos.

E quanto aos pelos pubianos?

Esta é uma questão que sempre aparece nos grupos naturistas.
Existem pessoas que preferem deixar sem aparar nada, outros preferem cortar levemente os pelos e finalmente existem aqueles que gostam de retirar tudo.
Esta questão é apenas de gosto. Faça o que você se sentir mais a vontade. Saiba que nenhum naturista irá ficar reparando se seus pelos estão grandes ou se você raspou tudo.
Resumindo: Não faz diferença a forma com que seus pelos estiverem. Deixe-os da forma que preferir.

Ouvi falar que homens solteiros não entram?

Segundo a Constituição Brasileira não existe a possibilidade de qualquer restrição quanto ao estado civil ou sexo para ser associado de qualquer entidade.
Portanto, no Naturismo todos devem sempre ser bem vindos desde que cumpram o Código de Ética Naturista.
Nos encontros também não deveria existir a necessidade de se "arrumar" uma companhia feminina.
Apenas como o naturismo é algo familiar, normalmente recomendamos que se apresente a filosofia para seus familiáres e companheiros(as), mas nunca exigindo que os mesmos acompanhem nos encontros.
Muitas áreas e grupos naturistas brasileiros já seguem esta mesma forma de interpretação da Constituição, apenas em uns poucos lugares é que o acesso é mais restrito, sem no entanto existir uma proibição total, apenas mantendo cotas de equilíbrio entre os sexos.

Sou GLTB, posso participar?

Novamente segundo a Constituição Brasileira não existe a possibilidade de qualquer restrição quanto a opção sexual.
Todos serão sempre bem vindos desde que cumpram o Código de Ética Naturista.
Como não existe nenhuma hipótese de colocações sexuais dentro de nosso meio, esta questão será irrelevante.
No caso dos Transexuais devemos ressaltar que os mesmos deverão estar totalmente nus também. Caso não aceitem esta regra (que é igual para todos) não poderão frequentar áreas naturistas.
Não existe o problema de ter que se explicar para as crianças sobre haver uma "mulher de penis" se a mesma se comportar dignamente. E caso uma criança pergunte, sempre haverá alguém para explicar corretamente, sem preconceitos e sem hipocrisias.

Ouvi falar sobre um Passaporte Naturista, o que é?

O Passaporte Naturista é um documento que atesta que seu portador é naturista.
Ele abre as portas dos mais diversos locais naturistas do mundo para quem o possui.
Infelizmente no Brasil o Passaporte Naturista virou uma piada de mal gosto. Entidades Virtuais e comerciais estão doando este documento para qualquer indivíduo sem qualquer critério e com isto o documento perdeu o seu valor inicial no Brasil.
Lembre-se que não é um pedaço de papel que irá definir se você é ou não é seguidor de uma filosofia de vida! Obviamente que qualquer filosofia está acima de qualquer pedaço de papel.
Você pode e deve se considerar um verdadeiro naturista independentemente de ter ou não ter este documento.
Esperamos que em breve estas entidades que estão cometendo este crime contra o Naturismo sejam banidas do cenário Naturista Brasileiro e que consigamos fazer com que o Passaporte volte a ter a importância real dele. Por enquanto apenas lamentamos que este documento tenha sido destruído por interesses comerciais e políticos.

Crianças podem freqüentar?

Claro! As crianças são naturistas natas! Normalmente se vêem que os pais aceitam a nudez naturalmente ficam mais a vontade do que qualquer outro iniciante.
Crianças que frequentam ambientes naturistas desde pequenas, normalmente desenvolvem uma sexualidade muito mais sadia do que a média. A aceitação das mudanças de seus corpos na adolescência se dá naturalmente, pois já sabem bem como será.

E se eu encontrar alguém da escola ou trabalho?

Lembre-se que eles também estão lá, nús como você. Fique feliz por descobrir que aquela pessoa tem algo em comum com você.

Como agir quando estiver conversando com os outros?

É um pouco difícil para os novatos saberem para onde olhar. Para um naturista, não há diferença em estar nu. Tente ser o mais natural possível.
Tudo bem em olhar. Por sua curiosidade provavelmente você inicialmente olhará para as genitálias e seios. Só não olhe fixamente. Em algum tempo, você será menos curioso sobre estas áreas e se concentrará mais na face e olhos.

Posso ficar/namorar num ambiente naturista?

Naturistas também gostam de namoro. Namoro é saudável e natural! No entanto alguns cuidados devem ser tomados quando estamos nus em um grupo.
Podemos azarar, no entanto devemos agir sempre com respeito! Principalmente saber de antemão se a pessoa é comprometida e se está afim de encontrar alguém para namorar/ficar.
Outra coisa muito importante é que não devemos ficar nos agarrando demais, pois não podemos deixar que nossos ambientes acabem se tornando verdadeiras surubas. Outro ponto importante se diz respeito aos homens. Caso o homem fique agarrado demais com a garota provavelmente acabará tendo uma ereção. Isto pode incomodar a garota em questão, e mesmo que não a incomode devemos tomar cuidado para a imagem que estaremos passando. Veja mais sobre ereção na pergunta: "E se eu tiver uma ereção?"

O que é Naturismo Indoor?

Traduzindo ao "pé da letra" seria vivenciar o naturismo dentro de ambientes fechados. No entanto existem pessoas que tem usado esta nomenclatura de forma errada!
O Verdadeiro Naturismo Indoor é NATURISMO e consiste em estarmos nus dentro de nossas casas. No entanto existem pessoas que usam o nome Naturismo Indoor para promover o hedonismo e o swing.
Fique atento! Não vá a alguma casa de um desconhecido sem saber direito o que irá acontecer ali!

Me convidaram para uma troca de casais com o nome de "festa naturista", existe isto?

Com certeza estais sendo enganado! Naturismo não tem nada de sexo.
Respeitamos quem goste de hedonismo e swing, mas nenhuma destas 2 práticas são relacionadas ao naturismo, e seus seguidores não podem fazer suas práticas e propostas em ambientes naturistas, nem deveriam utilizar o nome de naturismo para tal, pois o mesmo não é naturismo.
Caso alguém seja pego fazendo propostas deste nível, ou até praticando estes atos em ambientes naturistas, será enquadrado no Codigo de Ética Naturista e punido com a expulsão conforme o mesmo determina.
Infelizmente existem até alguns dirigentes de grupos naturistas que são adeptos destas práticas. Exatamente por isto é que acreditamos que o Naturismo Brasileiro não consiga se desvincular destas praticas sexuais.
Enquanto a única entidade que existe no Brasil não mudar suas práticas e expulsar certas pessoas, certos sites comerciais e virtuais e até alguns grupos não teremos mudança significativa. Caso esta entidade não mude isto, devemos nos mudar de entidade criando uma nova opção.

Como eu faço se alguém fizer uma proposta deste tipo?

A primeira coisa é não se calar!
Siga imediatamente para o administrador local e informe tudo que se passou, exigindo providências imediatas!
Caso a administração local não tome as providências que você esperava, ou caso a mesma esteja envolvida com a situação (infelizmente temos exemplos reais disto), saia daquele lugar e não volte mais ali até ter a certeza que mudaram!
Sabemos que as opções ainda são poucas no Brasil, no entanto, é melhor estarmos dentro da verdadeira filosofia de vida Naturista, de forma solitária dentro de nossa casa, do que ter que conviver com pessoas totalmente fora desta filosofia.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O que é NUBrasil?

Nosso grupo responde pelo nome de Naturistas Unidos do Brasil e pela sigla NUBrasil. A criação deste grupo foi necessária para discutirmos e tentarmos melhorar o Naturismo Brasileiro.

Queremos fomentar uma maior participação dos naturistas nas decisões da direção nacional e caso isto seja impossível que se crie uma nova Federação Naturista no Brasil.
A NUBrasil é 100% democrática e aceita opiniões adversas de todos os seus associados. Diferente da entidade oficial, nós acreditamos que somente ouvindo a TODOS podemos realmente fazer o melhor pelo Naturismo Brasileiro.

Quais seus objetivos?

Nosso único objetivo é mostrar nosso estilo de vida, que é saudável e nada tem em comum com sexo, a outros brasileiros que, tomando conhecimento sobre naturismo, se interessarem por praticá-lo corretamente. Trazemos os novatos a terem contato com outros brasileiros já praticantes do naturismo, buscamos apresentar os novatos às areas naturistas proximas de sua residência, sem esquecer de incentivar a todas as áreas naturistas a se dedicarem exclusivamente aos genuínos Naturistas.
Buscamos um grupo real de pessoas, portanto também incentivamos que os associados marquemencontros em praias naturistas, em áreas naturistas, em shoppings, em sitios alugados...

Como funciona a NUBrasil?

O canal principal de comunicação da NUBrasil é a nossa Rede Web, no entanto podemos conversar via MSN, Yahoo Messenger, GoogleTalk ou qualquer outro mecanismo.
Diferente de alguns que teimam em rejeitar a Internet como meio de divulgação e contato dentre os Naturistas, acreditamos que este meio de comunicação é tão bom quanto o telefone e a carta; e melhor do que qualquer revista ou jornal, e infinitamente melhor do que DVD e Video que só mostram imagens...
É engraçado que alguns que se dizem "naturistas" no Brasil, possuindo websites comerciais que se concentram em fotos e videos de pessoas nuas, ainda continuam a afirmar (de forma incongruente consigo mesmo) que "naturismo via internet é naturismo virtual e naturismo virtual não é naturismo". Bem, perguntamos a quem está lendo este texto agora: "Você é uma pessoa real ou é um programa de computador?" Se sua resposta é que você é uma pessoa real, isto significa que não existe este tal "naturismo virtual", todos nós somos pessoas Naturistas reais que já compreendemos a tecnologia e não ficamos falando uma coisa e fazendo outra.

Quem financia a NUBrasil?

A NUBrasil não recebe nenhuma contribuição oficial de nenhuma entidade, partido politico ou governo. Todos que trabalham por ela fazem de forma voluntária. Ninguem está aqui para ganhar dinheiro e acreditamos que a última coisa que se precisa para fazer uma associação de amigos é dinheiro.
Quem cobra acesso a websites auto-intitulados naturistas é que está errado! Quem cobra dos outros taxas de mensalidades para fazer parte de uma entidade sem sede, sem área, sem custos reais é que está errado (Alias este foi outro grande problema do Naturismo Brasileiro de 1984 para cá). Se desejamos divulgar nosso estilo de vida, devemos fazer isto de forma gratuita!
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Quem pode se cadastrar?

Naturistas e interessados que sejam brasileiros.
Desculpe-nos mas por razões legais, a NUBrasil não pode aceitar inscrições de ninguém abaixo de 18 anos. Gostaríamos de aceitá-lo mas estamos de mãos atadas por várias leis.
A NUBrasil informa ainda que em ambientes naturistas vocês podem levar seus filhos(as) que certamente estes serão aceitos em sua compania.

Tenho medo de divulgarem meu email ou Nome

Nós prometemos não abrir suas informações privadas a nenhuma terceira parte a menos que seja requisitada por força de lei, ou de bom grado se for necessário em processos legais, respondendo solicitações extra-judiciais, ou para proteger a segurança, a propriedade ou manutenção da NUBrasil, seus membros ou do estado. Tomaremos todos os cuidados ao manipular suas informações pessoais para garantir sua segurança tanto online quanto offline.
Seu endereço de IP (seu endereço da Internet atual) está gravado no servidor NING desde sua primeira visita, como na maioria dos sites/redes. Nós não usamos nem divulgamos nenhuma informação pessoal (como nome, endereço ou email) quando você se registra no NUBrasil.
As Informações coletadas pela NUBrasil para seu registro como membro são usadas apenas para que os demais naturistas possam encontrar pessoas da mesma cidade ou região, com os mesmos interesses ou idade.
É importante relembrar que quando você envia informações pessoais em um local que é visível a qualquer um, estas podem ser usadas de forma errada contra você. Por este motivo, desencorajamos a você postar qualquer informação pessoal (telefone, endereço...) nos comentários, blogs, chats... dê preferência a fazer isto através de mensagens privadas.