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quinta-feira, 10 de março de 2016

Quando genitalia é melancia

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nudez filosófico em Londrina: direto do diretor

Escrevemos ontem sobre o nudez de alunos em apresentação de conclusão de curso no Universidade Estadual de Londrina. Usamos precedente indiano para sustentar que a nudez, a falta de roupa, pode sim expressar ideias, e até expressar filosofia consistente. E que este performance poderia ter, mesmo, um sentido, mas que as matérias da imprensa não informavam.

Domingo a tarde, fiz outra busca sobre o assunto, e encontrei matéria de Pedro Willmersdorf no jornal Extra, onde este reportagem consta como um dos mais lidos. Ele encontrou a página do autor do trabalho de final de curso, Aguinaldo Moreira de Souza, que é também Professor de Artes Cênicas na mesma universidade onde ele cursa filosofia. Pedro colou fotos do trabalho no jornal - e também uma explicação do aluno/professor:

Em seu perfil no Facebook, o professor explicou o conceito da apresentação: "É um trabalho de filosofia política que aborda o holocausto nazista. Os atores estão peladões porque acabaram de sair da câmara de gás, para onde foram enviados achando que era um banho coletivo. Uma página horrível da História para ser discutida, e as pessoas só veem genitália".

Em seguida, comenta sobre a reação dos atores: "Todos os presentes ficaram com um nó na garganta, por lembrar da chacina do Carandiru, evento recente no Brasil, sobre o qual nós quisemos falar. A nudez é a retirada da dignidade de homens em situação de humilhação. Ver "peladões" na cena, ou ainda tecer comentários sem tê-la visto, é falta de percepção. Mas é comum. Os comentários "sem noção" estão mostrando uma falta de percepção, só isso. Falamos de morte e de violência, não de sexo.

Vimos, então, que havia na peça um sentido, e que o análise do professor foi igual ao nosso aqui: criticando a tendência dos desinformados a "só veem genitália".

Um pouco de pequisa sobre o professor encontra que ele é autor do livro "O Corpo Ator". Vimos que isso não é a primeira vez que ele apresenta espetáculo que foge do convencional, pois em 2009 os atores formados usaram "técnicas corporais de teatro e dança; técnicas de esportes verticais" que, pela foto, quer dizer que descerem de rappel pelo prédio.

Apresentou um análise de um festival de teatro que comprove que ele esteja perfeitamente capaz de produzir o convencional e esperado:

“Tradição e modernidade sempre estarão em diálogo e existe também um futuro líquido que se anuncia num tipo de leitura do presente.

Os espetáculos que fizeram parte do Fentepira 2015 trataram de explicitar essa assertiva.

No último link há uma foto do professor, que apesar de ter uma poesia tatuada no pescoço, não parece louco.

O jornalista Pedro ainda cita uns dos comentários que as fotos provocaram no Facebook, começando com a pérola ao lado. "Não sou obrigada a ver alguém pelado": bem, menina, vira a cabeça ou feche os olhos. Ou ao argumento de sempre: "temos crianças, idosos lá". A vulnerabilidade de idosos ao que já deveriam ter visto nunca entendi.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Filosofia e nudismo: Onde começar?

Alunos sem roupa no campus da UEL
 (Foto: WhatsAPP/Sérgio Luiz de Souza)
Trinta alunos do curso de filosofia da Universidade Estadual de Londrina ficaram pelados num trabalho de conclusão de curso, ou para julgar dos comentários no internet, no fim da picada. O que nudez tem a ver com filosofia?

Este evento de UEL é um gancho conveniente para o assunto, em que penso desde o morte do Justiça Scalia do Supremo Corte dos EUA. Muitos obituários elogiaram o uso pela Scalia do inglês, e não do juridiquês, nas decisões que escreveu no corte. Uma das mais citadas era de uma lei do estado de Ohio contra o nudez público. Scalia estava ao favor da lei, avaliando que o nudez em si não era expressão. Discordo. Mas é preciso começar no começo.

De nada

A roupa, sem dúvida, comunica. Bikini fala uma coisa, hábito de freira, outra. Em anos recentes há lugares querendo proibir o hijab, roupa tradicional de mulheres muçulmanas. Mas não pedem para banir a roupa tradicional de freira, ainda que esconde tanto: a revolta não é contra a roupa, mas contra a mensagem que comunica.

Roupa transmite recado, mas o nudez não é roupa. É falta de roupa. É, então, falta de recado? O que a nada poderia comunicar, a não ser nada?

Uma explicação, bastante divertida, pode ser encontrado na Enciclopédia de Filosofia, que tem uma matéria maravilhosa sobre Nada.

Ou, para quem prefere as exatas, vamos examinar o nada em matemática. Grande avanço na matemática foi a ideia do zero, que representa algo bastante diverso do que nada. A Scientific American num história do zero, afirma que a ideia surgiu na Índia, cinco séculos antes de Cristo.

Sanscrito

O indianos inventaram, de nada, o zero. Originou no mesmo tempo o monasticismo Jain, que uns séculos depois - a data é bem definida, 367 aC - houve uma cisma em duas alas, os Shvetambaras e Digambaras. Das diferenças podemos ler que (ênfase nosso):

Os Digambaras também são chamados Digvasanas. O nome Digambara significa literalmente "vestida com os quadrantes do céu", e eles são chamados de "vestidos de atmosfera" ou "vestidos de céu." A nudez é a principal diferença doutrinal entre os Svetambaras e os Digambaras. Aparência exterior é visto pelos Digambaras como um índice de compreensão adequada da doutrina. A visão Digambara da nudez ascético foi colocada pelo Aparajita no século VIII. O verdadeiro monge deveria ser completamente nu; até mesmo uma tanga compromete. Ele deve abandonar todas as posses e já não estar sujeita a considerações sociais de orgulho e vergonha. Para obedecer ao voto do ahimsa, não-violência, a roupa suja deve ser evitado, pois atrai criaturas minúsculas que podem ser esmagados. O monge nu deve seguir o exemplo dos Jinas, que estavam nus. Assim sendo, ele não pode usar uma bacia das almas, mas tem que usar suas mãos em concha juntos como uma tigela. Ele pode comer apenas uma vez por dia. No entanto, freiras estão autorizados a ser vestida como caso contrário, poderia causar ruptura social - ainda que há uma tradição de yoginis femininas nuas no hinduísmo.

Vimos que para os Digambara, a nudez faz parte de uma teologia completa e consistente: o monge não deveria ter posses, nem roupa. O monge deveria se livrar de orgulho, e também de vergonha. Da lista de pecados capitais da teologia cristão, vimos neste texto curto a negação da avarícia, do orgulho, e da gula, e de uma maneira extrema. Não podemos dizer que não é religião, pois inclua princípios básicos da teologia ocidental, nem podemos dizer que não é consistente ou seguido à risco.

Ficar nu poderia ser um princípio filosófico? Há filósofo que adora debater o que poderia ou deveria ser, ou que pode ser deduzido logicamento. Vou seguir uma linha mais moderna: ficar nu é um princípio de uma religião que existe desde 365 anos antes de Cristo. Pode ser um princípio filosófico, porque já é, e tem sido por um belo tempo. O que é, pode ser, e ponto.

Contexto

Vi faz uns poucos anos, vídeo de indianos querendo agredir estrangeiros tirando fotos de monges Digambara indo se banhar no rio num dia de festival. O nudez dos monges faz parte de uma filosofia consistente. Os turistas não sabiam e não se importavam com o significado filosófico e religioso. Enxergaram os monges sem contexto, como homens nus. O sentido do nudez estava nos monges, mas não chegou aos turistas.

De volta a Londrina

Voltando aos alunos de Londrina, nossa visão deles é como dos turistas dos monges Digambara. Sem saber do contexto, enxergamos homens nus. É possível de o trabalho de conclusão do curso do aluno, tenha um todo um contexto, em que o nudez dos alunos faz parte de uma visão consistente e até admirável do mundo: há poucos mais pacíficos do que os Jain, que evitam tirar qualquer vida.

Sem saber mais do contexto, e os jornalistas que cobriram o caso não se importaram em perguntar, seria um erro filosófico presumir que o resultado da milenar contemplação interior indiana, for igualado no interior de Paraná.

Há uma diferença entre o nada e o zero, e não sabemos do qual se trata em Londrina. Mas que a ausência de roupa pode ter peso filosófico, em tese, pode.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Huck e Jim e liberdade e censura

Ernest Hemingway definiu o lugar na literatura americano de Huckleberry Finn quando disse, "Antes não havia. Depois não havia melhor."

A aventura do adolescente vadia Huckleberry Finn e do escravo fugido Jim acontece, fisicamente, numa balsa descendo o Rio Mississippi, maior do país, entre floresta nos margens e debaixo do céu. Livres, buscam escapar de um estado em que Jim é escravo, para um onde a escravatura é banida.

Muitos são os símbolos da liberdade do par no livro. Um é de ser livres de roupa. Na tradução de Monteiro Lobato, no capítulo XIX:

Eu preferia andar nu, sempre que os mosquitos deixavam, pois as roupas que me dera a família de Buck eram demasiado boas para serem cômodas; ademais, sempre gostei de andar à frescata.

Como qualquer grande obra de arte, Huckleberry Finn continua a provocar. Provoca mentes grandes para mostrar sua grandeza, e mentes pequenas a mostrar suas limitações.

A "palavra N"

O exemplo mais comum nas últimas décadas é o uso pelo Mark Twain de o que vou aqui chamar (para não provocar a censura automatizada de Blogger) "a palavra 'N'", que provoca em gringo a mesma histeria que "macaco" provoca em brasileiro.

O livro é profundamente anti-racista. Huck, num certo momento, veja a possibilidade de ganhar uma grana e cair nas graças da sociedade, entregando o escravo fugido Jim em troca de uma recompensa. Escreve uma carta apontando onde encontrar Jim e "pela primeira vez na minha vida senti-me limpo de pecados e vi que já poderia orar." Mas depois um longo debate interna, resolve: " 'Pois assim seja: irei para o inferno!' e rasguei o papel."

Mas há quem não consegue enxergar além da 'palavra N'".

E a nudez

Apesar do nudez de Huck e Jim estar explicito no texto (ainda que Lobato refere somente ao Huck, no original ambos são "quase sempre pelados"), nas edições ilustradas, inclusive publicadas sob o batuca do próprio Twain, eles parecem vestidos. A palavra tem mais liberdade do que a imagem.

O museu Whitney está abrindo um prédio novo no sul do Manhattan. Encomendou de Charles Ray uma escultura para a praça que fica ao lado de uma entrada ao High Line, um espécie de Minhocão que virou parque linear para pedestres. A proposta em tamanho maior que o real, três metros, é de Huck e Jim, na foto acima.

O Whitney andou para trás.

Uma matéria explica que o diretor e curador gostaram a escultura mas "... ficaram preocupados que a imagem de um negro pelado junto com um menino branco pelado, não importando a inocência ou histórico, ofenderia que passava, que poderia nem saber nem se importar com o contexto." Arriscado colocar genitália masculina onde poderia ser visto por quem estava de passagem, que não era "público de museu". Queriam colocar dentro do museu. Ray acho importante não somente que Huck e Jim estava sem roupa, mas que estava de céu aberto. Procurou outro lar para a escultura.

No meados do ano passado, a escultura preliminar - ainda não o final de aço pintado - estava no Art Instituto of Chicago até outubro do ano passado. Mas, de novo, dentro do museu, com o par com as costas para a janela, preservando quem esteja no lado de fora da visão de genitália.

Há uma excelente matéria sobre Charley Ray, e a dificuldade em encontrar um lar para a escultura, no New Yorker no ano passado.

Raça

Importante para entender a dificuldade de aceitar a escultura num lugar público, é o peso de raça no mente norte-americano (desde sempre) e o papel de sexo (faz umas décadas). É importante para americano que a escultura representa um adolescente branco e um adulto negro. Se os dois fossem da mesma raça, ou as raças invertidas, incomodaria menos. É difícil acreditar e impossível explicar, mas é verdade.

Há várias fotos da escultura online. A mais comum, que escolhi aqui, esconde a genitália de Huck (ainda sem pentelhos), mas mostra a de Jim, bem dotado por sinal, que talvez faz parte da dificuldade americano com a escultura. Procurei uma foto mais equilibrada, mas aí notei que nesta foto, não somente observamos Jim, mas estamos enfrentando o olhar dele. Não há maneira, a não ser de se agachar, que permite ver o cara de Huck.

Esculpidos em aço

Versões preliminares da escultura foram feitas em fibro de vidra. O final será em aço esculpido por máquina computorizada, técnica recente, diferente de fundição.

Esculturas fabricadas com a ajuda de maquinas e assistentes, usando técnicas que não são os tradicionais, são arte? Um dos destaques da autobiografia de Benvenuto Cellini é quando ele conta da fundição da sua Perseus com a Cabeça de Medusa. Houve uso amplo de assistentes, e quando o metal ameaçava coagular, Cellini jogou todos os pratos de estanho de casa dentro. A inovação na fabricação sempre foi parte do trabalho do artista. E Cellini também fez modelos preliminares.

Sexo

Das citações acima, e da própria trajetória da escultura, inegável que há controvérsia, e que isso foca no nudez; no nudez sendo masculino; e que se trata de homem negro com menino branco; e há quem implica com o tamanho do pinto de Jim. Nossos leitores presumo por ser naturistas encarem o nudez simples sem drama, e por estar lendo em português, estão livres do histórico racial do norte-americano.

Para muitos que visualizem a escultura, há um elemento sexual no par. As vezes isso vem do observador - um crítico escreveu do bairro do novo Whitney, e reclamou do novo-chique do bairro, lembrando em detalhe dos antigos redutos gay da região.

Procurar um elemento sexual na amizade entre Huck e Jim é uma coisa do momento, o momento sendo a consolidação de conquista de direitos pela comunidade gay. Cinquenta anos atrás apoiar tais direitos carregava riscos e exigia coragem; hoje não aderir é o que leva risco. Não há ortodoxia mas rígida do que a que ontem foi heresia. Enxerga-se a consciência gay onde nem existe, então. E aqui não existe.

Huck é ainda pre-adolescente. No Tom Sawyer ele e os amigos consideram um carreira como piratas, inclusive sequestrando mulheres, mas a atitude deles para com as mulheres falta qualquer elemento sexual. Twain termina aquele livro dizendo:

Assim termina este conto. Sendo estritamente a história de um menino, precisa terminar por aqui; a história não poderia ir muito além sem ficar a história de um homem. Quando a gente escreve um romance sobre gente grande, sabe exatamente onde parar - quer dizer, com um casamento; mas quando escreve de jovens, precisa parar onde melhor puder.

Para Huck ainda não chegaram as preocupações de amor. Do lado de Jim – e parte do que incomoda da escultura é que o lado de Jim importa sim, só com esforço enxergamos a cara do Huck – seu sonho é ficar livre, e trabalhar para poder comprar a liberdade da sua esposa e filhos, de quem foi vendido separadamente. A heterossexualidade de Jim é explícito.

Ray, que vive em nossa época não na de Twain ou do livro, antecipava que havia quem faria esta leitura, e perguntou no catálogo da exibição em Chicago, "O observador consegue navegar a política sexual?" Ele já teve outras esculturas banidos de lugares, ou tirados de lugares, porque alguém não gostava. E parece que, para ele, faz parte de fazer arte.

Se o arte mexe com os sentimentos de alguém, é porque é arte. Se alguém enxerga no arte seus próprios desejos, ou seus próprios temores, é porque é arte. Arte é para provocar, mesmo.

Obviamente, há quem prefere não ser provocado. Pelo arte, ou por argumentos ou dados que refutam as teorias que já adotou. Há nos EUA atualmente um respeito exagerado ao quem se sente ofendido, e o argumento de "pensar nas crianças" é usado para inibir qualquer manifestação de pensamento que não seja do mais comum, ou do mais fraco. Se o museu não pode hoje colocar na porta o que alguém poder interpretar mal, não confio que amanha poderia exibir no lado de dentro o que provoca.

Estrelas

Ray não disse que a significada da escultura esteja somente no mente do observador, posição que sempre achei babaca: se a obra não tem significada própria, o que preciso com barulho? O título já refere ao livro de Twain. Ainda, ele oferece que a postura dos dois reflete um parágrafo específico, que segue o parágrafo com que começamos o postagem, falando do nudez. O que o Huck da escultura tem na mão é ovos de rã:

Por vezes éramos únicos senhores do rio, durante grande parte da noite. Ao longe destacavam-se ilhotas e bancos de areia. Era freqüente lobrigarmos uma ou outra luz - lâmpada a arder por trás da janela de uma casinhola, ou lanterna de uma balsa ou lancha - ou escutarmos os acordes de um violino, ou as cantilenas provindas dessas embarcações. Como é delicioso viver em balsa, sob um céu tauxiado de estrelas! Deitávamo-nos de costas e punhamo-nos a debater se elas tinham sido feitas ou não. Jim era de parecer que as estrelas haviam sido feitas, e eu, que não. Imagine-se o tempo necessário para fazer tantas estrelas, uma por uma! Jim também achava possível que a lua tivesse "posto" as estrelas, o que era mais razoável, pois eu já vira uma rã pôr centenas de ovos. Também gostávamos de ver as estrelas caírem. Segundo Jim, eram estrelas goradas, que a lua jogava fora do ninho.

Umas das obras mais antigas do homem, como Stonehenge, foram feitos para entender as estrelas. A curiosidade é eterno, como é o desejo de liberdade — e como, infelizmente, o desejo de restringir a liberdade do próximo, e impor em todos os próprios mores e costumes. Huckeberry Finn faz parte do psique americano, e faria até durar o amor à liberdade. A preocupação como certas palavras é passageira, como a obsessão atual de enxergar tudo pelo ótica pedófila.

A política sexual de hoje teria sido incompreensível para o homem de ontem, e será visto como divertida pelo homem de amanha, que nem a elevação política de palavra sobre realidade. O livro de Twain aguentará a turbulência atual de censura, e descerá o rio de tempo até águas mais calmas. A Huck e Jim de Charles Ray também aguentará, e encontrará um lugar debaixo do céu, a frescata.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Nudez em quadrinhos: Nancy e Sluggo

Amiga: Deveremos ir com um vestido que combina com o cabelo do namorado.
Nancy: Epa!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Azov Films - big business?

The Azov Films case "has really challenged people to reconsider what nudism and child modelling are", according to the police inspector in charge of the case. The publicity was massive. How big was Azov Films, and what what does its size imply for naturists?

A brief look at the published numbers shows that in the Azov Films case, the police made a mountain out of a molehill. If a one-man, $800,000 per year operation is so big that 30 policemen come from around the world for the press conference, then maybe there just aren't enough international porn rings, for the number of police departments that need to justify their budgets. The police may need to throw the net wider, beyond pornographers to naturists. If they didn't indeed do just that with the Azov arrests.

Financial reality

Azov Films was operated openly from a warehouse in Toronto, by a Brian Way. According to the Toronto Star, the company billed $1.6 million over its last two years, and a total of $4 million since being founded in 2005. That's $500k to $800k per year, and that's gross, not profit.

What is that in sales?

A look at the Internet Archive mirror of the Azov catalog for the films that appear to be the core of the police case, Azov's own productions, starts with films at "List Price: $49.95 Price: $36.95". CTV News says, "For approximately $40, customers could buy about an hour of video, and receive photos at a discount, delivered online or by mail, police say." We don't know the mix of physical DVDs that would require postage vs downloads.

But we just need a ballpark figure, so let's assume Azov's sales was films which with postage cost a round $50 each. That gives 10,000 to 16,000 DVDs per year, or for a work year of 50 weeks, 40-64 DVDs a day - in line with Azov apparently being a one-man operation, as there's no news of any employees beyond Mr. Way, and perhaps his mother.

Azov sold some 600 films, including mainstream titles. How many were produced by Azov isn't clear from the news coverage. On average that's 16-27 copies of each title per year - remembering that "average sales" is a nearly useless measure in movies or books. Supposedly the man who filmed the boys in the Ukraine got $1000 per film, so Azov must have needed to sell at least 50 copies of each title to break even.

45 Terabytes

According to CTV News,

More than 45 terabytes of data were seized.

“This is equivalent to a stack of paper as tall as 1,500 CN Towers,” Beaven-Desjardins said.

Neither informative, nor true. Mr. Way wasn't selling paper, he was selling DVDs. A common DVD holds from 4.7 to 8.7 GB. At the lowest capacity, 45 TB would be 9,600 DVDs; at the higher, 5,200. Four months' stock. To use Inspector Beaven-Desjardins's method of calculation, given the 1.2mm thickness of a DVD, 5,200 DVDs would form a stack 6.2 meters high; 9,600 DVDs would be 11.5 meters. Or, 1/50th the 553.33 height of the CN Tower.

Do I smell someone inflating numbers?

Even if Inspector Beaven-Desjardins's comparison were apt, her arithmetic is wrong. A page holds about 2KB of text; paper is about .1 mm thick; the CN tower is 553.33 meters high. The CN tower is the height of about 5.5 million sheets of paper, or 11 gigabytes of text. 1,500 CN towers would be equivalent to 16.6 terabytes, not 45 TB. Or perhaps Azov didn't really have 45 TB of data. We know she's telling fibs, we just don't know which number is a crock.

"Giant paedophile ring"

The Independent describes the case as

A giant paedophile ring with a worldwide reach was broken apart during a three-year inquiry which led to the arrests of hundreds of individuals, including clergymen and teachers, and the rescue of nearly 400 children who were at risk, Canadian police have revealed.

In one of the biggest such operations ever seen, investigators uncovered an octopus-like child-porn network centred on a now-shuttered sex-film business in Toronto.

It's "giant", it's "biggest", it's "worldwide", a "network", and "octopus"! It took three years to dismantle! And it's ... a one-man operation that billed four million dollars over six years?

Part of the mythology of child pornography is that it's a "multi-billion dollar business." But if that's true, how can a company with gross revenue of $500,000 (from which it paid rent, postage, DVD blanks, servers, etc.) be one of the largest operations ever?

Something doesn't add up. As in the false accusations of pedophilia in the notorious Colina do Sol case, or the Catanduva witch hunt, the vast numbers tossed around by law enforcement and the press seem to have little basis in reality.

Naturists may feel that the Azov Films prosecution has nothing to do with them. After all, there's U.S. and other court precedent that simple nudity in the context of naturism is protected under the First Amendment, and under other constitutional protections in other countries.

However, Azov's customers thought the same. And quite a few films that were sold by Azov were also sold by "mainstream" naturist sites, including some sites based here in Brazil.

sábado, 20 de julho de 2013

Borraram os sem-calças

A ocupação da Câmera de Vereadores de Porto Alegre por jovens protestando a tarifa de ônibus e tanto mais terminou de modo festivo, sem danos para o patrimônio público, mas com o que o repórter Felipe Bächtold da Folha de S.Paulo chamou de "mais uma inovação":

Cerca de 20 jovens que integram o Bloco de Luta Pelo Transporte Público, grupo que reúne entidades que pedem o passe livre, posaram nus dentro da Câmara Municipal para fotos que depois eles próprios postaram nas redes sociais.

O "ensaio fotográfico" foi uma comemoração do grupo, acampado no plenário da Casa desde a semana passada, pela resposta a parte de suas reivindicações.

Mesmo sem roupa, os jovens, "tímidos", cobriram o rosto. Eles se posicionaram para as fotos em frente a uma galeria de retratos de ex-integrantes da Câmara. A atitude chocou políticos do Estado.

A matéria toma a metade superior da página C8 da Folha de ontem, com o título "câmara dos PELADOS", com "PELADOS" em letras com quase 4 cm de altura. É ilustrada com duas fotos, aparentemente tiradas de Facebook, uma das quais reproduzo abaixo:

Isso não era a única foto tirada; na própria foto podemos ver mais quatro pessoas tirando fotos. Esta foto saiu na versão impresso da Folha recortada para tirar estas pessoas da margem da imagem - porém, a nudez é intocada.

Outros veículos

Enquanto a Folha fez o recorte artístico mas não censurou, vários outros veículos borraram os sem-calças. O Diário Gaúcho borrou pintos mas não seios.

Zero Hora optou por uma captura diferente da mesma cena, mas também com as "vergonhas" borradas. E de novo, seio é liberado, mas pinto não pode.

Barrado no origem

O repórter postou a imagem colhida de Facebook na página da Folha no Facebook - e foi censurado. Facebook apagou a imagem e ainda bloqueou a conta do jornalista durante 24 horas.

"Sexo grupal"

O uso do nudez em protestos (e nesta caso, em comemoração) é pouco entendido. Conforme a matéria de Bächtold:

O presidente da Câmara, Thiago Duarte (PDT), afirmou que a imagem é "deprimente" e desrespeitosa com a instituição.

"Se querem fazer sexo grupal, que vão fazer em um local privado, não em um local público", disse à Folha.

A confusão de nudez simples com sexo (e até "sexo grupal") é tipica de quem nunca foi exposto ao naturismo. Até a forma de censura, feito da ótica machista, ilustra esta confusão. Mas a confusão é somente no lado "textil"? Bächtold continua:

CAUSA LGBTT

Integrante do Bloco de Luta, Luciano Barcellos, que participou da audiência, disse que a iniciativa de bater as fotos partiu de um pequeno grupo de ativistas ligados à causa LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros), que também fazem parte do movimento.

"Eles entendem que o corpo não é um problema", diz.

Barcellos --que não aparece nas fotos-- critica o que chama de "falso moralismo" e diz que o bloco tem integrantes de "todo o prisma da esquerda" e respeita cada tipo de protesto.

Quem já viu um pouco de naturismo brasileiro encontrou a jabuticaba de proibição de homens solteiros. É muito ingenuidade interpreta isso como outra coisa do que é: homofobia.

Ora, se naturismo não é sobre sexo, o que importa a preferência sexual dos naturistas? Se a pretensão não seja "sexo grupal", por que cargas d'água é preciso que homem e mulher estejam presentes em proporções iguais?

Os vereadores de Porto Alegre podem ter suas dificuldades em distinguir nudez de sexo. E se não conseguem entender o respeito pela coisa pública (não houve vandalismo) e o desrespeito pelo homem público (as fotos de cabeça para baixo) é porque não querem entender.

No naturismo brasileiro, também, o hábito é fingir não entender muito coisa: não enxergar o swingue, não enxergar a discriminação contra homossexuais, não enxergar os fraudes financeiras e imobiliárias que se escondem atrás de naturismo.

Há quem pergunta porque os jovens nos fotos enrolaram suas cabeças em panos. Prefiro perguntar porque os naturistas brasileiros enfiam suas cabeças na areia.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Luz del Fuego, saindo dos acervos


Luz em casa na Avenida Niemayer
A mãe de naturismo brasileiro, Luz del Fuego, foi uma figura de controvérsia na vida, que deixa obstáculos para traça seu legado depois da sua morte, violenta e prematura.
Felizmente, a digitalização de arquivos de jornais anda facilitando quem quer saber mais de Luz del Fuego. Ilustramos esta matéria com fotos do extinto jornal carioca Última Hora, agora no Arquivo Publico do Estado de São Paulo. As edições do jornal que correspondem às fotografias ainda não está digitalizadas.  O Estado de São Paulo, que já foi um grande jornal, anunciou ano passado um plano de digitalizar seu acervo, que foi recentemente concluído, um acesso livre para todos até dia 20 desta mês.

O jornal O Estado de S. Paulo noticia a participação da Luz na peça "Fruto da Eva", mas ela aparece muito menos viva do que depois da sua morte, especialmente na primeira década deste século, ou quando um filme foi lançado em 1982. Veja o gráfico dos resultados da pesquisa "Luz del Fuego":

FILTRE POR PERÍODO De 1875 a 2010 ( 109 )
  • 1870
  • 1880
  • 1890
  • 1900
  • 1910
  • 1920
  • 1930
  • 1940
  • 1950
  • 1960
  • 1970
  • 1980
  • 1990
  • 2000
  • 2010
As barras no gráfico exibem a quantidade de ocorrências do termo procurado em cada período.
Clique sobre uma das barras para exibir resultados do respectivo período.

O jornal tem ainda um sumário da "personalidade" Luz del Fuego, com um texto muito semelhante o de Wikipedia, e links para seis páginas do jornal

Viva, notamos em 20/06/1959, na página 6 da edição nacional:

Luz del Fuego ameaçada de perder a Ilha

Rio, 19 ("Estado" - Pelo telefone) -- O sr. Fernando Sehwah, delegado de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro, solicitou informações da União acerca dos fins a que se destina a Ilha do Sol, cuja concessão foi dada à atriz Luz Del Fuego. O delegado pretende averiguar se o Clube Naturalista Brasileiro foi autorizado a funcional naquele local.
Enquanto eu procurava ver instância da censura impedindo Luz del Fuego, encontrei Luz del Fuego impedindo o censo. Em 22/09/1960, na página 8, O Estado informou:

Luz del Fuego impediu o censo na Ilha do Sol

Rio 21 ("Estado") Dora Vivaqua, conhecida pelo nome artístico de "Luz del Fuego", proibiu o desembarque dos recenseadores em sua ilha, a Ilha do Sol, devido à negativa daqueles funcionários em cumprir os regulamentos da colonia de nudismo ali existente, isto é, desembarcar sem roupa.
Assim, apesar da intervenção dos jornalistas, que fizerem ver a artista, que sua atitude era ilegal, "Luz Del Fuego" e os membros de sua colonia deixaram de responder aos quesitos do censo.
Seguiu em 12/10/1960, página 7:

Recenseamento na Ilha do Sol

RIO, 11, ("Estado") -- Um agente do Recenseamento pôde ontem finalmente cumprir o seu dever na Ilha do Sol, reduto de "naturalistas", que têm à frente a antiga vedeta Luz Del Fuego. Apenas três pessoas foram ali recenseadas pelo agente, que trajava um calção.
Mais tarde, Luz Del Fuego disse que, se houvesse maior numero de "naturalistas" na ilha, o censor teria que trabalhar inteiramente despido.

A morte de Luz

Photo sem data de Jean Mazon
Nas edições de Última Hora disponibilizadas pelo Arquivo do Estado, a morte de Luz del Fuego está na edição vespertino de 01/08/1967 na página 9 do primeiro caderno, com a título indo de um lado para outro da folha:

Preso confirmou a morte de Luz

Preso ontem pela polícia fluminense, o homicida e foragido da Justiça Alfredo Teixeira Dias, irmão de Mozart "Gaguinho", o principal suspeito de ter assassinado Luz del Fuego e seu caseiro Edgar, revelou que houve realmente o duplo homicídio e que tanto êle quando seu irmão ajudaram a fazer submergir, perto da Ilha do Sol, os dois cadáveres. Afirmou entretanto que os crimes foram praticados pelo amante de Luz, Hélio Luís dos Santos.

Na continuação do texto, a matéria revela rivalidades entre os dois lados da baia de Guanabara. Num lado ficava o estado de Guanabara, antigo Distrito Federal, e noutro o estado de Rio de Janeiro, com seu capital em Niterói. Chegou ao ponto de que quando a lancha com jornalistas de um lado esguichou, o outro não socorreu: foram regatados por pescadores.

No texto do Última Hora, os irmãos Alfredo e Mozart jogam culpa no amante de Luz, uma versão que não foi acolhida pela Justiça nem pela História.

Nascimento da lenda

A gráfica de citações de O Estado ilustra a renascimento da lenda de Luz del Fuego. Pontos importantes foram o lançamento do filme "Luz del Fuego" em 1982, que não ganhou uma resenha no O Estado: somente registros de horários de cinema, um dos quais notou a entrada reduzida para menores de 10 anos.

Uma década depois, em 11 de dezembro de 1992, O Estado trouxe sob o título "Os escândalos de Dora Vivaqua" uma crítica de Alberto Guznik, da peça "Luz del Fuego", passando no Teatro Imprensa. O jornal continuava:

Quase ninguém sage quen é Dora, mas quase todos se lembram de Luz del Fuego, como ficou famosa pelas suas aventuras, nudismo e cobras. A vida de Dora está em cena.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Obrigação de se despir

Obrigação de se despir

Frigorífico será investigado por humilhar empregados

Trabalhadores de um frigorífico do Mato Grosso são obrigados a se despir e esperar em fila a entrega do uniforme que devem vestir. A prática cotidiana veio à tona quando a juíza Deizimar Mendonça Oliveira, da 1ª Vara de Tangará da Serra, começou a avaliar processos judiciais em que os funcionários reclamavam o pagamento de horas extras pelo tempo gasto no processo. As informações são do site 24 Horas News.
De acordo com a juíza, os relatos dos trabalhadores e representantes do frigorífico a fizeram lembrar que, apesar da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada há mais de 60 anos, ainda ocorre "franco desrespeito à dignidade das pessoas pelo simples fato de serem trabalhadoras de uma grande empresa".

A juíza assinalou que a empresa justifica a conduta tendo em vista o rigor do Serviço de Inspeção Federal (SIF) quanto às condições de higiene. No entanto, destacou que nenhuma desculpa é compreensível dada as infrações cometidas. “A intimidade, expressamente preservada pela Constituição da República, é individual, revelando direito personalíssimo”, afirmou. “Vale lembrar que o desrespeito coletivo aos direitos dos trabalhadores não torna menos grave por sua massificação, mas o potencializa.”

O caso é classificado como grave por Deizimar por violar uma série de normas e princípios constitucionais, como o da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, inciso II da Constituição), e não discriminação e prevalência dos direitos humanos (artigo 3º, incisos I e IV, e artigo 4º, inciso II), "sendo desnecessário citar outras normas de hierarquia infraconstitucional", também desrespeitadas, segundo a juíza.

Deizimar determinou que Ministério Público do Trabalho e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego sejam comunicados imediatamente para que as medidas cabíveis sejam providenciadas. Segundo ela, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, apontados como tão caros quanto os que o frigorífico vem desrespeitando, decidiu por não proferir no momento nenhuma decisão condenatória à conduta da companhia.
Revista Consultor Jurídico, 24 de julho de 2012
Mais detalhes 24 Horas News

terça-feira, 22 de maio de 2012

Naturismo lembrado no Teatro Oficina





O texto abaixo foi lido no final da apresentação da peça Macumba Antropófoga, no sábado 19 de maio, em São Paulo:


Não iremos, hipocritamente, admirar o nu apenas nas artes, mas também na realidade, praticando o nu social no naturismo organizado.Naturismo é a doutrina filosófica que se baseia num modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente. É gratificante, harmonioso, a sensação de conviver nu em grupo de pessoas amigas em toda e qualquer parte desta Terra.Sabe-se que o manifesto Antropofágico fala que a roupa inibe a verdade !!!

Também é a nossa verdade.
A nudez é tão importante quanto ser livre !!!

Vamos ver a Macumba Antropófaga! Que todos os grupos tenham alguém presente lá no próximo sábado e domingo. Veja no blog abaixo para maiores informações que são sempre atualizadas



 Membros do Chat no Teatro Oficina interagindo com os atores  de Macumba Antropófaga





No final da peça - MACUMBA ANTROPÓFAGA a equipe do TEATRO OFICINA deu um grande presente aos membros do chat, fizeram uma interação dos internautas com os atores AO VIVO no final da peça.

Veja o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=N39RimaiWfc

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fotos de crianças nuas: Pacheco explica

Com esta imagem evitamos danos duplos.
Poupamos Marcelo Pacheco do uso da sua imagem.
E poupamos nossos leitores de uma imagem de
Marcelo Pacheco.
Damos a palavra hoje para Marcelo Pacheco, dono e editor da revista Brasil Naturista e do site www.pelados.com.br. É difícil conseguir os pensamentos originais de sr. Pacheco - até o nome da revista era de outro, e ele registrou como sendo seu - mas conseguimos para nossos leitores as palavras dos seus advogados, em juízo. Mais sincero, impossível.

O caso é 015/1.09.0002398-2, na comarca de Gravataí, RS, onde Marcelo Pachedo está sendo processado por ter colocado na capa da sua revista o filho de quatro anos de Luciano Pinheiro Fedrigo. Preciso tirar o chapéu para os defensores de Pacheco pelo seu discernimento e cultura na escolha da quase a totalidade das evidências apresentadas:  anexaram ensaios de raro profundidade e lucidez sobre naturismo brasileiro, ainda que com estranhas falhas de português.

Porém, apesar dos anexos que comovem pela força implacável da sua lógica, confesso que não consigo seguir os argumentos dos advogados. Com meu entendimento leigo de direito, umas contestações soaram falsos, o que foi confirmado por advogado. Por exemplo, não é verdade de que quem foge de oficial de Justiça durante três anos ganha como prêmio o direito de não pagar. E as afirmações que os advogados fazem sobre o papel de Marcelo Pacheco no caso Colina do Sol são irrelevantes, mas também são mentiras. Se Pacheco mentiu para os advogados, ou os advogados mentiram para o juíz, não sabemos.

Mas vamos ao Pacheco sobre fotos naturistas. Ele esclarece, por meio dos seus advogado, de que:

Naturista não sofre dano quando foto seu pelado é publicado:

Observa-se de que o menino que é sustento da presente ação, filho do autor Luciano, irmão de Cristiano e afilhado de André Herdy, na época Presidente da Federação Brasileira de Naturismo, estava no evento com os padrinhos e este autoriza formalmente o uso da imagem. A presença do menino em eventos naturistas é uma constante, já que residia na Colina do Sol, reduto exclusivamente naturista, portanto a sua presença nu, embora a foto assim não o demonstre, não lhe causa qualquer abalo ou dano.

Permissão dos pais para publicar fotos pelados dos seus filhos não é necessário, se, no opinião do fotógrafo, "Os pais do menino se no local estivessem teriam autorizado ..."


Os pais do menino se no local estivessem teriam autorizado, como fez o padrinho, as fotos do menino, e a divulgação desta no Portal e na Revista, pois participaram e ainda participam do convívio próximo com o naturismo. Vide documento anexo que dá conta de que eles teriam inclusive lote residencial na Colina do Sol, local, que como dito anteriormente e de conhecimento público, é exclusivo reduto naturista.

Naturista acho normal que seja fotografada nu para e sua imagem seja vendida:

... e um fato corriqueiro e normal no mundo naturista, não tem apenas este vertente. Ora, se todo mundo está despido, se todas as fotos retratam o local e as pessoas, as pessoas aparecerão nas fotos, do modo que estão: nus. Não se susteniara a pretensão indenizatória, senão pela pretensão locupletacionista, não fosse outra a vertente auxiliar na inclinação do autor.

E sendo que o nudez é "um reflexo de verdade", os naturistas não se importam em ter seus fotos, ou os fotos dos seus filhos, assim expostos:

Daí a troca de um posicionamento que, caminhando ao lado da cultura naturista, e dela participando ativamente, traveste-se num novo entendimento, desta feita sentindo-se lesado por uma colheita de cena, que o menor - filho do autor - participara desde sempre, pois como diz a própria inicial, e que é reflexo da verdade, o menino criou-se na Colina do Sol, e convivendo com o naturismo. Portanto uma cena que reflete apenas um evento naturista, e que de forma alguma expõe o menino. Sinalando-se de que o padrinho do menor, que o leva ao evento, e que era, na época Presidente da Federação Brasileira de Naturismo, autoriza a foto.
Observa-se, e as publicações assim o demonstram que o movimento naturista é formado por famílias, e com regras rígidas de ética.

Pacheco esclarece para nos que o uso da foto sem permissão e sem compensação não deve ser indenizada, porque isso uso comercial é "sem ofertar ao mesmo qualquer prejuízo":

...exibição da foto alcança ao menor, filho do autor, de modo contextualizado, sem ofertar ao mesmo qualquer prejuízo, mormente por ser ele, e sua família, oriundo e praticante do naturismo e por estar no evento (Primeiro Acampamento Naturista do Sul do Brasil) assim como os vídeos e as publicações refletem eventos familiares.

Então, assim são as explicações de Sr. Marcelo Pacheco para a Justiça sobre a publicação e a distribuição pelo Internet de fotos de menores nus.

Quem discorda dele, pode reclamar com a Federação Brasileira de Naturismo. Ou pode reclamar no meio democrático das listas naturistas.

Nos próximos dias, vamos brindar nossos leitores com mais revelações de naturismo de Marcelo Pacheco, e dados exclusivas sobre o tamanho inacreditável do império de comunicação comandado por este barão da mídia naturista. Fique ligado!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Peladistas novamente na "Macumba Antropófaga"



Dia 01/10 e o 02/10 os "Peladistas" estarão novamente  na "Macumba Antropófaga", rito do diretor José Celso no Teatro Oficina Uzyna Uzona.

Há um momento  em que fala do tabu do nú, uma das atrizes pede para quem quiser ficar nu nesse momento, seria legal nesse ficarmos pelados nessa hora.

A parte financeira – pagamento dos ingressos e desconto – deverá ser feita diretamente com a produçao do Oficina. 

O ESQUEMA DE PAGAMENTO SERÁ O SEGUINTE:

NÃO SE ESQUEÇAM DE SE IDENTIFICAREM COMO "PELADISTAS" para pagar R$ 25,00 por pessoa.


Para comprar ingressos favor fazer o pagamento na conta abaixo e enviar, via email, para 
ingressosmacumba@teatroficina.com.br., o comprovante do depósito, o nome e um número de documento da pessoa que vai retirar os ingressos na bilheteria, com até 15 minutos do início da sessão.

Na hora da entrega dos ingressos será solicitado documento de identificação com foto. Assim como para os ingressos de meia entrada, entregues somente com apresentação de documento válido. Se for morador do Bixiga,  trazer comprovante de residência recente, para aproveitar o desconto.

Não é possível fazer reserva de ingressos através desse email, apenas compra antecipada. E não serão aceitos comprovantes de pagamento realizados fora do horário bancário. As compras antecipadas, portanto, devem ser feitas até sexta-feira, no horário bancário.

Os preços são:

R$ 50,00 inteira
R$ 25,00 meia (estudantes)
R$ 10,00 moradores do Bexiga
Dados da Conta:
Banco do Brasil
Agencia 2809-6
Conta Corrente 22771-4
CNPJ: 53.255.451/0001-36
Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

Os ingressos não são numerados.
Não fazemos reserva.


O espetáculo começa as 16:30
 

No final, os artistas ficam no Restaurante Troca-Troca, localizado no Terreno do Sylvio Santos, atrás do teatro, lá é o momento de conversar e debater opiniões. É um espaço bem legal, rola uma música ambiente, um cardápio maravilhoso no restaurante, e muita interação público e artistas.

Qualquer duvida mande um email para "Peladisatas Unidos" peladistasunidos@gmail.com. Veja também em http://teatroficina.uol.com.br/headlines/80 e não se esqueça de enviar o comprovante de pagamento para o email ingressosmacumba@teatroficina.com.br

Divirta-ser

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Peladistas na "Macumba Antropófaga"

Dia 24/09 os "Peladistas" estarão na "Macumba Antropófaga", rito do diretor José Celso no Teatro Oficina Uzyna Uzona

Há um momento em que fala do tabu do nú, uma das atrizes pede para quem quiser ficar nu nesse momento, seria legal nesse ficarmos pelados nessa hora.

A parte financeira – pagamento dos ingressos e desconto – deverá ser feita diretamente com a produçao do Oficina no email informado no link abaixo.  Nesse link esta as instruções de como proceder para comprar e enviar o comprovante de pagamento. Aos que já pagaram não esqueça de levar algum documento com foto e chegar pelo menos 15 minutos antes para retirar os ingressos.


Será sábado agora, dia 24 de setembro de 2011, num sábado. O espetáculo começa as 16:30

http://peladista.blogspot.com/2011/08/macumba-antropofaga.html

Qualquer duvida mande um email para "Peladisatas Unidos" peladistasunidos@gmail.com


No final, os artistas ficam no Restaurante Troca-Troca, localizado no Terreno do Sylvio Santos, atrás do teatro, lá é o momento de conversar e debater opiniões. É um espaço bem legal, rola uma música ambiente, um cardápio maravilhoso no restaurante, e muita interação público e artistas. 


Divirta-ser

domingo, 3 de abril de 2011

Os naturistas e as suas “vergonhas”


Estava vendo a foto oficial da diretoria eleita da FBrN. Ali havia somente uma mulher e também me chamou a atenção de haver um vestido de índio e outro com um chapéu. Oito homens em pé e a mulher e três homens agachados, à frente.

O de chapéu, o novo presidente, vestido de chapéu, dizem que é uma imitação da moda lançada por Richard Pedichini. O chapéu não tem o mesmo charme do chapéu de Richard e faltou o bigodão.

O cocar do personagem vestido de índio parece-me ser um made in China. Quando o Japão estava no processo de decolagem à potência econômica era o grande fabricante de produtos indígenas norte-americanos. Eram todos made in Nipon. Um bonito cocar!

Fui ao Google procurar algum conceito de naturismo. Encontrei este:

O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Naturismo)

Sinônimo de nudismo. Entre outras atitudes. Quais são? Não sei. Vamos pensar no nudismo. –ismo. Quando eu era novo o –ismo significava doutrina, escola filosófica, doutrina política, religiosa, etc. Mas também significava condição patológica. Este significado suplantou todos os demais. Com o movimento gay o homossexualismo virou doenças e agora o politicamente correto é se referir à homossexualidade. Mas o naturismo ainda não chegou a ser condição patológica. Mas não sei... Pelas atitudes da polícia e da justiça de primeira instância, em casos recentes precisamos colocar as barbas de molho.

Este blog optou pelo –ista. Este sufixo indica a práxis dos –ismo. Se considerarmos com um pouco de esforço que o “conjunto de princípios éticos e comportamentais” seja uma doutrina, os partidários do naturismo seriam os naturistas. Ou nudistas. Andar nu. Ou, como se prefere, a nudez social.

Até aqui tudo bem. Mas a fotografia a que me referi acima me suscitou uma pergunta: o que é ficar nu? O nosso amigo que se apresenta com um cocar o faz para se aproximar aos indígenas, exemplo de se andar nu. Hoje em dia é tão pequena a distância entre o andar vestido e andar nu que em algumas situações nem sabemos quanto se está numa ou outra situação. Fora isto, em certas situações a nudez e a não nudez depende das lentes morais de quem observa. Ou é situacional: um maiô fio dental ou uma sunga são vestimentas numa praia, mas podem indicar nudez na Avenida Paulista.

Então talvez seja melhor reformular a pergunta: o que é estar nu? Os nossos amigos de cocar e de chapéu estão nus? Lá no começo foi comentado que o de chapéu segue a moda Pedichini e o outro se sente índio porque os índios andam nus. A maioria andava.

Eu acho que já andei comentando por aqui que o corpo é a metáfora da sociedade, segundo os ensinamentos de Mary Douglas, uma antropóloga inglesa. Isto quer dizer que o nosso corpo identifica “o que somos” em sociedade. Classe etária, social, econômica, gênero e até opção sexual. Fazemos isto utilizando-nos de nossas roupas e do nosso corpo. Maquiagem, tatuagem, tipo de barba e bigode., cortes de cabelo, anéis, etc. Nós nos vestimos socialmente. Desta forma poderemos estar vestidos socialmente sem qualquer peça de roupa no corpo. Isto é, com as marcas que nos identificam.

Um dos primeiros textos deste blog, escrito por Ariana, há um comentário interessante, da preocupação de as pessoas repetirem em cada encontro naturista as suas atividades de trabalho, sociais, enfim do que elas são em sociedade. Elas estão se vestindo verbalmente. Ao se sentirem socialmente despidas pela fala dos signos que a identificam socialmente começam a se vestir verbalmente. Nós conseguimos nos relacionar com o outro quando o identificamos e este é o motivo destas nossas vestes verbais quando o nosso corpo está sem as vestes sociais, as nossas roupas.

Entre os índios que ainda não aderiram às roupas isto é feito através de pinturas corporais, cortes de cabelo, determinados enfeites nos indígenas têm o mesmo significado, de eles se vestirem socialmente.

Desta forma o cocar quanto muito identifica o que pensamos a respeito dos índios, Mas sem qualquer significado para eles.

O que acontece entre os naturistas (brasileiros, pelo menos) é uma espécie de complexo de culpa à nudez de Adão e Eva depois da imposição da folha de parreira. O naturismo dos nossos naturistas parece-me ser o desejo da volta ao paraíso quando o mito o associa ao pecado da nudez. Tal é a insistência de tentar associar a nudez passagens bíblicas. E inconscientemente (ou conscientemente?) associar a nudez ao sexo. Mesmo negando. Exemplo disto é discriminação ao homem solteiro. Uma demonstração do machismo tão negado.

Toda esta repressão à nudez, dentro e fora do naturismo é porque se entende que estar nu é estar com “as vergonhas” descobertas, como os cronistas quinhentistas deixaram registrado.

Enquanto isto o que é primordial do nudismo (no sentido da nudez), como o respeito e aceitação do corpo de cada um e dos outros, fazê-lo respirar, é deixado num lugar secundário.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Expondo Crianças

Crianças e adolescentes foram barrados da Praia de Tambaba, o maior destino naturista no nordeste do Brasil, depois da prisão cinematográfica de Nelci Rones Pereira Sousas, sob acusações de distribuir fotos pornográficas de crianças que teria abusado. Até agora, não há indício nenhum de que ele distribuiu fotos; as fotos exibidas como troféus não são ilegais; e as crianças entrevistas pela polícia negam abuso.
Primeira praia, olhando do estacionamento. Escada no final

Ainda sem comprovação que alguma crime aconteceu, resta a proibição da entrada de menores. O problema com menores na praia é que eles pode ser vistos, ou que eles podem ver algo? A situação é diferente para crianças do que para adolescentes? Há também a ocorrência de sexo ao ar livre, e que a cidade de Tambaba tirou a administração da praia de Sonata, ONG de que Nelci Rones é diretor e de que já foi presidente. E para entender tudo isso, é preciso entender a extensão física da praia, que tem três zonas distintas.

Crianças podem ser vistas em praia naturista?

O veto aos menores engloba qualquer um com menos de 18 anos, inclusive crianças de colo, para quem um mar de seios a mostra sugeria apenas incontáveis lanches. A proibição contra estes pequeninos é incoerente. Em praia urbana, movimentada, eu já vi crianças pequenas sendo trocadas na praia, sem que elas, seus pais, ou qualquer um por perto se importasse com isso. Na minha última visita para Ceará, passei por uma vila do interior em que houve incontáveis meninos no jardim de casa completamente pelados, ainda que as meninas estavam de calcinha. Já vi aqui em São Paulo meninos pelados em frente das suas casas, especialmente em dias de calor, e me recordo de um pai com um criança pelada nos ombros, em pleno Viaduto de Chá, que arrancou uns sorrisos de pedestres, mas nada além.

Fora das experiências particulares, noto que no Castelo RaTimBum, ainda sendo re-veiculada, há dois indiozinhos que aparecem em lendas indígenas, sem roupas e sem sombras, ângulos de câmera discretos, ou outros artifícios. Os atores tinham uns seis ou oito anos, e um deles foi depois um dos "Chiquitas" na programa de Xuxa, e um pagina de fofocas revela uma seqüela: o apelido "Pingolim Famoso". E não foi Angêlica que apareceu nua, bem pequena, numa propaganda de margarina?

Poderíamos citar exemplos históricos. Gilberto Freyre aponto que nos meados do século retrasado, os filhos do engenho, dos escravos até o herdeiro da casa grande, viviam pelados até seus cinco anos.

Mas basta. Já mostramos que criança pequena ser visto pelada não perturbe em outros lugares do Brasil. Exigir que exatamente em praia de nudismo não pode, seria absurdo.

A atitude da Prefeitura de Conde para com crianças na praia, durante o Congresso Mundial da INF - Federação Internacional de Naturismo em 2008, talvez tratamos outro dia.

Mas o que as crianças podem ver?

A exposição das crianças à nudez adulto poder criar para eles algum empecilho?
Bem, do mesmo sexo, a exposição é corriqueiro em lugares como o vestiário do piscina.

Praia prinicpal de Tambaba, olhando da escada.
E, quando falamos do "vestiário do clube" estamos já mostrando uma ponta de vista da classe média. Quem recebe salário de promotor pode morar em apartamento em que cada criança teu seu quarto, e cada quarto seu banheiro, mas para grande parte da população, especialmente em áreas como o interior de Paraíba, a casa é de um ou duas cômodos, e água encanada é um sonho para o futuro. A comarca em que Conde fica é melhor, mas este progresso foi em grande parte trazido pela fama da Praia de Tambaba, que colocou a cidade na mapa e no roteiro turístico.

Se isso for um perigo que exige a colocação de fiscais do governo, para que criança não veja nudez adulto na praia de nudismo, porque não colocar um fiscal no banheiro de cada casa particular, para evitar que uma criança escova os dentes enquanto o irmão mais velho toma banho? O pai teria que escolher entre prisão de ventre, e prisão?

Os índios brasileiros viviam nús o tempo todo, e não são a única sociedade que deu pouco importância à nudez. O Brasil de classe média para cima tem uma renda que permite mais privacidade, mas o maior virtude do governo que encerra com o ano, é que reconheceu o outro Brasil, onde a grande maioria vive sem este plenitude, sem condições de sustentar certas padrões de consumo - e certas padrões de pudor.

De criança para adolescente

Há um diferença entre criança e adolescente. Caso o leitor seja velho demais para lembra sua adolescência, recomendo "Doze Anos" onde Chico Buarque canta de
   Sair pulando muro
   Olhando fechadura
   E vendo mulher nua

Poucas anos atrás, perto de Canoa Quebrada, um senhor me contou de quando tinha uns oito anos, ele e os amigos gostavam de ir para o praia de nudismo que ficava em frente ao cemitério. Precisavam tirar o calção, mas para ver mulher pelada, não se importavam.

A explosão imobiliário acabou com a praia de nudismo de Canoa Quebrada. O pessoal de Incra me falou que até tentaram lotear o vender o cemitério, com placa espetada onde o ventou tirou a aréia e deixava os pés dos finados expostos: a especulação imobiliário não respeita nem os nús nem os mortos.

Mas adolescente quer ver mulher pelada, e vai ver. Se não puder dar um pulo na praia, vai pular o muro. Meninas não tema a mesma mania, mas muitos já ajudam trocar as fraldas dos irmãos mais novos.

Além das pedras, além da nudez

Mas o que crianças e adolescentes encontram na Praia de Tambaba vai além de nudez. Meus conhecimentos da praia vem do Congresso INF lá em 2008, mas uma rua íngreme desce das falésias, para o estacionamento. No estacionamento e a praia em frente o naturismo é proibido.

Há uma escada que leva até a próxima praia, uma grande meia-lua com uma pousada, onde acontece anualmente o Tambaba Open de Surf Naturista. Na escada há "fiscais" que exigem que as visitas entrem nuas, e parece que proíbem homens solteiros, num afronto à Constituição brasileiro.

No final da meia-lua, há umas pedras grandes, e além delas uma terceira praia, maior ainda. O decreto municipal estabelece a zona naturista até o final desta praia, marcado por um rio.

A prática estabelece esta terceira praia como palco de sexo à céu aberto, e de troca de casais.

Para adolescente, há uma diferença entre revista de mulher pelada e revista de sexo explicito. O turismo trazido pelo naturismo pode ser de pessoas qualificadas, muitos vezes pessoas aposentadas com renda disponível, que preferem não aguentar mais os invernos europeus. Mas o turismo atraido por sexo à ar livre é o turismo sexual, e somente a logística o separa do envio de brasileiros para Europa para atender em domicílio a mesmo mercado.

Coexistência

Claro que crianças pequenas não se soltam dos pais para explorar a zona além das pedras. Enfatizo que a mesma geografia que isola a praia naturista das praias comuns, isola a área de safadeza da área de naturismo familiar. Mas o que vale para crianças da idade em que o mar e as ondas são perigos reais e imediatas, não vale para adolescentes. Que se soltam dos pais, sim.

Além destas pedras, a libertinagem. Fotos:Jornal Olho Nu
Quando os jovens já chegam num idade em que é mais provável que ele salvariam mamãe das ondas, do que vice-versa, e quando podem chegar sozinhos à praia, podem ir além das pedras, e além da conta.

A praia atrai uma turma de surfistas de todos as idades, e eles vão onde estão as ondas, não importando o que mais há: um ponto de surf popular em California tinha o nome de "Shit Pipe" devido ao cano de esgoto da cidade vizinha.

Estes adolescentes podem encontrar tentações? Bem, um cavalheiro distinto cujo nome não preciso citar, já contou para um grande revista de mulher pelada cujo título não preciso citar, que há lugares e idades em que até cabritas apresentam tentações irresistíveis.

Mas o problema em Tambaba não é a segunda praia onde pessoas andam seu roupas, mas a terceira praia onde a libertinagem corre sem restrições.

Antes da prisão

Antes da prisão de Nelci Rones, já em 22 de novembro, a Prefeitura de Conde tinha tomado de volta de Sonata a administração da praia de Tambaba. A praia tem uma certa renda provindo do estacionamento, renda que deu a Ong condições de fiscalizar e excluir solteiros - mas não, aparentemente, "casais liberais" para usar um dos eufemismos.

A exclusão de solteiros fere o turismo. Houve pessoas de Sonata - e incluo Nelci Rones entre eles - que achavam que Sonata deveria administrar a praia pela conveniência e preferência dos sócios de Sonata, e não pelo bem do município de Conde.

Seria bom saber o que motivou a rescisão pela Prefeitura. Será interessante como a prefeitura lida com a proibição de menores - dita temporária - imposta pelo Ministério Público. Sexo ao ar livre e criança não combinam, ainda que a geografia das praias de Tambaba permitia uma certa separação, na minha visita senti uma clima menos não co-existência harmonioso, mas de cessar-fogo.

Há duas saídas. Uma é o retorno das crianças e do naturismo familiar, com a expulsão dos libertinos. Outra é que o veto contra crianças vira permanente, em que caso o naturismo familiar vai abandonar o espaço para os libertinos, e depois do próximo escândalo, à especulação imobiliária, e a praia de Tambaba viraria mais um condomínio fechado.

E assim fecharia a história e o futuro de naturismo no nordeste brasileiro.