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terça-feira, 21 de abril de 2015

A censura é nossa!

Traduzimos o protesto do ministro de cultura, Juca Ferreira, contra a censura pela Facebook de uma foto de um casal de índios Botocudos, com os seis da mulher a mostra. Depois, Facebook reverteu a censura, e G1 relembrou a reação do ministro:

"Se os índios não podem aparecer como são, o recado que fica é que precisam se travestir de não-indígenas para serem reconhecidos. Isso é de uma crueldade sem fim", disse nesta sexta o ministro da Cultura.

Aplaudamos a postura anti-censura do ministro. A postura física também: deu entrevista em frente à foto da Botucada, em contraste do ex-ministro de Justiça americano, John Ashcroft, que comprou cortinas para encobrir uma estátua com o seio amostra no ministério.

Censura histórica

Porém, não é tão simples. A fotografia foi postada para chamar atenção ao arquivo de fotografias históricas do Instituto Moreira Salles. Indo para o arquivo, encontramos o seguinte imagem:

Ou a foto explica o declino na população botucuda - falta de genitália - ou o ministro está defendendo de censura, um arquivo que já foi censurado. Quem duvidar que a censura vem de longa data pode examinar o scan em resolução maior na Biblioteca Nacional - examinação da legenda escrita em caneta, confirma que trata da mesma imagem física.

Censura moderna

Enquanto o ministro defende o Internet do perigo externo da censura de Facebook, estamos vulneráveis à censura doméstico. Encontramos no Jornal Olho Nu de março, esta foto:

É a mesma hipótese dos Botucutos: ou os jovens sofrem de deficiência física, ou a foto sofreu censura. O Jornal Olho Nu não costuma censurar fotos naturistas, de quem quer que seja. A lei brasileira não proíbe, e a publicação de tais fotos pela "grande imprensa" é corriqueira, como já mostramos diversas vezes, como aqui.

Que o ministro enfrenta Facebook é ótimo. Porém, o que adianta a defesa contra a censura de corporações estrangeiras, quando a censura é imposta no Brasil mesmo, pelo poder publico (ou o medo dele) dos grotões do país?

Atrás da censura

Porque esta vez, censura? É que as fotos foram tiradas na Colina do Sol, que fica no reino de Taquara. A Colina do Sol assinou um Termo de Ajuste de Conduto (TAC) com o Ministério Público de Taquara. A íntegra do TAC está no link. O essencial é:

CLÁUSULA PRIMEIRA: O compromitente assume a obrigação de não fazer, consistente em abster-se de permitir e/ou divulgar ou comercializar imagens de crianças e adolescentes nus.

O que significa isso, e o que tem a ver com a foto?

Lidando com censura, conceito importante é o "chilling effect", efeito esfriador. Quando não há uma definição claro do que é permitido e o que é proibido, e os efeitos de ultrapassar a linha são draconianos, pessoas prudentes ficam longe da linha. Não havendo nada perto da linha, esta tende a ser empurrada, para restringir mais ainda.

Direito e informática

O TAC entre o Ministério Publico de Taquara é claro? Longe disso. Veremos abaixo umas das confusões - não em o que deveria ser (assunto para outra hora) mas na tentativa de simplesmente entender o que está escrito num documento de poucas folhas.

Não sou advogado, mas sou programador de computadores, dos bons e antigos. Mais difícil do que instruir o computador do que deve fazer, é entender que merda o cliente está tentando dizer, que muitas vezes nem ele entende bem.

O TAC parece uma primeira minuta de especificação, feito pelo cliente (nenhum programador de nível escreveria uma coisa destas). Refiro meus leitores ao link acima, para conferir CLÁUSULA QUARTA, sem erros por ser inexistente, ainda que consta uma CLÁUSULA QUINTA.

Em vez de interpretar o documento, vou listar uma das perguntas que ele levanta, no contexto da foto censurada.

  1. O TAC proíbe "... permitir e/ou divulgar ou comercializar imagens de crianças e adolescentes nus". Quer dizer, permitir imagens é proibido pelo TAC, ainda que não fossem divulgadas.
    A Colina do Sol permitiu imagens de crianças nuas?
    Claro que sim. As imagens publicas são censuradas, mas foram feitas sem a censura. Então o TAC for violada.
  2. Conforme os preliminares do TAC, seu propósito é evitar vexames:

    Considerando que configura crime submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento (artigo 232 do ECA) ...

    Porém, quando adultos querem evitar que ficassem conhecidos como naturistas, para evitar vexames, Jornal Olho Nu e outros sites naturistas borram suas caras. As crianças nas fotos podem ser facilmente reconhecidas por colegas e amigos.
    Este borramento evitaria aborrecimentos, evite vexame ou constrangimento?
  3. O TAC estipula multa para violações:

    CLÁUSULA TERCEIRA: O descumprimento da obrigação ajustada na CLÁUSULA PRIMEIRA sujeitará o compromitente responsável ao pagamento de multa no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por criança ou adolescente que tiver sua imagem divulgada, sem prejuízo das sanções cíveis e criminais cabíveis.

    Mas, ainda que CLÁUSULA PRIMEIRA proibe permitir ou divulgar imagens, a multa é somente para divulgar imagens - será que a proibição de permitir imagens fica sem dentes?
  4. O cálculo da multa não está claro. Se for R$ 10.000,00 por criança, depois da primeira multa, tá na faixa. Presuma-se que a pretensão é outra. Na foto acima, aparecem cinco (05) meninos. Uma olhada rápida na página sugere que um total de sete crianças nuas aparecem em uns 13 imagens - vamos por, contando cabeças, um total de umas 30 aparições: uma criança poderia estar em 5 imagens, outro em 2, etc. A multa então seria:
    1. R$ 70.000,00 - sete crianças fotografadas;
    2. R$ 130.000,00 - treze fotos de crianças nuas;
    3. R$ 300.000,00 - trinta instâncias de crianças nuas aparecendo em fotos; ou
    4. R$ Zero - o Ministério Publico vai fechar os olhos.

domingo, 17 de novembro de 2013

Arrested for nudist films?

Thursday the Canadian police announced "Project Spade" and the arrest of 348 people for purchasing DVDs from the site Azov Films: DVDs that were advertised as legal nudist films. Last week, a father living at the Sunsport Gardens nudist community was arrested because he had hired a professional photographer to take "family photos" of his daughters, and unknown to the father or the girls, the photographer either cropped some photos or else zoomed the lens in on the girls' crotches.

On the Azov Films case, the Canadian police said:

“This case has really challenged people to reconsider what nudism and child modelling are. It’s caused countries around the world to look at this material and ask whether it’s OK for doctors, teachers, daycare providers and hockey coaches to be buying this kind of material.”
- Lisa Belanger
Toronto police detective constable who led the investigation

Nature of Azov Films DVDs

According to the Toronto Star,

On the surface, it appeared to be a legal “naturist” site, showcasing what were billed as artistic films that featured nude boys. But officers decided a closer look was needed, and an investigation was launched in 2006. They looked at Way’s material and found nudity — worrying to many, but not enough to meet the strict legal parameters of child pornography.

However (according to the news articles) the owner of Azov Films, a Mr. Way, also had his own private collection of unmistakable child pornography. The news coverage alternates references to the personal porn collection, or non-Azov pornography found with Azov's customers, with statements about the films sold on the site during the six years it was in operation, from 2005-2011. Possibly in the expectation that careless journalists would confuse one with the other, as some have indeed done.

While Azov's site was taken offline when the owner was arrested in mid-2011, the Internet Archive holds the company's own description of the material it sold and in some cases produced:

  • Our naturist/nudist films are of authentic naturism and are not obscene, lewd, sexually oriented, lascivious, or pornographic. They are not illegal to own, sell or distribute. Our naturist films are suitable for viewing by all family members.
  • We have no pornography, obscene material, lewd material, lascivious exhibition of the genitals, prurient conduct, vulgarity, or close-ups of body parts in our naturist films.

The films were openly for sale via the Internet, and delivered by the Post Office. Azov was in court in the US several times over the years - battling over trademark and copyright questions. Apparently there is case law that customers cannot use as a defense the company's own description of the legality of the material. Even so, as the site operated for many years without government interference, and the police seem to have carefully avoided saying that what Azov sold was pornography, it seems likely that simple nudity was all that was sold via the website.

"Child exploitation" is how the police describe the DVDs for sale. But what does that mean? Belanger is quoted by the Star: “One child in a movie takes 15 showers — all these kids we knew were being exploited.” In comparison, in the Brazilian film "O Menino Maluquinho", the pre-teen protagonist takes a bath, with a pet turtle, in front of the maid. In "Pixote", the title character takes a shower, and again the camera shows all. "Exploitation", and we never knew it!

The police say that the DVDs of the boys are "explicit", but they don't say that they are "sexually explicit". Nudist films can indeed show "explicit" nudity (which is not illegal), without showing explicit sex. The vocabulary games remind me a story of the era of "yellow journalism": a woman was described as "exotic" because the paper could be sued for "erotic", and why not? its readers didn't know the difference.

For our Brazilian readers, the DVDs that resulted in the arrests seem indistinguishable from the DVDs sold by "Brasil Naturista" (also known as "pelados.com.br") and before it, the VHS tapes sold by the now bankrupt Naturis. And no different from the films made of rented children - sorry, hired models - at Abrico Beach in Rio and at several other Brazilian naturist venues around 2009, still for sale on sites indistinguishable from that of Azov Films.

Naturists beware

The contrast between the carelessly worded press accounts, and the weasel-worded police phasing, makes it quite clear that the material Azov sold via its website was close to the line between naturist photography and child pornography. Inspector Belanger's summer of watching movies found that under a third of the films crossed the line. Since Mr. Way claimed to have known the law, and conducted his business openly, it seems likely that the third, even if over the line, were not far over it.

How can a naturist be sure that he has family pictures, and not child pornography? The answer seems to be, he can't. We'll return to that question later.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Viva a Liberdade Nua!

ManiFESTAçao pela Liberdade da Nudez #4
1º de dezembro de 2013, na ciranda de palmeiras na Praça da Paz – Parque do Ibirapuera – São Paulo


A debate no programa SuperPop da RedeTV! considerou se a nudez deve ser liberado, ou confinada nas gaiolas das áreas naturistas. Já aconteceram no Parque de Ibirapuera três ManiFESTAcões para a liberdade de nudez. A primeira, nas fotos acima e ao lado, simbolicamente retirou as faixas pretas da censura. A segunda foi coberta pelo jornal naturista Jornal Olho Nu, principal veículo naturista do Brasil, assim como a terceira ManiFESTAção.

Todas estas manifestações foram pacíficas, foram comunicados anteriormente às autoridades competentes, e apesar de acontecer no maior parque da maior cidade do Brasil, acontecerem sem
transtornos e sem muito incômodo para os outros usuários do parque.

É legal?

As manifestações políticos e culturais são protegidas pelas leis e pela Constituição do Brasil. O Ministério da Justiça já liberou o nu sem conteúdo sexual para a televisão aberto, a qualquer horário.E muitos protestos recentes tem usado nudez.

A reação dos frequentadores do parque à manifestação foi variada. Uns chegaram mais perto, inclusive famílias com crianças, outros poucos se afastaram, mas a grande maioridade não deram muita bola. Um grupo de adolescentes indo jogar bola atrasaram o passo um pouco, mais continuaram até o campo de bola.

A Guarda Civil manteve a paz nos três Atos
As guardas municipais, e as guardas terceirizados do parque, estavam preparados para qualquer dificuldade. Não houve. Sacaram então seus telefones, e fizerem recordações do evento.

E as crianças?

Crianças no naturismo sempre suscitam perguntas. Ser visto nus por outros pode lhes causar danos? E pode causar danos a crianças ver o nudez alheio? Ser fotografada faz mal à criança?

Até agora nenhuma família com crianças participou das ManiFESTAções. Foi cena corriqueira ainda no final do século passado crianças pequenas nadando peladas no espelho d'agua em volta do Obelisco no Parque, ou no fonte em frente do Catedral da Sé. Os jornais imprimem fotos de crianças peladas até na capa quando é notícia. Em 1990, Bia Lessa encenou "Suor Angélica" no Theatro Municipal, com umas cinquenta crianças peladas correndo no palco na cena final. E isso é falando das áreas nobres da cidade. O pudor é um privilegio dos ricos - quanto privacidade tem uma família morando num quarto de cortiço ou favela?

E não podemos esquecer de Chico Bento nadando pelado na roça, ou os indiozinhos de Castelo Ratimbum andando pelados como seus antepassados e como seus parentes de hoje.

Mas crianças vendo algo desacostumado, poderiam sofrer danos? Os museus da cidade são repletos de nus. Em 2005 a Oca de Ibirapuera recebeu a exibição "Corpos Pintados", onde conforme um critico de jornal, "Tudo pode ser visto na tez macia de uma garota ou na pele flácida de um idoso." A exposição de pinturas, fotos e esculturas de corpos nus foi frequentado inclusive por grupos de estudantes em uniformes da rede municipal e estadual.

No Parque de Ibirapuera, e no Brasil, o nudez da crianças pode ser visto, e ela poder ver o nudez dos outros. E sempre foi assim.

Tradição naturista brasileira


O naturismo formal nasceu no Brasil com Luz del Fuego, que abandonou sua família tradicional e seu nome Elvira Pagã, para abraçar o naturismo e dançar no palco com duas cobras. Ela fundou o Partido Naturista Brasileira nos anos 50, exigiu o naturismo rigoroso na sua Ilha do Sol na baia de Guanabara, onde exigiu que todos ficassem completamente nus - até o Censo. Luz aguentou a chegada no regime militar, mas foi vítima de um assalto na sua Ilha em 1967. Virou assunto de filme em 1982, peça de teatro em 1992, e ficou até mais famosa depois da morte do que na vida.

Atenção da mídia

O naturismo interesse a mídia? Não. Mas o nudez interessa. Muita cobertura de "naturismo" na televisão em anos recentes, não foi de naturismo. Usou o naturismo para disfarçar o interesse em corpos nus, ou em comédia da mais baixa qualidade.
A matéria na Folha de São Paulo em julho foi de outro padrão. Não foi pruriente, nem humorística, nem "chapa-branca", mas foi jornalismo mesmo.  Investigou vários recantos naturistas, e não engoliu as palavras do entrevistados. Tratou o "código de ética" como regras de etiqueta, por exemplo.
  
O tratamento da RedeTV! foi também respeitoso, pelo menos no estúdio. Não posso opinar sobre o que foi ao ar, pois isso é escrito antes.

Uma coisa é certa: a atenção da mídia deve garanti que haverá bem mais gente no Parque de Ibirapura no primeiro dia de dezembro. Mais gente para observar, e esperamos, mais gente para participar. A liberdade de nudez não é de um pequeno grupo, ou de uma pequena fatia de sociedade que tem o luxo de frequentar áreas particulares. É um liberdade com que todos nós nascemos.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Folha de S. Paulo: a panelinha de naturismo

A Folha de S. Paulo escreveu hoje de naturismo, com grande perspicácia e com espaço enorme, a capa e sete páginas internas da revistinha de domingo. Domingo a noite estava como a matéria mais lida da edição online. Li a matéria logo depois um ensaio de Fernando Gabeira em que o autor da Lei Gabeira nota que, "O mês de junho envelheceu rapidamente os partidos, como se as câmeras os fotografassem usando o efeito sépia para transmitir a atmosfera de passado que os envolve." As manifestações pacatas no Parque de Ibirapuera, e esta matéria no maior jornal do Brasil, envelheceram o "naturismo organizado" brasileiro.

O título da matéria principal é "Todo mundo pelado: naturistas paulistas brigam entre si pelo direito à nudez pública", e os repórteres Ricardo Senra e Danila Moura entrevistaram aderentes de vários movimentos: Alfredo Nora que organizou as manifestações no Parque do Ibirapuera, Rose Santana do SP-Nat, da Marcha das Vadias, da Pedalada Pelada. Um dos criadores desta última, André Pasqualini, deu a frase emblemática da reportagem:

"Acho uma incoerência enorme alguém que se diz naturista ser contra esse movimento no parque", afirma André, que foi preso na primeira bicicletada nudista.

Sobre a rusga entre os pelados radicais e tradicionais da cidade, André tem o seguinte a dizer: "Sabe qual é o motivo? Briguinha de ego, gente reclamando de quem está a fim de formar uma panelinha naturista".

O suite de matérias mostra uma divisão entre os naturistas novos, que fazem alguma coisa, que levam naturismo para as ruas ou os parques, e um outro grupo, que é retratado como pessoas plantadas defendendo seus castelos isolados, com seus mentes medievais.

O jornal ainda coloca as opiniões de três renomados juristas sobre o naturismo público. Topless nunca dá processo, conforme um. E o uso do nu em protesto, é protegido pela Constituição.

Recomendo a leitura integral das matérias. Só não as coloco aqui para respeitar o copyright. Além da mateira principal há uma sobre aspetos legais; sobre terapia corporal nu; sobre "pelados que viraram notícia", e regras de etiqueta, onde se encontra o que a FBrN incorretamente chama de "Código de Ética".

O que importa?

Alfredo Nora postou no Facebook depois que a matéria saiu,

agradeço à revista da folha ter me dado a capa de hoje. mas lamento que mesmo cheios de boas intenções e com pessoas esclarecidas envolvidas, colocaram em primeiro plano, acima das questões fundamentais, uma novela ridícula e insignificante do que chamaram de "guerra entre naturistas radicais e tradicionais" ...

Panelinha velha?
Enquando Alfredo era o principal entrevistado, não era o único. Porque São Paulo lembre a Revolução de 1932 enquanto o resto do Brasil nem dá bola? Porque o Guerra Civil americano é ainda importante para os estados do sul, e águas passadas para os do norte? É que a guerra importa mais para o lado que perde.

E como a matéria mostrou, os "naturistas tradicionais" estão perdendo a guerra. Alfredo os procurou e foi repulsado. Sem dúvida, os repórteres ouviram muito mais do "conflito" do lado das pessoas ligados ao "naturismo organizado", do que ouviram de Alfredo, pois para eles, importa mais. Eles que estão fazendo guerra - e vendo que suas "armas" nem atingem o "inimigo". São irrelevantes e obsoletos.

Discorde de Alfredo de que a agressão dos coligados da FBrN seja uma "novela ridícula e insignificante". Eu já escrevi no Jornal Olho Nu sobre a segunda e a terceira "ManiFestAção" no Parque de Ibirapuera. Eu sabia da fricção com o "naturismo organizado", e foi por isso que fui assistir. Não escrevi disso pois ao meu ver não combinava com a linha editorial do veículo, e também porque parecia que poderia ser um aberração momentânea de uma dirigente que estava sob estresse por outros motivos. E atacar uma pessoa nesta situação, não combina com minha linha.

Acertou na mosca

A Folha acertou em cheio. O naturismo brasileiro vive, de fato, uma guerra. A guerra é pior do que a Folha imagina: comentamos esta semana o papel que a atual diretoria da Federação Brasileira de Naturismo tinha nas acusações falsas de pedofilia que causaram a prisão do então presidente da FBrN, Dr. André Herdy. Sobre a "panelinha", uma breve olhada na estrutura da FBrN mostra que a multiplicação de "diretorias" é limitada somente pelo número de parentes e amigos dos manda-chuvas que querem hospedagem grátis em áreas naturistas. A Colina do Sol é um pesadelo de perseguições de quem esteja fora da panela, e privilégios para quem está dentro.

A psiquiatra Carmita Abdo da USP também compara as manifestações usando o nu, e os outros protestos recentes:

Carmita vê paralelo entre a causa de Alfredo e a onda de protestos que começou com cobrança por menores tarifas de transporte público e se tornou algo muito maior no país. "As novas gerações sempre propõem rupturas, que começam com pequenos grupos e atingem o social."

O mundo gira

Para um estrangeiro, a fascinação de Brasil com o "oficial" é em si fascinante. A obrigatoriedade do trabalhador se afiliar ao sindicato do setor (e pagar um imposto ao particulares), e da empresa pertencer ao "sindicato patronal" e também ser tungada, é coisa bizarra. A noção de que tudo mundo precisa ter um "representante oficial", e ainda pagar por isso, remete à época em que esta regras nasceram, quando fascismo emprestou suas ideias para implantar o Estado Novo e seus arquitetos para projetar as grandes construções de São Paulo.

O mundo gira. A crença em representantes "oficias" sumiu, até nos representantes eleitos, como as manifestações desta mês mostram. As vantagens organizacionais de um grupo naturista, foram largamente ultrapassadas pelo Internet e pelas redes sociais. O modelo da ditadura de Vargas, as monopólios estatais e reservas de mercado da ditadura militar, reproduzidos em tamanho "PP" nas "concessões" da Colina do Sol, são coisas do passado.

O mundo gira. O novo chega. O velho cede. Mas cedendo, esperneia.

sábado, 20 de julho de 2013

Borraram os sem-calças

A ocupação da Câmera de Vereadores de Porto Alegre por jovens protestando a tarifa de ônibus e tanto mais terminou de modo festivo, sem danos para o patrimônio público, mas com o que o repórter Felipe Bächtold da Folha de S.Paulo chamou de "mais uma inovação":

Cerca de 20 jovens que integram o Bloco de Luta Pelo Transporte Público, grupo que reúne entidades que pedem o passe livre, posaram nus dentro da Câmara Municipal para fotos que depois eles próprios postaram nas redes sociais.

O "ensaio fotográfico" foi uma comemoração do grupo, acampado no plenário da Casa desde a semana passada, pela resposta a parte de suas reivindicações.

Mesmo sem roupa, os jovens, "tímidos", cobriram o rosto. Eles se posicionaram para as fotos em frente a uma galeria de retratos de ex-integrantes da Câmara. A atitude chocou políticos do Estado.

A matéria toma a metade superior da página C8 da Folha de ontem, com o título "câmara dos PELADOS", com "PELADOS" em letras com quase 4 cm de altura. É ilustrada com duas fotos, aparentemente tiradas de Facebook, uma das quais reproduzo abaixo:

Isso não era a única foto tirada; na própria foto podemos ver mais quatro pessoas tirando fotos. Esta foto saiu na versão impresso da Folha recortada para tirar estas pessoas da margem da imagem - porém, a nudez é intocada.

Outros veículos

Enquanto a Folha fez o recorte artístico mas não censurou, vários outros veículos borraram os sem-calças. O Diário Gaúcho borrou pintos mas não seios.

Zero Hora optou por uma captura diferente da mesma cena, mas também com as "vergonhas" borradas. E de novo, seio é liberado, mas pinto não pode.

Barrado no origem

O repórter postou a imagem colhida de Facebook na página da Folha no Facebook - e foi censurado. Facebook apagou a imagem e ainda bloqueou a conta do jornalista durante 24 horas.

"Sexo grupal"

O uso do nudez em protestos (e nesta caso, em comemoração) é pouco entendido. Conforme a matéria de Bächtold:

O presidente da Câmara, Thiago Duarte (PDT), afirmou que a imagem é "deprimente" e desrespeitosa com a instituição.

"Se querem fazer sexo grupal, que vão fazer em um local privado, não em um local público", disse à Folha.

A confusão de nudez simples com sexo (e até "sexo grupal") é tipica de quem nunca foi exposto ao naturismo. Até a forma de censura, feito da ótica machista, ilustra esta confusão. Mas a confusão é somente no lado "textil"? Bächtold continua:

CAUSA LGBTT

Integrante do Bloco de Luta, Luciano Barcellos, que participou da audiência, disse que a iniciativa de bater as fotos partiu de um pequeno grupo de ativistas ligados à causa LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros), que também fazem parte do movimento.

"Eles entendem que o corpo não é um problema", diz.

Barcellos --que não aparece nas fotos-- critica o que chama de "falso moralismo" e diz que o bloco tem integrantes de "todo o prisma da esquerda" e respeita cada tipo de protesto.

Quem já viu um pouco de naturismo brasileiro encontrou a jabuticaba de proibição de homens solteiros. É muito ingenuidade interpreta isso como outra coisa do que é: homofobia.

Ora, se naturismo não é sobre sexo, o que importa a preferência sexual dos naturistas? Se a pretensão não seja "sexo grupal", por que cargas d'água é preciso que homem e mulher estejam presentes em proporções iguais?

Os vereadores de Porto Alegre podem ter suas dificuldades em distinguir nudez de sexo. E se não conseguem entender o respeito pela coisa pública (não houve vandalismo) e o desrespeito pelo homem público (as fotos de cabeça para baixo) é porque não querem entender.

No naturismo brasileiro, também, o hábito é fingir não entender muito coisa: não enxergar o swingue, não enxergar a discriminação contra homossexuais, não enxergar os fraudes financeiras e imobiliárias que se escondem atrás de naturismo.

Há quem pergunta porque os jovens nos fotos enrolaram suas cabeças em panos. Prefiro perguntar porque os naturistas brasileiros enfiam suas cabeças na areia.

sábado, 25 de maio de 2013

MANI FESTA AÇÃO LIBERDADE DA NUDEZ - Parte “3”

Recebemos panfleta hoje da 3ª "Mani Festa Ação Liberdade da Nudez", programada para o parque de Ibiripuera em São Paulo no feriado de dia 30, quinta-feira. Reproduzimos abaixo.

Escrevemos sobre o evento anterior para o Jornal Olho Nu, e devemos estar presentes de novo, outros compromissos permitindo.

Notamos que o evento anterior correu sem transtornos. Hoje mesmo, na Paulista, Augusta, e Praça Roosevelt, aconteceu a "Marcha das Vadias", com proteção da Polícia Militar. Marcelo, um dos organizadores da "Mani Festa Ação Liberdade da Nudez", nós informa que distribuiu 300 destas panfletas para "meninas nuas e semi-nuas".

A panfleta não veja problemas com a presença de menores. Realmente, sendo que o Ministério da Justiça liberou o nudez não sexual na televisão para todos os horários, pela lógica não teria problemas maiores ao vivo. Porém, a lógica não reina neste campo. Nos aconselharemos não levar crianças para participarem do ato.


MANI FESTA AÇÃO LIBERDADE DA NUDEZ - Parte “3”.
30/05/2013 no FERIADO as 15h – PRAÇA DA PAZ (Reunir nas Palmeiras) –Parque do Ibirapuera – São Paulo

Guarda Civil do parque Comunicada!

Administração Geral do Parque Ciente!

Comunicamos que a reunião trata-se de um encontro entre naturistas e simpatizantes para criar estratégias para ações que visam à legalização da nudez publica sem cunho sexual.

A reunião tem finalidade pacífica e não utilizará em nenhum momento expressões ou movimentos que possam ser entendidos como obscenos.

Tem por objetivo chamar a atenção das pessoas ao fato de que o NU é natural do ser humano, partindo do entendimento de que a legalização da nudez tornará a sociedade MANI FESTA AÇÃO LIBERDADE DA NUDEZ - Parte “3”. 30/05/2013 no FERIADO as 15h – PRAÇA DA PAZ (Reunir nas Palmeiras) –Parque do Ibirapuera – São Paulo Comunicamos que a reunião trata-se de um encontro entre naturistas e simpatizantes para criar estratégias para ações que visam à legalização da nudez publica sem cunho sexual.

A reunião tem finalidade pacífica e não utilizará em nenhum momento expressões ou movimentos que possam ser entendidos como obscenos. Tem por objetivo chamar a atenção das pessoas ao fato de que o NU é natural do ser humano, partindo do entendimento de que a legalização da nudez tornará a sociedade mais saudável, com menos pornografia, bem como, poderá excluir com o preconceito e diferenciação que há no tratamento das pessoas pela forma da vestimenta, além do que, criará maior segurança às mulheres que sempre são assediadas ao usarem roupas curtas, visando a paz, os direitos igualitários e a liberdade sobre o próprio corpo (COMO NA MARCHA DAS VADIAS).

A criminalização e a descriminalização devem ter por base precipuamente o sentimento jurídico do povo, pouco importando tratar-se do Direito Penal em si mesmo ou de contravenções penais, desde que se destinem a reprimir certas condutas que a sociedade não pode tolerar. Tendo em vista que o ministério da educação liberou para todas idades a nudez sem conotação sexual em todas as mídias Brasileiras, compreendemos que a presença de menores sem autorização dos pais é isenta da responsabilidade por parte de seus organizadores.

domingo, 17 de março de 2013

QUEBRANDO OS MUROS DO NATURISMO


Em função da matéria “Nudistas da Praia do Abricó não aconselham topless em Copacabana”, na qual fala de ginastas dinamarquesas fazendo topless, e as respostas de alguns naturistas de Abricó para o portal G1, suscitou alguns comentários muitos interessantes nas listas de discussão sobre naturismo. 

O naturismo é NORMAL , é simples, sem complicações. É necessario levar e mostrar isso as pessoas comuns.  Sair fora de "guetos" e "locais escondidos" é necessario. Certamente uma associação deve recomendar para famílias locais "seguros", porem isso não deve limitar e nem inibir ações que desejem mostrar a população em geral a forma simples e sem complicações que é a nudez.

Abaixo é reproduzido alguns desse comentários:  

Cada vez entendo menos e me decepciono mais com as declarações de alguns naturistas quanto à nudez e, agora, especificamente quanto ao topless praticado pelas ginastas dinamarquesas em Copacabana. 


Quer dizer que seios nus como forma de exibicionismo, tipo no carnaval e pelas meninas para atrair turistas pode? Mas, exibir naturalmente os seios ou o corpo totalmente nu não pode; tem que ser escondido entre pedras altas, num local quase inacessível, como se a nudez fosse em si uma ofensa. Lamentável que alguém da Associação de Abricó condene seios à mostra na praia de Copacabana em pleno século XXI, com a argumentação esdrúxula de que havia prédios por perto.
Quem luta pelo naturismo, pratica o naturismo, deveria lutar pelo nu, pela liberdade de estar nu em qualquer lugar e não pela nudez entre quatro penhascos! E essa desculpa de que os brasileiros não estão preparados para isso me cheira à mesma argumentação usada durante um tempo negro da nossa história de que nosso povo não sabia votar... 
O ato em favor da nudez  realizado no Ibirapuera serviu para provar o contrário e para calar a boca dos que querem o naturismo emparedado. Provou que, sim, o povo está preparado para aceitar civilizadamente a nudez pública, sem muros nem penhascos. A Pedalada Pelada deste ano ocorreu sem incidentes, com a Polícia apenas dando proteção aos participantes.
Nunca é demais lembrar que a evolução só acontece quando se avança, e só se avança quebrando tabus, dogmas, paradigmas, ousando. Ou será que alguém ainda pensa que a terra é quadrada e é o centro do universo?
Acordem naturistas!

Verdade este comentário.
Também estou procurando entender como o Naturismo está se comportando frente a estes fatos.
Nudez pode no Carnaval em todos os momentos, parece tudo liberado, mas o topless é mal visto ou pouco tolerado devido falta de entendimento ou consciência da população. Se uma pessoa denunciar ou se chocar, não se pode fazer.
Engraçado que neste país a corrupção, o roubo de verbas públicas, as falcatruas, maracutaias não chocam e ninguém denuncia ou fica indignado, mas diante da nudez há um clamor geral.
Se a manifestação ocorrida no Ibirapuera acontecesse com maior frequência, talvez pudéssemos ter uma clara noção da mentalidade do povo. Ou aceitariam e entenderiam ou seria proibido totalmente, porque, com certeza teriam reclamações e denúncias de atentado ao pudor, o que não ocorreu desta vez.
Por que atentado ao pudor, se as autoridades e governantes não tem pudor nenhum e nem vergonha na cara? Isto precisa ser repensado.
Recentemente estive no Rio de Janeiro com um casal de espanhóis e a mulher fez topless na praia de Copacabana. Ela fez perto de um posto policial, mas antes perguntou aos policiais se não teria nenhum problema e eles disseram que não e que ela poderia fazer topless.
Dai entendemos que as pessoas não fazem porque não querem... porque a polícia até dá proteção.
Mas tem uma coisa: quem não quer fazer também não quer que ninguém faça e aí denuncia.
E os comentários dos naturistas não foram felizes, já que se eles atingiram um estágio evoluído de liberação do corpo, porque limitar a evolução dos outros.
Precisamos de mais espaços e não se limitar aos já existentes.
Devemos pensar em sair do casulo e se mostrar mais no naturismo, perdendo o medo que sempre nos foi imposto por  ideias  e comentários errados a respeito.
Os naturistas devem defender mais o naturismo para que ele saia da condição marginal.

A questão naturismo, ainda esbarra no “socialmente correto”, e as pessoas que no final de semana fazem parte dos encontros naturistas, em chácaras “fechadas”, não querem ser descobertos na segunda feira pelo seu chefe ou pessoal da empresa que trabalha.
Na igreja que frequenta, em sua família muita das vezes..... então os naturistas ficam na defensiva.

Em Copacabana, praia que sempre foi motivo de alegria aos cariocas, deve ser sim praia do TOPLESS.
Quem deseja tirar tudo, vai para ABRICÓ.
O topless nas praias brasileiras não é “proibido”, e segundo o principio ontológico do direito o que não é proibido é permitido; porem como nossas leis são ridículas, basta uma “autoridade” se sentir no direito de reclamar ao “pudor da família” e pronto, policia armada, todos na delegacia para “registro do BO”.
Tento por vias políticas fazer uma “lei federal”, dando total amparo ao TOPLESS em todas as praias brasileiras. Segundo o senador Suplicy existe a tal bancada evangélica que é totalmente contra esta ideia... mas vamos tentando...
O ato no Ibirapuera deve ser feito, incentivado, dado total e amplo apoio. Mostra que o naturismo é NORMAL, é simples, e NATURAL.
Se não houve na primeira vez ninguém contra, vamos fazendo e quem sabe nunca terá uma denuncia.......
Mas um advogado deve ser avisado, e ficar de sobre aviso no dia da ocorrência.

domingo, 3 de março de 2013

Protesting Nudity

Three protests with nudity have received ample coverage in the Brazilian press over the last week. It's high summer, and also the start of the college year, which may be partly responsible.

  • Sunday of last week in Ibirapuera Park in the center of São Paulo, South America's largest city, thirteen people preaching "peace and love" took off their clothes in support of the right to non-sexual nudity. The police received no complaints, and photos in the media received thousands of "likes" and hundreds of comments. 
  • This Friday in the city center, a group of university students held a maracatu - an African-based drum and dance celebration - including shirtless members of both sexes. 
  • In the upstate city of São Carlos, a freshman initiation ceremony to pick "Miss Freshman" attracted a protest by feminists, and a counter-protest by upperclassman, who took off their pants and simulated sex with an inflatable doll. 

Sunday in the park: escaping the naturist ghetto
Nudity has in recent years been embraced by anyone who can stretch it to fit their cause, and there have been some notable stretches. PETA tries to show that people are just another kind of animal, with "I'd rather go bare than wear fur" campaigns, and the bodies of attractive young people marked as cuts of meat with dotted black lines, and splashed with blood. The WNBR-World Naked Bike Ride says that bicyclists "feel naked in traffic", and in the part of the world a play on words is used - "Pedalada pelada" is a straight-forward if tongue-twisting way to say "naked bike ride". And FEMEN appears to protest anything and everything - the press account's I've read often don't go beyond the bare breasts.

Using nudity to draw attention to an unrelated protest, is a different matter than using nudity, in favor of nudity itself. The event in the park was in organizer Alfredo's words, to promote greater tolerance, "I think there should no longer be specific, restricted areas for naturism, as if they were cages, or jails." Naturism outside of naturist ghettos was the message of Alfredo's protest - and the means employed.

Manifestantes na av. Rio Branco, ontem, durante a Marcha Global da Cúpula dos Povos
Rio + 20 protest - Pedro Kirilos/Agência O Globo
A very important aspect of the Ibirapuera event is that the organizers carefully secured permission from the park administration, the police, and the courts. That's something the WNBR has never done, and police repression has inhibited or prevented full nudity. Another significant point is that the 1988  Brazilian Constitution provided that all can meet peacefully, without arms, in places open to the public, no prior authorization being needed, so long as they don't interfere with another meeting previously convoked for the same location. We'll get back to that last.

The Coro de Carcarás group's description of their event in Facebook was as "a ritual-procession of liberation and consecration of the forces of life in the very center of São Paulo. An act of intervention in this sleeping reality. Devouring all fears and all taboos". The Folha de S.Paulo in a small text alongside a five-column photo said the event had "the climate of an out-of-season Carnaval", and bare breasts don't qualify as indecent exposure.

During the Rio+20 event in Rio de Janeiro last June, there were some nude protests. The Folha printed full-frontal photos; the message written across the bare bodies of three protestors was however illegible. As with FEMEN, the message was overwhelmed by the use of nudity to convey it

Protest in São Carlos

At first glance, the São Carlos event appears be different from the others, vulgar and intentionally offensive. The Folha's article starts, "A nude young man simulating masturbation, another exhibiting himself with his penis hanging out of his pants, and yet another pretending to have sexual relations with an inflatable doll." Illustrated with a pixelated photos of Young Man #1. Other news media include partial pictures of a pamphlet, "50 Strokes of a Belt".


Shocking, saddening, etc. But the actual situation is a bit more nuanced.

Event, protest, counter-protest

The young men's nudity was not a random aggression of mores and maidens, but a counter-counter-protest. Let's regress to the first event.

  • "Miss Bixete", or "Miss Frosh", is a "beauty contest" for freshman girls at the São Carlos campus of the University of São Paulo. They are urged to climb up on a stage, and "show their bodies in a parade", the audience calling on them to flash their breasts. It's a thirty-year tradition, and takes place at the student union building, called CAASO. The student union leaders have in recent years opposed "Miss Bixete".
  • The protest by the "Feminist Front of São Carlos" took place in front of CAASO, as "Miss Bixete" was taking place. The CAASO doors were open - São Carlos is even hotter than São Paulo, and air conditioning is far rarer in Brazil than in the United States, especially in such places as student associations with limited budgets. The protest included a "batucada", that is, playing drums and other percussion instruments. Signs and banners at the protest included one saying, "We are not inflatable dolls!"
  • The counter-protest spilled out the open doors of CAASP, and spilled beer, as shown in a video posted online by one of the feminists. It did include an inflatable doll, with which one of the counter-protestors, dressed in a Spiderman costume, simulated intercourse. Photos show that one counter-protester removed his pants, climbed on a bench, and danced. The video doesn't show that, but it does show other counter-protestors swaying to the beat of the batucada. Other supposedly pulled out his penis, but since both he and his trousers are black and the photo is pixelated, we just have the protestors' word for this.

What is violence?

Is drowming out someone else's speech "nonviolent"?
The protestors primly declared,  "The demonstration was peaceful and included percussion instruments, music, banners with slogans and pamphlets."  Peaceful and non-violent? Bullshit. They came not to protest but to interfere with a previously announced event, which they did with noise. Closing the doors of a packed CAASP in tropical heat was not an option, and in any event since Brazilian doors rarely need to seal off the escape of heat, they're not effective sound barriers, either.

A couple of weeks ago a Cuban blogger, who on her 20th attempt had received permission to leave that island, was shouted down at a number of events in Brazil by young Communists with old Stalinist attitudes. Was their shouting to silence an anti-totalitarian voice, "non-violent"? Was the "batucada" during the Miss Bixete contest, any less violent? Does violence against sexual liberty, differ from violence against political liberty?

Perhaps the feminists should explain that "noise is nonviolent" to anyone who lives next to a bar that plays country music till 3:00 AM on weekends, or to anyone whose neighbor has a barking dog.

Prisoners of rhetoric

Brazilian feminists, like their North American sisters, and often prisoners of rhetoric. Some years ago Harvard students took advantage of a heavy snowfall to during several hours construct a large snow penis. "Feminists" saw it, thought it "offensive", and took a couple of minutes to knock it down. They later claimed to the press that they had "dismounted" it.

Dancing to the protestors' beat
If the feminists were truly offended by a snow penis in Harvard Yard (and one sometimes has the impression that some feminists are offended by any penis, in any situation) there were a number of responses they could have made. Perhaps a snow vagina would have conveyed only an equivocal message, but .. trash bags to make a large condom? A large pair of cardboard shears? An almost-to-scale ruler, showing the large snow sculpture to represent 3"? There are a number of possibilities, but they all require creativity and effort and some time in the cold, which the male students invested, and the feminists did not. They used violence to silence a message they disagreed with. Breaking someone else's work is still breaking someone else's work, and the rhetoric of calling it "dismounting" doesn't change that.

Participation in the Miss Bixete event is voluntary - no girl is required to get up on stage, nor to remove her shirt if she does so. The feminists complain that women who may not want to participate do so for fear they will be considered "stuck-up" during the rest of the year. Somehow, though, I find the idea that events should be banned so that non-participants don't feel bad for not participating, unconvincing. I always thought voluntary activities were up to the participants, and that non-participants had the option of staying away, not the right of veto.

There is a distinction between a voluntary, public, nonviolent, and non-hazardous activity, and hazing freshman. About a decade ago a pre-med drowned in a swimming pool during freshman hazing in São Carlos, and they have been careful since. But nothing at Miss Bixete offered any physical hazard, though had they closed the doors in a futile effort to escape the batucada,  heat stroke could have been a possibility.

Your too-friendly neighborhood Spiderman?

Not their party?

One of the named feminist protestors was Airton Ferreira Moreira Júnior, identified as a professor. A look at his resumé shows that he's a professor not at USP São Carlos, but at another university in the same city, the Federal University of São Carlos. While USP's São Carlos campus specializes in engineering, chemistry, physics and mathematics, Ferreira Moreira's highest academic distinction is a master's degree in sociology.

The organizer of the protest is the "São Carlos Feminist Front", which doesn't seem to be the "University of São Paulo-São Carlos" Feminist Front. They came to impede someone else's party.

Alternative protests

The "Feminist Front of São Carlos" could have with a bit of creativity and humor come up with far better protests. They could have held "Mr. Bixão", either grading the candidates on the same "degrading" bases as the misses are grades, or by the more noble standard they propose, ideas. Well done, either would be effective and funny - though perhaps asking feminists to produce, or even to recognize, humor is akin to asking them to fly over the moon.

Cloth banners and paper dolls

The Inflatable Woman

The counter-protesters brought an inflatable woman. Offensive? Photos of the event show that the feminists had a banner saying, "We are women, not inflatable dolls, we have ideas, we are not manipulated", and along with it, a cardboard model of an inflatable doll. It was the feminists who introduced the idea of inflatable dolls to the event. Is a paper doll less offensive than a vinyl one? Or merely less expensive?

As to the young man who simulated introducing himself into the inflatable doll, well, "Make love not war" conveys the same message, though with words rather than actions, and is clearly protected speech - indeed, it's almost traditional.

"Fifty Strokes with a Belt"

Another of the feminists' objections was to a pamphlet distributed by some of the USP students, claiming it supports physical violence against women. The title "Cinquenta golpes de cinta" is an obvious reference to "Cinquenta tons de cinza", the Portuguese translation of "Fifty shades of gray", and where the local edition describes the real book as a New York Times best seller, the parody has : "The cure for the hot pants of these women who aren't getting any - The New York Times."

Offensive? Certainly, and so was "A Modest Proposal". But to say the students are proposing beating women in like saying Dean Swift was seriously proposing eating Irish children.

Converging on "Slutwalk"

Interestingly, both the park event in which women were nude in public, and the protest in São Carlos which objected to women being denuded, point to "Slutwalk" as kindred in spirit to what they were attempting. The Feminist Front's manifesto said:

"We repeat that the Slutwalk's objective in displaying the body is totally contrary to that of Miss Bixete. In Miss Bixete, the bodies are displayed to satisfy the desire of a specific gender. And not just any bodies, they are bodies chosen according to the reigning standard of beauty. In the Slutwalk, we display our bodies to protest against this oppressive standard. We display our bodies, whether they are white, black, thin, fat, perfect or imperfect. We display our bodies not for the pleasure of others, but to affirm our freedom of choice."

We have here, I think, not an argument about liberty, but an argument about control. The Feminist Front wishes to replace the male chauvinist rules for the display of women's bodies, with their own female chauvinist rules for the display of women's bodies.

The event in Ibirapuera sought to free nudity from naturist ghettos, making nudity acceptable, unremarkable and insignificant. The Feminist Front sees women's bodies as a battleground, and wants to win the battle.

The right of free expression

The "Feminist Front of São Carlos" crossed a line - a Constitutional line, even - when they decided on disruptive noise as their tactic. They could have protested quietly, or they could have picked another time, or another place. They purposely provoked college students who they knew would be drinking, and when they provoked incivility, used it to claim that the reaction to the disruptive protest just confirms that the e original event was "disrespectful and violent."

It was the Feminist Front's demonstration that was "disrespectful and violent". The Ibirapuera protestors were told it was fine to take their pants off, but not to disrupt a previously scheduled event. The feminists chose to disrupt with noise, a previously scheduled event. Both  English idiom and American law recognize the concept of "fighting words": provocation that invites a reaction, and a reaction that is justified by provocation.

The feminists provoked, they got a reaction: they brought a paper inflatable doll, the counter-protesters brought a vinyl one, which they used to act out what the feminists implied. The response is direct and not out of proportion. The feminists played music in a public place, and how can the object if someone chooses to dance to it?

Certainly the men displayed a lack of class - and the women displayed a lack of humor. Between the two groups, I for one prefer the company of those who have humor.