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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Naturismo croata na Bahia

A seleção croata tomou banho nus na piscina do hotel em que estão hospedados em Bahia. E o furo foi do jornal 24 Sata de Croácia, e não da imprensa nacional. Talvez porque falou um "fonte oficial" em que nossos jornalistas pudessem ficar pendurados.

Conforma a notícia nacional, vários dos hóspedes brasileiros (o hotel não estava fechado para a seleção europeu) já reclamaram dos jogadores andando nus na área fechado para eles, mas visível aos outros hóspedes.

O banho ao natural aconteceu durante um temporal tropical, quando os outros hospedes ("famílias," conforme um jornal, com a refrão de sempre, "incluindo crianças.") tinham abandonando a piscina.

Apesar da fama da Croácia como destino naturista, com muitas praias nudistas na costa adriática, o jornal croata achou melhor censurar as fotos - escolhendo as mais discretas, e pixelizando umas.

O técnico ironizou o impacto na imprensa - "Gostou?" - e apesar do furo vindo da Croácia, disse que seu time não falaria mais com a imprensa brasileira. Soa mais como um cabide conveniente para pendurar a desculpe, melhor do que confessar cansaço e decepção como a trajetória curta no mundial.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Outra corrida: Bare Dare 5K na Flórida

Domingo acontece outra corrida nudista nos EUA, a Bare Dare 5K no resort de Caliente, na Flórida. Como o Bare Burro Run no Olive Dell Ranch na California, será a quinta edição da corrida.

A corrida tem apoio oficial, aparecendo no calendário de turismo do condado de Pasco. E talvez como resultado, tem cobertura na mídia mainstream e especializada de corredores.

O que significa um evento destes para naturismo? Traz gente nova, e a introduza ao naturismo:

Sometimes friends say they’ll tag along, but won’t run or take off their clothes. That usually doesn’t last.

“By the time it’s time to run,” Simonson says, “we’ve never had anyone not participate — or, more importantly, not enjoy it.” (Ticket Sarasota)

Ainda mais, não é um oportunidade de lucro, mas de marketing:

At a time when race entry fees have escalated rapidly in the endurance sports world, with some events now charging for parking and offering little in terms of free refreshments, the Caliente Bare Dare 5K might be the best value in the industry. The race entry fee also grants runners admission to Caliente for the day, along with post-race refreshments poolside, awards to the top 25 male and top 25 female finishers, and soft, fitted T-shirts uncluttered with sponsor logos on the back. - nuderaces.com

O evento brasileiro mais semelhante é o campeonato de surf naturista de Tambaba. As secretarias de turismo municipais e estaduais ajudam na divulgação (não é um bom ideia por dinheiro na mão de naturismo organizado no Brasil, especialmente dinheiro público). O campeonato de Tambaba é oficial porque faz parte do calendário da federação estadual de surf, com pontos que valem no ranking. E o evento é visual, que ajuda atrair a mídia.

Ouvimos aqui que elementos locais da FBrN tentaram impor "regras de ética naturista" no campeonato de surf na Praia do Pinho em janeiro, espantando exatamente quem o evento pretendia atrair, e o gerenciamento da área naturista comercial na praia colocou os "fiscais" para correr. Bom para a Praia do Pinho, e bom para naturismo brasileiro.

Ou o naturismo é uma pequena comunidade virada para o próprio umbigo, ou quer crescer. Eventos como um corrida de 5 km são ideias para trazer pessoas novas. É uma distância curto o suficiente para que quase qualquer um pode fazer, mas comprido o suficiente para que o que importa é chegar, não em quanto tempo leva. Bom lazer participativo, algo que o campeonato de surf não é, numericamente.

Porque ninguém faz nada semelhante aqui?

sábado, 25 de maio de 2013

MANI FESTA AÇÃO LIBERDADE DA NUDEZ - Parte “3”

Recebemos panfleta hoje da 3ª "Mani Festa Ação Liberdade da Nudez", programada para o parque de Ibiripuera em São Paulo no feriado de dia 30, quinta-feira. Reproduzimos abaixo.

Escrevemos sobre o evento anterior para o Jornal Olho Nu, e devemos estar presentes de novo, outros compromissos permitindo.

Notamos que o evento anterior correu sem transtornos. Hoje mesmo, na Paulista, Augusta, e Praça Roosevelt, aconteceu a "Marcha das Vadias", com proteção da Polícia Militar. Marcelo, um dos organizadores da "Mani Festa Ação Liberdade da Nudez", nós informa que distribuiu 300 destas panfletas para "meninas nuas e semi-nuas".

A panfleta não veja problemas com a presença de menores. Realmente, sendo que o Ministério da Justiça liberou o nudez não sexual na televisão para todos os horários, pela lógica não teria problemas maiores ao vivo. Porém, a lógica não reina neste campo. Nos aconselharemos não levar crianças para participarem do ato.


MANI FESTA AÇÃO LIBERDADE DA NUDEZ - Parte “3”.
30/05/2013 no FERIADO as 15h – PRAÇA DA PAZ (Reunir nas Palmeiras) –Parque do Ibirapuera – São Paulo

Guarda Civil do parque Comunicada!

Administração Geral do Parque Ciente!

Comunicamos que a reunião trata-se de um encontro entre naturistas e simpatizantes para criar estratégias para ações que visam à legalização da nudez publica sem cunho sexual.

A reunião tem finalidade pacífica e não utilizará em nenhum momento expressões ou movimentos que possam ser entendidos como obscenos.

Tem por objetivo chamar a atenção das pessoas ao fato de que o NU é natural do ser humano, partindo do entendimento de que a legalização da nudez tornará a sociedade MANI FESTA AÇÃO LIBERDADE DA NUDEZ - Parte “3”. 30/05/2013 no FERIADO as 15h – PRAÇA DA PAZ (Reunir nas Palmeiras) –Parque do Ibirapuera – São Paulo Comunicamos que a reunião trata-se de um encontro entre naturistas e simpatizantes para criar estratégias para ações que visam à legalização da nudez publica sem cunho sexual.

A reunião tem finalidade pacífica e não utilizará em nenhum momento expressões ou movimentos que possam ser entendidos como obscenos. Tem por objetivo chamar a atenção das pessoas ao fato de que o NU é natural do ser humano, partindo do entendimento de que a legalização da nudez tornará a sociedade mais saudável, com menos pornografia, bem como, poderá excluir com o preconceito e diferenciação que há no tratamento das pessoas pela forma da vestimenta, além do que, criará maior segurança às mulheres que sempre são assediadas ao usarem roupas curtas, visando a paz, os direitos igualitários e a liberdade sobre o próprio corpo (COMO NA MARCHA DAS VADIAS).

A criminalização e a descriminalização devem ter por base precipuamente o sentimento jurídico do povo, pouco importando tratar-se do Direito Penal em si mesmo ou de contravenções penais, desde que se destinem a reprimir certas condutas que a sociedade não pode tolerar. Tendo em vista que o ministério da educação liberou para todas idades a nudez sem conotação sexual em todas as mídias Brasileiras, compreendemos que a presença de menores sem autorização dos pais é isenta da responsabilidade por parte de seus organizadores.

domingo, 13 de janeiro de 2013

SOS Tambaba: Como fica a praia naturista?

A praia naturista de Tambaba pode coexistir com o projeto Reserva Garaú? Não, não pode. Pelo menos o empreendedor não tem planos para que a praia naturista continuasse, e o tipo de pessoa que paga o preço de um condomínio destes, não quer estranhos na "sua praia". Afinal, para que serve um empreendimento exclusiva, se não poder excluir alguém? Porque chamar o lugar de "Reserva", se não é para ser reservado?

Lembrando que o blog aqui é de jornalismo, e não de opinião, vamos aos poucos fatos disponíveis nos dois volumes publicados do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)

Qual é o efeito projetado na praia naturista de Tambaba? As palavras "naturista" e "nudista" aparecem muito pouco nos relatórios. Mas temos nas fls 5.40, nos "impactos ambientais",

Em relação a prática do naturismo na praia de Tambaba, acredita-se que o funcionamento do empreendimento na área pleiteada não será conflitante com a atividade, pois entre os equipamentos projetados e a praia de naturismo há considerável distância (mais de 400,0 metros) e uma densa vegetação que proporciona privacidade aos praticantes.

Bem, palavras, depois desenhos. A praia de naturismo fica embaixo das falésias, o empreendimento atrás. Já vimos que o projeto promete com Area de Preservação Permanente, "Faixa de 100,0 metros em projeção horizontal a partir da borda das falésias existentes no setor leste do terreno." É 400 metros, ou 100 metros? Olhamos o vídeo promocional, quando os "Resorts" estão aparecendo, visto do mar. Estamos bem em frente ao parte principal da praia naturista aqui:

Não parece 400 metros das falésias até os prédios de quatro andares, parece? Se tivéssemos a planta na escala de 1:2500, saberemos. Mas a planta faz parte do Anexo III, e Anexo III não foi publicado pela Sudame.

Ainda, a afirmação é cabalmente falsa. O prefeito alterou o decreto para tirar a designação de naturista de toda a praia além das falésias até o rio Garaú. Dois terços da praia naturista já sumiram em função deste empreendimento. Já interferiu, não pode dizer que não vai interferir.

Tapumes durante anos de construção

Há um capitulo inteiro sobre "Medidas Mitigadoras". Estamos obviamente todos a favor de medidas mitigadoras, e estamos a favor de medidas de segurança. Mas devemos ler sobre "Sinalização e Proteção da Área" lembrando que a área é limitado pelo norte pela estrada que vai até o estacionamento, e no leste pelo Oceano Atlântica:

11.2. FASE DE IMPLANTAÇÃO
11.2.1. Sinalização e Proteção da Área

Esta ação é de caráter preventivo e de controle. Mostra-se como o marco inicial da fase de instalação e deve perdurar durante todo o período das obras. A responsabilidade de execução é do titular do licenciamento, entretanto, as empresas contratadas para execução das obras ou para qualquer outro tipo de serviço na área do empreendimento se tornam co-responsáveis, devendo constar como termo de responsabilidades nos contratos entre a empresa licenciada e suas contratadas em qualquer época da fase de instalação a responsabilidade de manter a área sinalizada e protegida.

São recomendadas as seguintes medidas:

  • Colocar placa referente ao licenciamento ambiental do empreendimento na entrada da área ou na área de influência do canteiro de obras. Esta placa deverá ser fixada em local de boa visibilidade;
  • Colocar placa de identificação do empreendimento e do empreendedor, com os respectivos registros junto ao CREA-PB e a Prefeitura Municipal do Conde (modelo – Figura 11.1). Estas deverão conter informações importantes, destacando-se os seguintes dados: nome do empreendimento, nome do empreendedor, extensão da área ocupada, data do início das obras, data prevista para conclusão das obras, Alvará da Prefeitura Municipal, etc.;
  • Colocar placa de sinalização em todos os lados da poligonal da área do empreendimento, indicando propriedade privada e proibindo a entrada de estranhos;
  • Colocar placas de advertência nas estradas de acessos, quando estiverem sendo executadas obras ao longo destas ou no seu entorno;
  • Colocar sinalização de advertência na entrada e saída do empreendimento; e,
  • Fazer o isolamento da área com barreiras de proteção de contato, recomendando-se o uso de tapumes de madeira nos limites de maior visibilidade.

Se a coisa vai em frente, a Lord terá em mão um plano aprovado pelo governo, em que ela assume a responsabilidade, em "caráter preventivo", de fechar a praia de Tambaba com placas "indicando propriedade privada e proibindo a entrada de estranhos". Ora, é um compromisso assumido com o governo, tem que fazer, lamento muito, etc.

Proteção das águas

A empreendimento é enorme. Vai precisar de água. Vem de onde? Vimos nas fls 9.1:

O sistema de abastecimento de água será feito exclusivamente a partir do manancial subterrâneo através de 08 poços profundos que funcionarão por um período de 16 horas diárias. Cada empreendimento do complexo hoteleiro/habitacional será atendido por um poço tubular individual.

É importante, porém, a implantação de um plano de monitoramento hidrogeológico e de controle de efluentes, evitando-se que a exploração mal dimensionada do aquífero ou problemas operacionais dos sistemas instalados produzam efeitos negativos ao meio ambiente, como salinização, contaminação hídrica e grandes rebaixamentos do nível estático.

Estabelece em outro lugar que haverá sistema de tratamento de esgoto próprio.

A praia naturista recebe um número limitada de pessoas, e tem uma pousada, um restaurante, e uns bars pequenos. O tratamento de esgoto deve ser primitivo, mas com o fluxo de pessoas, suficiente.

Uma vez que a Reserva Guará esteja em operação, o cocô dos naturista estaria ainda sendo despejado acima da água que os grão-finos bebem.

Não vejo no projeto nenhum plano de ligar os sanitários públicos da praia de naturismo, ou da pousada ou outras empresas, à sistema de esgoto projetado para Garaú.

Uma vez pronta, o "monitoramento hidrogeológico e de controle de efluentes" constará um problema. Exigir-se-á tratamento do esgoto naturista. A prefeitura não vai fazer, enquanto há eleitor sem água e esgoto. O preço é astronômico. Poder-se-ia oferecer a possibilidade de ligar o esgoto da praia ao sistema da Reserva Garaú, por um preço inalcançável, com um mensalidade insuportável. Há um terreno encravado na área da Lord, onde exatamente difícil dizer sendo que os mapas bons estão no impublicável Anexo III, e o jogo da água deveria servir para forçar o dono a vender.

A pretensão é acabar com a praia naturista

Condomínios fechados tentam privatizar a praia, para evitar "indesejáveis" e para "segurança". Aceitar gente pelada perto de nossas crianças, nem pense. Quem investe tanto dinheiro assim não aceita um risco que poderia evitar. E qualquer coisa diferente ou exótico é um risco. Fala de coexistência possível é conversa para boi dormir.

A falta de provisão para água e esgoto da praia naturista é uma prova que manter a praia não faz parte dos planos. Se for imposto como condição, que o condomínio teria que arcar com as custas de implantar isso, tudo bem. Mas não colocaram, pois não pretendem que a praia continua.

A pretensão de fechar durante a construção está lá com todas as letras. Nunca reabrirá.

Ainda, estudaram muito, mas não há nenhum estudo do impacto do empreendimento na praia naturista. Somente na conclusão aparece um paragrafo para quer quer acreditar, apoiado em dados obviamente falsas.

Todos os dados importantes, estão no Anexo III, que não foi publicado. Desconfio de sigilo.

A praia tem chance?

A coisa tá difícil para a Praia de Tambaba. Parece que a Prefeitura de Conde dançava conforme a musica que a Lord tocava. Há ainda a Sudane que é estadual, mas o Estado é pequeno, e muito é possível. O Ministério Publico Federal é mais difícil de enrolar, mas depende muito do Promotor de Meio-Ambiente que tem competência para a região.

Dificilmente a Lord imagina que vai conseguir permissão para construir tudo aquilo. Vai ser cortado pela metade pelo menos. Ainda assim, com um terço do tamanho, continuará o desejo de privatizar a praia.

Quem toca o assunto para Lord é competente. Convocar na estação alta, para que custaria caro vir é uma tática padrão. Mas consegue que alguém convocasse uma reunião naturista no dia anterior, no outro lado do país, foi uma jogada de mestre. Em vez de estar em Tambaba para opor a perda da praia, os naturistas "oficiais" estão longes, discutindo temas "importantes" com a ratificação de um protocolo. Genial, e deveria ter sido muito barato, também.

Então os caras são competentes.

O que mais preocupa, é que não conhecem limites. A jogado de água e esgoto que vi acima é variação de técnica padrão. É perto da linha que separa "esperteza" de gangsterismo, mas está neste lado da linha. A falsa acusação de pedofilia contra Rones cruzou a linha. Não tenho provas, então não faço acusação. Mas em qualquer crime, procure-se quem se beneficiou. No assassinato de Dana Wayne Harbour na Colina do Sol, os primeiros suspeitos são quem se beneficiou. Na denuncia calunioso contra Fritz e André e seus mulheres, já publiquei quem devia dinheiro para Fritz e parou de pagar assim que suas mentiras colocou seu credor na cadeia.

Na denuncia caluniosa contra Nelci Rones, foi o projeto Reserva Garaú que se beneficiou. Removeu um oponente importante. Serviu como cortina de fumaça para tirar a designação de naturista de dois terços da praia. Para qualquer outra naturista que pense em opor o projeto, serve como a cabeça de cavalho na cama. A qualquer hora, uma outra denúncia falsa de pedofila pode ser feito.

O que fazer?

O primeiro passo, obviamente, é reclamar na reunião de amanha de que sendo que os documentos importantes não foram publicados, a "audiência pública" não vale. Tem que publicar os documentos de "Anexo III"; tem que ter a definição das Terras da Marinha. Seria preciso também levanta o assunto de água e esgoto na área da praia naturista. É preciso assegurar acesso permanente para o público à Praia de Tambaba, e que o acesso continuará durante toda a construção. Ainda, a praia naturista exige o mesmo tratamento de estudo ambiental de que um quilombo ou colônia de pescadores receberia. Simplesmente passou batido no estudo. Foi reconhecido como importante, como recentemente de novo a imprensa nacional reconheceu como importante para Paraíba, mas não foi estudado.

Muitos anos atrás, no subúrbio Freeport no Long Island, houve longa praia do balneário, um quarteirão designado para surfismo (pranchas e banhistas não misturam bem). Ficou em frente de um lote vazio. Veio um boom imobiliário, um caro comprou para construir prédios altos, e queria tirar os surfistas. O motivo? Para usar o slogan "pode nadar no seu próprio quintal". Houve audiência na prefeitura, e aparecerem 300 surfista. Acho que faz anos que não houve tanta gente numa audiência em Freeport, e os surfistas salvaram sua praia.

Pelo jeito, a prefeitura de Condé fará o possível e o impossível para que este projeto acontece. É preciso tentar mais acima, então.

A audiência deve ser anulado e remarcado. Há o suficiente nestes postagens para pode comprovar segunda-feira que a proposta da Reserva Guará é fajuta, que a planta no misterioso Anexo III desmente aqueles "400 metros". Se a Sudame não ouvir o pedido, sobra o MPF.

Mas é tarde. A hora de defender a praia foi quando Nelci Rones foi falsamente acusado. Comprovado a farsa, descobrindo a conspiração, teria descarrilhado o empreendimento. Abandonaram Rones e abandonaram o melhor chance de manter a praia.

Se um dia chegarem na Praia de Tambaba e encontrassem placas de "Propriedade Particular" e tapumes, ou um anjo com uma espada flamejante, saberiam que o preço de pecado é a expulsão do Paraíso.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O nú político e o nudismo

Manifestantes na av. Rio Branco, ontem, durante a Marcha Global da Cúpula dos Povos
Pedro Kirilos/Agência O Globo
A página editorial da Folha de S. Paulo comenta hoje - talvez por falta de assunto - a onda de protestos políticos usando o nu feminino. Termina:

Num mundo que não se cansa de usar o corpo feminino como atrativo para o consumo, as mulheres do Femen e as mães de Valência tentam inverter o jogo: o objeto de fantasias se torna assim um instrumento de mobilização.

É que as imagens da miséria e da infelicidade hoje parecem incapazes de despertar consciências para os problemas da sociedade global. A exibição do corpo, tão banalizada em outros contextos, aparece como recurso para o ativismo.

Em vez da violência, comum nos movimentos de revolta, surge o sexo. Resta saber quais suas chances na trivialização dos tempos.

Tanto o corpo masculino, quanto o maior evento que use o nudez como forma de protesto, o World Naked Bike Ride, não mereciam menção no editorial.

O uso do corpo nu em protestos gera um certo protesto do parte dos naturistas brasileiros, na linha de "isso não é naturismo!" É? Dr. Cec Cinder, no seu monumental (678 pp) "The Nudist Idea", lista cinco pontos que definem naturismo, na pp. 461-462. Resumindo, para ser nudismo a nudez deve ser:

  1. uma atividade em grupo;
  2. de ambos os sexos;
  3. completa, sem "coisinhas" cobrindo a genitália;
  4. social, não principalmente religioso ou político;
  5. consciente, "deveria haver um entendimento entre os participantes, e este entendimento deve ser compartilhado ainda que  implicitamente, que estão nus como uma forma de protesto social." Ele afirma ainda que neste sentido limitada o nudismo é politico, e que índios na Amazônia não deve ser reconhecidos como nudistas.

Pelo análise de Dr. Cinder, nem os protestos de Femen nem o WNBR devem ser considerados nudismo; são atividades políticos, que encontram no nu uma chamativa. Quando o nu é usado para avançar qualquer causa além do próprio nudismo, deixe de ser nudismo.

E da perspectiva peladista? O peladismo, além de pluralista, é prático. Quer dizer, é muito mais interessado na descriminalização do ato de andar pelado, do que em analisar como a "filosofia naturista" encara o ato de andar pelado. Em vez de criticar o uso do nu em protestos como uma invasão da reserva de mercado intelectual, a tendência é aplaudir qualquer atividade que normaliza a nudez público. A trivialização ou banalização da nudez em espaços movimentados, serve para preservar o direito de pular pelada numa cachoeira isolada sem medo de ir preso por isso.

Uma ideia é vitorioso quando sua defesa vira supérflua. Os grupos que defenderam a abolição de escravidão ou o voto para mulheres saíram da vida para entrar na história. Procuramos nossa própria obsolescência, e bem-vindo seja qualquer atividade que colabore.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A vaca foi pro brejo? Faça vaca atolada!

Recebemos faz pouco mais de um mês notícias do grupo PLANAT, dizendo que a vaca foi pro brejo, e a grupo foi pego de calças curtas:

CANCELAMENTO DO ENCONTRO DO PLANAT

Informamos que está cancelado o encontro do PLANAT, que estava agendado para o período de 03 a 05/08. Motivo: o proprietário vendeu a fazenda e o comprador não tem interesse em manter os atuais clientes da estância.

Nota: A Diretoria Executiva do PLANAT lamenta muito o fato e informa que foi pega de surpresa, pois havia um entendimento com o proprietário Narciso que o PLANAT teria preferência na compra da fazenda, já que a alugou por muito tempo com contrato de locação, época em que foi construída a piscina com esforços e recursos dos próprios associados.

O grupo funciona faz vários anos, alugando o mesmo sítio faz 13 anos. Despejado de repente, vai fazer o que? Jogar a toalha?

Não jogou. Ontem chegou outra correspondência de sr. Jamie Belem, informando um almoço visando a "reequilibrada do Planat". Como sua alma de poeta, Jamie prometeu "vaca atolada" no cardápio.

Não vamos reproduzir a carta toda. Além de mais, inclua telefones, endereços, números de conta de banco, e outras informações do tipo que geralmente evitamos publicar.

Merece reconhecer que, enfrentando um problema real, Jamie está procurando uma solução real. "NOSSA META É CONSEGUIR A ADESÃO DE, NO MÍNIMO, 50 (CINQUENTA) CASAIS, para que adquiramos condição financeira para procurar um outro local que venha a nos receber DE FORMA NATURISTA, além de minha casa." A adesão alvejada, em termos financeiras, seria R$60 mil durante o próximo ano.

Sem nuvens e espelhos

Sr. Belém está fazendo a reunião na própria casa, depositando o dinheiro na própria conta, e prometendo ele mesmo entregar relatórios financeiros mensais. Porém, não revela nada sobre os seus planos.

É amador? Talvez. É bom? Com certeza. O que não falta no meio naturista brasileiro é planos mirabolantes, projeções, panfletos e propostas de adesão, para não falar de contratos leoninos. Nem carece estruturas corporativas, associações sem fins lucrativos, ou ONGS.

Vendo todo este papo e toda esta papelada, gente bem intencionada coloca dinheiro. E depois? Fica a papelada, ecoa o papo, a estrutura (seja corporação ou associação) fica com as obrigações, e o dinheiro ... sumiu. Era miragem, fumaça e espelhos.

Sr. Jamie Belém junta na sua pessoa física quem recebe o dinheiro, e quem é por ele responsável. É o arranjamento antigo, sem espaço para pintar e bordar. É preferível, dado o histórico do Paraíso da Tartaruga, Pedras Altas, Colina do Sol, e Colina dos Ventos.

O maior inimigo de naturismo brasileiro nos últimos 25 anos, foram os "donos de naturismo". Sem este impedimento, quem sabe o Planat e Jaime Belém terão sorte melhor. De qualquer forma, desejamos.

sábado, 9 de junho de 2012

Nudity on Brazilian television

Earlier this year, the Ministry of Justice issued new rules for what's considered proper on Brazilian television. One surprise - for people in North America, anyways - is that simple nudity, without eroticism, is considered proper for all ages, and can be broadcast at any time of day.

In light of that decision, let's look at at past nudity on Brazilian TV. It's never been absent, as documentaries with Brazilian Indians, who don't wear clothes, have always been acceptable, so much so that the popular children's TV series Castelo Ra-Tim-Bum included two boys enacting Indian legends, dressed in only their skins.

But the best example in not in the programming, but the commercials. Two of the most remembered Brazilian television commercials of all time were the Mila Margarine commercials in which a couple of dozen nudist children highlighted Mila's "natural" qualities. Juvenal Azevedo, one of the creators of the ads, posted a remembrance of the campaign's creation five years ago, which we translate below for our Portuguese-impaired readers.

The Swedish Mila Margarine commercial. Image from Juvenal Azaredo's blog

In 1979 (whoa, it's been 28 years!), I directed the Center's creative nucleus along with my partner, Luis Di Nallo, and went to Sweden to oversee the filming of a commercial for Mila margarine. It's worth a long detour to explain why a Brazilian commercial was made in Sweden.

Initially, the briefing we received from Sanbra was to do a campaign along the lines of that of rival margarine Becel, saying those things about the heart, and so forth and so on, almost to the point of the consumer having to ask for a prescription to consume it.

Then, exchanging ideas with Carlos Edo, director of planning and customer service for the agency and a guy who I unfairly forgot to include in the pantheon of great planners (in the article "When planning and creation were lovers," see here in Portuguese), we concluded that, at that stage of the market (28 years ago, don't forget!) to position Mila almost as a medicine would be to give the product the last rites.

By the way, Mila, which was previously handled by another agency, already had its head in the noose, since its sales were below 80,000 tons, or megatons, or who knows what, and if the new campaign did nor raise sales to a level close to 150 tons or whatever, it would be discontinued by Sanbra.

Well, one day when I went out with Di Nallo for lunch - and I remember the food well, because it was a Wednesday and we went to eat feijoada at a place next door to the French restaurant Freddy - while we were tossing down a caipirinha, in the time-honored way I had an insight, and said, "Man, I've bagged the Mila campaign."

With his air of a Buenos Aires joker, Di Nallo looked at me and asked what I had shot. And then I explained, "You know vegetarians and nudists, those exotic people that nobody takes seriously, but everyone respects their point of view, this thing of healthy living, back to nature?". "Well," I continued, "we'll make the campaign in a nudist colony, where the guys eat only fruits, vegetables, whole-wheat bread and, of course, Mila Margarine, since Mila is part of a healthy life."

The gringo's eyes shone, and the meal finished, we went back to the agency and told the idea to Carlos Edo, who immediately saw the campaign's potential and called in one of his partners, Federico, who was not in the business but had common sense, Otto from Media, Leonardo from Production and Vasco from Customer Service, the unfailing Luiz Gonzaga Vasconcellos, and told them the idea. But, in the retelling, Carlos included a detail that only I, when I created the campaign, had imagined differently, and gave the information that the models were to be kids (I confess that in my mind, the models were almost all adults) which led me to "clam up," as they say.

This change, otherwise, helped us to please all sides, such as Federico Common Sense himself, and all began to applaud the creative solution.

And so it was done. I wrote two scripts, one with children rolling in the snow, to be filmed outside of Brazil, of course, and another with a tropical setting amid the vegetation and climate and Brazil, which was eventually filmed in Guarujá on the São Paulo coast.

[Both films can be seen on Juvenal's son's site The line "A única que veio do milho" means "The only one made from corn", which helps explain why corn on the cob appears so much.]

[Juvenal writes a bit about Sweden, and of the ins and out of the advertising business.]

Closing the subject of Mila, the campaign was in the air, and less than a week later, Sergio Mendes asked the Nucleus to to suspend the campaign.

Mila, which in order not to be discontinued needed to reach the level of 150,000 tons or megatons, I don't know, in less than two weeks in the media reached the mark of 450,000 whatevers, tying Sanbra's production line in knots.

In 1989, and so ten years later, I was in Enio and I had lunch with Maria Ines, product manager for Cica who had recently left Sanbra, and during our conversation at lunch, when she knew I had worked at the Center, she told me that at Sanbra they had considered running the films again, but they had given up due to the difficulty of finding the models (by now no longer children) to obtain authorization. She also said that, in research commissioned by the company, Mila's campaign, despite having been broadcast for no time at all and been off the air for ten years, was still the most remembered in the margarine market. A wonder!

What can we expect of the change in the Ministry of Justice rules, which explicitly allow non-erotic nudity, giving as an example of what's acceptable a documentary of Indians? Certainly, the naturist lifestyle is just as acceptable as that of Indians. But the part of television with the strongest motivation to seize and hold the viewer's attention, is the commercials. This was not the only Mila Margarine commercial to feature nudity, or even nude children. This one came later:

Anything in advertising that works is imitated, and this worked very well indeed. There have been other such commercials. I recall one for leading retail chain C&A for Mothers' Day in 1995, with a bunch of naked children running on the beach.

One that revolved around being set at a nudist beach showed an man selling a new ice-cream bar, and the nudists being ecstatic about how good it was, licking their lips and going "Mmmmm". A nudist mother then covered the eyes of her nudist child, saying the spectacle was "indecent". It's worth noting that although in that case the nudists were of all ages, the protagonists were mother and child.

With the new rules we may see more commercials with nude people, and even with nudists, and perhaps even again nudist children. Certainly there is now a moral hysteria that did not exist thirty years ago, but on the other hand "natural" and "organic" too are far more marketable than they were three decades ago.

The desire to sell stuff has not changed, nor the desire to capture the viewer's attention.

For thirty years the United States has been locking up an ever greater share of the population for ever more minor offenses. That trend is now being slowed not by the realization that it is pointless, cruel and evil, but simply because it is expensive and budgets are tight.

If there is a force that can prevail against unfounded hysteria, it is the thirst for money. The greatest ally of freedom of expression may turn out to be the profit motive, simple greed.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Naturismo e denuncismo

Ouvimos, de vez em quando, "O que isso tem a ver com naturismo? Porque estes postagems compridas, cheios de detalhes e documentos, em vez de simplesmente dá a data e local do próximo churrasco, que é o que interesse?"

Defendo, hoje, a relevância.

Em dezembro de 2007 Dr. André Herdy e Fritz Louderback foram presos, baseado em falsas denúncias de pedofilia partindo dos seus devedores e desafetos da Colina do Sol, de crimes negados pelas próprias "vítimas" e pelos laudos do Instituto Criminalística.
 
Em  dezembro de 2010, Nelci Rones foi preso perto de Tambaba, sob falsas acusações de pedofilia, a promotoria apresentando fotos naturistas da própria família de Rones. Na mesma época, a prefeitura reduziu o tamanho da área naturista em mais de dois terços, e a administração da praia foi alterada pelo município.

Em dezembro de 2011, Valdir Nei Hardtke de Melo denunciou que ele era alvo de ameaças, de que seria denunciado por pedofilia. Acabou fechando o ONG Naturista Praia do Pinho.

Tambaba, Praia do Pinho, e Colina do Sol figuram em qualquer lista de áreas naturistas importantes do Brasil. Dirigentes dos três sofreram acusações falsas de pedofilia, ou pelo menos a ameaça de acusações, e Dr. André Herdy era o presidente do FBrN quando foi preso. As acusações no caso Colina do Sol partirem de "naturistas"; Valdir apontou "pseudo naturistas".

Aparece hoje na lista Peladistas a notícia de sr. Mário (cujo sobrenome não dou, pois ao meu entender não saiu na mídia) que já se descreveu como "sócio fundador da Colina do Sol", de que ele foi processado, e condenado, por andar nu na própria casa. Conforme ele, a denúncia partiu não de "naturistas" mas de vizinhos.

A delegada Eunice Bonome do Nucria em Paraná, onde se me lembro corretamente, Mário mora, já avisou que : "A maioria dessas queixas envolve brigas de casal em processo de separação, intrigas de vizinhos e vingança pessoal."

Joaquim em resposta, lembrou que " Temos o caso do Nelci-Rones em Tambabá, as acusações feitas contra o Valdir, contra uma mãe no Rio de Janeiro que ficou afastada da filha por um ano, aqui em Campinas, São Paulo ..." incluindo casos em que naturismo  levou a acusações de pedofilia. Quando o caso não dá na imprensa, evito comentar, para não piorar o problema.

Quando eu era pequeno, ouvindo de como pessoas na antiga Alemanha Oriental vigiavam e denunciavam vizinhos, amigos, e até a própria família, não entendi porque fariam isso. Depois de ver campanhas aqui no Brasil com propagandas no TV e pôsteres no ônibus, incentivando todos a denunciar pedofilia,  o mal máximo, entendi um pouco melhor.  

O leitor pode não gostar - eu também gostaria que não fosse o caso - mas não há como negar que falsas denúncias de pedofilia fazem parta do ambiente naturista no Brasil. E gente vai preso por isso, ainda inocente. E os autores das falsas denúncias, são recebidos como sorrisos e festa em todas as áreas naturistas do Brasil.

O que pode ser feito? Aqui postamos uns textos, com exemplos, mostrando que até os mais respeitáveis veículos do Brasil publicam fotos de crianças peladas. Crime não é. Estas matérias são para informar os leitores, mas também para ficar disponíveis publicamente para qualquer um que de repente precisar comprovar para um juiz, que isso não é crime.

Estes textos só focam a questão de foto pelada. "Pode andar nú em casa?" foi parte da questão no caso de Rones, e conforme Mário, o total do problema dele. O que é realmente preciso é uma serie de pareceres, de juristas prominentes. Algum ONG que defende naturistas, seria o caminho óbvio.

Mas deve der feito rápido, antes que prendem todos.