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domingo, 27 de abril de 2014

Invasão de Tambaba

Temos o prazer de dar boas-vindas ao naturista Nelci-Rones Pereira de Sousa como autor e não como o assunto da matéria.

A diferença entre ser autor e o assunto é importante, como ilustra este texto inicial. Participar do naturismo é uma coisa, ser objeto de curiosidade de turistas é outra. O convívio social é fundamental ao naturismo, e colocar naturistas como animais no zoológico ou como freaks de carnaval do interior, não combina com os princípios do naturismo, nem com a boa educação. Nem seja um bom pressagio para o futuro de naturismo no Brasil.

Grupo AndaBrasil na praia de Tambaba
Pra justificar a invasão de mais de cem pessoas vestidas dentro da área naturista de Tambaba, em uma travessia que fazia parte de uma “caminhada ecológica”, a líder do grupo, esposa de um dos comerciantes da localidade, deu uma entrevista à uma TV local, onde cunhou a frase: “ O naturismo vai além da nudez”.

Esta frase vem sendo usada com muita frequência em Tambaba, e até pelo Brasil afora,  para justificar um monte de práticas não naturistas por diversos tipos de pessoas que se autodenominam naturistas, mas na realidade exercem atividades muito diferentes daquelas vinculadas ao naturismo.

Ora, que eu saiba, a expressão “além”, tem sentido de “depois”. Isto leva à uma conclusão simples: sem a nudez não existe naturismo, como, aliás, está implícito no próprio enunciado que define a filosofia. Por outro lado “além da nudez” é uma expressão que quer dizer que o naturismo não é só a nudez. Implica outros conceitos, como auto respeito, respeito ao próximo e respeito à natureza. Apesar de não ser “só” a nudez, quando praticada em grupo,  continua sendo o fundamento principal.

A julgar pela estupefação das pessoas que visitavam a praia no momento dessa travessia, a atitude pecou em todos os quesitos que definem o naturismo. Inicialmente, ao não estarem despidas para essa caminhada, demonstraram que não possuem auto respeito pois necessitaram de subterfúgios, suas próprias roupas, para se sentirem confortáveis. Depois, ao se apresentarem vestidos na presença de várias pessoas nuas, provocando o absoluto desconforto e constrangimento destas, desrespeitaram todas elas, trazendo o total descumprimento do quesito “respeito às pessoas”. Por último, não me consta que “caminhadas ecológicas” sejam eventos de “respeito à natureza”. Qualquer pessoa sabe que essas caminhadas têm como objetivo apenas apreciar a natureza, trazendo benefícios a si próprio e não à natureza, podendo, às mais das vezes, ao contrário, trazer prejuízos de diversos graus e gravidades.

Assim sendo, onde existe a presença de naturismo nessa atitude? É muito claro que esta é uma atividade que está muita “aquém” do naturismo. Portanto, está provado que a expressão usada é altamente deturpada e praticada no seu total antagonismo.

Mas, o que mais me preocupa, e traz a minha total indignação, é o apoio que esses eventos recebem das diversas entidades e associações que representam o interesse dos naturistas no País, vislumbrando assim um quadro de total alteração nos objetivos dessas entidades. Pior é que essas associações vêm se fortalecendo com a participação em seus quadros de pessoas que não têm a menor característica da filosofia, demonstrando uma alta deformação dos propósitos iniciais firmados por quem os introduziu.

Sinceramente, estou com elevadíssimas cismas sobre o FUTURO DO NATURISMO BRASILEIRO.

Nelci-Rones Pereira de Sousa
Naturista.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Memórias de Ilha Grande

No site do Jornal Olho Nu, lemos hoje que:

Neste final de semana passado a famosa e bela Ilha Grande, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, recebeu um grande grupo de naturistas paulistas e cariocas para fazer turismo. Embora não haja nenhum local oficial na região onde se possa ficar nu, os visitantes descobriram locais desertos e tranquilos para a prática de nosso estilo de vida.

Pode ser. Mas não foi sempre assim. É bom relembrar o local mais oficial de Ilha Grande, seu estabelecimento mais famoso, ou pelo menos mais notório: o Instituto Penal Cândido Mendes, ou Colônia Penal Dois Rio.

Um dos detentos mais famosos foi Graciliano Ramos, e o lugar é descrito no seu "Memórias de Cárcere", que tirei do estante ao ver a nota em Jornal Olho Nu, lembrando um trecho do livro, mas que parece anterior ao transferência para Ilha Grande:

Graciliano Ramos
Numa dessas passagens matinais deu-se coisa burlesca. Diversas pessoas no Pavilhão, sem querer, entregavam-se ao nudismo. Saíam do banheiro, iam secar preguiçando nos cubículos, andando na Praça Vermelha, e esqueciam-se de vestir-se. Estava assim Newton Freitas, oferecendo a um magote ocioso conversa loquaz e gargalhadas imensas, quando se entreabriu a cortina de lona e a figura de Eneida apareceu. Com impudência tranqüila, o homem deu um passo e cumprimentou.

- Você está decente para falar com senhoras, murmurei tocando-lhe no ombro.

– Puxa! Com os diabos!

Recuou, quis envolver-se na toalhinha de rosto, mudá-la em tanga, acocorou-se rapidamente por detrás dos companheiros, morta a alegria num instante, encabulado em excesso.

Vol 1, pp 210-211

Umas das "senhoras" ele identifica na mesma página como Olga Prestes. Fala bastante do Barão de Itararé, também preso pelo polícia de Vargas. Uns anos antes, Itararé tinha impresso no seu jornal em fascículos a história de João Cândido, herói da Revolta da Chibata, e em seguida foi sequestrado e espancado por oficiais da marinha. Voltou à redação e afixou uma placa na sua porta: "Entre sem bater".

Impossível não mencionar a presença do Barão de Itararé na Ilha Grande, comentando uma visita pelo Marquês de Abricó!

Outro preso em Ilha Grande foi Fernando Gabeira, autor da "Lei Gabeira" que legalizaria naturismo no Brasil. O projeto de lei afundou com a prisão do então presidente da FBrN, Dr. André Herdy, sob acusações falsas. Vale lembrar também a prisão do ex-presidente de Sonata, Nelci Rones, outra prisão sem evidência, mas que serviu como pretexto para diminuir em dois terços a extensão da área naturista da praia de Tambaba.

Vimos então que na Ilha Grande naturismo não era raro no presídio - e que no Brasil, naturistas não são raros nos presídios. E falamos aqui somente dos inocentes. Imagine quantos terão quando os culpados começar cumprir regime em que o "banho de sol" é somente uma hora por dia!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Carnaval, Children, and Naturism

Carnaval, like soccer, is an Brazilian obsession. Some people live and breathe Carnaval, preparing all year round for five nights of dancing, or an hour's parade. And despite the sensuality of Carvaval, childern grow up involved. Does children's participation in Carnaval differ from their participation in naturism?

"Over the harsh nudity of truth, the diaphanous robe of fantasy" is the subtitle of Eça de Queiroz's "The Relic", and part of the theme of this year's parade of the Imperatiz Leopoldina samba school in Rio de Janeiro. The celebrated phrase can be taken to describe the difference the exiguous costumes of Carnaval make.

What is Carnaval?

The public spectacle of the Carnaval parade in Rio de Janeiro, and its lesser cousins elsewhere, is the face of Carnaval most visible to foreigners. But many cities still have street carnavals, where people dance in agglomerations of greater or lesser organization, a traditional activity that is making a comeback in recent years. And there are closed balls, the televising of which in the early 1980s provoked complaints from the then-president of the Republic. So which Carnaval are we talking about?

The Parades

The parades are a competitive activity, where a fraction of a point can move a "school" - the group that organizes a parade of an hour or so - up to a more prestigious class of schools, or downwards into the bush leagues. Some of these groups are organized by neighborhood, and in São Paulo many are associated with soccer teams, the fans of which can be fanatically loyal and involved.

During this year's Carnaval in the port city of Santos in São Paulo, a Carnaval float that had just finished the parade escaped its handlers and crashed into a power pole, electrocuting four people and bursting into flames, at about 1:30 in the morning. Among those aboard the float during the parade were 22 children, who were saved by having climbed off ahead of schedule, 75 feet before the accident. TV network Globo spoke with one eight-year-old who said, "God protected me." The school is linked to the Santos soccer team, and the boys on the float were dressed in soccer uniforms.

Inherent physical danger

A Carnaval parade is inherently dangerous. Because of the competitive nature of the event schools are driven each year to try out new and more spectacular effects. A school will put on its parade exactly once, except for the champions of each category, who parade again the following week. There is no full dress rehearsal. The labor is amateur or poorly paid - those who died pushing the float in Santos were paid US$20 for the night. The schools are precariously financed, traditionally by people on the fringes of the law. And of course it's often the middle of the night.

So why do children participate? Because they're part of it. If there are no young sambistas, there will be no middle-aged and then no old ones. A children's wing is usual, and many of those in the drum section are in their teens, at least here in my neighborhood.

The nationally and internationally televised Rio de Janeiro parade is one extreme of Brazil's Carnaval. A browse though Web sites finds this photo gallery of the "Indian tribes" in the Northeast city of Natal, where a heavy presence of children and adolescents is visible (or at least they were the ones who attracted the photographer's eye).  In the city of Recife, where there are also "Indian" groups, this site tells us:

In the midst of each presentation, a mixture of generations forms the identity of each caboclo group. Sílvio Romero, known as Little Silvio, explains that the teachings are passed down from generation to generation. He, who has three children, takes pride in being able to continue the habit inherited from his father. "The Tapuias Chamber of Camaragibe, which I coordinate, is already on its way to the fourth generation. My father, José Boaventura Borges, was part of the Kapinawá Native Tribe".

But can't it be made more child-friendly? Well, the parade takes place at night because many of the effects show up better then: it's easier to make magic. Also, we're in the tropics here, and in the middle of the summer. It's not possible to air-condition an avenue. But it is cooler at night.

The parade does have elements of danger. So does dancing in the streets; there have been incidents with power lines and electrocutions there, too. This year the brakes on a sound truck failed on a hill, and a child was crushed. Children in the US play "American football" and ride bicycles despite the danger.

Inherent moral danger?

The question of moral danger to children is, oddly, touchier than that of physical danger. Here Carnaval and naturism com closer, as naturism carries no special physical danger to children except perhaps the chance for more pervasive sunburns. Skinned knees are just as possible in shorts.

A lot of the women in the Carnaval parade wear very little. That is rather the point. Bare breasts, whether by design or by accident, are taken in stride. This text from rio-carnaval.net explains:

"Even though total nudity is nor officially permitted, sometimes the floats have beauties who are topless or almost nude, men and women, using only body paint, and lot of glitter and a smile."

Could the children parade far from the more "adult" costumes? Perhaps, but the school assembles all together before entering the avenue, and the area of the "dispersion" brings together people removing very elaborate costumes, and those covering up near nudity. The atmosphere can apparently be odd, with the release of the tension of performance, and as people stop being characters and once again are friends and neighbors. And children.

Peladista Joaquim took his son
to a 2013 Carnaval matinee ball

Besides the costume, there is the question of performance. Those on floats gyrate and wave, but those on the street, samba. Sensuality is the goal, and it's achieved. But often a drum section will have a "junior queen". Certainly a mascot rather than a sex object, and wearing a much more substantial costume than her older counterpart (what's the point of baring a chest without breasts?) but she too sambas.

And the balls?

While the parades are for looking at, the Carnaval balls are for getting close to someone. There's a stricter age segregation. A samba school parade may include eight-year-olds, but a ball won't. There are separate "matinees" for kids, where costumes will be your more standard pirates and clowns and such. Brazil doesn't have Halloween, Carnaval is the big chance for children of all ages to dress up - as well as the chance for adults to dress down.

Carnaval balls have long been portrayed as a sort of one-night Sodom and Gomorrah, in many senses: the leading paper Folha de S. Paulo illustrated its social column the Friday of Carnaval with a photo of a transvestite. Once upon a time, an admission ticket was good for one man - and two women.

Waiting for developments in the Colina do Sol case, I languished one Carnaval in Taquara, Rio Grande do Sul. I didn't go to the ball at the traditional Clube Commercial, though I did notice that the Junior Queen's last name was the same as graces half-a-dozen of the larger establishments in town. The ball was crippled by restrictions imposed by the Prosecutors' Office barring adolescents; the last night was cancelled and tickets refunded. But the parade down the main street included teens who were some of the more uninhibited performers, and on the sidewalk I saw a number of teenagers drinking heavily, swigging vodka straight from a bottle.

Why include children?

Carnaval and soccer are Brazilian national obsessions which have a heavy involvement of youth. Not every boy is going to be a professional soccer star, and not every girl is going to the Muse of the Percussion Section. But there are soccer fields where anyone can play for enjoyment into middle age or older, and there is joy in being one of the dozens or hundreds who move in unison in one of the enormous blocks on the floor of the Sambódromo, between the floats. And there are plenty of other places to dance.

The samba schools, the Carnaval "Indian tribes" important in some regions, and the less structured groups see themselves as communities. They have stalwarts who keep the group running from year to year. Many of them have special sections for "veterans", who perhaps cannot stay light on their feet for an hour down the avenue, but have done much in the past, and for whom an honored place is found. They have wings where less precise dancing is needed, in which they sell places and overpriced costumes to tourists, to subsidize those who bring dance and dedication but no money.

And they have have children's wings, and child queens, and wings and tasks for adolescents, or as seen in the "Indian" photo gallery linked above, children and adolescents are mixed in with their parents, relatives and neighbors. For without the young, they will soon have only the old, and the traditions will die.

And children in naturism?

It would be astonishing to see a Brazilian naturist group with the same proportion of children as in the galley of pictures of the Natal "Indian" tribes above, or the number I see if in the months before Carnaval I follow the sound of the drums of the neighborhood samba school or even the proportion of children you see at Sunday Mass.

Opposition by prosecutors and others to the participation of children in Carnaval is sporadic and circumscribed. Banning those under 18 from balls that aren't special matinees is not uncommon. A news search finds that specific permission for an eight-year-old to act as "junior queen" of a percussion section in a Rio samba school. But no such permission was asked for the dozens or hundreds of other children who took part in the same celebration.

Why is the presence of children widespread and officially tolerated in the sensual hothouse of a samba school, but such a lighting-rod for police, prosecutors and family court judges in naturism? We'll loot today at one factor: why are the attacks on children's presence made? We may in the future come back to another issue, which is why do Brazilian naturists, individually and as a group, make no attempt to defend against such attacks?

Looking at the special treatment prosecutors dispense to Carnaval balls, we see that an event that takes place at a specified time in a specified place makes it easy to issue and enforce a ban. You go to the Club Commercial or the Praia do Pinho, you see if there are children or unaccompanied children, and if you find them you threaten someone with legal consequences. In contrast, not only is it difficult to police adolescents drinking on the street, but if you catch them - who do you punish? Who can be threatened with a loss of an operating license, or a punitive prosecution?

A samba school is many things: a public exhibition, a community event, a family tradition, an artistic creation. A Carnaval ball can have some of those elements - as in the once highly competitive costume competitions - but the overwhelming purpose is hedonistic.

Women on Brazilian beaches may wear almost nothing, but they do have if not "the diaphanous robe of fantasy", then at least the concealment of a bikini so diminutive that only "Brazilian waxing" lets it cover pubic hair. From the rear it's possible to buy two bikinis and between them get an all-over tan, suggesting that it's not important than anything specific be covered, but only that something be.

Looking at two specific prosecutorial bans on children and nudism, serves only to show us once again "Over the harsh nudity of truth, the diaphanous robe of fantasy":

In late 2010, the former president of SONATA, the group that manages the Tambaba naturist beach in the northeast state of Paraíba was arrested, supposedly for child pornography.

  • The "evidence" displayed at a press conference included pictures of the man and his naturist family, defaced with black bars - except for his youngest daughter, who prosecutors displayed to the media fully nude. Very odd.
  • Part of the follow-up was an announcement to the media that children would no longer be permitted on the beach. What we've heard here is that the ban in not in fact enforced - it was merely announced.
  • Another effect was a decree by the local mayor cutting the size of the designated nude beach by two thirds; a "pharonic" resort development is being pushed for the environmental protection area behind the beach. Reducing the size of the nude beach was essential to making the resort viable, and the arrest may have been merely to provide a pretext.

In 2007, four naturists, including the president of the Brazilian Federation of Naturism, were arrested at or near the Colina do Sol nudist colony in southern Brazil:

  • Several accusations were for the creation of child pornography; nothing questionable with the supposed victims ever appeared in over 5,000 pages of legal documents;
  • The supposed victims, all in or almost in their teens, denied any abuse (except one, but he lies, as I've documented elsewhere);
  • Meanwhile, nude photos of children taken in the nudist camp, something specifically banned in a consent decree signed with the prosecutors office, appeared in nudist magazines, and even in local general-circulation newspapers;
  • Prosecutors took no action against those in clear violation of the consent decree, neither the child's father (also the club president) nor the publisher, perhaps because the testimony of the guilty, was the only evidence prosecutors had against the four innocents they'd arrested.

In these two cases, the posturing of prosecutors serve to let them appear in the press - and in fact, naturism gets press coverage far in excess of the actual number of people involved. It's great as a megaphone. But in neither case were the announced bans and consent decrees, actually enforced.

domingo, 13 de janeiro de 2013

SOS Tambaba: Como fica a praia naturista?

A praia naturista de Tambaba pode coexistir com o projeto Reserva Garaú? Não, não pode. Pelo menos o empreendedor não tem planos para que a praia naturista continuasse, e o tipo de pessoa que paga o preço de um condomínio destes, não quer estranhos na "sua praia". Afinal, para que serve um empreendimento exclusiva, se não poder excluir alguém? Porque chamar o lugar de "Reserva", se não é para ser reservado?

Lembrando que o blog aqui é de jornalismo, e não de opinião, vamos aos poucos fatos disponíveis nos dois volumes publicados do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)

Qual é o efeito projetado na praia naturista de Tambaba? As palavras "naturista" e "nudista" aparecem muito pouco nos relatórios. Mas temos nas fls 5.40, nos "impactos ambientais",

Em relação a prática do naturismo na praia de Tambaba, acredita-se que o funcionamento do empreendimento na área pleiteada não será conflitante com a atividade, pois entre os equipamentos projetados e a praia de naturismo há considerável distância (mais de 400,0 metros) e uma densa vegetação que proporciona privacidade aos praticantes.

Bem, palavras, depois desenhos. A praia de naturismo fica embaixo das falésias, o empreendimento atrás. Já vimos que o projeto promete com Area de Preservação Permanente, "Faixa de 100,0 metros em projeção horizontal a partir da borda das falésias existentes no setor leste do terreno." É 400 metros, ou 100 metros? Olhamos o vídeo promocional, quando os "Resorts" estão aparecendo, visto do mar. Estamos bem em frente ao parte principal da praia naturista aqui:

Não parece 400 metros das falésias até os prédios de quatro andares, parece? Se tivéssemos a planta na escala de 1:2500, saberemos. Mas a planta faz parte do Anexo III, e Anexo III não foi publicado pela Sudame.

Ainda, a afirmação é cabalmente falsa. O prefeito alterou o decreto para tirar a designação de naturista de toda a praia além das falésias até o rio Garaú. Dois terços da praia naturista já sumiram em função deste empreendimento. Já interferiu, não pode dizer que não vai interferir.

Tapumes durante anos de construção

Há um capitulo inteiro sobre "Medidas Mitigadoras". Estamos obviamente todos a favor de medidas mitigadoras, e estamos a favor de medidas de segurança. Mas devemos ler sobre "Sinalização e Proteção da Área" lembrando que a área é limitado pelo norte pela estrada que vai até o estacionamento, e no leste pelo Oceano Atlântica:

11.2. FASE DE IMPLANTAÇÃO
11.2.1. Sinalização e Proteção da Área

Esta ação é de caráter preventivo e de controle. Mostra-se como o marco inicial da fase de instalação e deve perdurar durante todo o período das obras. A responsabilidade de execução é do titular do licenciamento, entretanto, as empresas contratadas para execução das obras ou para qualquer outro tipo de serviço na área do empreendimento se tornam co-responsáveis, devendo constar como termo de responsabilidades nos contratos entre a empresa licenciada e suas contratadas em qualquer época da fase de instalação a responsabilidade de manter a área sinalizada e protegida.

São recomendadas as seguintes medidas:

  • Colocar placa referente ao licenciamento ambiental do empreendimento na entrada da área ou na área de influência do canteiro de obras. Esta placa deverá ser fixada em local de boa visibilidade;
  • Colocar placa de identificação do empreendimento e do empreendedor, com os respectivos registros junto ao CREA-PB e a Prefeitura Municipal do Conde (modelo – Figura 11.1). Estas deverão conter informações importantes, destacando-se os seguintes dados: nome do empreendimento, nome do empreendedor, extensão da área ocupada, data do início das obras, data prevista para conclusão das obras, Alvará da Prefeitura Municipal, etc.;
  • Colocar placa de sinalização em todos os lados da poligonal da área do empreendimento, indicando propriedade privada e proibindo a entrada de estranhos;
  • Colocar placas de advertência nas estradas de acessos, quando estiverem sendo executadas obras ao longo destas ou no seu entorno;
  • Colocar sinalização de advertência na entrada e saída do empreendimento; e,
  • Fazer o isolamento da área com barreiras de proteção de contato, recomendando-se o uso de tapumes de madeira nos limites de maior visibilidade.

Se a coisa vai em frente, a Lord terá em mão um plano aprovado pelo governo, em que ela assume a responsabilidade, em "caráter preventivo", de fechar a praia de Tambaba com placas "indicando propriedade privada e proibindo a entrada de estranhos". Ora, é um compromisso assumido com o governo, tem que fazer, lamento muito, etc.

Proteção das águas

A empreendimento é enorme. Vai precisar de água. Vem de onde? Vimos nas fls 9.1:

O sistema de abastecimento de água será feito exclusivamente a partir do manancial subterrâneo através de 08 poços profundos que funcionarão por um período de 16 horas diárias. Cada empreendimento do complexo hoteleiro/habitacional será atendido por um poço tubular individual.

É importante, porém, a implantação de um plano de monitoramento hidrogeológico e de controle de efluentes, evitando-se que a exploração mal dimensionada do aquífero ou problemas operacionais dos sistemas instalados produzam efeitos negativos ao meio ambiente, como salinização, contaminação hídrica e grandes rebaixamentos do nível estático.

Estabelece em outro lugar que haverá sistema de tratamento de esgoto próprio.

A praia naturista recebe um número limitada de pessoas, e tem uma pousada, um restaurante, e uns bars pequenos. O tratamento de esgoto deve ser primitivo, mas com o fluxo de pessoas, suficiente.

Uma vez que a Reserva Guará esteja em operação, o cocô dos naturista estaria ainda sendo despejado acima da água que os grão-finos bebem.

Não vejo no projeto nenhum plano de ligar os sanitários públicos da praia de naturismo, ou da pousada ou outras empresas, à sistema de esgoto projetado para Garaú.

Uma vez pronta, o "monitoramento hidrogeológico e de controle de efluentes" constará um problema. Exigir-se-á tratamento do esgoto naturista. A prefeitura não vai fazer, enquanto há eleitor sem água e esgoto. O preço é astronômico. Poder-se-ia oferecer a possibilidade de ligar o esgoto da praia ao sistema da Reserva Garaú, por um preço inalcançável, com um mensalidade insuportável. Há um terreno encravado na área da Lord, onde exatamente difícil dizer sendo que os mapas bons estão no impublicável Anexo III, e o jogo da água deveria servir para forçar o dono a vender.

A pretensão é acabar com a praia naturista

Condomínios fechados tentam privatizar a praia, para evitar "indesejáveis" e para "segurança". Aceitar gente pelada perto de nossas crianças, nem pense. Quem investe tanto dinheiro assim não aceita um risco que poderia evitar. E qualquer coisa diferente ou exótico é um risco. Fala de coexistência possível é conversa para boi dormir.

A falta de provisão para água e esgoto da praia naturista é uma prova que manter a praia não faz parte dos planos. Se for imposto como condição, que o condomínio teria que arcar com as custas de implantar isso, tudo bem. Mas não colocaram, pois não pretendem que a praia continua.

A pretensão de fechar durante a construção está lá com todas as letras. Nunca reabrirá.

Ainda, estudaram muito, mas não há nenhum estudo do impacto do empreendimento na praia naturista. Somente na conclusão aparece um paragrafo para quer quer acreditar, apoiado em dados obviamente falsas.

Todos os dados importantes, estão no Anexo III, que não foi publicado. Desconfio de sigilo.

A praia tem chance?

A coisa tá difícil para a Praia de Tambaba. Parece que a Prefeitura de Conde dançava conforme a musica que a Lord tocava. Há ainda a Sudane que é estadual, mas o Estado é pequeno, e muito é possível. O Ministério Publico Federal é mais difícil de enrolar, mas depende muito do Promotor de Meio-Ambiente que tem competência para a região.

Dificilmente a Lord imagina que vai conseguir permissão para construir tudo aquilo. Vai ser cortado pela metade pelo menos. Ainda assim, com um terço do tamanho, continuará o desejo de privatizar a praia.

Quem toca o assunto para Lord é competente. Convocar na estação alta, para que custaria caro vir é uma tática padrão. Mas consegue que alguém convocasse uma reunião naturista no dia anterior, no outro lado do país, foi uma jogada de mestre. Em vez de estar em Tambaba para opor a perda da praia, os naturistas "oficiais" estão longes, discutindo temas "importantes" com a ratificação de um protocolo. Genial, e deveria ter sido muito barato, também.

Então os caras são competentes.

O que mais preocupa, é que não conhecem limites. A jogado de água e esgoto que vi acima é variação de técnica padrão. É perto da linha que separa "esperteza" de gangsterismo, mas está neste lado da linha. A falsa acusação de pedofilia contra Rones cruzou a linha. Não tenho provas, então não faço acusação. Mas em qualquer crime, procure-se quem se beneficiou. No assassinato de Dana Wayne Harbour na Colina do Sol, os primeiros suspeitos são quem se beneficiou. Na denuncia calunioso contra Fritz e André e seus mulheres, já publiquei quem devia dinheiro para Fritz e parou de pagar assim que suas mentiras colocou seu credor na cadeia.

Na denuncia caluniosa contra Nelci Rones, foi o projeto Reserva Garaú que se beneficiou. Removeu um oponente importante. Serviu como cortina de fumaça para tirar a designação de naturista de dois terços da praia. Para qualquer outra naturista que pense em opor o projeto, serve como a cabeça de cavalho na cama. A qualquer hora, uma outra denúncia falsa de pedofila pode ser feito.

O que fazer?

O primeiro passo, obviamente, é reclamar na reunião de amanha de que sendo que os documentos importantes não foram publicados, a "audiência pública" não vale. Tem que publicar os documentos de "Anexo III"; tem que ter a definição das Terras da Marinha. Seria preciso também levanta o assunto de água e esgoto na área da praia naturista. É preciso assegurar acesso permanente para o público à Praia de Tambaba, e que o acesso continuará durante toda a construção. Ainda, a praia naturista exige o mesmo tratamento de estudo ambiental de que um quilombo ou colônia de pescadores receberia. Simplesmente passou batido no estudo. Foi reconhecido como importante, como recentemente de novo a imprensa nacional reconheceu como importante para Paraíba, mas não foi estudado.

Muitos anos atrás, no subúrbio Freeport no Long Island, houve longa praia do balneário, um quarteirão designado para surfismo (pranchas e banhistas não misturam bem). Ficou em frente de um lote vazio. Veio um boom imobiliário, um caro comprou para construir prédios altos, e queria tirar os surfistas. O motivo? Para usar o slogan "pode nadar no seu próprio quintal". Houve audiência na prefeitura, e aparecerem 300 surfista. Acho que faz anos que não houve tanta gente numa audiência em Freeport, e os surfistas salvaram sua praia.

Pelo jeito, a prefeitura de Condé fará o possível e o impossível para que este projeto acontece. É preciso tentar mais acima, então.

A audiência deve ser anulado e remarcado. Há o suficiente nestes postagens para pode comprovar segunda-feira que a proposta da Reserva Guará é fajuta, que a planta no misterioso Anexo III desmente aqueles "400 metros". Se a Sudame não ouvir o pedido, sobra o MPF.

Mas é tarde. A hora de defender a praia foi quando Nelci Rones foi falsamente acusado. Comprovado a farsa, descobrindo a conspiração, teria descarrilhado o empreendimento. Abandonaram Rones e abandonaram o melhor chance de manter a praia.

Se um dia chegarem na Praia de Tambaba e encontrassem placas de "Propriedade Particular" e tapumes, ou um anjo com uma espada flamejante, saberiam que o preço de pecado é a expulsão do Paraíso.

SOS Tambaba - querem vender a praia toda

O Movimento NU pede socorro urgente para a praia de Tambaba, Paraíba, onde está sediada. A praia está sob ameaça de um empreendimento imobiliário faraônica, sobre qual haverá uma audiência esta segunda-feira.

O jornal local JampaNews já escreveu sobre o projeto imobiliário faz dois anos.

Há uma manifestação no blog PraiadeTambaba, que reproduzimos abaixo, como foi reproduzido no Jornal Olho Nu. O manifesto fornece links ao site do Sudene (Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado de Paraíba), onde há o EIA (Estudo de Impacto ambiental) e RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) do empreendimento.

Onde ficaria?

A área naturista de maior movimento em Tambaba é a praia em formato de meia-lua onde fica a pousada. O aceso é pelo norte, por uma escada que sobe um pequeno braço de pedras e floresta, e pelo sul há mais umas pedras, além dos quais (na época do Congresso Naturista em 2008) é praticado o swing ao ár livre. Esta área além dos pedras era uns 75% da área designada naturista, mas a prisão de Nelci Rones em 2010 foi aproveitada para modificar o decreto para tirar a designação naturista deste enorme faixa de areia. Aproveitada, ou agendada. Eu achava que o empreendimento ficaria nas terras baixas atrás desta faixa.

A presença de 4000 pessoas bem ao lado colocaria uma pressão enorme sobre a praia naturista. A coexistência seria bastante difícil, mas não impossível.

Engano meu. Não é o terreno ao lado. É a Praia de Tambaba mesma, e é a Praia de Tambaba, por inteira.

Pelas palavras, fica no:

O terreno limita-se ao Norte com a PB-08, a Leste com o Oceano Atlântico, ao Sul com o rio Garaú e a este com terrenos particulares.
A planta planialtimétrica, na escala de 1:2.500, encontra-se no Volume III – Anexos.

O decreto municipal que estabelece a praia de naturismo é escrito com outras referências:

Art 2 - fica regulamentado como sendo a área para a prática do naturismo a faixa de terra compreendida entre a pedra dos despachos e a prainha, divisa com a praia da barra de garaú.

Vamos ver em desenhos. Na esquerda, detalhe de "Figura 1.3 – Situação Cartográfica da Área do Empreendimento", e no direto, Google Maps.

Nossos leitores podem achar que a mapa não está muito claro. Concordo, não é, esta na escala de 1:100.000. Há um de 1:2500, 40 vezes mais detalhada, no Anexo III. Mas Anexo III não está no Internet. Talvez pode ser conferido no escritório da Sudema. Mas isso, como mapas de papel, é coisa do século passado.

Voltamos às palavras: "ao Norte com a PB-08". É aquela estrada que leva até o estacionamento. Google Maps dá mais detalhe; verifiquem lá. "Ao sul com o Rio Garaú": aqui não há dúvida, pois o rio está nas palavras do RIA e do decreto, e aparece na mapa de papel e no Google Maps.

"O terreno limite-se ... a Leste com o Oceano Atlântico." Vai até o mar, desde o atual estacionamento no norte até o Rio Garaú no sul. A Praia de Tambaba por inteiro, do norte ao sul, do cabo ao rabo. A linguagem é tão cristalina quanto as águas de Tambaba: o terreno vai até o mar. Quer desenhos? O vídeo do empreendimento claramente mostra as 2:49 a privatização da faixa de areia entre o Rio Garaú e as pedras, com quiosques e barraquinhos:

A privatização da praia de Tambaba

A lei estabelece que a praia é pública; a pratica é igualmente claro: condomínio fechado privatiza praia quando consegue controlar os acessos. A capacidade de controlar o acesso é algo que se procure para estabelecer uma praia naturista, e foi parte do sucesso de Tambaba. Mas serve para condomínio, também. É só trocar a escadinha e trilha para uma cerca de arame farpado, e pronto.

João Pessoa, 09 de janeiro de 2012

Segmentos do naturismo paraibano desde 2007 têm chamado à atenção das autoridades, da comunidade naturista e da sociedade em geral sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento sustentável para Tambaba, pois entende que se não houver um direcionamento quanto ao uso e ocupação do loteamento Barra de Jacumã/Tambaba, poderá gerar conflitos de ordem ambiental e de interferência no naturismo.

Infelizmente não houve até a presente data nenhum avanço quanto ao projeto ideal para Tambaba e, para nossa surpresa já está em via de licenciamento o Complexo Ecoturístico Reserva do Garaú, empreendimento de cunho turístico e residencial que ocupará toda a área do loteamento Barra de Jacumã/Tambaba onde se encontra a Praia de Naturismo. O projeto de grandeza “faraônico” ocupará uma área de 186,79ha, terá capacidade instalada para 8.880 pessoas, será constituído por 4 (quatro) resorts, 3(três) pousadas, 4 (quatro) condomínios residenciais, centro comercial e um clube, que se implantado nesta proporção, ocasionará um grande impacto ambiental com degradação e descaracterização do ambiente costeiro local e poderá por fim a prática naturista, costume que há 22 anos é praticado oficialmente em Tambaba.

Portanto diante do quadro nefasto, solicitamos o engajamento da sociedade em geral, manifestando-se contrária ao licenciamento do empreendimento que de proposta de sustentabilidade ambiental só tem o nome (Complexo Ecoturístico Reserva do Garaú), para que juntos possamos reverter esta situação, garantindo o real desenvolvimento sustentável para Tambaba, preservando o ambiente costeiro e assegurando a permanência do naturismo, que tanto tem projetado a Paraíba e o Brasil no cenário mundial.

Participe da mobilização “Por uma Tambaba preservada e naturalmente nua” e manifeste-se contra o licenciamento do Complexo Ecoturístico Reserva do Garaú na AUDIÊNCIA PÚBLICA QUE SERÁ REALIZADA NO DIA 14/01/2013 (SEGUNDA-FEIRA), ÀS 15h00, NO SALÃO PAROQUIAL DA IGREJA MATRIZ DA CIDADE DE CONDE/PB.

Naturistas Unidos movimentoNU

IMPORTANTE Acesso ao EIA/RIMA (Complexo Ecoturístico Reserva do Garaú). http://www.sudema.pb.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=754&Itemid=100051

Vídeo sobre o empreendimento:
http://www.youtube.com/watch?v=xlqZxeW469Y

Órgão responsável pelo licenciamento ambiental:
Superintendência de Administração do Meio Ambiente - SUDEMA
Superintendente: Laura Farias
Av. Monsenhor Walfredo Leal, 181 - Tambiá - João Pessoa-PB
CEP 58.020-540 - CGC 08.329.849/0001-15
emails: sudema@sudema.pb.gov.br / sudema.paraiba@gmail.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Naturismo e denuncismo

Ouvimos, de vez em quando, "O que isso tem a ver com naturismo? Porque estes postagems compridas, cheios de detalhes e documentos, em vez de simplesmente dá a data e local do próximo churrasco, que é o que interesse?"

Defendo, hoje, a relevância.

Em dezembro de 2007 Dr. André Herdy e Fritz Louderback foram presos, baseado em falsas denúncias de pedofilia partindo dos seus devedores e desafetos da Colina do Sol, de crimes negados pelas próprias "vítimas" e pelos laudos do Instituto Criminalística.
 
Em  dezembro de 2010, Nelci Rones foi preso perto de Tambaba, sob falsas acusações de pedofilia, a promotoria apresentando fotos naturistas da própria família de Rones. Na mesma época, a prefeitura reduziu o tamanho da área naturista em mais de dois terços, e a administração da praia foi alterada pelo município.

Em dezembro de 2011, Valdir Nei Hardtke de Melo denunciou que ele era alvo de ameaças, de que seria denunciado por pedofilia. Acabou fechando o ONG Naturista Praia do Pinho.

Tambaba, Praia do Pinho, e Colina do Sol figuram em qualquer lista de áreas naturistas importantes do Brasil. Dirigentes dos três sofreram acusações falsas de pedofilia, ou pelo menos a ameaça de acusações, e Dr. André Herdy era o presidente do FBrN quando foi preso. As acusações no caso Colina do Sol partirem de "naturistas"; Valdir apontou "pseudo naturistas".

Aparece hoje na lista Peladistas a notícia de sr. Mário (cujo sobrenome não dou, pois ao meu entender não saiu na mídia) que já se descreveu como "sócio fundador da Colina do Sol", de que ele foi processado, e condenado, por andar nu na própria casa. Conforme ele, a denúncia partiu não de "naturistas" mas de vizinhos.

A delegada Eunice Bonome do Nucria em Paraná, onde se me lembro corretamente, Mário mora, já avisou que : "A maioria dessas queixas envolve brigas de casal em processo de separação, intrigas de vizinhos e vingança pessoal."

Joaquim em resposta, lembrou que " Temos o caso do Nelci-Rones em Tambabá, as acusações feitas contra o Valdir, contra uma mãe no Rio de Janeiro que ficou afastada da filha por um ano, aqui em Campinas, São Paulo ..." incluindo casos em que naturismo  levou a acusações de pedofilia. Quando o caso não dá na imprensa, evito comentar, para não piorar o problema.

Quando eu era pequeno, ouvindo de como pessoas na antiga Alemanha Oriental vigiavam e denunciavam vizinhos, amigos, e até a própria família, não entendi porque fariam isso. Depois de ver campanhas aqui no Brasil com propagandas no TV e pôsteres no ônibus, incentivando todos a denunciar pedofilia,  o mal máximo, entendi um pouco melhor.  

O leitor pode não gostar - eu também gostaria que não fosse o caso - mas não há como negar que falsas denúncias de pedofilia fazem parta do ambiente naturista no Brasil. E gente vai preso por isso, ainda inocente. E os autores das falsas denúncias, são recebidos como sorrisos e festa em todas as áreas naturistas do Brasil.

O que pode ser feito? Aqui postamos uns textos, com exemplos, mostrando que até os mais respeitáveis veículos do Brasil publicam fotos de crianças peladas. Crime não é. Estas matérias são para informar os leitores, mas também para ficar disponíveis publicamente para qualquer um que de repente precisar comprovar para um juiz, que isso não é crime.

Estes textos só focam a questão de foto pelada. "Pode andar nú em casa?" foi parte da questão no caso de Rones, e conforme Mário, o total do problema dele. O que é realmente preciso é uma serie de pareceres, de juristas prominentes. Algum ONG que defende naturistas, seria o caminho óbvio.

Mas deve der feito rápido, antes que prendem todos.