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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Huck e Jim e liberdade e censura

Ernest Hemingway definiu o lugar na literatura americano de Huckleberry Finn quando disse, "Antes não havia. Depois não havia melhor."

A aventura do adolescente vadia Huckleberry Finn e do escravo fugido Jim acontece, fisicamente, numa balsa descendo o Rio Mississippi, maior do país, entre floresta nos margens e debaixo do céu. Livres, buscam escapar de um estado em que Jim é escravo, para um onde a escravatura é banida.

Muitos são os símbolos da liberdade do par no livro. Um é de ser livres de roupa. Na tradução de Monteiro Lobato, no capítulo XIX:

Eu preferia andar nu, sempre que os mosquitos deixavam, pois as roupas que me dera a família de Buck eram demasiado boas para serem cômodas; ademais, sempre gostei de andar à frescata.

Como qualquer grande obra de arte, Huckleberry Finn continua a provocar. Provoca mentes grandes para mostrar sua grandeza, e mentes pequenas a mostrar suas limitações.

A "palavra N"

O exemplo mais comum nas últimas décadas é o uso pelo Mark Twain de o que vou aqui chamar (para não provocar a censura automatizada de Blogger) "a palavra 'N'", que provoca em gringo a mesma histeria que "macaco" provoca em brasileiro.

O livro é profundamente anti-racista. Huck, num certo momento, veja a possibilidade de ganhar uma grana e cair nas graças da sociedade, entregando o escravo fugido Jim em troca de uma recompensa. Escreve uma carta apontando onde encontrar Jim e "pela primeira vez na minha vida senti-me limpo de pecados e vi que já poderia orar." Mas depois um longo debate interna, resolve: " 'Pois assim seja: irei para o inferno!' e rasguei o papel."

Mas há quem não consegue enxergar além da 'palavra N'".

E a nudez

Apesar do nudez de Huck e Jim estar explicito no texto (ainda que Lobato refere somente ao Huck, no original ambos são "quase sempre pelados"), nas edições ilustradas, inclusive publicadas sob o batuca do próprio Twain, eles parecem vestidos. A palavra tem mais liberdade do que a imagem.

O museu Whitney está abrindo um prédio novo no sul do Manhattan. Encomendou de Charles Ray uma escultura para a praça que fica ao lado de uma entrada ao High Line, um espécie de Minhocão que virou parque linear para pedestres. A proposta em tamanho maior que o real, três metros, é de Huck e Jim, na foto acima.

O Whitney andou para trás.

Uma matéria explica que o diretor e curador gostaram a escultura mas "... ficaram preocupados que a imagem de um negro pelado junto com um menino branco pelado, não importando a inocência ou histórico, ofenderia que passava, que poderia nem saber nem se importar com o contexto." Arriscado colocar genitália masculina onde poderia ser visto por quem estava de passagem, que não era "público de museu". Queriam colocar dentro do museu. Ray acho importante não somente que Huck e Jim estava sem roupa, mas que estava de céu aberto. Procurou outro lar para a escultura.

No meados do ano passado, a escultura preliminar - ainda não o final de aço pintado - estava no Art Instituto of Chicago até outubro do ano passado. Mas, de novo, dentro do museu, com o par com as costas para a janela, preservando quem esteja no lado de fora da visão de genitália.

Há uma excelente matéria sobre Charley Ray, e a dificuldade em encontrar um lar para a escultura, no New Yorker no ano passado.

Raça

Importante para entender a dificuldade de aceitar a escultura num lugar público, é o peso de raça no mente norte-americano (desde sempre) e o papel de sexo (faz umas décadas). É importante para americano que a escultura representa um adolescente branco e um adulto negro. Se os dois fossem da mesma raça, ou as raças invertidas, incomodaria menos. É difícil acreditar e impossível explicar, mas é verdade.

Há várias fotos da escultura online. A mais comum, que escolhi aqui, esconde a genitália de Huck (ainda sem pentelhos), mas mostra a de Jim, bem dotado por sinal, que talvez faz parte da dificuldade americano com a escultura. Procurei uma foto mais equilibrada, mas aí notei que nesta foto, não somente observamos Jim, mas estamos enfrentando o olhar dele. Não há maneira, a não ser de se agachar, que permite ver o cara de Huck.

Esculpidos em aço

Versões preliminares da escultura foram feitas em fibro de vidra. O final será em aço esculpido por máquina computorizada, técnica recente, diferente de fundição.

Esculturas fabricadas com a ajuda de maquinas e assistentes, usando técnicas que não são os tradicionais, são arte? Um dos destaques da autobiografia de Benvenuto Cellini é quando ele conta da fundição da sua Perseus com a Cabeça de Medusa. Houve uso amplo de assistentes, e quando o metal ameaçava coagular, Cellini jogou todos os pratos de estanho de casa dentro. A inovação na fabricação sempre foi parte do trabalho do artista. E Cellini também fez modelos preliminares.

Sexo

Das citações acima, e da própria trajetória da escultura, inegável que há controvérsia, e que isso foca no nudez; no nudez sendo masculino; e que se trata de homem negro com menino branco; e há quem implica com o tamanho do pinto de Jim. Nossos leitores presumo por ser naturistas encarem o nudez simples sem drama, e por estar lendo em português, estão livres do histórico racial do norte-americano.

Para muitos que visualizem a escultura, há um elemento sexual no par. As vezes isso vem do observador - um crítico escreveu do bairro do novo Whitney, e reclamou do novo-chique do bairro, lembrando em detalhe dos antigos redutos gay da região.

Procurar um elemento sexual na amizade entre Huck e Jim é uma coisa do momento, o momento sendo a consolidação de conquista de direitos pela comunidade gay. Cinquenta anos atrás apoiar tais direitos carregava riscos e exigia coragem; hoje não aderir é o que leva risco. Não há ortodoxia mas rígida do que a que ontem foi heresia. Enxerga-se a consciência gay onde nem existe, então. E aqui não existe.

Huck é ainda pre-adolescente. No Tom Sawyer ele e os amigos consideram um carreira como piratas, inclusive sequestrando mulheres, mas a atitude deles para com as mulheres falta qualquer elemento sexual. Twain termina aquele livro dizendo:

Assim termina este conto. Sendo estritamente a história de um menino, precisa terminar por aqui; a história não poderia ir muito além sem ficar a história de um homem. Quando a gente escreve um romance sobre gente grande, sabe exatamente onde parar - quer dizer, com um casamento; mas quando escreve de jovens, precisa parar onde melhor puder.

Para Huck ainda não chegaram as preocupações de amor. Do lado de Jim – e parte do que incomoda da escultura é que o lado de Jim importa sim, só com esforço enxergamos a cara do Huck – seu sonho é ficar livre, e trabalhar para poder comprar a liberdade da sua esposa e filhos, de quem foi vendido separadamente. A heterossexualidade de Jim é explícito.

Ray, que vive em nossa época não na de Twain ou do livro, antecipava que havia quem faria esta leitura, e perguntou no catálogo da exibição em Chicago, "O observador consegue navegar a política sexual?" Ele já teve outras esculturas banidos de lugares, ou tirados de lugares, porque alguém não gostava. E parece que, para ele, faz parte de fazer arte.

Se o arte mexe com os sentimentos de alguém, é porque é arte. Se alguém enxerga no arte seus próprios desejos, ou seus próprios temores, é porque é arte. Arte é para provocar, mesmo.

Obviamente, há quem prefere não ser provocado. Pelo arte, ou por argumentos ou dados que refutam as teorias que já adotou. Há nos EUA atualmente um respeito exagerado ao quem se sente ofendido, e o argumento de "pensar nas crianças" é usado para inibir qualquer manifestação de pensamento que não seja do mais comum, ou do mais fraco. Se o museu não pode hoje colocar na porta o que alguém poder interpretar mal, não confio que amanha poderia exibir no lado de dentro o que provoca.

Estrelas

Ray não disse que a significada da escultura esteja somente no mente do observador, posição que sempre achei babaca: se a obra não tem significada própria, o que preciso com barulho? O título já refere ao livro de Twain. Ainda, ele oferece que a postura dos dois reflete um parágrafo específico, que segue o parágrafo com que começamos o postagem, falando do nudez. O que o Huck da escultura tem na mão é ovos de rã:

Por vezes éramos únicos senhores do rio, durante grande parte da noite. Ao longe destacavam-se ilhotas e bancos de areia. Era freqüente lobrigarmos uma ou outra luz - lâmpada a arder por trás da janela de uma casinhola, ou lanterna de uma balsa ou lancha - ou escutarmos os acordes de um violino, ou as cantilenas provindas dessas embarcações. Como é delicioso viver em balsa, sob um céu tauxiado de estrelas! Deitávamo-nos de costas e punhamo-nos a debater se elas tinham sido feitas ou não. Jim era de parecer que as estrelas haviam sido feitas, e eu, que não. Imagine-se o tempo necessário para fazer tantas estrelas, uma por uma! Jim também achava possível que a lua tivesse "posto" as estrelas, o que era mais razoável, pois eu já vira uma rã pôr centenas de ovos. Também gostávamos de ver as estrelas caírem. Segundo Jim, eram estrelas goradas, que a lua jogava fora do ninho.

Umas das obras mais antigas do homem, como Stonehenge, foram feitos para entender as estrelas. A curiosidade é eterno, como é o desejo de liberdade — e como, infelizmente, o desejo de restringir a liberdade do próximo, e impor em todos os próprios mores e costumes. Huckeberry Finn faz parte do psique americano, e faria até durar o amor à liberdade. A preocupação como certas palavras é passageira, como a obsessão atual de enxergar tudo pelo ótica pedófila.

A política sexual de hoje teria sido incompreensível para o homem de ontem, e será visto como divertida pelo homem de amanha, que nem a elevação política de palavra sobre realidade. O livro de Twain aguentará a turbulência atual de censura, e descerá o rio de tempo até águas mais calmas. A Huck e Jim de Charles Ray também aguentará, e encontrará um lugar debaixo do céu, a frescata.

sábado, 6 de outubro de 2012

O que a Mulher gosta?

A presidente Dilma está na capa da Folha de S. Paulo de hoje, admirando a "Medusa Morta" de Carvaggio, na abertura no Palácio do Planalto da exposição que atraiu fila enormes para o MASP. A legenda cutuca a curiosidade com a informação de que Carvaggio é "um dos seus pintores favoritos", e remete para a Página A6 onde o leitor depare não com as gostas artistas da presidente, mas com o desgosta de vários políticos com o que passa no outro lado da Praça dos Três Poderes, no julgamento no Supremo.
Presidente Dilma Admirando São Jeronimo
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O que é mesmo que a Mulher (pois enquanto como a Folha, rejeitamos a palavra "presidenta", nada temos contra dá para a Mulher o mesmo maiúsculo empregado para o Homem) gosta? Já notamos aqui que quando visitou a exposição  "De El Greco a Dali" em Paris, conforme os jornal O Estado, ela "fixou o olhar com maior demora em três obras-primas sobre crianças feitas pelo pintor impressionista espanhol Joaquin Sorolla y Bastida". As pinturas, notamos, retratavam crianças brincando peladas na praia.

O blog do Planalto foca na exibição mesmo,  mas a frase da presidente é genérica:
“Eu queria dizer que pra mim é um momento especial porque nós estamos aqui numa obra moderna, original, que é o Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, estamos recebendo seis telas de um dos maiores pintores (…) É um encantamento poder permitir que milhares de brasilienses que nasceram aqui ou que visitam essa cidade tenham acesso à essas seis obras (…) Um palácio de governo serve para várias coisas: serve para a gente passar os dias gerindo e se esforçando para governar bem o Brasil; mas deve servir também para que a gente possa expor grandes pintores”, afirmou a presidenta.
A exposição em São Paulo incluiu não somente as seis obras do mestre, mas vários outras da sua escola, incluindo uma reprodução seissentista, muito bem feita, do seu quadro dos trapaceiros de cartas.

Houve muitos santos idosos, notáveis pela delicadeza das aureolas, que pareciam mesmo círculos de luz e não pratos dourados. Houve muitos crânios também, e um número assustador de degolações. Uma das características do Carvaggio é que ele pintava de modelos vivos; onde encontrou modelos degolados, não estou disposto a pesquisar.


Convite de presidente é irrecusável, além do qual o Planalto é muito bem localizado, e a recente reforma do palácio respondia especialmente a questões de segurança física e climatização. E contra roubo, bem, sede de governo conta com esquema de proteção especial.

Mas enquanto Sua Excelência poderia muito bem cede os salões do Palácio para uma exposição itinerante, não teria tem o tempo nem o peso para especificar quais obras vinham para o Brasil.

Algo que faltava no MASP, e assim faltaria no Planalto, foi o nu. Uma olhada pela obra de Carvalho disponível online revela vários nus, não femininos mas masculinos, e geralmente juvenis. Um dos quadros mais famosos do pintor é o "Amor Vitorioso". Não veio de Berlim para São Paulo; obras deste porte raramente viajem.

A acolhimento do Carvaggio confirma o gosto da Mulher para o artista, mas estas obras que vieram, não necessariamente são suas prediletas. Seria preciso seguir seus passos pelas grandes coleções de Europa, para saber o que gosta mesmo. E jornalistas infelizmente são muito menos interessados nas obras-primas que atravessaras os séculos, do que as mesquinhices do momento.

Nem o blog do Planalto interrogou a presidente sobre a arte, talvez porque com vários dos seus antecessores, teria sido uma tocaia. FHC poderia ter respondido sem tropeçar, mas ... melhor nem começar.

Um político norte-americano não poderia ser ligado às pinturas de Sorolla, dado a associação que a mídia faz entre crianças peladas e o cheiro de enxofre. Dilma, sendo brasileira, tem mais liberdade. Já usamos uma obra de Carvaggio para ilustrar o outro blog, faz um bom tempo, com um Jesus criança e pelado, pisando no serpente. O uso do nu infantil era corriqueiro na Renascença. Até parece que para preencher qualquer vazio numa pintura religioso, ou de qualquer outro motivo, uns puttis  peladinhos sempre cabiam. Não chegou, ainda, ao ponto de que qualquer artista que pintou criança nua tem até seus santos olhado como suspeitos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"Eu gostei aquela pintura", disse Dilma

Quais foram as pinturas que encantaram Dilma Roussef em Paris? O Estado de São Paulo ("Já foi um grande jornal") de quinta-feria informa que ela visitou a exibição "De El Greco a Dali" no Museu Jacquemart-Andre e que:

Lá, fixou o olhar com maior demora em três obras-primas sobre crianças feitas pelo pintor impressionista espanhol Joaquin Sorolla y Bastida. "Eu gosto daquela pintura. Pare de novo para vê-la", aconselhou Dilma ao secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, que a acompanha na visita a Paris.

Na site da exibição, a foto 6 mostra um parede com três pinturas de crianças de Sorolla:

A pintura na esquerda é "En la playa":


A do meio, "Nino En Las Rocas Jarea", somente encontro em um lugar, e com a imagem digital oferecida somente mediante pagamento:


O terceiro imagem não encontro no internet, mas o assunto é de novo um dos preferidos de Sorolla, crianças peladas no mar.

E, parece, um assunto que agrada Dilma Roussef, também.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O ATOR E O NATURISMO

Publicado originalmente em http://atrizrosanabentto.blogspot.com/


Pelo que compreendi, na visão de Luís Otávio Burnier, o ator precisa estar o mais próximo possível da natureza.
Uma cidade pequena, com rios limpos, cachoeiras, abundância de árvores e pássaros, presença de animais, pouco ruído humano e muitos sons da natureza, ou então um espaço onde tudo isso foi preservado ou organizado para receber pessoas de cidades grandes onde o barulho humano predomina. Num lugar onde o silêncio (ausência de barulho de máquinas operadas pelo homem) é o maioral, é desse lugar que Otávio fala. E daí? Por que relacionar isso com naturistas e então com os atores?
Bem, num espaço onde a natureza pode se manifestar, quando digo natureza digo tanto do ser humano quanto vegetais e animais, o movimento pode ser percebido com mais atenção. E, como o foco aqui é o naturista e o ator, a movimentação do corpo humano é que é observada com mais carinho. Essa mobilidade pode ser aproximada do movimento das águas, dos ventos, da liberdade dos pássaros. Os cinco sentidos libertam-se. Logo, é possível sentir essa natureza tocando o corpo com mais propriedade, pode-se sentir esse contato com o belo: sentir o calor do sol, a água da chuva ou o vento tocando a pele; sentir aromas de flores, terra molhada ou simplesmente de um gramado que acabou de ser cortado; ouvir o cantar dos pássaros, do balançar das folhagens, da água da cachoeira; ou ainda não ouvir nada e estar em perfeita comunicação com toda essa natureza por meio do silêncio enquanto se faz parte desse cenário. Ao perceber que como ser humano fazemos parte desse cenário, automaticamente nosso organismo, nosso corpo, com os sentidos aguçados, responde com alegria, agradece o prazer recebido por meio de uma "comunicação bela, singela e silenciosa. Sentida com a alma e com o corpo" (L.O.B). E aí aparece a comunhão. O humano em comunhão com a natureza. Não falo de algo que só buda consegue. Isso de que Otávio fala, qualquer pessoa que saia dessa piração que é a cidade grande e vá para um lugar mais afastado, silencioso, com uma natureza mais expressiva, sente, só depende de como essa pessoa vai aproveitar isso. As vezes ela não racionaliza a coisa, apenas sente, outras vezes ela sente e pensa, reflete sobre isso e começa a perceber como o organismo responde à agitação e à calmaria, como o corpo responde à beleza e à feiúra dos ambientes, como o corpo recebe situações agradáveis e rejeita outras desagradáveis, etc.
Todo esse contexto de maior aproximação do homem com a natureza, nos dias de hoje parece ser um privilégio do naturista (aquele que segue toda uma filosofia e não aquele que apenas tira a roupa e já acha que é deus), ele é que está alguns passos adiante quando se fala em entrar em comunhão com a natureza. E o naturista o faz desnudo. Então parece adiantar-se em dois sentidos: primeiro despe-se com facilidade das roupas, e das máscaras sociais, e segundo harmoniza-se com a natureza, e com sua própria natureza.
Onde fica o ator nessa história? bom, esse é o indivíduo cujo corpo é o item mais importante na execução de sua tarefa. E, para que represente personagens da maneira mais adequada possível, para que seu corpo/instrumento esteja o mais afinado possível, deverá conhecê-lo muito bem, saber o mais que puder sobre as ações e reações de seu corpo diante de situções diversas, ou então estar o mais preparado possível para deixar seu corpo agir naturalmente, ouvindo, reconhecendo e respeitatndo tais reações (diante de: frio, calor, alegria, ódio, raiva, tristeza, compaixão, amor, etc.)
Nesse sentido, o ator pode ser aproximado do naturista, não para ser comparado positiva o negativamente, se é mais ou menos em si, que o naturista, mas para se ver que é positivo para o ator, frequentar ambientes naturistas por causa da harmonia com a natureza (vegetal, animal e humana). (Isso se não tiver um Zé mané que leve auqueles axés pra tocar em último volume. Aí eu fico impaciente. Tá vendo? Uma reação natural do meu corpo. Ele quer tranquilidade e calmaria e de repente um axé no último volume. Irritações à parte.) O ambiente naturista é praticamente um laboratório para o ator, tanto para recarregar suas energias quanto para observar esses aspectos relacionados ao trabalho de conhecimento e reconhecimento do próprio corpo.