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sexta-feira, 29 de junho de 2012

O jornalismo de qualidade

Já visitamos duas vezes o processo contra Marcelo Pacheco da revista Brasil Naturista e do site www.pelados.com.br por ter colocado na capa da revista um menor, sem a devida permissão dos seus pais.  Já vimos a explicação de que não é preciso permissão dos pais e que naturista nem liga em ser fotografado; e vimos o tamanho do império mediática de Sr. Pacheco: 310 cópias vendidas da revista trimestral, e rendimento mensal média conjunta da revista e portal de R$3.707,05.

Dinheiro é somente uma maneira de avaliar um empreendimento. Comparar a Praia de Abricó ao Mirante do Paraíso em termos de faturamento é descabido. Mas um comparação em número de frequentadores até vai.  A descompasso entre resultado financeiro e qualidade do produto é especialmente acentuada em jornalismo, pois os jornais tipo "espreme, sai sangue" tendem a ser os mais populares.

Onde os advogados de Sr. Pacheco encontraram informações?

O Brasil Naturista e www.pelados.com.br são boas fontes de informações naturistas? Bem, os advogados de Sr. Pacheco anexaram ao processo várias informações naturistas. Para mostrar que Luciano, o pai do menino, morou na Colina do Sol, citaram www.calunia.com.br nas fls 46-47 do processo. Para mostrar que foto de criança pelada não é crime (acho que é isso que estavam tentando comprovar) citaram ensaio deste blog Peladistas que foi re-veiculados no Jornal Olho Nu, nas fls 49-50 do processo.  Nas fls 50-51 é a vez do site Naturistas Cristãos. Há, também, nas fls 51-50 a carta encaminhado para o Ouvidor Nacional de Direitos Humanos com o relatório escrito por Sílvio Levy e por mim.

Vimos, então, que os advogados de Marcelo Pacheco, procurando boas informações sobre naturismo no Brasil, os encontraram não no Brasil Naturista, mas nos concorrentes grátis do seu cliente - e geralmente em matérias da minha autoria.

Onde entra Brasil Naturista? 

Os defensores de Marcelo Pacheco citam suas próprias publicações somente ao dizer que a foto do filho de Luciano é "contextualizada", e fornece um login para que o meritíssimo juiz poderia conferir isso por conta própria. Infelizmente, o login não funciona, o magistrado ficando sem condições de "passear" pelo site, algo que seu cargo de trabalho provavelmente nem permitiria.

O que diz a defesa?

Nosso trabalho jornalistica aqui é de explicar: de comparar documentos, depoimentos, e outras evidências, e assim separar os fatos das "versões". Um bom exemplo disso é que, na onda de falsas acusações de pedofilia pelo qual Brasil passa atualmente, peça-chave é sempre o "laudo psicológico" ou psiquiátrica que "comprova" abuso.

No Caso Colina do Sol, comprovamos que a "psiquiatra" nem psiquiatra era; e quando os filhos de Sirineu foram entrevistados por psiquiatras de verdade, sua conclusão de que poderia ter tido abuso, foi baseado num relato da escola de perda de rendimento escolar: mas há duas escolas no Morro da Pedra, e o relato era de uma, e os periciados estudavam já faz muitos anos, na outra.

Analisamos também os registros públicos dos negócios de Celso Rossi, como na Junta Comercial ou no Registro de Imóveis, e vimos a realidade das suas transações.

Porém, tinha um realidade lá para desvender, que geralmente não era o que Celso dizia que era. A vantagem de registros públicos é que exigem que ele se encaixe no mesmo molde de negócios do restante do mundo.

No caso da defesa de Pacheco, não há o que explicar para meus leitores. Os advogados dizem que fugir de Oficial de Justiça durante 3 anos, serve para escapar de culpa. Advogados me falam, que não é assim. Disse que tinha permissão do "padrinho" da criança para usar sua imagem; o advogado de Luciano juntou a certidão de batismo do pequeno, e o padrinho é outro. Disse que naturista nem liga se foto sua ou do seus filhos seja publicada, e meus leitores naturistas tem mais conhecimento disso do que eu.

Do restante dos argumentos, não entendo o que os advogados estão dizendo, se realmente estão dizendo algo. Parece que o argumento é "Se alguém foi acusado de pedofilia, a Justiça deve fechar suas portas não somente para ele mas para todos seus amigos e conhecidos". Creio que o argumento não procede. O Fórum de Taquara parece que tem uma crença divergente da minha, e por isso mesmo Luciano resolveu reivindicar os direitos do seu filho em outra comarca.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A prática religiosa e as concepções naturistas

Por Laércio Júlio da Silva



13/11/2009
Sem sombra de dúvida, todas as religiões procuram a seu modo reprimir a sexualidade patrocinando uma doentia vergonha do corpo em sua origem. A nudez é tratada e propositalmente confundida com o ato sexual, como se uma coisa tivesse a ver com a outra. Mas é muito interessante observar que a nudez está para a religião relacionada ao proibido, como para o mais sagrado. Basta observar a arte sacra recheada de anjos e querubins na pureza de sua mais plena e santificada nudez.

João Paulo II, quando ainda bispo de Cracóvia, escreveu sobre a matéria (Karol Wojtyla – “Love and Responsability” – tradução de H.T.Willets – Farrar, Strauss & Giroux, N.Y. 1981, pag. 176 e segs.): “O decoro sexual não pode, de nenhuma forma, ser associado ao uso de vestuário, nem a vergonha com a ausência de roupa e a total ou parcial nudez…A nudez como tal não deve ser equiparada ao descaramento físico. A ausência de decoro existe apenas quando a nudez desempenha um papel negativo no que respeita ao valor da pessoa, quando o seu propósito é o de resultar em apetite sexual, no qual a pessoa é colocada na posição de objeto de prazer (p. 190). O corpo humano não é em si mesmo vergonhoso, nem pelas mesmas razões o são as reações sensuais e a sensualidade humana em geral. A ausência de vergonha (assim como a vergonha e o decoro) é uma função do íntimo de uma pessoa (p. 191).” E depois de referir que a vergonha de ser visto nu é um falso decoro, influencia de sistemas perversos, tais como o jansenismo e o puritanismo – não o catolicismo, Karol Wojtyla escreve: “Existe em certo relativismo na definição do que seja a indecência. Este relativismo pode existir devido às diferenças de contribuição peculiares a certas pessoas – uma maior ou menor excitabilidade sensual, um menor grau de cultura moral ou uma visão diferente do mundo. Este fato pode ser igualmente devido a diferenças nas condições externas, no clima por exemplo, e também nos costumes predominantes, nos hábitos sociais, etc…(p. 186). A roupa é sempre uma questão social, em função dos costumes da sociedade… (p. 190). Nesta matéria não existe nenhuma exata similaridade no comportamento de pessoas concretas, mesmo se elas vivem na mesma época e na mesma sociedade (p. 189).” Noutro escrito (citação em Cws 1.3, p. 811) diz o Papa: “As nossas reflexões precedentes não põem em causa um direito…No decorrer dos anos – e sobretudo na grande era da arte grega clássica – houve obras de arte em que o tema era o corpo humano na sua nudez, cuja contemplação nos permite absorver, num certo sentido, toda a verdade humana em sua dignidade e beleza – incluindo a sensual – sua masculinidade e feminilidade”(fonte: Jovens pelo Naturismo).

Os evangélicos são conhecidos por seus costumes religiosos rígidos. Os fiéis dessas religiões, especialmente as pentecostais, sempre tiveram horror a tudo que estivesse ligado a sensualidade, incluindo de tabela a nudez pecadora. Esse dogma gerou costumes ligados à vestimenta dos fiéis, que deveriam cobrir a maior parte do corpo possível, em especial, tratando-se do corpo feminino. Felizmente, existe hoje um movimento crescente de evangélicos naturistas podendo ser tranquilamente acessado pela internet( www.naturistascristaos.org ) que inclui pastores e outros líderes religiosos, que por motivos óbvios condenados pelo dogma, não podem revelar abertamente sua opção.

O naturismo e a prática religiosa nunca foram incompatíveis, ao contrário do que muitos pensam e pregam. Fiéis dos mais variados credos encontram no naturismo o caminho para a purificação espiritual e a tão desejada e almejada valorização da criação divina.

A proposta do naturismo é ampla e não cabe qualquer tipo de preconceito, entre eles o de credo religioso. Entre os naturistas, convivem católicos, espíritas, evangélicos, budistas, afro-religiosos e outras matizes religiosas e filosóficas em perfeita harmonia com a natureza e a cultura da paz.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat