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sábado, 9 de julho de 2011

Colina do Sol - que bicho é este?

A Colina é muitas coisas para muitas pessoas.
Mas no caso, o elefante é branco. 
Esta semana postamos um Communicado da "nova" diretoria da Colina do Sol, uma mistura de informações específicas e omissões significativas.

Sabemos do comunicado que a bomba, que estava no fundo do poço, estouro e foi preciso começar de novo com outro poço. Sabemos (que já sabíamos) que as finanças da Colina estão no fundo do poço, mas ouvimos do He Who Must Not be Named, o presidente sem rosto que emitiu mas não assinou o Communicado, a pretensão de seguir com os mesmos procedimentos que já se mostram ineficazes, e que nos já mostramos aqui e no outro blog, são ilegais.

Uma das questões fundamentais, é "O que é a Colina do Sol?" É condomínio, é atração turística taquarense, é vitrine para o naturismo brasileiro e latino americano, é resort? O Comunicado chega numa resposta simples - é condomínio, ainda que chama de "clube", a diferença sendo que a lei brasileira assegura diretos para condôminos, mas um "clube" pode fazer o que quiser.

A resposta do Comunicado está errada. Como sei? Uma lição das aulas de filosofia no Yale, muitos anos atrás: uma resposta simples para uma pergunta complicada, está errada.

Além disso, quando em 2008 pareceu possível comprar a área da Colina do Sol em leilão judicial - antes que comecei cavar exatamente o que era a área, e desenterrei os esqueletos das fraudes das terras - era preciso montar um "business plan", uma plano de negócios, para que haveria retorno para os recursos investidos, e para re-erguer o empreendimento, arranhado pelas acusações falsas de pedofilia feitas pelos desafetos e credores de Fritz Louderback.

Para fazer tal, era preciso entender o que era uma área naturista, ler sobre equivalentes nos EUA e na Europa, e apareceu nitidamente que o lugar tinha duas vocações: de condomínio de lazer, e de área que recebe visitas. E que na segunda, servia como cartão-postal da cidade de Taquara, onde está instalada, e onde recebe benefícios da prefeitura.

No Brasil, tanto Tambaba quanto o Mirante do Paraíso somente recebem visitas. Rincão recebia visitas, mas as últimas informações que tenho é que o dono de parte da área rompeu a cessão, e agora é somente para os condôminos. Pinho tem a praia que vive de visitas, e ao lado o condomínio AAPP, também em área ocupada e vendida por Celso Rossi, sem antes ter a comprada.

A importância de visitas para a Colina do Sol

O "Comunicado" informou que:
... visitantes. De fato, uma leitura do balanço geral mostra que durante o ano 2010 contribuíram, em termos de taxas de portaria, com a quantia de R$ 22.000,00, um valor bastante significativo.
Como é de praxe com a Colina do Sol, informa muito menos do que parece. Quanto é a taxa da portaria? Que parte deste total é dos grandes feriados e Carnaval? Parece que na Praia do Pinho, o Carnaval (que é menos para naturismo do que para libero geral) paga as contas do empreendimento para o ano inteiro. Misturar as receitas daquela semana com as de outras épocas, não ajudaria entender como funciona o Pinho.

Atualmente, creio que a taxa da portaria da Colina é de R$20 reais, e durante grande parte de 2010 era de R$10. O valor menor daria um total de 2200 visitas durante o ano inteiro. Chutando metade para "grandes feriados", ficamos com 1100; dividindo por 50 fins de semana, dá 22 por fim de semana.

O que eu ouvi, de vários fontes, é que o número de visitas de fim da semana era normalmente de 8, 10, por aí. Se ficassem sábado e domingo, dobra o número de taxas, e chega mais ou menos ao que o Comunicado alega.

Realmente, na prática, não paga nem o custo de manter alguém na portão para cobrar a entrada. A portaria, é claro, serve para outras coisas, como parar oficial de Justiça até que o procurado pode dar um sumiço, ou infernizar a vida dos credores dos Sócios que Recebem, barrando seus visitantes.  


Um caso específico

No último verão, eu estava em Taquara, e um jovem comerciante me falou que pretendia visitar a Colina do Sol. É um rapaz simpático, que em razão dos seus negócios precisa lidar com o pública, tarefa em que é bem-sucedido.

Ele foi para a Colina do Sol, junto com uma amiga que topava a aventura, num domingo de sol. Foram para lá, prontos para pagar a entrada e tira a roupa. Foram barrados na porteira, ouvindo que não tinha ninguém disponível para acompanhar-los para mostrar o lugar, que era preciso ligar antes, marcar, aquela encheção toda.

Foram para outro lugar gastar o seu dinheiro.

Ele voltou sozinho, outra vez, com a mesma resultado. Disse que não volta mais.

Um freguês satisfeito traz outros, um dissatisfeito, espanta dez. A incapacidade de receber o dinheiro de quem chega na porta disposta a pagar, mostra que a situação de visitas à Colina do Sol é bastante diferente do que a Diretoria está contando no seu Comunicado. E este jovem não é a única pessoa com que falei, que foi barrada na Colina do Sol sem motivo. Ou por motivos ligados à politicagem interna.

O Camping e o hotel

Sem a entrada de visitas, como proposta por He Who Must Not be Named, como ficam o camping, o hotel, e o aluguel de cabanas? Os Sócios que Recebem, que acham que a Colina e lhe devem o sustento, vão sobreviver de que? Somente sugando o outro classe de membro, os Sócios que Pagam?

O Comunicado não toca neste assunto importante. Vai ver que há uma exceção às regras para este pessoal, como desde a fundação da Colina do Sol, sempre tinha exceções para certas pessoas, que não precisavam cumprir as regras, mas que poderiam impor rigorosamente regras existentes e inexistentes contra seus desafetos.

Condomínio?

Sr. Fritz Louderback, que fez mais do que qualquer outro para erguer a infraestrutura da Colina do Sol, mantenha que o lugar até poderia funcionar como condomínio, ou como uma combinação de condomínio e resort, nos moldes de Cypress Cove. Ele já foi presidente da Colina, e entende como funciona um condomínio naturista.

Porém, condominio. Regido pela Lei de Condomínios, que garante os diretos dos residentes. Os abusos costumazes do "clube" Colina do Sol, não funcionaria mais com um condomínio. Quem compra, teria direto.

Exageram no dose com Fritz Louderback. Ele reagiu, outros reagiram, e a maneira que funcionava a Colina agora ja é de conhecimento público. Não há mais trouxas para por dinheiro nos "titulos" e "concessões" do CNCS.

O modelo atual foi desnudado para o que é: dois classes de sócios, os que vivem da Colina, e os que são alvos da esquema  "engana, espreme, expulsa", os Sócios que Pagam. Ninguém que tem um conexão de Intenet vai cair mais nesta emboscada. A Colina não pode contar mais com a rotatividade das trouxas.


Mas o que é o plano?

O plano proposta pelo He Who Must Not be Named e pela nova diretoria - que parece é os mesmos nomes de sempre - nós vamos tratar num outro postagem. Mas, já vou adiantar, que há uma palavra para o que é proposta. Há até um capítulo do Código Criminal, o artigo 171.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

FBrN e CNCS: a verdade em falta

Recebi estes dias, repassado por um interlocutor de confiança, a notícia de que o Clube Naturista Colina do Sol saiu da FBrN. Houve uma primeira resposta na lista Peladistas, de que não seria verdade.

Realmente, nem o site do CNCS nem do FBrN, anunciam a desfiliação. Porém, isso não quer dizer que não aconteceu. A lei de omerta de naturismo brasileiro, de que "Não se fala mal de naturismo", é ideal para empreendedores tipo Celso Rossi, e empreendimentos tipo Colina do Sol, onde se alguém fala a verdade, não dá para quem vive disso continuar, e nem dá para quem já caiu na fria, passar o prejuízo para frente.

A verdade em falta

Mas quando todas as notícias vem do mundo de Pollyanna, a notícia toda perde a credibilidade, e perde a utilidade. Durante recente ressaca nas praias do sul, li numa matéria de Zero Hora um aviso do Federação Gaúcha de Surf: as ondas grandes são tentadoras, mas cuidado, ainda que parece que já passou o pior, as ondas arrancam redes de pesca, em que os surfistas podem ser enroscados. Notícia útil, e porque há notícias destas quando a coisa está ruim, quando a associação diga que dá para pegar onda, os surfistas sabem que dá.

Em contraste, a federação de naturismo nem avisa naturistas como evitar ser enrascado em "redes de pedofilia".

Mas, como saber o que está realmente acontecendo dentro da Família Brasil Naturista?  Vamos examinar o que é sabido, e pelas sombras, traçar a realidade.  

CNCS se livrou da diretoria do CNCS

Eleitos para a FBrN na vespera de Carnaval, três figuras da FBrN foram defenestrados dos conselhos do CNCS no domingo de Carnaval: Etacir Manske, Marcelo Pacheco, e João Olavo Paz Rosés. João Olavo, realmente, já tinha caido antes, com sua candidatura desqualificado por causa de dívidas com o condomínio.

Que o ex-presidente (Etacir) e vice-presidente (João Olavo) não foram conduzidas às cadeiras de conselho que pleitearam, em qualquer organização é um sinal de insatisfação das mais sérias.

Sabemos, então, que a Colina do Sol tem fartos motivos de quer distância de vários dos conselheiros da FBrN, e de todo o executivo, o presidente, vice-presidente, "secretária-geral", "diretor de comunicações" e "diretor de relações internacionais", todos sendo da Famila Brasil Naturista. Tem fartos motivos, ou talvez simplesmente estão fartos deles.

Na FBrN, mais que em outras organizações, não há diferença entre a organização e seus dirigentes. Não é somente que os atos da organização são os atos dos seus dirigentes - quer seria o caso até no organização mais nobre e isento - mas os motivos dela são os motivos deles; os fins dela, os fins deles.

Quem não quer os dirigentes da FBrN, não quer a Federação. E a Colina já mostrou, que não quer os dirigentes.

Tó dentro, tó fora ...

O CNCS já encomendou parecer das suas advogadas, de que não é associada a FBrN. Isso foi em 2007, quando a corja temia a fiscalização da FBrN sob seu então presidente, Dr. André Herdy. Encontraram uma maneira mais eficaz de se livrar do incomodo Dr. Herdy, fazendo acusações falsas de pedofilia contra ele.

Então o CNCS já estava fora da FBrN, sem que muito gente ficou sabendo disso. É uma afiliação que assumem quando conveniente, e ponha de lado quando não seja necessário. Mais um menos como uma dama da noite.

O caso Wagner

Quando a Sontata deixou a FBrN em setembro de 2010, eu entendi das notícias da FBrN sobre a eleição de que sr Wagner - aquele de cocar - não era mais conselheiro. Sua base não fazendo mais parte da federação, então nem ele também. Presumi que foi uma maneira de se livrar de Zé Wagner, sendo que tudo é jogo de personalidades na FBrN - a possibilidade de que o estatuto seria cumprido contra a conveniência dos "donos", nunca passou pela minha cabeça. 

Encontrei Zé Wagner de repente no banheiro do camping da Praia do Pinho em março no Congresso FBrN. Não tinha certeza que era ele no momento, pois sem o cargo porque estaria lá? e além disso, estava sem o cocar.


Ouvi depois que ele continuava conselheiro, sim. Pensei que eu tinha me enganado. Depois da eleição do CNCS, que deixou João Olavo, Etacir, e Pacheco para fora, entendi. Se o Wagner continuava, eles poderiam apontar um precedente: se eles próprios foram renegados pelo CNCS ou até expulsos dele, continuariam com o FBrN. Ainda sem o CNCS, poderiam de apresentar como manda-chuvas do naturismo brasileiro.

Ainda um assento

Ainda que o CNCS se retirasse da FBrN, a mercadinho da Colina continuaria associado. Sim, aquele mercadinho, onde Etacir vende secos e molhados, picolés e imóveis, é associado da FBrN e com ele dentro, o assento do Etacir Manske é seguro.

O mercadinho tem, realmente, tanto autonomia como empreendimento naturista, quanto o banheiro do camping da Praia do Pinho. Porque o banheiro não se associa, para poderia votar e assegurar um assento no Conselho Maior da FBrN? E porque um voto e uma assento só? Porque não um assento por cada assento do banheiro de Praia do Pinho, um homenagem ao lugar onde todo mundo é naturista (do que entendo, camisa pode, é a bunda solta que determina naturismo)?

E também, um homenagem ao que o FBrN faz.

Motivos de ficar livre deles

Os sócios da Colina do Sol já mostraram na urna, o desejo de ficar com seus conselhos livres de João Olavo, Celso Rossi (também desqualificado), Marcelo Pacheco, e Etacir Manske. Que querem ficar longe de uma associação dirigidos por eles, também daria para entender.

Enquanto isso, recebo notícias: a Colina do Sol "solicitou sua desfiliação" da FBrN. Bem, Sontata mandou a FBrN às favas, e mandou a notícia para os quatro ventos. É uma confirmação de duas coisas:

  • O CNCS determinou de se desafiliar da associação agora dirigida por seus ex-dirigentes;
  • A FBrN sabia disso, e não contou.

Que outros naturistas ficaram melhor sem esta turma, aqui já demos motivos. E publicamos as provas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Atrás da folha de parreira

Quando Eva mordeu a maçã, a diferença entre pelada e vestida foi o mais inconseqüente das sabedorias que ela ganhou. Aprendeu a diferença entre o bem e o mal, e entre a verdade e a mentira.

Demorei para entender que o naturismo organizado brasileiro acha que Eva mordeu a fruta da Arvore do Nu e Vestido, e não do Bem e do Mal. Acha que tirando a roupa é o principal, e se desfazendo da incômoda folha de parreira, se pode também deixar de lado o verdade e a mentira, o bem e o mal, que incomodam ainda mais.

Pelo menos é assim que agem. 

Abre alas

A abertura do Congresso Internacional de Naturismo na praia de Tambaba em setembro de 2008 foi, como qualquer abertura, simbólico dos evento, dos organizadores, dos convidados, e do lugar. 

Talvez não da maneira esperada.

Fui informado antes do evento pelo Paulo, presidente da Sonata, de que na abertura as bandeiras de todos os países participantes seriam carregados por vinte jovens e moças, voluntários entre os jovens naturistas da Praia de Tambaba.

De fato, na hora (bastante atrasada) da abertura, entrou uma moça e um jovem, vestidos somente com penas, distribuídas com tal frugalidade de que, se fossem porta-bandeiras e mestre-sala, sua escola teria levado multa.

Versões inventadas

Como foi que a abertura foi literalmente decimada, indo de vinte para dois? Fui ver depois, com minha caderna e caneta nas mãos. Recebi as seguintes explicações:
  • Os figurinos chegaram com atraso, e não deu tempo para vestir os vinte.
  • Os jovens eram entre os pagos para trabalhar no evento, e sendo que a abertura demorou além do expediente, foram para casa.
  • Os jovens desistiram na última hora de aparecerem pelados na televisão nacional.
Todas estes explicações foram feitos com grande sinceridade. E, acredito, todas inventadas na hora.

Quem portou a bandeira

Falei com o jovem que portou a bandeira, Leandro se me lembro do nome (hoje é feriado, e não vou me dar o trabalho de procurar meu caderno para verificar), era mesmo funcionário pago pela Prefeitura de Conde, trabalhando no apoio do evento.

Leandro era bem preparado, ou bem rápido no pensamento; perguntado se era difícil ser o único de portar a bandeira, em vez de ser somente um de vinte, respondeu que era uma honra carregar a bandeira do Brasil. Perguntei porque ele foi quando os outros desistiram, e ele falou que cumpre seus pactos. Perguntado o que mamãe acharia vendo ele no TV na maneira que ela o trouxe ao mundo, disse que mamãe seria orgulhosa e feliz.

Leandro não mentiu, ou pelo menos, falou somente sobre os atitudes dele e da sua familia, e evitou criticar os outros que desistiram, e de criticar a organização (ou para melhor dizer, a falta de organização). É assim que se age nestes situações.

Todos tem o direto aos seus próprios opiniões. O que eles não tem é o direto aos seus próprios fatos. Leandro, que carregou a bandeira, falou dos seus opiniões e atitudes, e saiu bem. Os que eram responsáveis pela organização contaram mentiras, e parece que em nada se incomodaram com isso.

Quantos foram a Tambaba?

Quantos foram para o Congresso Internacional de Tambaba? Alguém com experiência em contar o público numa praia, fez isso no dia mais movimentado do Congresso, e meu contou o número, menos de 400. Um concessionário me contou que num fim de semana normal dava mais vendas do que durante o Congresso.

O Sr. Marcelo Pacheco, editor da revista de fotos de gente pelada que sai sob o nome Brasil Naturista, me disse no Congresso que, sendo que foi anunciado que viriam 5.000 pessoas, não se poderia dizer que não chegou a 500, porque o Naturismo já tinha dito 5.000.

Sr. Pacheco tem dito mais de uma vez que eu não sou naturista, que é verdade. Porém, eu posso imitar naturista quando a situação exige, pois dentro da minha roupa, tenho pele. Mas dentro do pele do sr. Pacheco, não há um jornalista, e ele não consegue imitar um.

Ainda bem que os leitores dele somente olhem suas fotos de gente pelada. Não sou assinante do seu site, mas pelos processso que ele está respondendo por uso de fotos de crianças sem permissão dos seus pais, são estas que o mercado exige, e que ele fornece.

O mal que a mentira faz

Mas que mal faz, dizer que há 5000 no Congresso? Bem, pergunte para os vendedores, que pagaram caro para o espaço no evento, e onde num belo manha as vendas totais de vinte lojinhas juntas foram um sabonete. Pergunte para os hoteis de Conde, que ficaram vazios porque muitos visitantes optaram por ficam em João Pessoa, presumindo que com 5.000 turistas Conde já estava lotada.

A verdade é objetivo

Nossa peladista-chefe acabou de escrever sobre o clubinho do peladinho. O atitude do FBrN me lembre de uma história de outra escolinha, esta não de peladinhos.

A sala de aula tinha acabado de ganhar um bicho de estimação, um linho coelho branco. Mas era preciso escolher um nome, e uma das crianças levantou a pergunta pertinente - era um coelho, um uma coelha?

Conversa vai, conversa vem, e uma das crianças sugeriu uma solução: vamos votar!

A FBrN, pelo que vi, persiste na idéia de que perguntas de fato podem ser resolvidos pelo voto. E por eles, não importando a maneira em que a questão esteja formulada, o votação é sempre na mesma base - você é de nossos amigos, ou não?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Você sofre de “normose”?


Por Laércio Júlio da Silva
03/12/2009
A patologia da normose pode ser definida como o conjunto de costumes, normas predeterminadas, conceitos padronizados, valores objetivos e subjetivos empíricos, estereótipos predefinidos, hábitos de pensar ou agir que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade e que provocam a massificação de determinados modos de raciocínio, causando muitas vezes sofrimento, doença e morte. Há pensadores contemporâneos que dizem que o poder castrador de nossa sociedade não é mais de ordem sexual, como defendia Freud, mas sim espiritual, e seu nome é normose - a síndrome da normalidade.

A normose significa assistir a guerras, violências, escândalos políticos como corrupção e desvios de recursos de uma maneira normal, aceitando-os como se fossem fatores oriundos da hipocrisia humana sem que ao menos haja a chance da busca de uma solução aparente. Embora reivindicações por mudanças sejam constantes, ficamos somente no discurso impelidos por uma mídia que valoriza o rápido e o digerível, sem tempo para o raciocínio lógico que preconiza a ação. Formamos assim uma maioria muitas vezes calada e acomodada. Ao invés de curar o mal lutando efetivamente por uma sociedade mais justa, somos tentados a simplesmente desviar do problema e a passar a cuidar somente do nosso próprio umbigo. Algumas vezes os naturistas são taxados de maníacos, diferentes, exóticos, evoluídos e toda a sorte de adjetivos para conceituar uma atitude anormal e fora dos padrões definidos pela “sociedade têxtil”.

Um amigo uma vez me confidenciou que não iria a um local naturista por considerar-se um ser primitivo, incapaz de chegar à iluminação dos que praticavam o naturismo. O pensamento dele se baseia na tese de que os naturistas são seres muito evoluídos em relação aos padrões “normais”!

Existe na maioria da população uma crença bastante enraizada, segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz deve ser considerado como normal e, por conseguinte, servir de guia para o comportamento de tudo ao seu redor.

O fato de estar nu significa um grande prazer para algumas pessoas, no entanto valores provocados pela normose impedem a felicidade de muitos que gostariam de ser naturistas. Esses indivíduos invejam o modo despojado com que os naturistas se relacionam com o mundo a sua volta e lutam dia-a-dia contra preconceitos encerrados em seu íntimo. Ao travarem contato com o naturismo, as pessoas se convencem que a maior barreira está nelas mesmas e tentam vencer a sua própria normose.

É interessante notar como o conceito de beleza corporal pode ser banalizado pela sociedade dita normal. O fato recente de uma estudante em trajes expondo parte do seu corpo fez com que uma multidão de estudantes a seguisse pelo campus. Pode-se observar pela TV que as pessoas iam atrás de algo sem sentido, com a normalidade típica de bois indo para o matadouro. O “anormal” seria se ela estivesse ao natural e completamente nua: a expulsão não seria revogada, ela seria matéria jornalística no mundo todo que noticiaria imagens com uma ridícula tarja na genitália. Com certeza as pessoas não a seguiriam por tratar-se de uma pessoa que evidentemente foge à normalidade!

No entanto o fetiche da sexualidade estava exatamente na pouca roupa ou no muito que poderia ser mostrado. No meio naturista costuma-se dizer que uma mulher com “fio dental” ou um homem com a sunga apertada torna-se muito mais sexualmente apelativo do que a nudez que não encerra qualquer mistério! Quem se “normaliza” acaba adoecendo com bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de enquadramento. Portanto, deixe o normal de lado e seja original: o naturismo ajuda as pessoas a sair da mesmice e a se autoconhecerem em sua plenitude.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.