quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Gatas no mesmo saco

Nelci Rones foi preso perto de Tambaba, faz quase um mês, e até agora o que apareceu contra ele é que ele tinha fotos naturistas de crianças, no maior parte, dos seus próprios filhos. 

Revista QUEM
Parece que ele não está sozinho neste pecado. Em março de 2009, a revista QUEM publicou fotos de Pietro, filho de Giovanna Antonelli e Murilo Benício, tomando banho de mar pelado na praia de Grumari.

Pela lógica da Prefeitura de Tambaba, na praia de Grumari, pode; ao lado na praia de Abricó, não poderia, pois praia de nudismo é impróprio para menores de 18 ...

(Vale notar que o blog do link vende publicidade ligado a palavras-chaves; a palavra "filho" na matéria, leva para a propaganda "Quem não tem Roupa Suja para Lavar que atire a primeira tampinha").

Bauer-Griffin
Ainda, encontramos  uma foto da brasileira Gisele Bundchen na praia com seu filho Benjamin, nove vezes depois que ele veio ao mundo, e ainda vestido da mesma maneira.

Presuma-se que Gisele não falta nem dinheiro para vestir o pimpolho, nem estilista disposta a fazer isso grátis.

É opção mesmo, que assim é a maneira mais confortável para o filho curtir a praia.

Que diferença há entre estes fotos e as de Nelci Rones?

Bem, sem nenhum disrespeito ao Nelci Junior, que nem conheço, uma comparação de fotos do próprio Rones e de Gilsele Bundchen sugere que é provável que Benjamin aos nove meses fosse mais bonitinho que Júnior ao mesmo idade. Ainda que todos os nenês são bem semelhantes tanto na sua beleza quando seu nudez.

Outra diferença é que Nelci está sendo mantido preso para verificar a possibilidade de que seus fotos foram veiculadas pelo  Internet. No caso de Gisele e Giovanna, nem é preciso verificar - já está comprovada, pelos links acima.

A lei é para todos, e deve tratar todos da mesma maneira.

Sugiro, então, que a polícia e a promotoria de Paraíba devem, de imediata, prender Gisele Bundchen e Giovanna Antonelli. Podem até compartilhar a mesma cela de Nelci Rones. Pelo menos isso tornaria mais agradável sua espera para a Justiça de Paraíba 


A filosofia e a filosofia naturista

Fulêncio, vegetariano, faz naturismo, e gosta de surfar e acampar.

Ele segue, então, as filosofias de vegetarianismo, naturismo ... surfismo e acampismo?

Bem, mas não é que sabemos que os primeiros dois tem suas "filosofias", enquanto surfismo é um esporte, e acampar é somente um passatempo?

Mas muitos brasileiros que ganham um salário mínimo deixaram de ser vegetarianos habituais durante a presidência Lula, pois finalmente poderiam comprar "mistura" e não somente arroz e feijão. Enriquecerem a dieta, ou empobreceram a filosofia?

Os Beach Boys pregam que, "Catch a wave and you're sitting on top of the world", uma declaração filosófica clara e enxuta, mais do que qualquer um que já o ouvi de naturista. E se o naturismo tem a ver com natureza, está mais proxima a ela quem acampa de short e camiseta na Mata Atlântica ou quem está nu no Mirante aguardando o barman trazer outra cerveja?

A filosofia analítica

Para examinar mais profundamente a "filosofia naturista", vamos dar uma passada pela filosofia de verdade.

A correnteza predominante da filosofia moderna, a filosofia analítica, preocupa-se com o senso de expressões, e suas conseqüências lógicas. O sentido de frases, mais do que o sentido de palavras: uma cadeia lógica é igualmente valido sendo sobre a modismo de naturismo, ou a filosofia de surf, ou o esporte de acampar: a substituição de uma palavra de conotação mais simpática não faz um argumento de repente mais forte.

Um exemplo já dado neste blog, é a velha pegadinha "Quantas pernas um cachorro tem, de chamamos o rabo de perna?" A reposta é quatro: ainda que é chamado de perna, o rabo continua sendo um rabo.

Só porque chamamos o surfe de uma filosofia, e o naturismo de um esporte, não faz que o surfe seja por isso uma filosofia, nem que o naturismo seja, por isso, um esporte.

Igualmente, ainda que habitualmente fazemos referência à "filosofia de naturismo" não comprove só por isso que existe mesmo tal coisa. Imagine que espalhássemos pelo Internet milhões de referência ao "rabo de naturismo". Ainda que o "rabo de naturismo" fosse amplamente divulgado nem por isso ele passaria a ser minimalmente abanável.

A decepção das palavras

A filosofia analítica costuma traduzir argumentos em lógica simbólica, e ver as conseqüências dos símbolos. Tem as vantagens de que permite examinar os argumentos desnudados das conotações potentes das palavras, e exige que se examine exatamente o que argumento está afirmando.

Traduzindo para lógica simbólico o celebrada prova de Descartes da existência de Deus, verifique-se que o fulcro do argumento é o uso de dois sentido distintos da mesma palavra, como se fossem idênticos. Que não são.

A lógica desempenha para os filósofos a mesma função que a contabilidade serve para as empresas e cada vez mais para os governos: a de manter-los honestos. É pela balancete que sabemos se o presidente do conselho está falando a verdade para os acionistas, e o prefeito municipal para os eleitores.

"Predador"

As palavras são os tijolos e paus que jornalistas utilizam para construir as suas matérias. Não desconfiam da sua matéria-prima. Mais devem.

Ano passado, o delegado Juliano Brasil Ferreira anunciou a prisão na região de Taquara de uma quadrilha pesadamente armada de 40 homens ... com cinco pistolas. Um pistola para cada oito homens não é "pesadamente armada", até porque não deixaria espaço para "levemente armada".

Só porque o delegado disse "pesadamente armada", não quer dizer que é.

Tanto na prisão de Dr. André Herdy em dezembro de 2007, e a de Nelci Rones em 2010, a polícia anunciou que aquilo era "Operação Predador". Se tivesse dado um nome neutro como "Operação Begônia", ou um que descreveu com mais clareza a finalidade da operação, como "Operação Aparecer", a cobertura teria sido diferente.

Um nome de operação é um opção de marketing. Permite que o repórter e o leitor ou espectador já sabe, num instante, do que se trata. Útil quando é correto, pior que inútil quando não é.

Céu e terra

As palavras são traiçoeiras. Bem antes da filosofia analítica (e antes do feminismo) Dr. Samuel Johnson disse que "Palavra são as filhas da Terra, e coisas são os filhos do Céu." A realidade das coisas é muita acima das palavras utilizadas para descrever-la.

Quando etiquetar é conveniente

As palavras são úteis quando queremos transmitir para alguém uma idéia de uma forma sucinta. Quando falamos de uma "estação de esqui", quem ouve já traz junto uma monte de conotações. Em termos de divulgar naturismo, é util que existe o termo "naturismo" e que seja largamente divulgada, e que a palavra traz conotações de uma prática pacata, consolidada, onde você poder trazer as filhas e a avô se quiser.


Porém, enquanto podemos transmitir uma faceta da verdade para os outros com nossas palavras, não devemos transmitir mentiras - como os delegados fizerem com a terminologia "Operação Predador". Conseguirem que os jornalistas e tele-espectadores engolissem as palavras, e não olhassem para a realidade por trás, que era bem diferente. E, ainda que simplificasse para os outros, não devemos aceitar nossas próprias palavras como substituto para a realidade.

A decepção inócua

Dizer que o naturismo é uma "filosofia" ou um "estilo de vida", em vez de um "esporte", uma "opção", uma "prática", ou uma "moda", é, no fundo, inócua. A sugestão de que há algo profundo por trás de uma prática que a grande maioria acharia estranha - como por exemplo ioga ou cooper, ambos de quais já foram bem excêntricos - é uma jogada de marketing antiga e honrada.

Mas não devemos confundir praticas habituais com "filosofia". Toda escola de samba tem uma "ala de baianas" e uma porta-bandeira e mestre-sala; é por força do regulamento, constume e estilo, ou porque a "ala de baianas", e algo que "faz parte da filosofia da samba"?

Filosofia e ética

Vimos, então, que falar da "filosofia de naturismo" é de usar um termo comum, conveniente da perspectiva mercadológico. No senso mais rígido de "filosofia", o naturismo não tem uma filosofia. Dificilmente vamos encontrar um uso da "filosofia de naturismo" e que "o estilo de vida naturista" não caberia igual, ou até melhor.

Em contraste com a decepção inócua da "filosofia naturista" - que não é uma filosofia - temos o "Codigo de Ética Naturista" - que não é um Código de Ética. Enquanto a "filosofia" é não faz mal, o "Código de Ética" é nocivo.

Mas acabou o espaço. Já falamos hoje da Filosofia sem filosofia, e na próxima trataremos da Ética sem ética.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Continuidade no naturismo brasileiro

A continuidade é dado, como a unidade, como motivo para não chutar a FBrN para o lato de lixo, criando uma organização nova para representar, e defender, naturistas.

Brasil tem uma longa tradição de naturismo. Cabral já encontrou o naturismo praticado por todos. A Luz del Fuego personificou naturismo com a fundação da sua Partida Naturista Brasileira em 1949, e no seu Clube Naturalista Brasileiro em 1954, como Laércio Júlio da Silva explicou aqui no verão passado.

Paulo Perreira, que conheceu Luz del Fuego, dá muitas detalhes sobre a verdadeira historia de naturismo brasileiro nos seu livros, que podem ser comprados no site do Jornal Olho Nu.

Brasil estava representado na fundação da INF-FNI (Federação Internacional de Naturismo) em 1952, e no congresso desta de 1972.

Continuidade e ruptura

O naturismo brasileiro já pode traçar uma história de mais de meio milênio, ou de mais de meio século. Em comparação, o nome "FBrN" tem somente uns vinte anos de uso.

No site da FBrN, há um histórico que liga a organização ao passado, onde se nota uns dos nomes sob quais o naturismo brasileiro já funcionou:

  • Partido Naturista Brasileiro
  • Clube Naturalista Brasileiro
  • Fraternidade Naturista Internacional do Brasil (FNIB)
  • Associação Naturista Brasileira (ANB)
  • Federação Brasileira de Naturismo (FBN)
  • Federação Brasileira de Naturismo (FBrN)

Vimos, então que a descontinuidade de nomes é até uma tradição do naturismo brasileiro. Em 1988, a ANB tinha uma passado honrado, e tinha aguentado a repressão da ditadura militar, que era pesado com qualquer divergência, não somente a política, mas também a cultural e até sexual.

Não houve, em 1988, motivo de abandonar a bandeira "ANB" para adotar uma nova, muito menos fingir que a organização era completamente novo quando quando simplesmente continuou a ANB, o presidente deste, Hans Frillman, ficou como vice-presidente da FBN.

Motivos de mudança

Mas agora há motivos e demais para querer uma nova organização, sob um novo nome. Enquanto a ANB tinha de que se orgulhar, o nome da FBrN já está maculado, e há um armário cheio de esqueletos - e até quem costuma anda somente de pele, não deve deixar esqueletos expostos. A inevitável lavagem da roupa suja da FBrN poderia ser assistido em mais conforto, debaixo de uma outra bandeira.

O maior motivo, é claro, é o abandono de Dr. André Herdy e os outros três naturistas presos com ele no caso Colina do Sol em 2007. Naturistas brasileiros poderiam concluir que uma organização que não defende nem seu próprio presidente, não vai defender ninguém.

Quando Nelci Rones foi preso três anos depois, a FBrN mostou que agora estava preparada - para se distanciar com rapidez de qualquer naturista alvo de acusações falsas.

O mínimo de decência

Seria talvez injusta exigir coragem da FBrN e dos seus dirigentes. Para quem nunca faltou coragem é difícil entender quem nunca tinha.

Mas se coragem não pode ser exigido, o que pode ser esperado é o mínimo de decência. Se à FBrN faltou a coragem de defender Dr. André, pelo menos não precisava aceitar como delegado no Congrenat de 2009 um dos autores das falsas acusações, Etacir Manske. Não precisava aceitar Marcelo Pacheco - que estava curiosamente bem organizado para encenar a destituição de Dr. André em 2007 - e suas muitas procurações.

E antes de dizer que não tinha escolha, bem, a lei exige que reuniões sejam abertas, e fecharam as portas da eleição em violação direta da lei da União. Poderiam ter barrado Manske e Pacheco, sim.

No mesmo Congrenat, não precisavam escolher a Colina do Sol - cujo diretoria era composta basicamente dos caluniadores, e que continuava implacavelmente perseguindo os alvos das suas falsas acusações - como sede da ELAN em 2010, nem ter prestigiado o evento.

A falta de coragem é uma fraqueza humana que precisamos aceitar, ainda que não entendemos.

Mas o acolhimento da corja da Colina do Sol, foi uma falta de decência.

Não de poder esperar ou exigir de todos, coragem. Mas se pode esperar, se podem sim exigir, o mínimo de decência.

Os esqueletos financeiras

Um dos atos da FBrN - sem valor pois perpetrado antes que sr. Tannus foi finalmente legalmente empossado na presidência em novembro de 2009 numa eleição convocada e conduzida conforme a lei, na Praia do Pinho - foi de "reconhecer" uma "dívida" inexistente de mais de R$100 mil, com o sr. Elias Perreira. Era suposamente gastos que ele fez em prole da FBrN, como por exemplo ter se hospedado num hotel de luxo em Espanha quando outros dirigentes brasileiros (e europeus) optaram para um lugar de classe econômico.

Não sei o motivo deste "reconhecimento" de uma dívida tão além das possibilidades da FBrN. Nos EUA, serviria para fraudar a imposta de renda, mas no Brasil, não sei. Nem quero saber. Que a "dívida" de sr. Elais, e qualquer conseqüências criminais da sua fabricação, ficasse com a FBrN!

Tinha vermelha

Também durante muitos anos as contas da FBrN como sua personalidade, foram misturadas com as de Celso Rossi.

Eu já examinei muitos negócios de sr. Rossi, e o próximo que encontro que pode ser chamado de honesto, será o primeiro.

Tanto mais longe dos "rolos" de Celso Rossi, melhor. Mas fácil fechar e abrir outra organização, do que tentar levar para frente algo que foi contaminado pelo contato.

"Ética"

A usa da "ética" como um mecanismo para expulsar desafetos, é um defeito da FBrN que merece um postagem a parte. Mas é um dos males tão enraizados, de tão difícil de extirpar (quem pode estar contra algo chamada de "ética", ainda que não seja?) que melhor começar do zero, do que suar para chegar ao empatado.

Herança Indígena

Os verdadeiros raízes de naturismo brasileiro, nos antepassados indígenas, são valorizado por umas figuras atuais de naturismo, como Carlos Sena em Manaus e Wagner em Tambaba. Porém, foram sempre desprezados pelo FBrN.

Desprezados especificamente pelo FBrN, não pela Luz de Fuego, PNB, CNB, FNIB, e ANB. A FBrN preferiu enfatizar o corrente "europeu" de naturismo.

É que coisa alardeada como "europeu" atrai brasileiro classe média, que nem quer saber de bugre.

E a classe média tem algo que os pobres não tem, que é dinheiro. Pobres foram inúteis para a FBrN pois não possuem nada de qual eles podem ser defraudados, para depois ser expulsos por "falta de ética" se ousam reclamar.

Seria bom resgatar os raízes indígenas do naturismo brasileiro.

Mas a tradição e a continuidade?

O cenário brasileira está cheia de partidos políticos que traçam seus antecedentes até raízes ilustres. O cristianismo está cheia de seitas que se dizem as únicas carregadores da palavra de Deus. A cultura tem movimentos como o tradicionalismo gaúcho (aquele pessoal que anda de bombacha) que perpetuam um tradição que a história desconhece. O arquitetura alpina da estância de Gramado deve sua existência não as tradições alemães, mas a legislação municipal - tudo aquilo data da emancipação de Taquara nos anos 50.

Sim, ter uma tradição é útil, e qualquer organização nova pode enaltecer a tradição ilustre de Luz del Fuego, ou daqueles que pisaram nestas terras antes que Cabral.

Um tradição existe, e quem procura ligações, encontra, ou fabrica conforme a necessidade.

A FBrN se aproveito da estrutura da ANB - na maneira em que o cupim se aproveita da estrutura da casa. A situação societária da FBrN é problemática; o prestígio desgastado; e o moral, irrecuperável.

Deixe para lá. Vamos voltar para a ANB, ou para Luz del Fuego, ou aqueles que avistaram as velas brancas das caravelas de Cabral. Vamos nós despir da carapaça da FBrN, e encarar o futuro, desnudos.