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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Gatas no mesmo saco

Nelci Rones foi preso perto de Tambaba, faz quase um mês, e até agora o que apareceu contra ele é que ele tinha fotos naturistas de crianças, no maior parte, dos seus próprios filhos. 

Revista QUEM
Parece que ele não está sozinho neste pecado. Em março de 2009, a revista QUEM publicou fotos de Pietro, filho de Giovanna Antonelli e Murilo Benício, tomando banho de mar pelado na praia de Grumari.

Pela lógica da Prefeitura de Tambaba, na praia de Grumari, pode; ao lado na praia de Abricó, não poderia, pois praia de nudismo é impróprio para menores de 18 ...

(Vale notar que o blog do link vende publicidade ligado a palavras-chaves; a palavra "filho" na matéria, leva para a propaganda "Quem não tem Roupa Suja para Lavar que atire a primeira tampinha").

Bauer-Griffin
Ainda, encontramos  uma foto da brasileira Gisele Bundchen na praia com seu filho Benjamin, nove vezes depois que ele veio ao mundo, e ainda vestido da mesma maneira.

Presuma-se que Gisele não falta nem dinheiro para vestir o pimpolho, nem estilista disposta a fazer isso grátis.

É opção mesmo, que assim é a maneira mais confortável para o filho curtir a praia.

Que diferença há entre estes fotos e as de Nelci Rones?

Bem, sem nenhum disrespeito ao Nelci Junior, que nem conheço, uma comparação de fotos do próprio Rones e de Gilsele Bundchen sugere que é provável que Benjamin aos nove meses fosse mais bonitinho que Júnior ao mesmo idade. Ainda que todos os nenês são bem semelhantes tanto na sua beleza quando seu nudez.

Outra diferença é que Nelci está sendo mantido preso para verificar a possibilidade de que seus fotos foram veiculadas pelo  Internet. No caso de Gisele e Giovanna, nem é preciso verificar - já está comprovada, pelos links acima.

A lei é para todos, e deve tratar todos da mesma maneira.

Sugiro, então, que a polícia e a promotoria de Paraíba devem, de imediata, prender Gisele Bundchen e Giovanna Antonelli. Podem até compartilhar a mesma cela de Nelci Rones. Pelo menos isso tornaria mais agradável sua espera para a Justiça de Paraíba 


quinta-feira, 18 de março de 2010

Mulher e Naturismo II

O texto é uma resposta ao comentário colocado em Mulher e Naturismo - comentário em aqui nesse blog - e reproduzido abaixo.

Blogger daniel gambin disse...

Ariana,
Todo naturista, homem ou mulher, gostaria de ver equilibrada a participação de ambos os sexos na vida naturista. Porem essa falta de participação da mulher parece ser mais um motivo de dor para todos. No meu comentário eu coloquei que "as mulheres são objeto sexual para os homens" no sentido de "objeto de desejo". Não cheguei a pensar no sentido de "objeto de propriedade" do que fala o psicólogo muito famoso, mas que não citou o nome. Essa outra hipótese não me parece muito acertada, pois fala de mulheres anuladas pela relação matrimônial. Isso não explica a falta de mulheres solteiras e livres no naturismo. Também não me consta que o casais naturistas sejam todos liberais e que não sejam ciumentos.
Eu penso que as dificuldades que o naturismo tem não é coisa dos homens ou das mulheres e sim das circunstâncias em que nos encontramos na sociedade.

Cordialmente,

Daniel

Caro Daniel Gambin


Nesse ponto concordo com você, as dificuldades que o naturismo tem não é coisa dos homens ou das mulheres e sim das circunstâncias em que nos encontramos na sociedade. Mas penso que como somos nós, homens e mulheres, que formamos a sociedade, temos ou pelo menos deveríamos ter a capacidade de contribuir de modo melhor para que essa "sociedade" evolua, e isso implica adotarmos hábitos e costumes mais modernos.


Nós mulheres conquistamos nosso espaço na sociedade, já podemos pensar por nós mesmas, votar, falar em público, escrever utilizando nosso próprio nome, apesar de ainda existirem mulheres que escrevem utilizando pseudônimos masculinos ou se escondendo atrás dos homens, maridos e amantes.


Com relação ao ponto de sermos objeto sexual para os homens, no sentido de objeto de desejo e não no sentido de objeto de propriedade; sinto discordar, pois o homem sempre quis e ainda quer "possuir"( do latim.... bla bla...ter posse) o que deseja, são coisas que para mim estão bem interligadas.


Não citei o nome do psicólogo famoso, Sr. Daniel, porque não pretendia citar bibliografia que subjaz meus pensamentos, afinal não estamos aqui defendendo nenhuma tese de doutorado. Eu queria discutir o conceito dentro de uma dada situação.


Mas, voltando ao ponto das mulheres e o nu.....
Aqui na Holanda, sinto as coisas um pouco diferentes, as mulheres são bem mais independentes, se o marido quer sair com os amigos, etc.... ele vai; e ela também sai com as amigas quando quer e sem dar muita satisfação, ela apenas comunica que tem um compromisso e vai, sem precisar fazer um jantarzinho gostoso pro marido na noite anterior, para amaciar a carne, como costumamos dizer por ai, caso não me entenda, sem precisar seduzir o marido para deixá-la sair com as amigas, ou fazer alguma coisa sem ele, que não seja, mercado, ir a missa, etc.; aqui realmente temos os mesmos direitos.

Quando vou a um lugar aqui onde é permitido tirar a roupa, encontro também mais homens que mulheres, mas a diferença que vejo está na postura machista que não encontro por aqui. Estive uma vez em uma pequena cidade (chamada Winterswijk), lá temos uma grande lagoa e uma parte dela é destinado ao peladismo, claro que cheguei no meu lindo biquíni e canga última moda; afinal também gosto de me exibir um pouco. Quando vi que era permitido ficar nua, fiquei. Me deitei e estava curtindo um maravilhoso sol quando vi chegar uma mãe com suas quatro crianças, simplesmente sem a presença do marido para escoltá-la ou sei lá o quê. Ela ficou super à vontade, triangulando pelos vários grupos que estavam lá, sem nenhuma cerimônia. Depois foram chegando mais mulheres sozinhas, ou em grupos.....claro que éramos a minoria, o motivo realmente podem ser vários, mas não estou mais me importando muito com isso, o fato é que muitas das mulheres solteiras e independentes não estão indo aos lugares de nudismo, por causa dessa cabeça machista que ainda grita na mentalidade humana, e as faz querer desfilar sua beleza em outros lugares, onde o homem não mostre seu crachá.


Muitos lugares de nudismo no Brasil só permite a entrada de casais, por que será? Para tentar um equilíbrio ou para não ter ninguém sozinho cobiçando o que está em par?

Tenho conversado bastante com as pessoas idosas daqui, pois quero colher-lhes as experientes impressões. Tivemos em todo lugar do mundo o movimento feminista e aqui me parece ter sido bem forte. Naquela época, os homens chegaram a não poder olhar para as mulheres na rua, elas botaram pra quebrar mesmo. Hoje vejo um certo equilíbrio entre as duas partes, as mulheres têm uma postura mais firme e consequentemente os homens, uma postura mais respeitosa para conosco, sem contar na educação e gentileza, sem ter por traz o desejo de sedução.


domingo, 14 de março de 2010

Ainda sobre as mulheres: o mito Elvira Pagã

Por Laércio Júlio da Silva


14 de Março de 2010

Como março é considerado o mês das mulheres, é pertinente continuar no mesmo assunto. Já muito escrevi sobre a importância das mulheres no movimento naturista, sua contribuição para com o feminismo e a luta pelo resgate do seu próprio corpo. A principal delas, ideóloga e militante responsável pelo que existe na atualidade em termos de naturismo no Brasil, foi sem dúvida nenhuma Dora Vivacqua (Luz Del Fuego, 1917-1967). Mas existiu outra personalidade controvertida e escandalosa com imenso destaque nos anais do naturismo e do feminismo contemporâneo chamada Elvira Pagã. Criatura extraordinariamente inquieta, veio ao mundo para sacudir as entranhas de uma sociedade extremamente conservadora que considerava qualquer artista a “escória da humanidade...”
Nascida Elvira Olivieri Cozzolino (1920-2003) foi protagonista de um dos maiores escandalos da época. Inventora ou descobridora inusitada do biquíni brasileiro, no verão quente de 1949 em plena Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro uma multidão delirante não tirava os olhos do carro alegórico em que ela se apresentava envolta em frutas tropicais. No destaque, como uma deusa do pecado, a Rainha do Carnaval na época, exibia um corpo maravilhoso num ousado traje de banho dourado. Depois que sua capa estilo toureiro fora arrancada pelos fãs ensandecidos, ela rasgara um maiô adaptando o modelo “duas peças” usado no teatro rebolado, lançando oficialmente o biquíni num Brasil repressor e moralista. A plebe gritava por todos os lados: “Olha a Elvira Pagã! Olha a Elvira Pagã!”. Vem dai o nome artístico.
Foi uma das primeiras artistas brasileiras a explorar o impacto do nudismo, disputando com Luz del Fuego o espaço nos noticiários escandalosos da época. Ativista cultural fez oito filmes, como O Bobo do Rei (1936), Cidade-Mulher (1936), Alô, Alô Carnaval (1936), Dominó Negro (1939), Laranja-da-China (1940), Carnaval no Fogo (1949), Aviso aos Navegantes (1950) e Écharpe de Seda (1950). Rainha do Carnaval durante muitos anos ao longo da década de 50, cantora e compositora lançou treze discos junto com sua irmã. Elvira Pagã foi uma figura emblemática e representante maior da fase do Teatro de Revista brasileiro. Escreveu alguns livros, entre eles “Revelações” e “Vida e Morte”, chegando inclusive a ocupar a cadeira de número 12 da Academia Paulista de Letras. Em 1949 ajudou a formar a “Companhia Juan Daniel”, e construiu seu próprio teatro, O Follies, cujo imóvel pertencia a Antônio Carreira. Estreou com a apresentação de espetáculos que incluíam o nudismo com a participação de Luz del Fuego.
A jornalista e professora de comunicação pela UFRGS, Doris Fagundes Haussen desenvolveu um artigo intitulado “A Revista do Rádio através de seus editoriais (década de 50)”. Nesse trabalho, ela relata um fato curioso que demonstrava uma tentativa da revista em evidenciar uma vida “famíliar” e “pasteurizada” para a vedete Elvira Pagã, adepta do nudismo que viria mais tarde a ser intitulado naturismo. Na seção da revista n° 222, “Minha casa é assim”, foram publicadas uma série de fotos da artista, vestida, mostrando a sala, o quarto e a cozinha, terminando no banheiro com a vedete enrolada em uma toalha, dentro da banheira, junto a uma bolsa de crocodilo, descrita como “para guarda de pertences de banho”. Foi a primeira mulher brasileira a fazer plástica nos seios numa época anterior a moda do silicone. Ficou conhecida por ter posado nua e distribuído a foto como cartão de Natal, sendo na época presa e acusada de “atentado ao pudor”.
A partir dos anos 70, nos moldes do conservadorismo imposto pela chamada “marcha da família”, visada e perseguida pela ditadura que se instalara no país, abandonou a rotina de evidências tornando-se reclusa. Terminou seus dias como pintora e adepta do esoterismo. Morreu aos 83 anos de idade depois de uma vida intensamente polêmica e produtiva.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.


www.goiasnat.com.br



"Não ande na minha frente, eu posso não te seguir. Não ande atrás de mim, pode ser que eu não te guie. Caminhe junto a mim e seja meu amigo." Albert Camus

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mulher e Naturismo

O texto é uma resposta ao comentário colocado em CADÊ AS MULHERES BRASILEIRAS NATURISTAS?? - comentário em aqui nesse blog - e reproduzido abaixo.

Daniel Gambin disse...
Prezada Ariana,
No Brasil, como em qualquer pais latino, as mulheres são objeto sexual para os homens. E não o contrario.
É uma pequena grande diferencia que faz a diferencia.
Não acha que pode ser uma razão valida para não ter tantas mulheres no naturismo?

Feliz dia da mulher e feliz peladismo na sua vida.


Caro Daniel, obrigada pela leitura do texto, obrigada pela interferência através de sua expressão de ponto de vista. Seu questionamento motivou a escrita deste texto que acho que tem a ver com esse bando de gente que fica pelada por esse mundão a fora.

Bem, eu compactuo com a seguinte linha de raciocínio trazida por um psicólogo muito famoso: “O homem trata a mulher como objeto porque a própria mulher se trata como tal.” Quando o casal se conhece, a mulher é linda, tem um brilho próprio, tem uma aura maravilhosa e por isso é super atraente e só por isso atraiu a pessoa que atraiu. Ela tem e ama seu trabalho, tem suas horas na academia, usa suas roupas curtas e sexys, dedica algumas horas a ir jogar conversa fora e dar risada com as amigas no boteco, enfim. Por trás daquele brilho tem uma manutenção. É verdadeira, livre para satisfazer desejos simples, é extremamente feliz, o que a torna atraente.

Pois bem, quando começa a namorar o homem, vai perdendo a força. Não consegue ter pulso firme nesse sentido. Acha que tem obrigação de só agradar o homem, fazendo tudo o que ele quiser. Vira mãe dele. E para de SE agradar. Se quer usar uma roupa curta ou sexy e o marido ciumento não gosta, ela não coloca. Se quer encontrar as amigas para bater papo, dar bastante risada e o marido inseguro não gosta ela não vai (ele até podia ir junto, mas acha que não vai ter atenção só pra ele, ou não vai se entrosar). Se ela quer suas horas na academia e o marido inseguro não gosta, pronto!, de novo, ela não vai. Então, percebe o quanto de pequenas coisas importantes ela vai abrindo mão? Você percebe que aos poucos ela vai deixando de fazer pequenas e simples coisas que a agradavam e que quando vê já se anulou? Que não faz mais nada do que gosta? Acho até que acaba se esquecendo do que é que gosta. Ela vira um objeto. Ela mesma passa a se tratar como um objeto. E aí passa também a ser um objeto, um objeto do homem que está a seu lado e este passa a manipulá-la também. Agora, ela só faz o que o homem quer e gosta. Quando chega nesse ponto, já apagou totalmente sua luz. Virou aquele “xuxu”, como diz o tal psicólogo famoso, ficou sem graça, sem brilho, sem luz própria, não tem vontades (acho que nem sabe mais o que é isso), não pensa por si própria, virou uma imbecil, uma "idiota" que vive completamente a vida do outro.
Assim, fica super fácil de ser manipulada. Ela mesma se tratou como objeto, não se impôs, não deixou claro o que era importante pra ela, o outro tomou posse, ocupou todo o espaço. A consequencia disso é conhecida de muita gente.Nesse sentido, entra-se na idéia de que “A mulher aprende a odiar à medida que desaprende a fascinar” (Nietzche) porque mata o amor e aprende a desenvolver o ódio e fica vingativa.

Quanto à isso ter a ver com naturismo... bem... a não presença delas no naturismo pode ser a única arma, a única força que reúnem para não satisfazer mais uma das vontades do homem... não sei... sem falar que não veem objetivo em ficar apenas peladas. Então elas não irem a ambientes naturistas pode entrar nessa linha de raciocínio como conseqüência (são objetos, objetos não pensam, não tem motivação para ficar pelada) ou pode ser uma reação, se o homem quer muito e ela sabe que nessas horas ele “está em suas mãos”, ela não vai...
Pode ser, como disse acima, que a mulher não tenha claro um objetivo para ficar nua em grupo, ou seja, ela não vê motivo para freqüentar um lugar desses. Imagino que a mulher, completamente desnuda, sem nenhum adereço sinta-se desarmada. Quando a mulher vai a uma praia “normal”, a grande maioria delas, pensa logo em arrasar com o biquíni última moda, pegar um bronze, ficar com aquela marquinha, ao mesmo tempo em que se exibe para outras mulheres e para os homens e seduzir esses homens, e quem sabe relaxar do estresse da cidade grande. Note-se que isso acontece de uma forma discreta, não por meio de linguagem verbal, mas através de gestos, atitudes... percebidas, mas difíceis de serem comprovadas. Agora fico imaginando essa mesma mulher num lugar naturista. Primeiro: ela não vai arrasar com o biquinão, ou biquininho, segundo: ela não vai poder exibir seu biquíni última moda para outras mulheres e homens, terceiro: como conseqüência, não poderá seduzir porque estará insegura, quarto: conseqüência dos outros itens, não há objetivo em ficar pelada, sem adereços, sozinha com seu corpo. Num primeiro momento até vai por curiosidade, mas satisfeito esse objetivo deixa de ir.
Pode ser que entre nesse caso, então, a questão de que deva haver um motivo estabelecido claramente para se estar nua. Tirar a roupa completamente pode remeter à memória de que só se faz isso para se ter relações sexuais, e como naturismo não está ligado a tirar a roupa para fazer sexo, novamente, há a falta de objetivos claramente definidos.
Não estou discutindo o masculino em ambientes naturistas, mas há homens que pensam que se forem a um espaço naturista vão ficar excitados o tempo todo. essa questão pode entrar no imaginário feminino e influenciar na presença delas. Bem... esses mortais precisam rever seus conceitos e essas mortais não precisam se preocupar com isso. Acho até que os homens ficam mais calmos porque não há clima de sedução. Bom, mas não quero fugir do assunto. Talvez esse seja assunto de um próximo texto.
Só resgatando a idéia lançada, a questão da mulher ser vista como objeto, ou a falta de objetivos claros para exercitar a nudez pública, ou a imaginação moralista em torno desse estilo de vida podem explicar ou complicar a adesão marcante, ou não, das mulheres ao naturismo.
Quero enfatizar que tudo o que eu disse aqui são apenas hipóteses, idéias, expressão de um ponto de vista, não é a verdade da vida. Na verdade eu perguntei porque também gostaria de entender o fenômeno da pouca presença feminina no meio. Tem mulher por aí????


Ariana Boss

domingo, 7 de março de 2010

CADÊ AS MULHERES BRASILEIRAS NATURISTAS??


Nesses alguns anos de prática peladista, de ficar pelada em casa, de ficar pelada em praias, eventos, etc., vejo que há mais homens que mulheres nos lugares onde os pelados estão. Ei, mulherada! Cadê vocês? O que acontece com vocês que não se manifestam, que não se apresentam? Vocês não gostam de tirar a roupa? É isso? Eu sou mulher, mas não sinto que a idéia de que a mulher sofre uma pressão para ser pudica me atinja; por isso gostaria de entender esse fenômeno, e que daí ela aprende a não se sentir à vontade com seu corpo e que a mulher é mais vaidosa e precisa de acessórios para se sentir bonita, entre esses acessórios a roupa, e tal e tal.

As listas naturistas estão cheias de homens opinando; mas que pouquíssimas mulheres se manifestam isso é verdade, umas três ou quatro apenas. Nesse fatídico dia da mulher, é um bom momento para falarmos sobre a presença feminina nesses lugares. Quando há casais nos ambientes naturistas, às vezes, as mulheres não têm voz. Quem se manifesta e decide sempre são os homens, salvo alguns grupos de homens naturistas liderados por uma única mulher, que também ocorre.

Meninas, o que acontece? Me contem porque eu não entendo!?!?! Se um homem é convidado para ir num lugar desses, eles não fazem cerimônia, já quando falo do assunto com algumas mulheres brasileiras... ai meu Deus! Então... expliquem, porque o naturismo parece coisa de homem? Por que é que freqüentam praias usando um biquíni minúsculo, mas não freqüentariam uma praia sem esse biquíni minúsculo? É por que as mulheres vigiam demais umas às outras? Por que ficam olhando as pelancas e celulites umas das outras? Por quê? Pra quê?

Mulherada, como vão os churrascos aí?!?!?

Ariana Boss

sábado, 6 de março de 2010

A mulher naturista

Publicado no jornal Diário da Manhã

A mulher naturista

06/03/2010
O Dia Internacional da Mulher não é somente um dia em que os homens rendam homenagens ou ofereçam presentes às mulheres num gesto de complacência semelhante ao Dia das Mães ou Dia dos Namorados. É uma data de lutas históricas do século passado que nos remete ao movimento por melhores condições de trabalho e pelo direito ao voto feminino. Em 19 de março de 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada a proposta da militante alemã Clara Zetkin, instituindo um dia internacional da mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. Um ano depois, a 25 de Março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadoras costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às péssimas condições de segurança do edifício. Presas ao incêndio, as mulheres morreram sufocadas. Na Rússia, em 8 de março de 1917, a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome e a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Com base nesses acontecimentos, todos em março, as Nações Unidas adotaram a data como o Dia Internacional da Mulher em 1975.
O mundo foi moldado tendo como base a concepção machista de sociedade. Deve ser por isso que estamos à beira do colapso em todos os sentidos... A história da libertação do corpo feminino se dá na década de 60 quando as mulheres conduziam a revolução cultural-sexual hasteando a bandeira “o corpo nos pertence”. Muito antes disso, nos anos 50 uma artista e intelectual brasileira chamada Luz Del Fuego(1917-1967) já protagonizava através do naturismo, a necessidade de um novo olhar sobre o corpo.
O movimento naturista mundial, apesar de não aceito por parte da intelectualidade, é um dos pioneiros dessa discussão. Mas, voltando ao universo feminino, o “resgate do corpo” foi uma reflexão analisada através da opressão masculina, que servia para justificar posições adotadas contra ela, forçando-a a um lugar secundário ainda presenciado em algumas sociedades e atualmente mascarado em nosso dia a dia. Alegações como “o corpo da mulher é sujo”(alusão à menstruação), “o corpo da mulher é uma fonte de pecado”(alusão ao pecado original), “mulher não sabe dirigir”(alusão à capacidade intelectual) e outras, são supostas anomalias que rebaixavam a mulher em relação ao homem e mesmo que não ditas atualmente, ainda fazem parte do ideário machista de sociedade.
O naturismo oferece há muito tempo outra dimensão. Quando a mulher tira a roupa percebe que ninguém é igual a ninguém e que todos têm diferenças tratadas como “defeitos” pela sociedade de consumo fácil, passa então a se livrar do preconceito incutido nela mesmo e a partir daí tornar-se uma pessoa feliz.
A verdadeira libertação da mulher efetivamente se faz quando ela liga as políticas específicas em defesa do seu corpo às políticas mais amplas de combate ao militarismo, ao preconceito e a devastação do meio ambiente numa luta comum a todos. Se ela se afastar da luta global, estará dizendo ao universo machista que quer deixar tudo como está. Portanto, dia da mulher é todo o dia.
A mulher terá que emergir nesse novo século com o verdadeiro resgate do seu corpo: direito ao prazer, ao planejamento familiar, combate à prostituição infantil, combate às cesáreas e esterilizações indiscriminadas, contribuindo para sua libertação como ser humano, afinal ela é quem dá a vida e melhor do que ninguém sabe defendê-la.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat

Diretoria do Goiasnat
secgoiasnat@gmail.com
Visite o sitio www.goiasnat.com.br
O nosso MSN é goiasnat@hotmail.com


"Naturismo é um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, que tem por intenção encorajar o auto respeito, o respeito pelo próximo e o cuidado com o meio ambiente"

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais reflexões sobre “a mulher nudista/naturista”

Por Roberto Barros
Concordo com a retrospectiva histórica da Florência, sempre houve muita opressão e dominação dos homens sobre as mulheres.

Antes dos métodos contraceptivos eficazes, elas quase sempre estavam grávidas, amamentando, era grande o óbito devido a gravidez, força física inferior a dos homens, etc.

Mas quase tudo mudou de 60 anos para cá. A assim, embora concorde que exista influência do passado e ainda hoje ainda existam muito preconceito e imposição sobre as mulheres, creio que os motivos principais para a pouca freqüência das mulheres nos encontros naturistas sejam outros, vejam abaixo alguns:

A falta de apelo erótico e sensual na nudez total pesa muito para muitas mulheres não aderirem ao naturismo, dizem que tem pudor. Mas não tem vergonha de roupas insinuantes ou micro biquínis. Pois com a roupa mostra-se o que se quer e tenta-se esconder as imperfeições. Aí sim há pudor e vergonha: não assumir a idade, não assumir as gorduras, não assumir a flacidez, cicatrizes, etc. as mulheres são muito vaidosas, muito mais do que os homens, gostam de se produzir, de se sentirem bonitas, atraentes. Sei que muitas mulheres adoram ficar só de topless (se a musculatura ainda esta rija) e adoram enrolar numa canga sem motivo algum... Outro ponto as mulheres resistem menos ao frio do que os homens, qualquer ventinho já as incomoda.

Creio que um ponto que ajudaria na descontração, seria mudarmos as regras gerais e permitir o conceito americano e europeu do “Clothes Optional”, assim sem pressões, imposições, obrigação elas ficariam livres para retirar a parte da roupa que quisessem, quanto quisessem.
E como estariam no ambiente onde a maioria estaria nua, em pouco tempo adeririam à prática naturista, outras demorariam um pouco mais, para mim não há problema algum nisso.

Sei que esta proposta será rebatida pela grande maioria dos naturistas, diga-se de passagem, os homens. 

Atavicamente a fêmea conquista, se insinua, gosta de ser apreciada, já os machos gostam de apreciar.

Seria muito bom para o naturismo, se assumíssemos e respeitássemos mais as nossas diferenças de gênero. Tem um grupo que só permite o topless para as veteranas menstruadas. Prova que muitas mulheres, ainda inseguras quanto ao desnudarem-se em público, usam este subterfúgio dizendo menstruadas num primeiro contato, mas em vez de serem atraídas para o naturismo não o são.


sábado, 19 de setembro de 2009

MULHERES NO NATURISMO

Acho pertinente debater essa questão porque, como eu disse em e-mail anterior, comentando o texto da Florência, seria interessante entendermos o motivo do baixo interesse da mulher pelo naturismo.

Antes de acrescentar mais alguns pontos de vista sobre o tema, talvez o faça num outro momento, gostaria de comentar sobre a pertinente leitura que o senhor Delmonte fez a respeito do meu comentário sobre o texto da Florência. Só para esclarecer, o primeiro parágrafo do meu texto anterior é uma interpretação que eu faço do texto da autora Florência, que espero tê-lo interpretado corretamente. No primeiro parágrafo eu não concordo e nem discordo de nada, eu não apresento minha opinião. Minha opinião aparece a partir do segundo parágrafo.

Bem, mas vamos lá. Acho extremamente válido que o autor disse, acho legal que exemplos sejam trazidos à tona para ilustrar pontos de vistas, mas talvez eu tenha deixado de acrescentar uma ou outra palavra no texto que fizesse com esse fosse lido como um texto que tem a solução para os problemas da baixa freqüência de mulheres em eventos naturistas. Jamais apresentaria a fórmula para resolver o problema, jamais apresentaria a solução para esse problema até porque sou mulher e estou tentando entender esse fenômeno.

Ao comentar o texto da Florência sobre a mulher estar engatinhando, quando se trata de representatividade e poder na sociedade, eu disse que a mulher está engatinhando sim, mas que tem nas mãos o poder para mudar isso; pois a mulher tem a chance de estar mais tempo com as crianças. Logo, ela poderia ajudar essas crianças, tratando-as como pessoas de modo a lhes mostrar que homens e mulheres são diferentes em suas estruturas físicas, mentais, fisiológicas, que sejam; mas que devem ser respeitadas e tratadas sempre como seres humanos, para que valores culturais limitadores e inúteis não venham reduzir a ação dessas pessoas na sociedade a ponto de elas deixarem de fazer coisas simples (e benéficas pra elas) por medo ou preconceito bobo.

Nesse sentido, falei de modo geral, mas mencionei mais a questão da mulher; dei exemplos sobre brincadeiras e modos como as mulheres são tratadas desde pequenas que poderiam interferir negativamente na questão da presença da mulher no naturismo. Também abordei a questão da pouca reflexão sobre a educação que as mulheres repassam às pequenas, pois se elas querem mudar e ficam repetindo ações que reprovam, fica difícil mudar algo. E sugeri ações para começar a mudar isso, não que não existam milhares de mulheres revendo e agindo de maneira mais flexível para alterar esse cenário. Eu sei que os homens sofrem tanto quanto as mulheres nesse sentido. No entanto, como o texto da Florência tratava de questões ligadas à mulher, e eu parti do texto dela para traçar comentários, , tentei delimitar meu comentário, falando da mulher e não dos homens. 

Ariana Boss

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Reflexões sobre reflexões...


Por Delmonte

Discordo da autora logo no início do texto sobre os conceitos impostos à mulher desde seu nascimento que a fazem mais fraca do que o homem. Mas ela retifica isso no parágrafo seguinte. E o sexo oposto também envolvido pelo que vem de fora acredita que é aquele que tem por obrigação defender a frágil donzela.

Isso na minha opinião tanto homem como mulher recebem esses ensinamentos desde o seu nascimento, perpetuando os tempos do homem da caverna.

No parágrafo seguinte a autora quer mostrar a igualdade da mulher em relação ao homem, mas justifica que pelos dogmas impostos sobre ela desde o nascimento a imposição de que mulher é do sexo frágil e tem que ser submissa ao homem, a mulher cria uma imagem mais delicada e não encontra forças para, por exemplo, eliminar vergonhas que ainda sentem em relação ao homem. Também não concordo com a autora do texto, pois tanto o homem como a mulher são criados sob dogmas que incitam essa vergonha de participarem juntos de uma causa, e isso desde crianças, se para a mulher é vergonhoso brincar de bola ou pular mula, por exemplo, para o homem é até pior brincar por exemplo de bonecas. Então não considero isso como justificativa para a falta de mulheres nos ambientes naturistas.

No finalzinho do texto a autora diz que acredita no poder e na ação das mulheres que se olharem paras as crianças como pessoas e não como meninos e meninas que devam se enquadrar em latinhas pré fabricadas, que em breve teríamos mais pessoas do sexo feminino nos eventos. Também não concordo, maior exemplo da minha vida, acho até que responde às duvidas da autora do texto. Minha esposa foi criada exatamente como a autora descreve que resolveria os problemas femininos. Minha esposa brincava tanto de bonecas como jogava futebol com os meninos, brincava de esconde-esconde entre ambos os sexos, pulava mula, acreditem, pulava mula igual um moleque. Ela sempre foi bem feminina e hoje uma ótima esposa dedicada, mas não aceita e tem a maior vergonha de ficar despida na frente de qualquer pessoa seja homem ou mulher. E então?

Aceita a minha nudez com toda a naturalidade, pois é assim que me comporto com ou sem roupas. Mas ela está tão ligada à forma de sua criação que fica muito difícil mesmo se desvincular disso, é como se já fizesse parte de sua composição corporal.

Ao contrário de mim, não por ser homem não, que conheci mulheres que foram criadas como eu fui, e não encontram nenhuma dificuldade nisso, são tão naturais como eu. Tive esse privilégio desde meu nascimento.

Reflexões sobre “A MULHER NUDISTA/NATURISTA”

O texto abaixo é uma reflexão sobre "A PÁGINA DA MULHER NUDISTA/NATURISTA" de Florencia Brenner, tradução para português de Jorge Bandeira, publicada nesse Blog.

Por Ariana Boss

Achei o texto muito interessante. Penso que seja bastante importante que textos como este, que remetem aos diferentes possíveis motivos pelos quais a mulher se apresenta em número reduzido, circulem pelas comunidades virtuais naturistas.

Nesse texto, em particular, percebo que na visão da autora, a mulher reconhece seu poder, mas por absorver tanta coisa negativa que vem de fora dela (desde criança quando lhe impõem que deve obedecer, ser comportada, brincar de boneca, de casinha, costurar, lavar, limpar, ser organizada,etc), apresenta-se sempre mais fraca diante do sexo oposto. E o sexo oposto também envolvido pelo que vem de fora acredita que é aquele que tem por obrigação defender a frágil donzela.


Na minha opinião a mulher tem um poder enorme nas mãos. E para abordar esse poder não precisamos nem voltar muito no tempo. Vejamos que hoje, esse poder está presente quando em nossa sociedade, por exemplo, a mulher tem a possibilidade de passar mais tempo com a criança nos seus primeiros anos de formação (0-11 anos). Falo não apenas de mães, falo de avós, tias, empregadas, babás, professoras, enfermeiras e demais profissionais ligadas a cuidar e/ou educar crianças. Percebo que elas acabam reproduzindo com as crianças que cuidam, a educação que receberam. Nada mais justo porque é a que sabem. Mas não percebo que elas se questionem se a educação que receberam ontem é a mais adequada para as crianças que cuidam hoje. Não percebo também, que essas crianças estejam sendo ouvidas. Só para ilustrar: a criança é colocada num curso de qualquer coisa. Só que muitas vezes não se observou se ela gosta de tal atividade, sei que ela é criança e está sob responsabilidade dos pais, mas ela também é pessoa que deve ser ouvida, percebida, compreendida. Porque percebo que muitas vezes a pessoa responsável, na ânsia de acertar e mostrar para os outros como ela sabe educar, acaba passando como um trator pelas vontades da pessoa da criança.


Acho que a mulher tem nas mãos não só o poder de ter em suas mãos o diamante a ser lapidado, mas também o poder de lapidar o diamante. E lapidar o diamante significa trazer a tona o que ele tem de mais belo. Então que tal essas mulheres começarem a fazer o que é melhor pra si? Que tal nós mulheres começarmos a valorizar todas as cores quando da chegada dos bebês? Que tal nós mulheres deixarmos as meninas brincarem de carrinho ou de boneca? De bola ou de casinha? Permitir que subam em árvores, que apostem corrida? Que andem de skate e empinem pipa? Que tal nós mulheres libertarem as meninas da obrigação de ser organizada já que permitimos que os meninos possam ter um quarto imundo e horroroso? Que tal nós mulheres vencermos o olhar clichê sob outras mulheres: o de que mulher tem que ser assim, tem que ser assado? Não estou dizendo que as mulheres devam se tornar agressivas, cruéis, tenebrosas, estou dizendo, ou melhor sugerindo, que aproveitem toda a peculiaridade, a intuição aguçada que tem a alma feminina (que não é nem anta nem de pamonha de piracicaba), toda a estrutura que seu organismo tem de diferente do masculino, em seu favor, e não pra reforçar estruturas que a prejudiquem.


Acredito no poder e na ação das mulheres que se aprenderem a olhar as crianças como pessoas e não como meninos e meninas que devam se enquadrar em latinhas pré-fabricadas, em breve teremos uma quantidade maior de pessoas do sexo feminino no naturismo ou no peladismo ou no nudismo. E você pensam que isso é fácil? E vocês pensam que já venci todas as barreiras e que sou a perfeita? A resposta é não, não ,não. Eu também me estudo dia após dia.


A PÁGINA DA MULHER NUDISTA/NATURISTA


Por Florencia Brenner(1)


Tradução para português de Jorge Bandeira(2)


Pediram para que eu desse início a esta página intitulada "A Página da Mulher Nudista/Naturista", ou da mulher que quer ser nudista ou mesmo a de que nunca quis ser naturista.

Nós mulheres temos nossa própria história cultural, uma forma de educação toda particular, diferente da maioria dos homens e que fazem a diferença na hora de tirar a roupa e de vencer o presente pudor que nos persegue ao longo de várias gerações.

Na pré-história a mulher não usava nenhuma roupa, e tampouco tinha o poder de decisão, carecia de auto-estima, era na verdade relegada ao papel de segundo plano, dentre as posições e status possíveis em nossa sociedade.

O homem era o caçador, o que sustentava sua moradia, porém as mulheres é que executavam os trabalhos mais pesados. Sem dúvida, vivia-se uma grande contradição, onde a "Mãe Terra", conhecida como "A Vênus de Lespure" (uma de suas múltiplas versões) era representada como uma mulher obesa, de grandes seios e sem rosto, que tinha a missão de cuidar de seus filhos, os seres humanos, e dar-lhes todo o necessário para a sua subsistência e garantir a procriação da espécie humana. Existe por um acaso papel mais relevante na Terra?

Surge aqui a primeira grande contradição. Somos importantes em nossa tarefa criativa, temos a capacidade de procriar, de dar sustento aos filhos, de educá-los, e sem sombra de dúvidas historicamente sempre ocupamos um segundo plano na hora das homenagens e dos prêmios, por este motivo muitas das vezes nossa auto-estima está tão em baixa.

Porém, não vamos divagar, vamos direto ao tema proposto para esta comunicação: desde que nasce a mulher tradicional é discriminada com uma cor, a rosa, uma cor que está associada à delicadeza, debilidade, uma cor na verdade indefinida que não tem a mesma força vibrante do vermelho. Acaba sendo um símbolo cromático de que não devemos sair de nosso papel de "desprotegidas".

Logo, somos submetidas a todos os tipos de condicionamentos culturais: as bonecas, os vestidos, a cozinha, a costura, vestir as Barbies e outras bonecas, jamais chegamos a ser as caçadoras de leões, nem mesmo subimos nas árvores para tirar as frutas escondidas dos donos, nunca julgamos a guerra, a polícia ou os subversivos. O que temos conseguido neste jogo de representações é, no máximo, um papel de vítimas da sociedade.

Então, a mulher entra na fase de adolescente e a primeira coisa que aprende é que a sedução é uma arma poderosa, um poderoso instrumento de poder para compensar a falta de músculos fortes e vigorosos.

Continuamos, observe, no rol das "desprotegidas" e este poder de sedução vem junto com um detalhe importante: a roupa, aquilo que nos marca, nos dá a forma, aquilo que os homens imaginam em suas fantasias, em seus desejos, o que estaria por baixo de toda vestimenta, e que não lhes deixam ver livremente.

Este é o caminho seguro para a valorização do disfarce que promete sem mostrar, que sugere e que acaba cobrindo nossa verdadeira personalidade feminina. É o caminho para o "não", quando na verdade o que se quer dizer é "sim", porém este disfarce nos obriga a seguir este jogo de ilusão.

As roupas são desta forma o último obstáculo, a derradeira barreira para quem seja merecedor de todos os tesouros (a nudez da mulher como objeto do desejo!), inclusive o "tesouro" da virgindade, outro dos mitos que regulou a vida de muitas das mulheres por séculos. Um mito bastante promissor ao homem, por exemplo, que levava ao altar da igreja à sua mulher, mãe de seus filhos, e mantinha no prostíbulo a sua amante com devoção carnal.

E qual era a mensagem social naquela época?(estamos nos referindo a 500 anos de educação têxtil!). Se você, mulher, vier a perder o seu poder de sedução não vai jamais encontrar um marido, ninguém mais vai lhe desejar, e você, como uma maldição, vai "ficar para a titia".

Agora temos uma questão para refletir, que é a questão de encontrar respostas para entender a nossa relutância em abraçar a causa do Naturismo, resultando esta relutância em um número bem maior de homens do que mulheres naturistas.

Este pequeno texto procura refletir sobre as teorias possíveis que envolvem esta questão.

Algumas mulheres dizem: eu não fico nua na frente dos outros porque tenho muita vergonha, muito pudor! E o que é o pudor? Este termo, este conceito de cobrir o corpo com roupas, ou uma parte deste corpo é um conceito que podemos, sim, considerar como eminentemente cultural, religioso, se comparamos a pluralidade de diferentes culturas. A mulher mulçumana, por dogmas religiosos extremados, tem o pudor de mostrar sua cabeça, seus cabelos, já uma mulher de tradição Ocidental tem o pudor, a vergonha, de mostrar sua genitália. Observemos que as duas aparentemente tão diferentes, cultural e religiosamente, possuem uma curiosa semelhança: o conceito do PUDOR é colocado para ambas estas mulheres desde suas mais tenras infâncias.

O pudor, neste sentido, é uma criação do ser humano. Muitos dos índios e todos os bebês não possuem a noção deste pudor. Os Naturistas, nós entendemos que todas as partes do corpo são iguais, nem melhores nem piores, não existindo, desta forma, as chamadas "partes imorais" do corpo humano.

Esta é a primeira das premissas, o primeiro entendimento que devemos ter como mulheres que pensam em adotar o Naturismo e os seus benefícios alguma vez em nossas vidas. O corpo é somente um, e o que pode diferenciar uma mulher da outra é a atitude com que se despe, com que fica nua frente aos outros. Se nós, mulheres, assumimos que a nossa nudez é para nosso próprio deleite, algo natural e não como objeto de exibição aos outros, este antigo pudor tende a desaparecer. Algumas mulheres afirmam: sim, eu ficaria nua na frente dos outros, mas agora não posso mais, com "este corpo", essa idade, nem me animo a ficar nua. Eis aqui neste exemplo uma das mais utilizadas variações do pudor: o pudor estético, ou "o modelo do corpo perfeito", que não passa de um conceito totalmente temporal e cultural, que se estabelece a partir de um ideal de estética inserido na época em que vivemos. São frutos de um modismo, colocado no mercado consumidor da moda, das grifes. Hoje em dia, por exemplo, as modelos que foram retratadas pelo mestre da pintura Rubens, no Renascimento, seriam consideradas gordas e inadequadas para modelos daquele período, e o contrário também é verdadeiro: as modelos das passarelas de moda do século XXI seriam consideradas inadequadas aos mestres do estilo de pintura flamengo do Renascimento, quiçá não fossem consideradas como doentes pelo grande pintor Rubens, referência das artes plásticas dos séculos XV/XVI.

Uma outra informação da qual devemos nos conscientizar enquanto mulheres é a de que não existem corpos perfeitos, as nudistas celestiais não existem, e que se temos alguma estima por nós devemos aceitar o nosso corpo tal como ele é, como ele se apresenta a nós e aos outros, um corpo sadio, diferenciado e singular, belo, este nosso corpo não pode ser um mero produto de um modelo cultural imposto como uma moda, algo inquestionável.

Algumas de vocês, mulheres, dirão que esta vivência e experiência no Naturismo só podem usufruir as mulheres com mais de 50 anos. Sem dúvida, temos educado e moldado a personalidade de nossos filhos e filhas, hoje na faixa dos 30, 40 anos, e temos feito refletir sobre as "correntes" que nos aprisionaram durante todos os anos, ou seja, falamos a eles de nossas limitações, impostas por uma sociedade cruel, moralista, machista e que escamoteou nossa liberdade, da infância à nossa fase adulta. Para muitas de nós, devemos reconhecer que esta mudança não será possível, pois requer um processo de maturidade e superação muito grande, que não se dará de uma hora para outra.

Devemos ter em mente que as futuras gerações poderão crescer livres destes preconceitos impostos e que poderão elaborar suas próprias convicções, educando desta maneira os seus filhos, educação autêntica, resgatando o conceito de auto-estima que foi perdido ao longo da História.



(1) Florencia Brenner, escritora argentina, ativista do movimento naturista daquele país. Edita o Jornal virtual NUDELOT.

(2) Jorge Bandeira é Historiador, Naturista do Graúna, no Amazonas.


Contatos com o tradutor: vicaflag@hotmail.com


Manaus, 14 de setembro de 2009.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A NUDEZ NA BERLINDA EM FERNANDA LIMA


Por Jorge Bandeira

A Televisão brasileira é pródiga em criar mitos, em abafar casos e em “desinformar” ao cidadão, que tem na telinha um vício em seu cotidiano. Recentemente estreou na TV Globo o programa AMOR&SEXO que em princípio visa esclarecer dúvidas sobre o tema SEXO, suas variantes e adjetivações, contando para tal com especialistas e desavisados de plantão.

Se a questão é audiência e patrocinadores, tudo é permitido. Não há limites para a burrice humana (com todo respeito aos asnos do reino animal!). A nudez está na pauta no tal programa: o quadro intitulado “......................................” leva à audiência e aos telespectadores um duelo patético entre famosos onde a competição se dá da seguinte maneira: a cada pergunta “instigante” sobre sexo o competidor(a) responde o que acha, ou seja, subjetivamente, sua opinião e resposta é colocada para ser analisada ao calor da “neutralidade” do público, os “macacos e macacas de auditório”.

Detalhe: se este mesmo público não ficar convencido da naturalidade da resposta, da sinceridade de intenção dos competidores, começa o ritual artificial de “desnudamento” do competidor que pisou na bola, que vacilou, que não convenceu. A cada questão não resolvida com precisão, uma peça de roupa é tirada dele(a). A nudez neste caso é castigada duas vezes: é uma falsa nudez, pois o competidor(a) fica atrás de um painel pintado, e somente sua cabeça, verdadeiramente, é que se mostra na telinha. UMA NUDEZ FALSA, onde uma pintura representa o que se esconde. A segunda penalidade para a pobre nudez é que esta ação representa, também, uma marginalização do ato da nudez, que já é tão vilipendiado por estas terras tupiniquins. A impressão que fica à audiência e ao telespectador é que ficar NU ou NUA é o pior dos castigos, um vexame e humilhação, e que os artistas e famosos são castigados por terem seus “corpos” mostrados a uma massa sedenta de “olheiros”.

Aqui, a nudez é alvo de gracinhas, de pudores irresponsáveis, de usurpação, pois as roupas artificiais são tiradas como punição por algo que não se conseguiu(convencer o outro). A nudez fica desprotegida e temos mais uma vez de engolir a programação pobre de espírito de nossa televisão. O ato de tirar a roupa, banalizado, só coloca a nudez numa vitrine de atrocidades do corpo, marginalizando este ato tão nobre ao espírito do Naturismo: a nobreza do ser humano frente à nudez alheia. Se a assessoria de Fernanda Lima pudesse compreender que este quadro tão sem graça, sem criatividade alguma, que deve ser uma outra “franchising” como os Big Brother, as pegadinhas, as olimpíadas do Faustão, a dança dos famosos, CQC, enfim, que falta faz um Chacrinha, saudoso Velho Guerreiro, com sua autêntica Arte brasileira na Televisão! Se estes senhores que vivem do rebaixamento da qualidade da televisão entendessem, repito, que este quadro poderia ser muito melhor aproveitado, com uma Nudez autêntica levada às telas, aos lares brasileiros, pois o horário do programa já permitia tal “afronta” aos “valores da família brasileira”. Esqueçam o que escrevi antes, já seria demais para um Naturista a possibilidade desta NUDEZ REAL destes astros e famosos, que só ficam nus e nuas nas revistas masculinas e outras, onde o corpo é somente um objeto de consumo, de imagem repleta de subterfúgios de photoshops e outros “reguladores” da estética escravocrata da mídia e da moda. Tempos cruéis estes, em que a nudez é escamoteada, onde volto a lembrar do Velho Guerreiro, pois ao menos o bacalhau que o “Russo” jogava à platéia tinha cheiro de bacalhau, era VERDADEIRO. Não existe corpo de papelão!

*Jorge Bandeira é Naturista, historiador e hinduísta (bem antes de “Caminho das Índias”).