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segunda-feira, 4 de julho de 2011

As bombas começam estourar na Colina do Sol

A cabeça da administração é um incógnito
Publicamos ontem o "Boletim Informativo N°. 01" da admini- stração atual da Colina do Sol, sob a presi- dência de alguém cujo nome o boletim não informa. Tudo escrito por He Who Must Not be Named é cheio destas estranhas lacunas.

Confirma que a bomba d'agua estourou. As bombas das terras são para estourar também, e há outras bombas ainda, prontas para detonar. Mas destas, não se trata.

Fala que alguém acompanhou o "processo de doação da Masti", sem informar que a Masti foi doado. Dado os armadilhas sempre presentes nas "doações" feitos pelo Celso Rossi e Paula Fernanda Andreazza, seria bom saber quais contrapartidas fizerem parte desta "doação", e quais obrigações atuais ou potenciais foram assumidas. Pode ser que foi um negocio limpo, mas cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça.  E de cobras a Colina do Sol está cheia. 

Para  começar, a Colina do Sol está sentada acima de terra que é de simples posse, ou de terceiros, ou penhorada para garantir as dívidas trabalhista de Celso Rossi, ou para ser penhorada para quitar a dívida dele com o BRDE, onde de maneira fraudulenta ofereceu a escritura de um terreno que não tem nem sequer uma cabana em cima, dizendo que era o terreno ao lado da lagoa onde o hotel foi parcialmente erguido - e até a lagoa.

Que solução a administração propõe para estes problemas, importantes e cada vez mais urgentes? Nem reconhece os problemas. Soluções existem, começando com um levantamento das terras, confirmando que o hipoteca de BRDE recai sobre o terra sem valor, e não no filé da Colina. Mas o assunto passa em branco.

O que pifou 

A "informativo" explica o que deu com o poço. Eu sabia de vizinhos que houve um barulho infernal de furar um poço novo, e tinha ouvido que os raízes dos eucaliptos foram o motivo. O boletim explica pelo menos isso em detalhe.

Nas entrelinhas, fica claro também que há problema com os equipamentos:
  • da piscina de pedra, 
  • da piscina térmica,  e 
  • da sauna 
e não há previsão de conserto, nem dinheiro. "Não há margem para atender a nenhuma dessas exigências," nas palavras de He Who Must Not be Named.

A Colina saiu da FBrN 

O informativo tem o mérito de informar que a Colina saiu mesmo da FBrN. O que a FBrN falou, é que "pediu para sair". Pediu, coisa nenhuma. Não é preciso pedir licença. A FBrN teria como argumentar, talvez, se tivesse prosseguido na averiguação sobre as terras, comprados quando Celso Rossi usava o CNPJ da FBrN para tudo. Mas a Federação abriu mão disso. E a Colina do Sol deu às costas da mão para o FBrN.

Selinho

O saída da FBrN tem seus raízes, conforme o comunicado, no custo dos selos da INF, que deu um prejuízo de R$2000 no CNCS.  A "adminstração anterior" tinha comprado duzentos selos. O porque disso não é explicado no memorando, mas é só dar nomes aos bois. A "adminstração anterior" é Etacir Manske e João Olavo Paz Rosés, que com os votos aos quais estes selos deram direto, eleger-se conselheiro e presidente da FBrN.

Compraram a eleição, e penduraram a conta.

Que a Colina deixaria a porta bater nas bundas bronzeadas deste par não foi nenhuma surpresa. Já era esperada. Por isso Wagner, aquele de cocar, não perdeu a vaga de conselheiro da FBrN quando sua base, Sonata, deixou a Federação. Teria aberto um precedente. Ele continuando, Eta e Joâo Olavo poderiam também continuar.


"Transparência" financeira

O boletim promete transparência financeira - e não entregue. Foi apresentado em março, ouvi, um balanço da Colina do Sol. Desde então, sr. Silvio Levy, dono de mais de metade das "concessões residenciais" e de uns 40% dos "Titulos Patrimonias", tem requisitado uma cópia do dita cujo, e não tem recebido.

Se nem ele recebe, quem mais vai receber? Diz que é para comparecer na Secretária. É uma maneira de dizer, quem mora longe, não receber. Muitos "títulos" e "concessões" foram vendidos para estrangeiros; para eles, a "transparência" só vale com uma viagem intercontinental?


Clube, Condomínio, ou Resort?

O que é, exatamente, a Colina do Sol, é uma pergunta levantada já com resposta. Para a diretoria atual, a questão é simples. Na realidade, não é. Registramos hoje que notamos o assunto, mas a análise do mesmo, fica para a próxima.

domingo, 14 de março de 2010

Ainda sobre as mulheres: o mito Elvira Pagã

Por Laércio Júlio da Silva


14 de Março de 2010

Como março é considerado o mês das mulheres, é pertinente continuar no mesmo assunto. Já muito escrevi sobre a importância das mulheres no movimento naturista, sua contribuição para com o feminismo e a luta pelo resgate do seu próprio corpo. A principal delas, ideóloga e militante responsável pelo que existe na atualidade em termos de naturismo no Brasil, foi sem dúvida nenhuma Dora Vivacqua (Luz Del Fuego, 1917-1967). Mas existiu outra personalidade controvertida e escandalosa com imenso destaque nos anais do naturismo e do feminismo contemporâneo chamada Elvira Pagã. Criatura extraordinariamente inquieta, veio ao mundo para sacudir as entranhas de uma sociedade extremamente conservadora que considerava qualquer artista a “escória da humanidade...”
Nascida Elvira Olivieri Cozzolino (1920-2003) foi protagonista de um dos maiores escandalos da época. Inventora ou descobridora inusitada do biquíni brasileiro, no verão quente de 1949 em plena Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro uma multidão delirante não tirava os olhos do carro alegórico em que ela se apresentava envolta em frutas tropicais. No destaque, como uma deusa do pecado, a Rainha do Carnaval na época, exibia um corpo maravilhoso num ousado traje de banho dourado. Depois que sua capa estilo toureiro fora arrancada pelos fãs ensandecidos, ela rasgara um maiô adaptando o modelo “duas peças” usado no teatro rebolado, lançando oficialmente o biquíni num Brasil repressor e moralista. A plebe gritava por todos os lados: “Olha a Elvira Pagã! Olha a Elvira Pagã!”. Vem dai o nome artístico.
Foi uma das primeiras artistas brasileiras a explorar o impacto do nudismo, disputando com Luz del Fuego o espaço nos noticiários escandalosos da época. Ativista cultural fez oito filmes, como O Bobo do Rei (1936), Cidade-Mulher (1936), Alô, Alô Carnaval (1936), Dominó Negro (1939), Laranja-da-China (1940), Carnaval no Fogo (1949), Aviso aos Navegantes (1950) e Écharpe de Seda (1950). Rainha do Carnaval durante muitos anos ao longo da década de 50, cantora e compositora lançou treze discos junto com sua irmã. Elvira Pagã foi uma figura emblemática e representante maior da fase do Teatro de Revista brasileiro. Escreveu alguns livros, entre eles “Revelações” e “Vida e Morte”, chegando inclusive a ocupar a cadeira de número 12 da Academia Paulista de Letras. Em 1949 ajudou a formar a “Companhia Juan Daniel”, e construiu seu próprio teatro, O Follies, cujo imóvel pertencia a Antônio Carreira. Estreou com a apresentação de espetáculos que incluíam o nudismo com a participação de Luz del Fuego.
A jornalista e professora de comunicação pela UFRGS, Doris Fagundes Haussen desenvolveu um artigo intitulado “A Revista do Rádio através de seus editoriais (década de 50)”. Nesse trabalho, ela relata um fato curioso que demonstrava uma tentativa da revista em evidenciar uma vida “famíliar” e “pasteurizada” para a vedete Elvira Pagã, adepta do nudismo que viria mais tarde a ser intitulado naturismo. Na seção da revista n° 222, “Minha casa é assim”, foram publicadas uma série de fotos da artista, vestida, mostrando a sala, o quarto e a cozinha, terminando no banheiro com a vedete enrolada em uma toalha, dentro da banheira, junto a uma bolsa de crocodilo, descrita como “para guarda de pertences de banho”. Foi a primeira mulher brasileira a fazer plástica nos seios numa época anterior a moda do silicone. Ficou conhecida por ter posado nua e distribuído a foto como cartão de Natal, sendo na época presa e acusada de “atentado ao pudor”.
A partir dos anos 70, nos moldes do conservadorismo imposto pela chamada “marcha da família”, visada e perseguida pela ditadura que se instalara no país, abandonou a rotina de evidências tornando-se reclusa. Terminou seus dias como pintora e adepta do esoterismo. Morreu aos 83 anos de idade depois de uma vida intensamente polêmica e produtiva.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.


www.goiasnat.com.br



"Não ande na minha frente, eu posso não te seguir. Não ande atrás de mim, pode ser que eu não te guie. Caminhe junto a mim e seja meu amigo." Albert Camus