A Colina que dá certo
O Movimento Colina para Sempre, nesse número com novas assinaturas, representa
uma corrente de opinião, que expõe e analisa a história da Colina do Sol, buscando
esclarecer fatos e propor ideias. Em seu último Boletim, O Movimento Colina para
Sempre enfatizou como é importante compreender a filosofia do Naturismo e com ela
olhar o passado e o futuro da Colina do Sol. Uma filosofia fundamentada em três
pilares: a) harmonia com a natureza; b) prática da nudez social, com a intenção de
favorecer o respeito próprio e o respeito mútuo; c) cuidado com o ambiente natural.
Para que esse espírito se concretize, é fundamental preservar a confiança entre os
colineiros, evitar que problemas pessoais se transfiram indevidamente aos ambientes de
convivência e travem o bom entendimento e a atuação das instâncias do CNCS. É
necessário também valorizar as raízes e o ideário da Colina do Sol, por meio de uma
agenda positiva. Nessa época de proximidade das eleições, em particular, convém
debater fraternalmente os compromissos a serem assumidos pelos dirigentes do CNCS a
partir de março de 2013, de maneira aberta e propositiva.
Para colaborar com esse debate, é importante considerar fatos e realizações dos últimos
anos, especialmente quando são pouco visíveis. Por isso, no Boletim anterior relatamos
as importantes aquisições e melhorias em nossa infraestrutura, em serviços de energia
e água, básicos para o bem-estar de todos na Colina do Sol. Tais ações se viabilizaram
pelo envolvimento pessoal de vários sócios, o que resultou em obras de qualidade feitas
com grande economia de recursos, graças ao trabalho voluntário e a doações
importantes de membros do Clube.
Esta é uma constatação essencial: não são projetos mirabolantes ou grandes negócios
lucrativos que permitiram à Colina do Sol manter-se funcionando e atraindo pessoas
para o seu convívio. Foi o trabalho realista e persistente de um grupo considerável de
sócios, através de contribuições associativas pagas pontualmente, de doações em
tempo e em dinheiro, de dedicação diuturna aos Conselhos ou em tarefas de apoio.
Veja-se o caso da Sede Social do CNCS, que assim como outras benfeitorias contou com
a adesão de muitos sócios, com uma valiosa dedicação profissional voluntária e,
sobretudo, com uma lista imensa de doações (utensílios, eletrodomésticos, estrutura
física, etc.). Tudo para que o CNCS possa dispor de um local próprio para eventos, à
disposição de todos os sócios, para seu encontro e congraçamento. Nada mais vital, e
natural, considerando-se a filosofia e os objetivos do nosso Clube!
Uma Colina perene e verdejante
O CNCS também se livrou de sérios apuros, decorrentes de causas trabalhistas movidas
contra a empresa Naturis, sediada na Colina. No primeiro caso, a área do CNCS ficou
ameaçada de ir a leilão, mas foi salva por uma cotização entre sócios no valor de R$
25.225,40. Já em 2012, um novo processo, no valor de R$ 8.787,95, foi saldado por um
grupo de sócios, para evitar que a situação anterior se repetisse. Nenhum dos
colaboradores ficou se engrandecendo, considerando-se alguém decisivo para Colina,
como infelizmente alguns têm feito. A modéstia combina com o Naturismo!
Enquanto essas iniciativas aconteciam, levantou-se uma surpreendente grita contra a
retirada dos eucaliptos da área residencial da Colina, embora fosse a única maneira de
eliminar o perigo crescente que essas árvores representavam à integridade física dos
cabaneiros e de implantar um novo projeto paisagístico, que hoje está dando uma nova
fisionomia ao Clube. Essa transformação deveria ser saudada como um grande feito em
vários sentidos, mas especialmente por corresponder aos preceitos de harmonia e de
cuidado com a natureza: trocou-se uma espécie exógena, hostil à flora e à fauna, de
interesse apenas à exploração comercial de madeira e celulose em áreas despovoadas,
por espécies nativas selecionadas que estão renovando o bioma com outras espécies
vegetais e animais, de uma beleza que já começa a se manifestar.
Mas com má vontade, nada se constrói. Ao afirmarem que a substituição das árvores foi
arbitrária, os críticos esqueceram que, pelo risco que ofereciam e por acidentes que
provocaram, a supressão dos eucaliptos era uma necessidade antiga, reiterada em
reuniões e atas. Faltava uma solução. Isso levou alguns sócios a suprimirem árvores ao
redor de suas cabanas. O fato representou inclusive uma alternativa econômica para
quem se encarregou da tarefa de corte e venda da madeira.
Se essa política prosseguisse, para cada eucalipto retirado da área das cabanas o CNCS
iria perder um segundo da área despovoada, que seria cortado e vendido junto com o
primeiro pelo sócio permissionário do serviço, exigência sua para rentabilizar o negócio.
Mesmo assim, o sócio desistiu, alegando falta de lucro. Por isso, são de má-fé as críticas
que acusam o Conselho Deliberativo de ter feito mau negócio, por haver pago o serviço
de corte e remoção com a entrega da madeira. Pela lógica anterior, se mil eucaliptos
fossem cortados, dois mil seriam perdidos pelo CNCS, sem qualquer indenização!
Porque, naquela época, não houve reclamações?
Além disso, não se tratava de uma plantação comercial pronta a ser derrubada, mas de
uma situação legalmente irregular: eucaliptos envelhecidos, em terreno rochoso e entre moradias, expondo seus ocupantes, sócios ou visitantes, a riscos gravíssimos, o que redundaria em responsabilização do CNCS. Por isso, o contrato de corte envolveu um
seguro contra incidentes e danos, regiamente cumprido pela equipe contratada. Para
evitar prejuízos ao terreno, o trabalho foi realizado sem tração mecânica, apenas com
uma junta de bois. Por isso, se estendeu por sete meses, algo inaceitável para uma
empresa convencional do ramo. Após a supressão das árvores que estavam no critério
de corte, a comunidade colinense foi consultada e a maioria optou pela retirada total
dos eucaliptos na área residencial.
Uma terceira crítica, igualmente infundada, refere-se à perda de patrimônio do CNCS,
no qual os eucaliptos haviam sido contabilizados. Providências contábeis têm sentido,
mas não podem converter-se em uma ficção que esconde a realidade: os eucaliptos
eram um grande problema, não uma fonte de investimentos ou de valorização do
patrimônio do CNCS. Foram substituídos por outras espécies, cujo valor intrínseco em
relação às finalidades do Clube é indiscutivelmente superior, além de embelezarem a
Colina e garantirem tranquilidade perenemente. Cabaneiros desta área podem agora
estender suas cangas ao sol, na grama ao lado das cabanas. Ninguém precisa temer
vendavais, sobressaltar-se à noite. Todos podem ocupar ou alugar suas cabanas sem
maiores preocupações. Em caso de venda, é lógico que venham a obter um preço
melhor. Os cabaneiros ganham e o Clube também!
Precisa-se dizer mais? Segundo cálculos, 20% dos eucaliptos foram retirados, restam
80% de boa qualidade e em lugar sem residências, propício à venda comercial. Entre as
cabanas, o replantio recompõe o ambiente natural. Voltam passarinhos e animais
nativos. O CNCS corrigiu um erro histórico. Merece aplausos.
Uma Colina do Sol natural permanece em nossos sonhos!
Saudações naturistas!