domingo, 7 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
(Numa perspectiva naturista)

“Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro, decorador de interiores e estivador”.
(Fernando Veríssimo)

Seria cômica, se não fosse trágica, a assertiva bastante apropriada de Fernando Veríssimo acima descrita. Sem dúvida alguns avanços foram conseguidos na luta para emancipação da mulher, por outro lado, teve e ainda tem um preço alto a considerar.

A mulher nos dias atuais cuida da sua casa, da família, do trabalho (direito também conquistado com muito suor e lágrima) e de si mesma. Pronta no horário para deixar e pegar o seu filho na escola, ir ao supermercado e não podemos esquecer do Shopping. O resultado não poderia ser outro, estresse. Ah! Sim, a gente pede que elas arrumem um tempinho para leitura de um bom livro também. Só pode ser uma piada de muito mal gosto!.

O jornal “A Gazeta” do dia 07/03/10, um dia antes da comemoração do Dia Internacional da Mulher, Elaine Vieira publica sua reportagem com o título “Quer fazer a sua mulher mais feliz? Dê tempo pra ela!”, mostrando claramente que a falta de tempo prejudica até o sono delas. Podemos então, questionar os seus limites e se as conquistas foram até agora libertadoras ou se na realidade afirmamos o machismo (que não deu certo nem nas administrações das empresas) e um sistema econômico que ficou privilegiado por reduzir seus gastos com a folha de pagamento.

As mulheres brasileiras recebem, em média, salários 34% inferiores aos dos homens, a maior diferença registrada entre os 20 países pesquisados para um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Confederação Sindical Internacional (CSI), com sede em Bruxelas. O Brasil ocupa pior colocação em ranking de diferenças salariais entre os sexos.

Fazendo uma pesquisa minuciosa na internet, a maioria cita o direito a voto e ao trabalho como conquistas, não deixa de ser verdade, mas, o direito de ser tratada em iguais condições ainda não foi conquistado. A liberdade de expressão dos seus instintos deixa de existir, fica escondida nos valores ditados por normas sociais que preconizam a mulher como a mais bela da criação, mas não as deixam livres. Sabemos, biologicamente falando, que os prazeres sexuais tanto do homem quanto da mulher é neurológico, portanto, naturais, não existem motivos para o separatismo.

Divisões estas que chegamos ao disparate de classificar carros para uso feminino e outros para masculino, sem falar em perfumes, e tantos outros produtos colocados à venda. Interessa a quem essas divisões sem fundamento científico algum? Somente para finalidades mercantis. É interessante separar o corpo da mulher para ser vendida em forma de revistas pornográficas, filmes e moda. Já dizia Luz del Fuego: “O mundo tem sido o grande palco da hipocrisia...”

A percepção desse jogo não é para todas as pessoas, é preciso mente e corpo livres. É necessário entender que é no conjunto (macho e fêmea) que faz a vida se manifestar naturalmente. Numa carta-depoimento da Profª Sonia Maria Braucks Rodrigues ao Paulo Pereira em seu livro “Corpos Nus” ela diz: “Assim, o homem tem duas atitudes equivocadas em relação ao seu próprio corpo: vestiu-o e despiu-o em nome de culturas não-naturistas. Tanto a roupa como a nudez como atitudes não-naturais, servindo do propósito do consumo voraz”.

As roupas sempre esconderam o que era para ser visto como natural, ficamos reféns dos valores sociais que ditam as regras e não nos deixam ver que o corpo humano, na realidade, é o templo da alma. Passamos a ter um culto obsessivo ao corpo que o tempo, com certeza, irá nos frustrar e trará sérios danos à saúde físico-mental. Allan Kardec já tinha feito a seguinte observação: “Apegando às aparências, o Homem não distingue a vida além do próprio corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado o corpo, tudo se lhe afigura perdido, desesperador.”

O equilíbrio entre mulheres e homens nas áreas naturistas sempre é bem vindo, não necessariamente uma pré-condição. Os homens foram beneficiados com a sua liberdade desde cedo, ainda bebê, enquanto as mulheres estão ainda adquirindo seus espaços. Com muita dificuldade tentam vencer seus bloqueios pessoais que lhe foram impostos todo esse tempo, não existe felicidade onde não há liberdade. Na verdade, o naturismo não é somente processo de regressão ao passado (dos irmãos aborígines), mas também é uma evidência de progresso.

No naturismo a mulher é colocada numa condição nobre e igualitária, não há porque ser diferente. No entanto, a sua resistência tem demonstrado ser maior do que a dos homens. Acredito que, por pressões sociais e familiares, se preocupam com conceito de moral. A nudez humana não tem nada de imoral, simplesmente é natural. É bom que busquem informações de fontes confiáveis do que representa esse movimento no mundo. É uma questão de conscientização que infelizmente ou felizmente é preciso ler e sair da ignorância.

Tenho em minhas mãos, depoimentos de pessoas que viveram e tiveram experiências com os índios por longo tempo. Estes nunca viram agressões às suas crianças, e estão nus. Enquanto não são poucos os casos que são observados em nossa sociedade, dita moralista, dos abusos sexuais as quais tem sido as nossas infringidas. Eu pergunto: Que tipo de educação tem sido dada às nossas crianças que valorizam mais as roupas do que seu próprio corpo? Quanta doença!!!

Estamos comemorando mais uma vez o Dia Internacional da Mulher, as futuras gerações estão em suas mãos. Então que sejam de mãos generosas e de mentes livres para que tenhamos menos agressões e mais amor. Que a liberdade consciente e de respeito seja, não somente para as mulheres, mas um objetivo a ser alcançado de todas as nações. Que homens e mulheres possam entender que, unidos representam melhor a imagem de Deus.


Evandro Telles
07/03/10

CADÊ AS MULHERES BRASILEIRAS NATURISTAS??


Nesses alguns anos de prática peladista, de ficar pelada em casa, de ficar pelada em praias, eventos, etc., vejo que há mais homens que mulheres nos lugares onde os pelados estão. Ei, mulherada! Cadê vocês? O que acontece com vocês que não se manifestam, que não se apresentam? Vocês não gostam de tirar a roupa? É isso? Eu sou mulher, mas não sinto que a idéia de que a mulher sofre uma pressão para ser pudica me atinja; por isso gostaria de entender esse fenômeno, e que daí ela aprende a não se sentir à vontade com seu corpo e que a mulher é mais vaidosa e precisa de acessórios para se sentir bonita, entre esses acessórios a roupa, e tal e tal.

As listas naturistas estão cheias de homens opinando; mas que pouquíssimas mulheres se manifestam isso é verdade, umas três ou quatro apenas. Nesse fatídico dia da mulher, é um bom momento para falarmos sobre a presença feminina nesses lugares. Quando há casais nos ambientes naturistas, às vezes, as mulheres não têm voz. Quem se manifesta e decide sempre são os homens, salvo alguns grupos de homens naturistas liderados por uma única mulher, que também ocorre.

Meninas, o que acontece? Me contem porque eu não entendo!?!?! Se um homem é convidado para ir num lugar desses, eles não fazem cerimônia, já quando falo do assunto com algumas mulheres brasileiras... ai meu Deus! Então... expliquem, porque o naturismo parece coisa de homem? Por que é que freqüentam praias usando um biquíni minúsculo, mas não freqüentariam uma praia sem esse biquíni minúsculo? É por que as mulheres vigiam demais umas às outras? Por que ficam olhando as pelancas e celulites umas das outras? Por quê? Pra quê?

Mulherada, como vão os churrascos aí?!?!?

Ariana Boss

sábado, 6 de março de 2010

A mulher naturista

Publicado no jornal Diário da Manhã

A mulher naturista

06/03/2010
O Dia Internacional da Mulher não é somente um dia em que os homens rendam homenagens ou ofereçam presentes às mulheres num gesto de complacência semelhante ao Dia das Mães ou Dia dos Namorados. É uma data de lutas históricas do século passado que nos remete ao movimento por melhores condições de trabalho e pelo direito ao voto feminino. Em 19 de março de 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada a proposta da militante alemã Clara Zetkin, instituindo um dia internacional da mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. Um ano depois, a 25 de Março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadoras costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às péssimas condições de segurança do edifício. Presas ao incêndio, as mulheres morreram sufocadas. Na Rússia, em 8 de março de 1917, a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome e a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Com base nesses acontecimentos, todos em março, as Nações Unidas adotaram a data como o Dia Internacional da Mulher em 1975.
O mundo foi moldado tendo como base a concepção machista de sociedade. Deve ser por isso que estamos à beira do colapso em todos os sentidos... A história da libertação do corpo feminino se dá na década de 60 quando as mulheres conduziam a revolução cultural-sexual hasteando a bandeira “o corpo nos pertence”. Muito antes disso, nos anos 50 uma artista e intelectual brasileira chamada Luz Del Fuego(1917-1967) já protagonizava através do naturismo, a necessidade de um novo olhar sobre o corpo.
O movimento naturista mundial, apesar de não aceito por parte da intelectualidade, é um dos pioneiros dessa discussão. Mas, voltando ao universo feminino, o “resgate do corpo” foi uma reflexão analisada através da opressão masculina, que servia para justificar posições adotadas contra ela, forçando-a a um lugar secundário ainda presenciado em algumas sociedades e atualmente mascarado em nosso dia a dia. Alegações como “o corpo da mulher é sujo”(alusão à menstruação), “o corpo da mulher é uma fonte de pecado”(alusão ao pecado original), “mulher não sabe dirigir”(alusão à capacidade intelectual) e outras, são supostas anomalias que rebaixavam a mulher em relação ao homem e mesmo que não ditas atualmente, ainda fazem parte do ideário machista de sociedade.
O naturismo oferece há muito tempo outra dimensão. Quando a mulher tira a roupa percebe que ninguém é igual a ninguém e que todos têm diferenças tratadas como “defeitos” pela sociedade de consumo fácil, passa então a se livrar do preconceito incutido nela mesmo e a partir daí tornar-se uma pessoa feliz.
A verdadeira libertação da mulher efetivamente se faz quando ela liga as políticas específicas em defesa do seu corpo às políticas mais amplas de combate ao militarismo, ao preconceito e a devastação do meio ambiente numa luta comum a todos. Se ela se afastar da luta global, estará dizendo ao universo machista que quer deixar tudo como está. Portanto, dia da mulher é todo o dia.
A mulher terá que emergir nesse novo século com o verdadeiro resgate do seu corpo: direito ao prazer, ao planejamento familiar, combate à prostituição infantil, combate às cesáreas e esterilizações indiscriminadas, contribuindo para sua libertação como ser humano, afinal ela é quem dá a vida e melhor do que ninguém sabe defendê-la.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat

Diretoria do Goiasnat
secgoiasnat@gmail.com
Visite o sitio www.goiasnat.com.br
O nosso MSN é goiasnat@hotmail.com


"Naturismo é um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, que tem por intenção encorajar o auto respeito, o respeito pelo próximo e o cuidado com o meio ambiente"