domingo, 3 de janeiro de 2010

NUDISMO SOLITÁRIO? por Deley de Acari


O texto que motivou a  reflexão abaixo do Deley esta em http://casaisnudistas.blogspot.com/2009/12/nudismo-solitario.html do Blog Casais Nudistas. 


Por Deley de Acari


É bem instigante essa pergunta já que frequento a praia de abricó e vou lá sempre sozinho. Nenhum amigo ou amiga das minhas relações cotidianas aceitou meu convite pra ir lá... bem... os poucos amigos que aceitaram foi pra ver mulheres nuas ao em vez de desfrutar de uma ambiente sadio onde as pessoas desnudando os corpos estão mais propensas a desnudar as almas e serem amizades mais puras, mais sinceras.... e desconvidei logo que percebi a intenção.
 
Pra pessoas que não tem carro como eu, ir a abricó é uma aventura: quase duas horas de onibus, mais meia hora a pé, sob morro, desce morro... por isso vou pouco, o que não dá pra fazer amizades.
Por outro lado no meio naturista,, criou-se uma verdadeira cultura contra pessoas sozinhas, principalmente se forem homens, e ainda mais se for de meia idade como eu.
 
Geralmente locais naturistas são frequentados por casais, duplas de mulheres, grupos pequenos de amigos que ficam constrangidos e reagentes a aproximação de pessoas estranhas, principalmente homens.
 
As duas vezes que consegui me aproximar de uma casal e de um grupo de tres homens e conversar por mais de vinte minutos, foi com um casal bisexual adepto do swing e  gays a procura de sexo grupal. Eram pessoas inteligentes, sensiveis de boa e agradavel conversa.
Dessas pessoas que gostariamos de conversar horas e horas...
Mas, alí, no momento, procuravam outra coisa, diferente do que eu procuro sempre em abricó: paz, tranquilidade, harmonia e gentilesa... coisas bem diferentes do que vivo no dia á dia agitado e estressante da favela onde moro e trabalho.
 
Acho que é por causa de pessoas que procuram em locais naturistas o que aquelas pessoas porcuraram aquele dia em abricó, que a maioria das pessoas. habituais frequentadoras/es de abricó são avessas e reagem a aproximação de pessoas sozinhas.
 
É importante deixar claro que a direção da anabricó mantem rigido controle de segurança, feito por rapazes educados mas atentos, só que não pode impedir ou vigiar conversas de seus frequentadores, mas age com veemencia quando há qualquer reclamação de assédio.
Naquele momento não me senti assediado, já que não me senti desrepeitado.
Talvez o ocorrido pudesse acontecer noutro lugar qualquer, independente de ser um local maturista. Acho que essas pessoas estavam fazendo o certo no local errado:
qualquer outra pessoa, como novos naturistas por exemplo poderiam interpretar que naturismo é assim mesmo, e ou nunca mais voltar a um local naturista, ou voltar outras vezes, em busca da mesma coisa que aquelas pessoas procuravam.
Nas duas alternativas é óbvio que seriam extremamente negativo, pois o neonaturista estaria achando que naturismo é isso mesmo.
Como cada naturista é também um educador naturista em potencial, estaria ensinado aos não naturistas, de forma errada, o que é naturismo, ou seja, o que nem naturismo é.
 
Os escudos de auto-defesa são tão rigidos que lhes impedem de ver com transparencia e diferenciar as pessoas que procuram pureza das pessoas que buscam sacanagem.
 
Pessoas que frequentam lugares naturistas, apesar das diferenças que possa existir entre elas, de classe, de raça, de sexo, etc... tendem a ter as mesmas opiniões, mesmas afinidades, mesmos gostos, mesmas maneiras de encarar a vida.
 
O lugar naturista que cada um frequentam tenderiam, naturalmente, a ser, não só um ponto de encontro e lazer, mas de conquista de amigas e amigos, mais sinceros, mais leais, mais puros: Uma amiga que fica nua comigo por horas, com a qual fico nu por horas, com certesa será uma amiga com que vestido em qualquer lugar fora do lugar naturista, que vai se sentir a vontade pra desnudar sua alma diante da minha, confiar mais em mim, uma amiga com a qual vou me sentir mais a vontade em desnudar minha alma, confiar mais nela. Isso sem nunca jamais venha existir qualquer coisa entre nós além de pura e sincera amizade... isso vale, também pra todas as amizades que conquistemos no lugar naturista.
Relações de amizades sinceras, puras, leais construidas num lugar naturista com certesa serão assim mesmo também noutros lugares... nos churrascos, em casa pra curtir a amizade, nos teatros, no cinema, nos barzinhos de rodas de chop, todos vestidos, mas mesmo que vestidos, de almas desnudas, que as boas e duradouras e mais sinceras amizades são as que as almas amigas estão sempre sem capuz, sem mascará e sem armaduras de carne e osso,vedendado aos olhos do outro quem relamente somos, desnudos de corpo e principlamente de espirito.
 
deley
 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

COPENHAGUE E NATURISMO


Evandro Telles de Oliveira
26/12/09
  

Foi encontrado um animal com fraturas expostas e imediatamente o levaram para uma clínica para tratamento, o que aconteceu com ele? Foi pisado, bateram com pauladas em sua cabeça e o chutaram. O pior disso tudo foram crianças na porta de uma escola. O pobre do animal pensou que tendo crianças, ali encontraria algum carinho. Ao contrário, só foi mal tratado e massacrado. As nossas crianças estão mais agressivas ou está havendo alguma falha dos pais e professores na sua educação? Perguntas que ainda estou procurando respostas.

Alguém que está lendo esse texto poderá questionar. Sim, o que tem isso a ver com os 192 representantes de diversas nações reunidos para tentar resolver sobre o clima na terra e o que tem a ver o fato acima mencionado com o naturismo?
Dentro de uma teoria chamada “quântica” todas as coisas estão interligadas, o prego que sustenta a estrutura do telhado da casa tem a mesma importância do cimento que é usado para realizar a sua base. Esse conjunto é que torna possível a sustentação do imóvel.

O naturismo tem, sim, responsabilidade também com nossos animais, provavelmente nem tanto quanto os protetores, mas precisa também ter o envolvimento com as questões ambientais. Se continuarmos nesse raciocínio, chegaremos à conclusão que a nossa maior defesa é com a VIDA.

Fico pelado porque gosto, coloco-me numa posição de igualdade entre os demais, passa não existir os preconceitos, repercute na minha integração com os demais participantes desenvolvendo amizade e solidariedade, me sinto parte da natureza que utilizo para o meu bem-estar físico e mental e procuro defendê-la para preservar a VIDA.

No Naturismo sempre citamos o “Respeito” como um dos principais objetivos a ser alcançado. Tanto é que na sua definição é citada “QUE TEM INTENÇÃO ENCORAJAR O AUTO-RESPEITO. O RESPEITO PELO PRÓXIMO E O CUIDADO COM O MEIO AMBIENTE”. Só que essa palavra é ampla, pode significar respeito para com o ser humano, com os animais, com o meio-ambiente, com os compromissos assumidos, com o horário marcado, com o dinheiro, com as opiniões contrárias, etc.
Sem considerar o problema ambiental para ser debatido, o movimento naturista perde o sentido e deixa um vazio, torna-se um movimento sem valor, o que não é o caso.

Na sua essência o Naturismo é uma filosofia que mostra que podemos viver em harmonia com a natureza, mas a cada ano que passa o ser humano a destrói colocando em risco a nossa própria sobrevivência e os detentores do poder o que fazem? Simplesmente nada porque o sistema econômico não quer perder o domínio do dinheiro.
É difícil salvar os lobos sem sacrificar as galinhas.

O texto escrito pelo Ven. Dr K Sri Dhammananda sobre atitude Budhista quanto à vida animal afirma de uma forma bem clara “A crueldade do homem em relação aos animais é uma outra expressão de sua ganância incontrolável. Hoje destruímos os animais e os privamos de seus direitos naturais para nossa conveniência. Mas já estamos começando a pagar o preço por esse ato egoísta e cruel. Nosso meio ambiente está ameaçado e se não tomarmos medidas severas para a sobrevivência de outras criaturas, nossa própria existência na terra pode não estar garantida.”

Não é surpresa para ninguém que a reunião desses representantes em nada iria contribuir. Afinal, as arrogâncias, os descasos e as agressões que causamos vêm desde cedo, lá na escola do 1º grau já se praticavam as injustiças contra os mais fracos. E como não é com a gente, calamos, ignoramos, achamos que nada temos com isso, meu caso é somente com o naturismo. Mas somos sim, todos responsáveis por delitos sociais que, apesar de nos sentirmos impotentes, também nada fazemos para mudar o quadro.

Cobramos muito e damos pouco em troca. É preciso levar ao conhecimento dos naturistas não somente a consciência da nossa nudez, mas também outros assuntos igualmente importantes. Queremos divulgar o estilo de vida dos naturistas para muitos que somente ouviram falar. Possuem a curiosidade, mas não procuram informações sobre o assunto. Do mesmo modo não podemos aceitar a nossa prepotência de acharmos que outros conhecimentos das ciências sociais em nada poderiam contribuir para com o naturismo.

O Laércio, diretor da FBrN e Presidente do Goiasnat tem nos mostrado por meio dos seus artigos, que os naturistas também se preocupam com as questões ambientais. Despertam em nós a consciência da nossa natureza e que o modelo econômico criado para nos proteger é o mesmo que poderá nos exterminar. Será que somos realmente o câncer da terra?

Sem termos uma noção exata do papel que temos que desempenhar e da dimensão que atingimos na defesa da nudez humana, ficaremos vulneráveis com os argumentos e ataques de pessoas radicais que ainda estão presas nos falsos valores sociais, mesmo com todas as informações hoje disponíveis, não se descobriram.

O Naturismo é rico, filosoficamente falando, pode ser estudado em muitas disciplinas das Ciências Sócias, tais como Psicologia, Antropologia, Psicanálise, etc. É necessário incentivar trabalhos acadêmicos e ao mesmo tempo assumir em toda a sua essência e com orgulho dizer SIM, SOU NATURISTA, DEFENDO A VIDA NA SUA PLENITUDE.. 

 Espero que no III Encontro Latino-Americano que deverá ser realizado nos dias 5, 6 e 7 de Março/2010 na Colina do Sol não venham discutir somente a evolução do naturismo como aumento do número de adeptos e sim a evolução no sentido cultural, mostrando que também somos responsáveis para descobrir o porquê da agressividade com que nossos animais são tratados. Devemos nos conscientizar também que somos, na realidade, APENAS UM, e o respeito que tanto defendemos deve ser estendido em todo nosso relacionamento social.

Evandro Telles de Oliveira
26/12/09

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Construindo a Cidadania Planetária em 2010

Por Laércio Júlio da Silva 

30/12/2009
Esperamos que 2010 seja o ano em que a cidadania planetária se constitua em um novo recomeço para a humanidade como a conhecemos atualmente. Existem vários grupos atuantes espalhados pela sociedade que pactuam das mesmas idéias convergentes: a de que o mundo só pode ser salvo através de uma nova concepção envolvendo a cultura da paz e a união entre os povos. Superando diferenças, um movimento heterogêneo está se formando com as mesmas conclusões. São entidades religiosas, filosóficas e científicas de todas as matizes comungando do princípio que homens e mulheres do Século XXI devam estar irmanados no antigo conceito de aldeia global que só agora começa a se concretizar com o advento da tecnologia presente na telefonia móvel e na internet. Quando esse conceito foi formulado não se imaginava a que ponto chegaria à derrubada das fronteiras com a comunicação. Somos hoje cidadãos do mundo ligados pela tecnologia virtual da rede de computadores e como tal devemos agir rumo ao desenvolvimento real de um novo conceito de cidadania. Cidadania que só deverá ser exercida em sua plenitude quando as camadas menos favorecidas estiverem participando técnica e conscientemente da globalização do conhecimento e de toda a sabedoria universalizada.

Sabemos hoje que cientificamente tudo que existe no universo é feito da mesma matéria química. Seja mineral, vegetal ou animal a sua totalidade é constituída de elementos presentes e comuns a todos. Interligados, sabemos também que somos parte do cosmos e o “bater das asas de uma borboleta aqui pode provocar um furação do outro lado do mundo”. Obviamente tratando-se de uma alegoria, o conceito sintetiza a importância das ações coletivas e a responsabilidade que temos sobre o chão que pisamos.

A noção de cidadania planetária surge a partir de uma concepção onde se afirma que, independente da nacionalidade, habitamos o mesmo planeta ao qual devemos cuidar e compartilharmos princípios e valores éticos próprios de uma comunidade humana que atualmente vive o desafio de contradições como é o caso da alta tecnologia convivendo com a pobreza endêmica. E a pergunta que não quer calar é: se somos capazes de chegar a Lua e construirmos computadores infinitamente potentes, porque não conseguimos resolver os problemas sociais comuns a todos os povos? A melhor resposta está na falta de uma consciência planetária. Razão racional e lógica que entenda que todas as raças são irmãs comprovadas cientificamente e que não existem diferenças a não ser as criadas pelo próprio homem.

Um ser que compartilha e que cuida. Esse é o resultado ideal da educação voltada para a cidadania planetária. Portanto,  o desvelar,  a  ética  e  o cuidado com o meio ambiente se  apresentam  como norteadoras destes novos  rumos, das  transformações profundas que necessáriamente operarão os caminhos da espécie humana.

Devemos estar conscientes de que a edificação de uma sociedade mais justa depende da transformação individual de cada ser humano, transformação esta comprometida com o amor, a inteligência e a solidariedade direcionadas para a construção de uma sociedade livre, igualitária, fraterna, buscando proteger a vida planetária e construindo uma organização social transformadora e digna, reconhecendo que minha família é a humanidade e que estamos igualmente irmanado com todos os seres viventes.

O ano de 2010 pode ser o início de um novo paradigma para a humanidade. Desejamos a todos e a todas uma nova e profunda reflexão, sendo o ano vindouro repleto de idéias e ações por um mundo melhor que sabemos ser possível.

“Haverá lugar para os pecadores desesperados que vêm para ferir a humanidade pelas suas próprias crenças? Um só amor! Um só coração! Vamos seguir juntos para ficarmos bem...” (One Love – Bob Marley).

Um feliz 2010 ecologicamente sustentável para todos!


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.