segunda-feira, 20 de abril de 2009

DO CIGARRO AO NATURISMO

DO CIGARRO AO NATURISMO

Existem três motivos para a nossa existência. Vivemos para o corpo, para a mente e para a alma. Nenhum desses motivos é melhor ou mais sagrado do que o outro; todos são igualmente desejáveis e nenhum dos três pode alcançar a plenitude se a um deles for negada uma vida integral e expresssiva. Extraido do livro “A ciência de ficar Rico” de Wallace Delois Wattles.
Não pretendo repetir aqui a definição de naturismo, já foi colocada em textos anteriores a este, mas não custa nada lembrar que naturismo é respeito à natureza, as nossas diferenças e ao seu próprio corpo. Como disse a Joseane em sua palestra proferida no Síto Beija-flor em Mogi Mirim em 14 e 15/02/09 “NATURISMO É VIDA, É NUDEZ CONSENTIDA, É MOVIMENTO SUSTENTÁVEL”.
Para aqueles que estudam o naturismo, sua história e o seu desenvolvimento sabem perfeitamente da incompatibilidade do tabagismo com o naturismo, são opostos que não podem conviverem no mesmo espaço, porque enquanto um defende a vida e o respeito o outro a tira e agride a natureza de si próprio e dos que estão próximos, e por chegar a esta conclusão óbvia considero o verdadeiro naturista aquele que não sabe somente ficar nu, mas também aquele que tem a postura de defensor da vida. Como já disse em outras oportunidades, as Associações Protetores dos Animais e os Naturistas podem sair de mãos dadas em defesa dos mesmos ideais, A VIDA.
Faço ainda um observação importante, alguns anos atrás o cigarro era considerado uma forma de status, as propagandas mostravam os indivíduos que tinham sucesso fumavam e para as mulheres representava charme e sensualidade.
Já trabalhei numa sala fechada com ar refrigerado com 6 a 7 pessoas, sendo 3 fumantes que acendiam seus cigarros normalmente e não eram repreendidos. Já viajei de ônibus interestadual que qualquer um poderia acender o cigarro tranquilamente e ninguém ficava chamando a atenção por isso. Nos dias atuais isso é inacreditável, para a nova geração é mentira minha. Quem fuma hoje passa vergonha porque é discriminado, está agredindo a natureza de outras pessoas.
O que aconteceu? Aconteceu uma mudança de valores, as pessoas querem uma purificação dos corpos, busca a saúde através da alimentação. academias e caminhadas. Naturistas estão na expectativa da purificação das mentes que mais cedo ou tarde também acontecerá, é que o autor Wallace cita: Vivemos para o corpo, mente e alma, e quem sabe este texto estará sendo lido por uma geração futura que conseguiu despoluir a mente dos pensamentos pornográficos e que conseguiu viver a plenitude de seus corpos e mente? Na época ninguém acreditava que iria acontecer isso com o cigarro e olha aí o que estamos vendo. Hoje o ditado “os incomodados que se mudem” já não funciona mais.
Mudanças de valores sociais tem acontecido com frequencia, chegará um dia que pessoas andando pelas ruas sem nenhuma vestimenta será normal, será a experiência do corpo, mente e alma e repetindo as palavras de Paula Queiroga citadas na revista Brasil Naturista edição nº 7 “Desnudar é simplesmente desapegar-se, largar-se, entregar-se ao campo de experiência pura de viver o aqui-agora, o Divino que há em você; de viver a essência divina que você é; de manifestar a potencialidade da criatura, do criador e da criação que há em você. É perder o controle e acessar a consciência. É sair da doença e curar-se, tornar-se são. É ser livre, ilimitado... É reconhecer-se imortal”.
Está aí todo o ciclo dos motivos da nossa existência.

Evandro Telles
18/04/2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Criança nua, notícia crua

Marlene Bergamo/Folha Imagem
Fui para Taquara em março de 2008 para averiguar o caso Colina do Sol. A polícia tinha como indício "fotos de crianças peladas", ainda que curiosamente mostram para a imprensa cartões postais do Rei Leão. Antes de sair de São Paulo, encontrei na Folha de S. Paulo cobrindo quatro colunas, a foto ao lado, da autoria de Marlene Bergamo.

A imagem ilustra a matéria "Sem-terra devastam área de 150 mil hectares no Pará" e a ilustra muito bem: a devastação, e as pessoas que pretendem ganhar a vida daquele pedaço de terra. Há contraste e conflito entre a vida nova da criança e a vida extinta da árvore. É um problema eterno, e nada na foto a prende a este ano, nem neste milênio. E a foto é de uma beleza extraordinária.

E também a foto mostra - com ainda mais clareza no jornal impresso - de que a criança é menino. Algo meio comum entre crianças.

Temos aqui indícios de crime (fora de crime ambiental)? O fato de que a criança é visivelmente menino é mais importante do que todos os outros fatores que levaram o editor a escolher este foto para ilustrar a matéria?

Chegando em Porto Alegre, comprei uma passagem para Taquara, e Zero Hora para passar o tempo. O jornal daquele dia reproduziu na capa uma matéria de dez anos antes, sobre uma mulher que deu parto no saguão de um hospital público. "O nascimento de um brasileiro" diz o manchete, e o foto mostra Ricardo da Rosa Henrique na hora e na maneira em que ele veio ao mundo.

Foi notícia, continuou notícia dez anos depois. Devia ter sido preterido porque o menino nasceu sem roupa? Um evento que serviu para colocar de uma forma dramática um problema sério deveria ter sido relegado a uma página interior, para "não ofender" alguém?

Mas o menino? Exposto na capa de jornal, com nome e filiação? Não ficaria com vergonha? Como é que fica?

Bem, para quem quer saber "como é que fica?", há uma entrevista em vídeo com mãe e filho, da semana retrasada, aqui. Há naquele vídeo hospedado no site de Zero Hora, outras fotos que deixam perfeitamente claro que se trata do nascimento de um brasileiro, e não de uma brasileira.

Ricardo deveria fica com vergonha? De que, exatamente? De ter nascido? De ser menino? Todos nós nascemos, e metade masculinos.

Cheguei em Taquara com algo comprovado pelo maior jornal do país, e pelo maior do estado: tirar ou publicar foto de criança pelada não é crime, não. A Folha, não se confundiria: contrata grandes advogados, e espero que muito gente envolvido no caso Colina do Sol terá oportunidade de conhecer a grande Dra. Tais Gasparian.

O que são as fotos do caso Colina do Sol, então?


CAMALEOA
A top Fernanda Tavares, 28, encarnou a loira poderosa no ensaio de moda clicado por Rogério Cavalcante para o site da São Paulo Fashion Week. Ao lado do modelo Bruce Machado, 17, ela revezou perucas de diferentes cores, no melhor estilo camaleoa.
Houve, diziam, uma foto de um menino de peruca colorida.

O processo do caso Colina está sob sigilo da Justiça: as identidades das supostas vítimas e os nomes dos acusados são disponíveis no site do Tribunal de Justiça, as falsas alegações de abuso apareceram na mídia mundial. Mas a verdade, a verdade não pode escapar! Apesar disso, vazarem da material policial (antes do Fórum) umas informações de fotos.

A foto faz parte de uma série, em que tanto o moleque quanto André, Cleci, e a irmã da Cleci experimentaram a peruca. As outras fotos estão presas no Fórum, porque nelas constam "imagens de menores". Fica, então, a imagem que a polícia queria passar: de que um foto de um moleque completamente vestido, com uma peruca, era parte de algo mais sinistro.

Bem - foto de menor de peruca colorido é crime? De novo, a Folha vem nos ajudar, esta vez na coluna social de 18 de fevereiro de 2009, com um foto de um menor que não somente está com uma peruca colorida, mas vestindo mais nada. Crime? Obviamente, a Folha sabe que não é, e a polícia sabia que não era.

O problema então é a polícia brasileira? Não completamente. Uma acusação da polícia é algo atrás do qual a imprensa pode se esconder no Brasil, dizendo que "eu estava somente seguindo ordens" - quer dizer "somente dando a notícia". Nada obriga que a imprensa veicula uma bobagem óbvia, mas o desejo de vender jornais, de pegar uma "notícia de repercussão", tende a atropelar a razão.

Mas não é somente a polícia brasileira. A FBI americana foi chamada para também examinar os computadores de Fritz. Uma das "imagens mais notáveis" que encontraram, ao qual dedicaram mais espaço do que qualquer outra, saiu no Boletim da AANR, da Associação Americano de Recreação Nu. Está ao lado.

Todos estes imagens foram publicados na imprensa. As primeiras três, em "jornais familiares", a última no jornal de naturismo familiar americano. Nenhuma, obviamente, é ilegal. Mas se você tivesse elas em casa, e alguém te denunciou, a polícia diria que todas estas imagens sejam "indícios", e a imprensa aceitaria como tal.

Num hora destes, a FBrN poderia dizer, "Isso não é pornografia, isto é uma imagem naturista normal." Dr. André Herdy esperava este atitude. O que aconteceu com ele foi que a FBrN mostrou sua bunda bronzeada e correu. Se fiz isso com seu próprio presidente, o que faria com você?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nudez e sexualidade no universo Naturista por Laércio Júlio da Silva

Mais um texto que passou por varias listas naturista e replicado aqui com autorização do autor.

Boa Leitura


 

Publicado no Jornal "Diário da Manhã" em em 14/04/2009.

 
 

Nudez e sexualidade no universo Naturista

 
 

Agradecemos o Jornal "Diário da Manhã" pela cessão do valioso espaço aos Naturistas com o objetivo de esclarecer a população sobre um estilo de vida que tem encontrado cada vez mais adeptos no Brasil. O "Diário da Manhã" cumpre importante papel como veículo de informação e debate sobre esse tema considerado, ainda por muitos, tão polêmico.

Agradecemos e na medida do possível procuraremos responder aos inúmeros questionamentos que nos chegaram via sítio eletrônico desde o primeiro artigo publicado. A rigor  queremos esclarecer todas as perguntas abordando os pontos mais intrigantes.

A princípio gostaríamos refletir sobre o caráter da nudez em nossa sociedade. Um dia desses visitei um museu que reproduzia o ambiente de uma casa de sertanejos do começo do Século XX. No quarto de dormir do casal, chamava a atenção, entre as vestimentas da época guardadas no guarda roupas, uma camisola feminina. Tratava-se de uma peça de roupa única que cobria inteiramente o corpo da mulher e só permitia um orifício entre as pernas onde se consumava o ato sexual. É muito provável que o casal, mesmo nos momento mais íntimos, nunca se tenha olhado nu! Portanto, podemos afirmar que não é necessário que a pessoa esteja nua para que haja a pratica do ato sexual. Concluindo: nudez não é sinônima de sexo.

Então por que ligamos a nudez ao desejo sexual?

No mundo contemporâneo a resposta está ligada ao surgimento da sociedade capitalista baseada nas relações de consumo que exigem que a nudez seja enquadrada e transformada em material de venda para milhões de consumidores ávidos por satisfazerem suas necessidades, transformando o nu em um negócio rentável gerando milhões em grandes transações comerciais.

Uma enorme indústria se serve de padrões idílicos orquestrados pelo mercado para seduzir homens e mulheres pela nudez com estrito apelo sexual. Um exemplo disso é o mercado milionário de revistas "masculinas" e a indústria pornográfica por muitas vezes direcionando o desejo de consumo para uma meta inalcançável, ocasionando mais uma das várias frustrações e neuras doentias do mundo moderno.

Na prática o mercado consumidor promove a mistificação da nudez, inventando rótulos e padrões de beleza perfeitos e fictícios, hoje idealizados em parte com ajuda de recursos informatizados que divulgados pelos vários meios de comunicação, alimentam o mundo da moda, da sexualidade e a corrida aos consultórios de cirurgia plástica, sempre a procura de um ideal de beleza e sedução meramente fantasiosas.

Desde os tempos de nudismo de Adão e Eva no Paraíso, o pecado original surge da perda da inocência dos homens e mulheres até então imunes aos desejos materiais.
"Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá" (Livro de Jó 1-21).

Nós Naturistas somos contra a instrumentalização da nudez pela sociedade de consumo. O Código de Ética Naturista, seguido pelas afiliadas a Federação Brasileira de Naturismo(FBrN), em seu primeiro artigo proíbe terminantemente
o " comportamento sexualmente ostensivo e/ou praticar atos de caráter sexual ou obscenos nas áreas públicas". Não temos nenhuma relação com sexo e combatemos toda a forma de exploração do mesmo. Não enxergamos a nudez sobre o ponto de vista de normas estéticas, ou seja, não objetivamos traçar valores sobre corpos nus. Somos todos iguais na nudez, naturalmente imperfeitos, diferentes e por isso mesmo bonitos! Os valores sociais e matérias são deixados fora do espaço naturista e a partir daí a pessoa entra em um campo livre de imposições sociais que sufocam o ser humano. A prática do Naturismo proporciona saúde física e mental.

Assim como os militares usam sua farda, os Naturistas se servem da nudez como um "uniforme" que possibilita o mais profundo contato com a natureza e fortalece relações mais fraternas para com o próximo.

 
 

Laércio Júlio da Silva é Diretor da Federação Brasileira de Naturismo(FBrN) e Presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.

 
 

www.goiasnat.com.br