quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

COPENHAGUE E NATURISMO


Evandro Telles de Oliveira
26/12/09
  

Foi encontrado um animal com fraturas expostas e imediatamente o levaram para uma clínica para tratamento, o que aconteceu com ele? Foi pisado, bateram com pauladas em sua cabeça e o chutaram. O pior disso tudo foram crianças na porta de uma escola. O pobre do animal pensou que tendo crianças, ali encontraria algum carinho. Ao contrário, só foi mal tratado e massacrado. As nossas crianças estão mais agressivas ou está havendo alguma falha dos pais e professores na sua educação? Perguntas que ainda estou procurando respostas.

Alguém que está lendo esse texto poderá questionar. Sim, o que tem isso a ver com os 192 representantes de diversas nações reunidos para tentar resolver sobre o clima na terra e o que tem a ver o fato acima mencionado com o naturismo?
Dentro de uma teoria chamada “quântica” todas as coisas estão interligadas, o prego que sustenta a estrutura do telhado da casa tem a mesma importância do cimento que é usado para realizar a sua base. Esse conjunto é que torna possível a sustentação do imóvel.

O naturismo tem, sim, responsabilidade também com nossos animais, provavelmente nem tanto quanto os protetores, mas precisa também ter o envolvimento com as questões ambientais. Se continuarmos nesse raciocínio, chegaremos à conclusão que a nossa maior defesa é com a VIDA.

Fico pelado porque gosto, coloco-me numa posição de igualdade entre os demais, passa não existir os preconceitos, repercute na minha integração com os demais participantes desenvolvendo amizade e solidariedade, me sinto parte da natureza que utilizo para o meu bem-estar físico e mental e procuro defendê-la para preservar a VIDA.

No Naturismo sempre citamos o “Respeito” como um dos principais objetivos a ser alcançado. Tanto é que na sua definição é citada “QUE TEM INTENÇÃO ENCORAJAR O AUTO-RESPEITO. O RESPEITO PELO PRÓXIMO E O CUIDADO COM O MEIO AMBIENTE”. Só que essa palavra é ampla, pode significar respeito para com o ser humano, com os animais, com o meio-ambiente, com os compromissos assumidos, com o horário marcado, com o dinheiro, com as opiniões contrárias, etc.
Sem considerar o problema ambiental para ser debatido, o movimento naturista perde o sentido e deixa um vazio, torna-se um movimento sem valor, o que não é o caso.

Na sua essência o Naturismo é uma filosofia que mostra que podemos viver em harmonia com a natureza, mas a cada ano que passa o ser humano a destrói colocando em risco a nossa própria sobrevivência e os detentores do poder o que fazem? Simplesmente nada porque o sistema econômico não quer perder o domínio do dinheiro.
É difícil salvar os lobos sem sacrificar as galinhas.

O texto escrito pelo Ven. Dr K Sri Dhammananda sobre atitude Budhista quanto à vida animal afirma de uma forma bem clara “A crueldade do homem em relação aos animais é uma outra expressão de sua ganância incontrolável. Hoje destruímos os animais e os privamos de seus direitos naturais para nossa conveniência. Mas já estamos começando a pagar o preço por esse ato egoísta e cruel. Nosso meio ambiente está ameaçado e se não tomarmos medidas severas para a sobrevivência de outras criaturas, nossa própria existência na terra pode não estar garantida.”

Não é surpresa para ninguém que a reunião desses representantes em nada iria contribuir. Afinal, as arrogâncias, os descasos e as agressões que causamos vêm desde cedo, lá na escola do 1º grau já se praticavam as injustiças contra os mais fracos. E como não é com a gente, calamos, ignoramos, achamos que nada temos com isso, meu caso é somente com o naturismo. Mas somos sim, todos responsáveis por delitos sociais que, apesar de nos sentirmos impotentes, também nada fazemos para mudar o quadro.

Cobramos muito e damos pouco em troca. É preciso levar ao conhecimento dos naturistas não somente a consciência da nossa nudez, mas também outros assuntos igualmente importantes. Queremos divulgar o estilo de vida dos naturistas para muitos que somente ouviram falar. Possuem a curiosidade, mas não procuram informações sobre o assunto. Do mesmo modo não podemos aceitar a nossa prepotência de acharmos que outros conhecimentos das ciências sociais em nada poderiam contribuir para com o naturismo.

O Laércio, diretor da FBrN e Presidente do Goiasnat tem nos mostrado por meio dos seus artigos, que os naturistas também se preocupam com as questões ambientais. Despertam em nós a consciência da nossa natureza e que o modelo econômico criado para nos proteger é o mesmo que poderá nos exterminar. Será que somos realmente o câncer da terra?

Sem termos uma noção exata do papel que temos que desempenhar e da dimensão que atingimos na defesa da nudez humana, ficaremos vulneráveis com os argumentos e ataques de pessoas radicais que ainda estão presas nos falsos valores sociais, mesmo com todas as informações hoje disponíveis, não se descobriram.

O Naturismo é rico, filosoficamente falando, pode ser estudado em muitas disciplinas das Ciências Sócias, tais como Psicologia, Antropologia, Psicanálise, etc. É necessário incentivar trabalhos acadêmicos e ao mesmo tempo assumir em toda a sua essência e com orgulho dizer SIM, SOU NATURISTA, DEFENDO A VIDA NA SUA PLENITUDE.. 

 Espero que no III Encontro Latino-Americano que deverá ser realizado nos dias 5, 6 e 7 de Março/2010 na Colina do Sol não venham discutir somente a evolução do naturismo como aumento do número de adeptos e sim a evolução no sentido cultural, mostrando que também somos responsáveis para descobrir o porquê da agressividade com que nossos animais são tratados. Devemos nos conscientizar também que somos, na realidade, APENAS UM, e o respeito que tanto defendemos deve ser estendido em todo nosso relacionamento social.

Evandro Telles de Oliveira
26/12/09

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Construindo a Cidadania Planetária em 2010

Por Laércio Júlio da Silva 

30/12/2009
Esperamos que 2010 seja o ano em que a cidadania planetária se constitua em um novo recomeço para a humanidade como a conhecemos atualmente. Existem vários grupos atuantes espalhados pela sociedade que pactuam das mesmas idéias convergentes: a de que o mundo só pode ser salvo através de uma nova concepção envolvendo a cultura da paz e a união entre os povos. Superando diferenças, um movimento heterogêneo está se formando com as mesmas conclusões. São entidades religiosas, filosóficas e científicas de todas as matizes comungando do princípio que homens e mulheres do Século XXI devam estar irmanados no antigo conceito de aldeia global que só agora começa a se concretizar com o advento da tecnologia presente na telefonia móvel e na internet. Quando esse conceito foi formulado não se imaginava a que ponto chegaria à derrubada das fronteiras com a comunicação. Somos hoje cidadãos do mundo ligados pela tecnologia virtual da rede de computadores e como tal devemos agir rumo ao desenvolvimento real de um novo conceito de cidadania. Cidadania que só deverá ser exercida em sua plenitude quando as camadas menos favorecidas estiverem participando técnica e conscientemente da globalização do conhecimento e de toda a sabedoria universalizada.

Sabemos hoje que cientificamente tudo que existe no universo é feito da mesma matéria química. Seja mineral, vegetal ou animal a sua totalidade é constituída de elementos presentes e comuns a todos. Interligados, sabemos também que somos parte do cosmos e o “bater das asas de uma borboleta aqui pode provocar um furação do outro lado do mundo”. Obviamente tratando-se de uma alegoria, o conceito sintetiza a importância das ações coletivas e a responsabilidade que temos sobre o chão que pisamos.

A noção de cidadania planetária surge a partir de uma concepção onde se afirma que, independente da nacionalidade, habitamos o mesmo planeta ao qual devemos cuidar e compartilharmos princípios e valores éticos próprios de uma comunidade humana que atualmente vive o desafio de contradições como é o caso da alta tecnologia convivendo com a pobreza endêmica. E a pergunta que não quer calar é: se somos capazes de chegar a Lua e construirmos computadores infinitamente potentes, porque não conseguimos resolver os problemas sociais comuns a todos os povos? A melhor resposta está na falta de uma consciência planetária. Razão racional e lógica que entenda que todas as raças são irmãs comprovadas cientificamente e que não existem diferenças a não ser as criadas pelo próprio homem.

Um ser que compartilha e que cuida. Esse é o resultado ideal da educação voltada para a cidadania planetária. Portanto,  o desvelar,  a  ética  e  o cuidado com o meio ambiente se  apresentam  como norteadoras destes novos  rumos, das  transformações profundas que necessáriamente operarão os caminhos da espécie humana.

Devemos estar conscientes de que a edificação de uma sociedade mais justa depende da transformação individual de cada ser humano, transformação esta comprometida com o amor, a inteligência e a solidariedade direcionadas para a construção de uma sociedade livre, igualitária, fraterna, buscando proteger a vida planetária e construindo uma organização social transformadora e digna, reconhecendo que minha família é a humanidade e que estamos igualmente irmanado com todos os seres viventes.

O ano de 2010 pode ser o início de um novo paradigma para a humanidade. Desejamos a todos e a todas uma nova e profunda reflexão, sendo o ano vindouro repleto de idéias e ações por um mundo melhor que sabemos ser possível.

“Haverá lugar para os pecadores desesperados que vêm para ferir a humanidade pelas suas próprias crenças? Um só amor! Um só coração! Vamos seguir juntos para ficarmos bem...” (One Love – Bob Marley).

Um feliz 2010 ecologicamente sustentável para todos!


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.

sábado, 26 de dezembro de 2009

A Copenhague que queríamos


Por Laércio Júlio da Silva

26/12/2009
A Conferência sobre o Clima realizada em Copenhague terminou com a certeza de que os países ricos querem impor aos países em desenvolvimento uma série de obrigações que eles mesmos não tiveram durante séculos de exploração desenfreada da natureza e seus recursos. Durante toda a sua história os países ricos, objetivando custear o seu desenvolvimento, destruíram impiedosamente sua fauna e sua flora e, não satisfeitos com isso, o capitalismo criou sua fase superior, a exploração imperialista para saquear outros países através do colonialismo e da prática velada do neo colonialismo. Agora querem impor ao resto do mundo um modelo cerceador que na prática emperra o desenvolvimento e só ajuda na perpetuação do domínio das nações ricas sobre as pobres. As medições científicas sugerem que o hemisfério norte e principalmente os Estados Unidos são responsáveis pelo modo de produção e consumo mais poluidor do planeta. Para o chefe da diplomacia argentina, Jorge Taiana, representante de seu país em Copenhague, os países desenvolvidos mostraram “mais uma vez sua pouca disposição em cumprir o que já estava estabelecido na Convenção sobre Mudança Climática e no Protocolo de Kioto, quando são os responsáveis históricos de 75% das emissões de gases do efeito estufa”. São as economias industrializadas que deveriam ser obrigados a fazer os maiores esforços e facilitar o financiamento para a mitigação dos efeitos do aquecimento global e a adaptação para tecnologias limpas e renováveis, ajudando assim os países em desenvolvimento a não errarem como eles, ao invéz de tentar impor uma agenda aos países pobres.

O Presidente dos EUA, Barak Obama, cinicamente expressou, sem meias palavras, a síntese do fracasso da Conferência. Disse arrogantemente: “A América já apresentou seu compromisso (...). Já decidiu o seu rumo. Esperamos que os outros também façam a sua parte”. E completou dizendo que os EUA aceitam participar do “sacrifício” de reduzir a poluição e ajudar os pobres desde que esse prejuízo seja globalmente socializado e especialmente distribuído entre os emergentes (Brasil, China, Índia, etc.) e não apenas auferido aos ricos “sujões”. Prisioneiro do poderoso “lobby” das grandes corporações americanas, foi incapaz de se contrapor a pressão de empresas, principalmente à de combustíveis fósseis, que viram seus interesses ameaçados por um acordo que atrapalharia os lucros.

Na nossa participação, se por um lado, Lula deu um “pito” geral nos países ricos, destacando a oportunidade que todos estavam deixando passar de efetivamente fazerem alguma coisa real pela redução do aquecimento global, por outro lado deixou escapar a oportunidade de assumir uma posição de liderança mundial com uma proposta unificada em vez das famosas “cabeçadas” entre ministros na ocasião que expuseram ao mundo divergências internos no governo.

Aos olhos do mundo dois fatos ficaram provados: a de que  resultado da conferência não foi o ideal, salientando a péssima organização que credenciou três vezes mais participantes causando tumulto e manifestações violentas felizmente não ocorridas na Conferência do Rio em 92, muito melhor organizada.

O outro fato notório foi à pressão da opinião publicada representada pelas ONGs que cada vez mais valoriza gestores que efetivamente praticam e defendem uma postura mais concreta em relação à redução de emissões de gazes. Pressão que pode tirar ou dar votos, e os governos democráticos se curva a essa evidência.

O sucesso seria se saíssemos de Copenhague com um novo protocolo de metas para redução dos países desenvolvidos, outras metas de redução para alguns países emergentes como o Brasil, a China e a Índia, e que esse novo protocolo excluísse dessas obrigações os países mais pobres que deveriam ser ajudados por um pacote financeiro com o objetivo de enfrentar as conseqüências do aquecimento global.

Lamentavelmente isso não aconteceu, e resoluções importantes foram proteladas para 2010. O relógio da vida não espera e o mundo aguarda posições urgentemente mais claras.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.