segunda-feira, 2 de junho de 2014

Piratas fazem a festa!

Fim de semana retrasada houve a festa de "Memorial Day" com a tema tradicional de Pirata no Olive Dell Ranch, conhecido recanto naturista de California. Fim de semana passada foi a "Fim de Semana Pirata" no ainda mais conhecido Cypress Cove em Florida.

Vimos, então, que o pirata é uma tema celebrada no naturismo - e em geral. No prateleira de bebidas no supermercado sábado a noite, pausei em frente dos rums (a fila não andava) e notei Captain Morgan e Ron Montila. Uma busca no internet revela muito mais marcas de rum que incorporam a figura de pirata na imagem do brand.

Porque piratas? Já escrevemos antes de piratas e nudismo, porém de um ponto de vista mais literário do que mercadológico.  Fritz Louderback me informa que a AANR - American Association for Nude Recreation - tem incentivado as festas de temática pirata. Não busquei confirmação, nem os motivos oficiais, para tal decisão. Para que posso especular a vontade.

Pirata é festa

Porque a ligação entre piratas e festas? Digo "porque" em vez de questionar se existe, porque o pessoal de marketing de rum não é bobo, não. Haja tanta garrafa com pirata e não, por exemplo, com palhaço, porque pirata vende mais bebida.  Quais motivos levam o pessoal de rum de enfatizar isso?

  • Ligação cultural - a frase "Yo ho ho and a bottle of rum" é bem conhecido, ainda que o resto da música não é;
  • Ideia de liberdade - entre os sinônimos de pirata é "freebooter", obviamente uma pirata é alguém livre das muitas das amarras da civilização;
  • Ousadia, risco e coragem - pirata corre perigo de ser pego pela civilização, e ter as amarras de volta, até em volta do próprio pescoço;
  • "Viver para hoje" - o pirata, com futuro incerto tem que aproveitar o dia de hoje, ou para jovem em bar, a noite de hoje;
  • Clima tropical - enquanto havia pirata em muito do litoral da América do Norte, é no Caribe e regiões de praias e palmeiras que é mais associada na imaginaria americana.
  • Fantasia simples e barata - do lado prático, não é necessário papagaio, perna de pau ou veleiro. Bandana e tapa-olhos já bastam.

Rum vs. naturismo

Porque o que é bom para o rum, é bom para o naturismo? Não há música ou tradição ligado pirata ao pelado. Vemos primeiro a ideia de liberdade.

A liberdade do pirata é atraente para quem vive na sociedade de hoje, cada vez mais cheia de regras e restrições. (Curioso que todos em todas as épocas pessoas acham que vivem um aumento de regras e restrições: Tom Sawyer fugiu das "restrições" de um menino da sociedade fronteira, para brincar de pirata.)

O naturismo tem como uma das suas lemas a "liberdade". Encaixa, então.

A coragem do pirata em tomar riscos, pode ser visto também na ousadia necessário para tirar a roupa. É uma ousadia inventada - as consequências são menores do que o novato imagina - mas também pedir um rum mais caro no bar, é de uma ousadia apenas imaginária.

A clima tropical dos mares das piratas, que no norte frígido lembra a clima de festa, também é ligado ao naturismo - sem calor, ficar pelado é desconfortável. Encaixa também, então.

A bigode faz parte do charme do pirata

A fantasia mínima, exigindo pouca roupa e simples, também  é conveniente para quem despreza roupa.

O que a pirataria traz para o naturismo?

Enquanto o pirata tem uma imagem de aventureiro  viril que sabe se divertir, a imagem de naturismo está atoalhado na era de bolas de praia infláveis enormes e velhos que jogam shuffleboard.

Os piratas ganhavam as moças. As vezes jogando por cima do ombro quando voltavam para sua caravela, mas ganhavam. Em contrase, o naturismo "não é sobre sexo." Enquanto até liga de boliche ou grupo de jovens de igreja alarda que é um bom lugar para encontrar o sexo oposto, quem se interessar por algo que "não é sobre sexo"? Piratas, porém ...

Os piratas eram livres, agiam conforme sua própria vontade. Enquanto isso, o naturismo organizada se orgulha de ter regras, além das regras normais de convivência social. Puxa, se há apelo para jovens, seria em poder quebrar as regras de sociedade, e não para seguir novas regras de etiqueta, chamada de maneira esdrúxula de "código de ética".

O normal ganha charme com revestimento pirata
E no Brasil?

Enquanto os piratas mais famosas são os ingleses - afinal, o ouro indo do Mundo Novo para o Velho era dos espanhóis, oponentes principais dos ingleses na auge (ou "era de ouro") de pirataria - não faltava pirata no litoral do Brasil.

Há em Ubatuba um hotel chamado do "Refúgio do Corsário", e o litoral norte de São Paulo tinha, sim, seus piratas. (Para quem domina inglês, recomendo Lord of Darkness de Robert Silverberg, de um marinheiro inglês sequestrado por piratas portuguese na Ilha Comprida, e levada para África onde viveu nu entre os canibais.)

Existem, obviamente, oportunidades. De vez em quando o Mirante do Paraíso promove passeios de escuna em mares que já foram dos piratas. Com uma bandeira de Jolly Roger e uns poucos outros acessórios, poderia ser uma viagem em busca de tesouro. Já há uma certa faz-de-conta nestas viagens, pois as "escunas" nunca usem as velas. Embrulhados, servem de enfeite. Porque não um pouco mais?

Algo a ser, algo a fazer

Um dos problemas que o naturismo enfrenta para atrair adeptos novos, e atrair gente novo, é a "falta do que fazer". Naturista tira a roupa. E daí? Faz o que? Eu não vou me sentir com vergonha? Um evento - uma corrida de 5 KM (distância em que a importância não é vencer, mas terminar, e quase qualquer um consegue terminar); uma tentativa de quebrar o recorde de skinny-dipping; uma festa de Carnaval ou de pirata: qualquer destes coisas oferece uma resposta ao "O que vamos fazer?" E uma resposta divertida.

Bem diferente da velha ladainha de "temos uma código de 'ética'", "respeitamos a natureza", "não é sobre sexo", "vem seguir nossas regras", "traz sua própria mulher porque não vai conhecer nenhuma aqui", mas vamos tirar a roupa! Parece uma programa de índio, no mal sentido e no sentido literal

À merda com o bom comportamento e as bolas infláveis grandes. Vamos para uma festa de pirata! Os piratas são quem sabem se divertir!


segunda-feira, 19 de maio de 2014

POR QUE É TÃO DIFÍCIL ENTENDER O NATURISMO?


Todas as culturas sempre buscaram a origem do Universo, o que na verdade se busca é a origem da própria vida. Assim, não tão difícil de entender os constantes atritos entre a ciência e as religiões. Desde os tempos de Tales, passando por Anaximandro que desenvolveu o primeiro modelo mecânico do Universo e chegando em Pitágoras que atribui aos números uma ponte entre a razão  humana e a mente divina. (1) Todos buscando a lógica da natureza e agora em pleno século XXI com o desenvolvimento da energia quântica em que diz que toda a matéria é energia e a lógica cai por terra. A matemática aqui já não é mais a mesma e continuamos buscando, buscando, buscando conhecer a nossa sábia natureza e nada sabemos das nossas origens, estamos nas teorias e brigamos pelos pensamentos que achamos que sabemos de alguma coisa.

O corpo coberto pela pele enquanto sistema sensorial é, em grande medida, o sistema de órgãos mais importante do corpo. O ser humano pode passar sua vida toda cego, surdo e completamente desprovido dos sentidos do olfato e do paladar, mas não poderá sobreviver de modo algum sem as funções desempenhadas pela pele.(2) Muitas pessoas não se permitem o contato dessa pele de forma íntima com a natureza, foi incutida a associação de corpo nu e sexo, o que muitas vezes gera um sentimento de culpa.

Acho bom também lembrar que as crianças educadas num ambiente naturista desenvolvem uma melhor auto-estima, sem a criação de máscaras para esconder seus corpos passam a ter atitudes mais positivas diante da vida. As pessoas que não se aprovam, no fundo também se cobrem tornando-se juízes dos outros. (3)

No entanto, muitos ainda permanecem com ideia de que teriam que justificar para amigos e familiares a sua presença em áreas naturistas. Estranho é que penso justamente ao contrário, como não proporcionar ao corpo um momento de inteira liberdade? A educação da moralidade do corpo é tão forte que o indivíduo tenta esconder a sua personalidade por trás das roupas e novamente cito o Dr John Veltheim: Quando as pessoas usam roupas como um meio de se desligarem do mundo e cobrem-se de modo a que o mundo não consiga ver a sua destorcida auto-imagem interior, elas criam uma tragédia de proporções imensas. Quando se escondem atrás das roupas, as pessoas fecham o seu corpo energicamente e psicologicamente.

Vejam que por trás dos argumentos contrários, atestados cientificamente favoráveis à liberdade do corpo, estão sempre voltados para a moralidade e educação desde a infância. Rejeitar a nudez é rejeitar o corpo, a vida, a natureza. Afirmo que a nudez não deve ser problema para um indivíduo sadio, bem informado, emocionalmente equilibrado. A censura, mais uma vez, é uma forma de violência, que normalmente tem raiz doméstica. (4)    

Celso Rossi tem razão quando diz que Naturismo é também para resgatar a nossa inocência perdida. E por que o Naturismo é tão difícil de ser entendido? Simplesmente porque não aprendemos a conhecer a nossa própria natureza. Sócrates já dizia: Deixe o Cosmo, mergulhe para dentro de si mesmo, não adianta conhecer lá fora o que não se conhece dentro de cada um de nós.

Abandone os conceitos, deixe a vida fluir. Integrando o corpo com a natureza a preservação dela virá naturalmente, caso contrário será suicídio. É justamente o que o homem moderno com todas as suas máscaras está cometendo.  


(1)   Marcelo Glaiser, A Dança do Universo;
(2)   Ashley Montagu, Tocar – O Significado Humano da Pele;
(3)   Dr John Veltheim – Nus Por Baixo da Roupa;
(4)   Paulo Pereira – Corpos Nus




Evandro Telles
19/05/14


terça-feira, 13 de maio de 2014

Rebeldes sem calça

Do Zero Hora, notícia de festas em Porto Alegre com peladismo. A matéria até tem referência a uma "Movimento Peladista":

Ativista da causa, Pepe Martini é o criador do Movimento Peladista. Organiza a Pedalada Pelada e discute intensamente a nudez como ato político. Ele vê o assunto "lentamente entrando em pauta". Considera o assunto ainda tabu, mas vê a discussão evoluindo.

– Minha pilha não é criar uma comunidade isolada com gente pelada, mas de naturalizar a nudez e o próprio corpo. "...

Isso é a Movimento Peladista oficial? Pergunta errada: peladismo não tem mania de "oficial", e é sobre o peladismo, e não sobre o movimento.

Rebeldes sem calça

Festas de Porto Alegre têm uma nova moda: tirar a roupa

Participantes do movimento explicam que a prática da nudez tem conotação política e artística

02/05/2014 | 10h58
Festas de Porto Alegre têm uma nova moda: tirar a roupa Volt Project/Divulgação
Foto feita em uma das festas em que a prática da nudez é comum na Capital gaúcha Foto: Volt Project / Divulgação
Faz calor em Porto Alegre quando começa mais uma edição da festa Cadê Tereza? na Casa de Teatro. O verão mais quente da história da Capital parece ainda mais intenso no andar de baixo do prédio, onde a música de Tim Maia que explode nos alto-falantes faz o ambiente ferver. Prender o cabelo em coques e jogar água no pescoço não adianta mais quando barrigas, dorsos, seios nus começam a aparecer.
Não se surpreenda: a cena não é algo raro em Porto Alegre mesmo agora nos dias mais frios. Ocorre desde dezembro em quase todas as edições da Cadê Tereza?, cuja edição mais recente foi na quarta-feira, mas poderia ter sido protagonizada em noites no Beco, no Cucko, no L.A.B., no Club 688 ou em outra dezena de baladas que já foram palco para pessoas ficarem nuas em meio a outras que permanecem vestidas. Se antes a prática se restringia a núcleos ligados ao feminismo, ao anarquismo ou à arte, desde o ano passado passou a respingar em locais de público mais heterogêneo de Porto Alegre.

Pelo restante da matéria, http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2014/05/festas-de-porto-alegre-tem-uma-nova-moda-tirar-a-roupa-4490066.html