sábado, 12 de setembro de 2009

"Passaporte Naturista" e as áreas públicas.

Ao ler o texto PASSAPORTE NATURISTA USO OBRIGATÓRIO de André Luiz Campos, o grande Roberto Soares, um dos responsáveis pela criação da praia de Massarandupió, fez o comentário abaixo. Roberto Soares deu seu sangue "literalmente" pelo Naturismo e foi hospitalizado por uma invasão violenta de têxteis em Massarandupió há 10 anos. Os invasores bateram, mas saíram perdendo na justiça e na opinião pública.


 

Chamo a atenção para o fato de que se algum clube privado naturista exigir a apresentação de "passaporte naturista" para admissão estará dentro de seu direito; mas em praias e outros locais públicos onde haja a prática da nudez social não se pode exigir coisa alguma de ninguém para estar presente, a não ser o cumprimento dos códigos civil e penal brasileiros, ou seja, não cometer nenhum delito ou crime. Ser ou estar solteiro, assim como não portar tal "passaporte", não podem ser motivos de exclusão. Nem mesmo poderia tecnicamente ser exigida a nudez dos presentes, uma vez que o texto da Lei Gabeira não foi sancionado, mas como estar vestido num local onde o uso e costume é estar nu poderia constituir forma de constrangimento aos demais, tornando-se um atentado ao pudor, pode-se recomendar e pedir a colaboração do visitante neste sentido.

 
 

Não há o que discutir, é a lei e se gostamos de viver numa democracia, respeitando a ética, devemos segui-la.

 
 

Espero que neste verão ninguém venha me exigir tal "passaporte" em praia alguma, nem excluir-me por estar sozinho, pois assim como defendi até com meu sangue o naturismo no Brasil, iria sem dó aos tribunais exigir meus direitos de cidadão.

 
 

Naturalmente,

 
 

Roberto Soares

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

PASSAPORTE NATURISTA USO OBRIGATÓRIO

Por André Luiz Campos


Ao ler sobre e ver este Passaporte Naturista me senti um
estrangeiro em meu próprio país....
Pensei quando tiro um passaporte é porque vou a outro país onde é
obrigatório este tipo de documento para descriminar uma pessoa que
não tem e nacionalidade do país em que se visita... Bem mas os
países do Mercosul não exigem que se transite por eles sem o
Passaporte.
Então pensei quando eu tiro o meu Passaporte eu tenho que levar
declaração de bens, extratos de banco e até mesmo fazer um
requerimento pra ver se posso visitar certos países ou não, mas
sendo naturista e sabendo que quando vou a uma praia OFICIAL DE
NATURISMO eu vou estar sem roupas sem lenço e sem documentos e
principalmente sem PRECONCEITOS.....
Dai pensei melhor e resolvi levar essa discussão para outro lado,
diz a CONSTITUÌÇÃO DO BRASIL que as águas pertencem ao ESTADO,
então as praias não tem dono a não ser o ESTADO BRASILEIRO e por
que devo usar um PASSAPORTE dentro do meu próprio país?
Será que ao me tornar um NATURISTA eu me torno uma pessoa de outra
nação?
Será que abro mão desse país maravilhoso e vou a outro?
Creio que não...
Creio que ao me tornar um NATURISTA eu me tornaria uma pessoa que
quisesse viver em harmonia com a NATUREZA ao NATURAL como vim ao
mundo, do modo como vim ao meu PAÍS.
Mas o mais interessante é que as pessoas cobram ainda mais se a
pessoa for SOLTEIRA, nossa que rótulo é esse, você nasce solteiro
portanto ser solteiro é NATURAL e se casado também mas pelo visto
todo mundo anda se esquecendo disso....
O mais interessante é que a CONSTUTUÍÇÃO DO BRASIL DE 1988 NEM
CITA OU REGULAMENTA OS CLUBES, HÓTEIS,CAMPING E PRAIAS
NATURISTA/NUDISTAS.
Ela regulamenta sim todo as Entidade Filantrópicas seus deveres
e suas obrigações e nem em clubes normais não existe uma
descriminação entre solteiros e casados...
Acho que devo chamá-lo de PASSAPORTE DA VERGONHA.
Vergonha que as pessoas me vejam como sou.....
Vergonha que elas não pensem como eu....
Vergonha que por ser gordo,magro,alto,baixo etc....
Não não pode ser isso creio que o sangue EUROPEU de meus
ancestrais me tornaram um estrangeiro em minha própria pátria..........
Interessante que me lembro de ver uma reportagem que na Alemanha o
nudismo é SIM muito comum e "banalizado" em parques públicos,
piscinas e saunas, será que eles conseguiram o que eu achava ser
utópico?
Será que eles são superiores e tão evoluídos assim?
Bem isto pra mim é que é ser natural poder viver em harmonia,
estar em harmonia naturistas, nudistas e todas as outras pessoas
desfrutando o mesmo espaço cada um respeitando o próximo....
Como sou um Peladista vejo que eles lá também são e não ficam
pedindo pessoas PASSAPORTES e impedindo pessoas solteiras de
desfrutarem do mesmo espaço que os casados e suas famílias....
Ainda bem que nosso País é jovem e tem apenas 500 anos, pois se
tivéssemos a mesma idade de um país como a Alemanha e ainda
mantivéssemos o mesmo pensamento, isto seria deprimente.
Deixo aqui a minha critica a este " PASSAPORTE" e peço que se dê
um voto maior de confiança a este imenso mundo de SOLTEIROS que
querem praticar o NUDISMO/NATURISMO com respeito e esperando serem
respeitados é claro.



terça-feira, 8 de setembro de 2009

AS MIL E UMA FACES DO OLHAR

AS MIL E UMA FACES DO OLHAR


Feche os olhos, vou me trocar. Existe o receio de sermos vistos tal qual somos, isto acontece com a grande maioria das pessoas por quê? Tem artistas de teatro que já se despiram diante da platéia para representarem um determinado papel e sentem constrangidas a irem numa área naturista, por quê? A resposta é uma só, o medo do olhar.
Ver e ser visto faz parte de nossa natureza. O corpo humano não tem nada de obsceno para ser coberto, uma mulher pode olhar para as mãos de um homem e pensar nas carícias sensuais que poderiam ser realizadas com seus dedos, então vamos todos andar com luvas. Na cidade de Cachoeiro de Itapemirim existe uma pedra chamada Itabira que parece um pênis, vamos cobrir a pedra também. Vamos cobrir tudo que possa ser imaginado nas mentes poluídas e doentias, então é melhor cobrir a cabeça toda.
Podemos olhar com carinho, com amor, com amizade, com raiva, com ódio, com tristeza, com alegria, com pena, com deboche, com humildade, com simplicidade, com sensualidade, com intenção ao flerte, com dor, com repulsa, com desejo, com ciúmes, com inveja, enfim, mil e uma faces do olhar. Mas quando o assunto é nudez muitas pessoas só imaginam o olhar obsceno, da malícia, da promiscuidade, da pornografia, porque é isso que se tem em suas mentes influenciadas, dirigidas e condicionadas a pensarem assim, não foram educadas a olhar sob uma nova perspectiva, o mundo se fechou num redoma de valores falsificados que não conseguem sair muito facilmente.
Como já disse Paulo Pereira em seu livro Corpos Nus, “Naturismo não é um oba oba”, tem que ser estudado, aprendido, vivenciado. É um olhar dirigido com naturalidade, com respeito pelas diferenças, com uma nova perspectiva de vida. É o peixe saindo de seu aquário e vendo que existem outros mundos diferentes, mais evoluídos.
É preciso que os Naturistas divulguem o lado responsável deste estilo de vida, o que neste caso inclui reportagens sérias e comprometidas com o lado social e humano, o que muitas vezes não acontecem, alguns repórteres emitem opiniões pessoais com deboches deixando transparecer a sua cultura inexistente e a falta de sensibilidade em reconhecer o verdadeiro papel de um naturista.
Por outro lado, muitos naturistas deixam de estudar sobre o assunto relevando o conhecimento para um segundo plano, seja por falta de tempo ou mesmo pela falta do hábito da leitura, isto provoca um distanciamento dos que não vivenciam, não são encontrados argumentos que promovam a importância de ser um naturista. Creio, inclusive, para os que ingressam neste estilo de vida deveriam fazer um curso com antecedência expondo aos iniciantes um programa dos benefícios, das responsabilidades, das condutas, enfim, uma preparação em que fossem expostos assuntos culturais e em diversos campos de conhecimento tais como a sociologia, psicologia, antropologia, médica, educação física e também da amplitude do que representa a palavra respeito.
Enquanto estivermos com as mãos fechadas perguntando às pessoas o que é que temos dentro delas, sempre irá permanecer uma curiosidade do olhar, assim é com as nossas roupas, é preciso quebrar tabus, é preciso demonstrar que sexo e nudez são coisas distintas, mas tal raciocínio somente poderá ser demonstrado por aqueles culturalmente preparados.
Os nossos olhares expressam na maioria dos casos os nossos sentimentos, como aqueles risos sem graça quando são vistos corpos nus, que nem sei o porquê do riso, como também aquele grito de espanto, que também nem sei por que se grita. Só encontro a justificativa da hipocrisia, é o olhar hipócrita. Escondemos nossas verdadeiras roupas por causa de um baixo sentimento de culpa por causar constrangimento a outras pessoas ou por causa dos baixos valores sociais que se enchem de orgulho quando outros corpos são vistos. Por isso falamos: “é uma baixaria só”.
A Natureza não se curva, ela se vinga. Quando sucumbidos por olhares maliciosos, desejosos de serem possuídos ou por pensamentos de mentes doentias, criamos também uma sociedade mais desrespeitosa e agressiva. Há agressões aos animais, à terra, à água e ao ar e agora precisamos mudar isso até mesmo por uma questão de sobrevivência. Só que agora está mais difícil porque a maioria das pessoas, por falta de conhecimento, não conseguem enxergar que grande parte dos valores sociais até aqui colocados não privilegia o corpo humano como algo que teria que ser visto e respeitado de forma diferenciada, a busca foi para a riqueza das nações e estamos pagando um preço por isso, o povo está doente, os hospitais estão lotados, não há médicos suficientes para atender a demanda e uma carga tributária elevada para curar os sintomas da doença não a causa.
A medicina tem evoluído, não resta dúvida alguma, mas enquanto os médicos não enxergarem que a porta de entrada da maioria dos distúrbios corporais está no nosso olhar/sentimento então será uma guerra sem fim. A Louise L. Hay autora do livro “Você Pode Curar Sua Vida” cita que os maiores problemas corporais estão ligados ao amor a si próprio e a aceitação de si mesmo. Nem é preciso falar que a aceitação a si mesmo requer o desligamento por completo dos padrões de beleza e de muitos outros valores sociais que já foram citados por mim e por diversos autores em outros artigos.
Os naturistas podem ajudar a Louise, não cruzando os braços, não se anulando e escondendo, é mostrando uma outra face do nosso olhar.


Evandro Telles
08/09/09