quarta-feira, 22 de julho de 2009

A empresa nua por Laércio Júlio da Silva

Publicado no Jornal "Diário da Manhã"




Recentemente as emissoras de TV mostraram uma empresa que resolveu aplicar uma terapia inusitada para os padrões da sociedade vestida. Passou uma sexta-feira trabalhando nua. Além de uma grande jogada de marketing para o consultor e a empresa, já que ambos viraram notícia mundial, e com certeza irão alavancar a rentabilidade da empresa peladona, a experiência encerra grandes conjeturas. O “evento”, batizado de “Naked Friday” (Sexta-feira Nua), que substituiu o uso de roupas às sextas-feiras, agora se transformou em um programa de TV com sucesso garantido dada a repercussão do fato, enchendo a carteira de clientes do consultor Davis Taylor, autor da ação.


O que importa para nós naturistas não é o fato sensacionalista, mas uma análise crua, ou se preferir nua, das relações humanas no trabalho e a desmistificação da nudez. A ideia do agora famoso psicólogo David Taylor pretende melhorar a relação entre funcionários provocando uma onda de desinibições em que as pessoas poderiam falar mais abertamente sobre sua relação com a empresa e os colegas de trabalho gerando melhor entrosamento e consequentemente melhorar o desempenho da empresa. Segundo o testemunho da gerente de equipe que trabalhou totalmente nua durante o expediente: “Foi sensacional. Agora que nós já sabemos como parecemos sem roupa, não há mais barreiras entre nós. Não houve qualquer pressão. Quem quisesse, poderia trabalhar de roupas normais ou de roupa de baixo. Mas eu amo meu corpo e não fiquei com vergonha. Somos todos lindos, não importa se somos magros ou gordos. Nós descobrimos que era muito mais fácil falarmos abertamente uns com os outros – e isso continuou mesmo depois do experimento. A companhia melhorou muito”, disse Sam, que afirma ter esquecido que estava nua depois que se acostumou com a situação de autoconhecimento (fonte: Portal Terra).


Em 2007, um marceneiro americano ganhou na Justiça o direito de trabalhar nu. A corte do condado de Alameda, no Estado da Califórnia, declarou que Percy Honniball pode continuar a trabalhar como veio ao mundo. O marceneiro disse que gosta de trabalhar nu porque é mais confortável e ajuda a manter suas roupas limpas. Honniball enfrentou dois processos em 2003 após ser pego três vezes trabalhando nu em Berkeley, que proíbe nudez em público.


Uma pesquisa do portal Trend Hunter avaliou que 1 a cada 8 homens que trabalham em casa, trabalha sem roupa alguma. Entre mulheres a taxa é de 1 a cada 14.


Ainda no mundo do trabalho existe uma campanha mundial liderada por ambientalistas no sentido de se trabalhar com menos roupa, principalmente terno e gravata. O objetivo seria economizar no dispendioso uso do ar-condicionado. Aqui a medida se aplicaria com sucesso, já que na qualidade de país culturalmente neocolonizado, o Brasil tropical e quente utiliza as mesmas roupas usadas no hemisfério norte de clima bem mais frio sem qualquer necessidade prática e somente por valores estéticos. Bastaria usar roupas mais leves e adaptadas à temperatura ambiente.


O naturismo ou nudismo provoca relações mais abertas e fraternas compatíveis com o bom andamento de uma empresa que necessita de profissionais criativos e com abertura para inovações em um mercado cada vez mais competitivo, nesse sentido o experimento não é novidade para os frequentadores desse estilo de vida.


Entretanto, apesar de estarmos em um país que constitucionalmente assegura a liberdade individual, mesmo com o consentimento de todos, no Brasil a empresa correria o risco de ver aberto vários processos por assédio moral e constrangimento enquanto a legislação brasileira não desmistificar a prática da nudez. Afirma o consultor Max Gheringer: “Eu não acredito que nós vamos encontrar em empresas brasileiras grupos dispostos a tirar a roupa só para descontrair o ambiente” (fonte: Portal G1). Todavia, eu pessoalmente não duvidaria nem apostaria nisso!


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat (www.goiasnat.com.br)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Saúde física e mental no naturismo

15/07/2009 por Laércio Júlio da Silva


A prática do naturismo proporciona várias experiências pessoais dificilmente relatadas por escrito. Como para cada um existe uma forma de encarar o mundo, também no naturismo as pessoas vivenciam diferentemente cada momento de vida proporcionado pela nudez social.

O primeiro sentimento é o profundo sentido de liberdade em estar em contato direto com a natureza, aguçando experiências como o inigualável prazer em sentir o vento batendo em todo o corpo e o contato direto dos raios de sol. A nudez acarreta autoestima corporal e psíquica, sendo uma terapia para a depressão e outros males da alma. A melhora pode ser constatada no testemunho de frequentadores que mudaram sua vida com a partir da prática do naturismo.

A segunda particularidade é escancarar a vida para uma relação social mais fraterna, livrando-se de rótulos e armadilhas da sociedade moderna que aprisionam a alma na hipocrisia dos homens. Deixar sua patente, classe social ou título em casa ou no carro faz com que a vida seja mais leve e objetiva. A nudez proporciona uma ação direta sobre a mente, resgatando valores adormecidos de igualdade perante cada ser vivo e sua relação com o cosmos.

A terceira constatação é física. A prática do naturismo revitaliza e aumenta a resistência do corpo a doenças. A nudez induz a proteção de intempéries que o corpo havia já se desacostumado. Cobrir e abafar as partes íntimas é o principal motivo causador de doenças na pele pela falta de exposição aos raios solares. Microorganismos proliferam rapidamente nos pés e orgãos genitais causando doenças que se originam pela falta de oxigenação.

Assim como a exposição excessiva ao sol pode causar o câncer de pele, uma outra variedade da doença talvez mais devastadora, se manifesta objetivamente pela falta de ação dos raios solares. Especialistas sempre alertaram as pessoas a se proteger do sol para evitar o câncer de pele. Uma carta publicada pela revista científica British Medical Journal afirma que esse conselho não deve ser levado ao extremo. O professor Cedric Garland, da Universidade da Califórnia, afirma que a falta de sol reduz os níveis de vitamina D no organismo, o que aumentaria os riscos de desenvolver câncer, entre eles, o de mama e o de próstata (fonte: "BBC on-line").

Não há estatísticas, mas posso afirmar que a maioria da população brasileira é nudista pelo simples fato de as pessoas cultivarem o hábito de estar parte do tempo nuas dentro de suas casas. É o que se constata conversando com simpatizantes do naturismo que justificam assim sua opção. Explicando melhor: não é extremamente agradável depois de um dia de trabalho exaustivo, tomar um banho e tirar a roupa em uma espécie de terapia de descanso e liberdade?

A diferença no naturismo é que fazemos isso socialmente com total respeito ao próximo e ao meio ambiente em paz e fraternidade entre homens e mulheres vivendo nossa utopia possível, exatamente como viemos ao mundo e como também um dia vamos deixá-lo.


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo – Goiasnat

www.goiasnat.com.br


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um novo paradigma ambiental

Por Laércio Júlio da Silva

09/07/2009


Há aproximadamente três anos, James Lovelock lançou um livro intitulado A vingança de Gaia que se transformaria na sequência de previsões catastróficas do autor para o mundo em que vivemos. Mentor intelectual da Teoria de Gaia que afirma que a Terra é um sistema vivo capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições ambientais, o cientista prevê que já passamos literalmente da hora. A humanidade, como a conhecemos hoje, está entrando em uma nova era irreversível de mudanças principalmente na biosfera, consequência direta da interferência do homem na natureza. Segundo Lovelock, o que estamos assistindo atualmente em termos de mudanças climáticas já está se traduzindo no surgimento de um novo tipo de refugiado que não é nem político e nem motivado por conflitos armados, mas um ser humano errante, consequência principalmente da desertificação, à procura de novas terras que lhe propiciem sobrevivência.

Sem alarmismo, é lamentável que todos os esforços perpetrados no sentido da proteção e preservação do meio ambiente foram até agora em vão. Nunca se destruiu tanto e em tão pouco tempo. Nos últimos 50 anos o ser humano tem conseguido mudar o meio ambiente para pior, apesar de todas as campanhas preservacionistas.

Qual seria então a solução?

A resposta está na mudança do ser humano em relação ao seu papel no universo. O surgimento de uma consciência pessoal inexoravelmente bela, capaz de ceder lugar a um novo paradigma ambiental. O naturismo tem proporcionado experiências individuais no sentido de mudar o homem em sua essência. O contato direto com a natureza proporciona a sensibilização necessária para a harmonia com a criação. A reabilitação dos sentidos faz com que homens e mulheres, através da nudez social, se sintam em contato direto com Gaia (Deusa Grega que significa o elemento Terra).

Somente a nudez social pela prática do naturismo transforma as pessoas, resgatando as suas origens como filhos da mãe natureza. Essa reaproximação do homem não significa que devemos voltar à vivência dos homens das cavernas. Como exemplo, em relação ao uso da boa tecnologia, o quanto sem tem poupado em papel e outros recursos naturais com advento de arquivos informatizados? Quantas árvores deixaram de ser mortas? E as novas descobertas em substituição à queima de combustíveis fósseis? Com certeza, é esse o tipo de tecnologia científica que queremos focada no conjunto da humanidade. Humanidade que poderá reacender a vivência natural e salvar Gaia para nossos filhos e netos.

O naturismo proporciona uma experiência ímpar de contato com a natureza. Essa relação é fundamental para que o homem não se destrua e não acabe definitivamente com o "Jardim do Éden".

Somos feitos de todos os elementos presentes no universo. Nossa constituição física e química é a mesma de qualquer ser vivo. Somos parte do cosmos, portanto no presente momento incoerentemente praticando o suicídio diário, desfigurando o nosso próprio habitat.

Esperamos chegar ao entendimento proporcionado pela prática do naturismo ao reconhecer que somos parte fundamental da "Arca de Noé" que salvará o mundo. Nesse dia obviamente não se fará mais necessário campanhas e esclarecimentos, porque as pessoas terão ouvido o recado gritado vindo do seu próprio interior.


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat (www.goiasnat.com.br)


"Não ande na minha frente, eu posso não te seguir. Não ande atrás de mim, pode ser que eu não te guie. Caminhe junto a mim e seja meu amigo." Albert Camus