sábado, 23 de maio de 2009

Starkers

Prezados amigos Naturistas,


Estive passando os últimos 20 dias na enevoada capital da Inglaterra (Londres). Fui a trabalho, mas aproveitei para visitar alguns lugares Naturistas daquele país.


Dentre alguns clubes que eu já havia ido, nas terras da Rainha Elizabeth, tem um que eu gosto muito que é o Little Oaks Sun Club. Este clube fica localizado em Copthorne um distrito da cidade de Crawley em West Sussex. O clube fica a apenas 45 km de Londres o que facilita muito minha locomoção para lá quando estou na capital britânica. O ambiente é sempre acolhedor e familiar eles também fazem um ótimo e alegre churrasco inglês (prefiro o nosso) nas quartas feiras durante todo o ano e todos os sábados durante o verão. Neste caso tive que me contentar com o churrasco de quarta à noite.


No sábado eu estava aproveitando a piscina coberta, já que a temperatura e o clima da Inglaterra não estão ainda convidativos a atividades ao ar livre, quando eu conheci a Leah uma simpática jovem de aproximadamente 20 anos de idade que, posteriormente, vim a saber que era a presidente da YBN (Young British Naturists). Conversamos muito e ela me contou que no dia seguinte (domingo 03 de maio) iria ter um encontro dos Jovens Naturistas Ingleses lá naquele clube. Pelo o que ela me contou eles costumam se reunir todos os finais de semana cada vez num clube diferente, claro que no verão existe uma maior assiduidade e no inverno isto diminui. Eles sempre dão preferência por acampar exatamente para todos estarem sempre mais iguais e mais juntos do que em quartos de hotéis naturistas. Isto também faz com que todos os jovens tenham alguma oportunidade de estar junto da direção da YBN ao menos de vez em quando... A Inglaterra tem mais de 130 clubes naturistas sem contar as praias, isto num país que tem a metade da área do estado de São Paulo e população igual a este estado brasileiro. Quanta diferença... Conversamos muito e descobri como eles estão organizados e como a federação naturista inglesa (CCBN – Central Council for British Naturism) apóia as atividades da YBN, dando inclusive apoio financeiro para que a diretoria desta entidade voltada para os jovens se desloque por toda Inglaterra indo de clube em clube para promover o naturismo jovem. Os Naturistas da Inglaterra, como em geral toda Europa, tem se dedicado a trazer os jovens de volta ao Naturismo. Ocorre que durante muito tempo as atividades eram voltadas apenas para os idosos e com isto os jovens se desestimularam a freqüentar o Naturismo. Atualmente praticamente todos os clubes têm atividades esportivas (futebol, vôlei, arco e flecha, natação e pentaque) e de dança (boate). Depois de já ter visto algumas matérias no Portal Brasil Naturista e ler uma extensa matéria na revista Brasil Naturista sobre a boate Starkers resolvi perguntar a minha nova amiga sobre esta boate Naturista em Londres, já que ela citou dança.


Na mesma hora ela me olhou com uma cara feia de quem não gostou da pergunta. Sem entender ainda o porquê eu falei que havia lido numa revista Naturista brasileira sobre esta boate, comentei até que o dono desta revista havia visitado a tal boate e tinha feito uma ótima reportagem.


Ela falou: "Olha, se este cara esteve na Starkers ou ele não é realmente naturista ou então foi enganado."


Perguntei o porquê disto e ela me falou: "A Starkers não é nem nunca foi uma boate Naturista. Ela é uma boate que funciona todos os dias do mês voltada para o público "alternativo" (minha interpretação deste alternativo é ser público gay) e só duas vezes por mês ela autoriza que seus freqüentadores (normalmente os mesmos dos outros dias) estejam nus. Mas para os naturistas britânicos, o fato de uma pessoa estar nua não significa que ela é naturista, bem como um lugar que permita que seus freqüentadores estejam nus não é obrigatoriamente um lugar naturista."


Eu concordei com ela e ela acrescentou: "Se você concorda então esta revista não pode ser uma revista naturista. Pois mesmo que ele estivesse enganado quando foi lá ele teria que perceber que o ambiente não é naturista de verdade. Veja bem, um local onde se pratica sexo livremente onde em cima do balcão tem preservativos grátis para ser usado ali mesmo, um lugar cheio de quartos escuros para que aconteça de tudo... não pode ser levado a sério como um lugar que seja naturista. Lá acontecem, neste dias onde aceitam as pessoas nuas, verdadeiras orgias. Os jovens da YBN não vão lá (ao menos não como sendo um lugar naturista), a CCBN não reconhece aquele lugar como sendo naturista e, portanto eu acredito que tenha sido inoportuna a reportagem sobre um lugar destes numa revista Naturista."


Eu, totalmente sem graça, tive que concordar realmente e tentar me justificar... Mas ela continuou: "aqui na Inglaterra a CCBN é bem clara em relação a nossa revista (BN). Se ela quer ser considerada uma revista naturista ela não deve publicar matérias sobre locais não federados. Seria interessante a sua federação ter este mesmo principio com as publicações."


No dia seguinte eu pude conhecer outros jovens naturistas ingleses (25 no total) como o Jacob que me confirmou que quem vai lá é porque quer sexo, inclusive ele contou que os frequentadores fazem sexo no meio da pista de dança, e que os verdadeiros naturistas vão aos clubes e dançam alegremente nas festas que acontecem todos os finais de semana na maioria dos clubes.


Bem amigos, eu só escrevi para vocês para que tenham cuidado com o que lêem. Não caiam no conto do vigário e não engulam tudo que aparece! Nem sempre as coisas são verdadeiras só porque uma revista (dita) naturista publicou algo.


A reportagem sobre a STARKERS publicada na Brasil Naturista é mentirosa! STARKERS não é uma boate nudista/naturista é na verdade um local de orgia sexual. Se duvidam vejam o site do CCBN e procurem a STARKERS lá. www.british-naturism.org.uk



Abraços

José Agripino


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Nudez e contracultura no musical Hair

Por Laércio Júlio da Silva 

14/05/2009

Atualmente filas imensas dobram o quarteirão da Rua 45 e lotam a fachada psicodélica do Teatro Al Hirschfeld na Broadway. “Let the sun shine in!” É a volta do musical “Hair”. O retorno com sucesso inesperado, já que para muitos a temática pode parecer antiquada, pegou a todos de surpresa. Volta aos palcos o musical que estreou em 1967 entre a realidade grotesca da Guerra do Vietnã e o auge do movimento hippie versando sobre amor, resistência pacífica e praticando a nudez coletiva em boa parte das cenas enquanto “a Lua entra na sétima casa e Júpiter se alinha com Marte” segundo profetiza a música tema. Em paz imperaria aí a Era de Aquário.

A peça trata da saga de um grupo de hippies que tenta a todo custo convencer um jovem recruta a não se alistar na Guerra do Vietnã. Na tentativa de subvertê-lo, as ações do grupo revezam entre provas de amizade e militância pacifista acompanhadas por muita nudez coletiva e descobertas sobre o sentido da vida.

Censurado em muitos países pela mensagem antibelicista, pela primeira vez na história do teatro contemporâneo a nudez é tratada no ambiente social, sem qualquer conotação sexual pregando a volta a valores simples, se revelando nos dias de hoje um clássico entre os musicais. Os personagens nadam, brincam e se divertem com naturalidade totalmente nus em várias cenas. Em 1979, o “Hair” se transformaria em filme na versão do premiado diretor Milos Forman.

No Brasil, a peça estreou em 1969 em plena ditadura e passado um ano do famigerado Ato Institucional nº5, o musical chamou a atenção dos censores ávidos por limitar as cenas de nudez e protesto, mesmo assim foi encenada com sucesso e revelou artistas como Armando Bogus e Sônia Braga: “a tigresa de unhas negras e íris cor de mel que trabalhou no Hair” transportada para os versos da famosa música composta por Caetano Veloso.

Há quem diga na atualidade que o sucesso do musical se deve à nova sobriedade com que o povo americano da era Obama, golpeado por uma crise econômica visceral, se volta a hábitos simples depois de séculos de excesso consumista e profunda prepotência.

Hoje, apesar da contracultura da época ter se transformado em cultura oficial massificada e a maioria dos hippies abandonarem seus hábitos para se tornar yuppies engravatados e bem-sucedidos perfeitamente absorvidos pelo sistema, nem por isso o “Hair” perdeu no contexto atual a capacidade de polemizar com a possibilidade de se sonhar com harmonia entre os povos. As guerras continuam presentes por aí para provar essa afirmação.

O musical ainda reserva encantos radicais como amor à humanidade e uma mensagem constantemente imbuída de tolerância, muito próximo do que prega o naturismo moderno.

Resta torcer para que em um futuro bem próximo uma nova versão adaptada à realidade brasileira possa trazer à tona a saudável polêmica de que um mundo melhor ainda é possível.


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat (www.goiasnat.com.br)


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sobre a Família Naturista





Por Laércio Júlio da Silva

07/05/2009


 

Gostaria de iniciar o artigo saudando jornalistas, representantes de um grande jornal goiano, presentes ao nosso último encontro realizado no feriado de Tiradentes. Na ocasião, nossos queridos convidados puderam testemunhar o ambiente sadio, fraterno e familiar reinante no local. Em comunhão com a natureza, famílias inteiras se solidarizam e interagem entre si. Existem em nosso meio famílias com três gerações: avó, filhos e netos se confraternizam como em qualquer lugar.

A reportagem constatou o nível social de pessoas que na "sociedade têxtil" são operários, intelectuais, comerciantes, profissionais liberais e religiosos de várias origens. Não somos uma sociedade perfeita, mas nos vangloriamos de sustentar entre nós uma fraternidade que abre caminho para as melhores e mais sinceras amizades. No Naturismo existe o fator de igualdade proporcionado pela nudez social que induz as pessoas a uma profunda reflexão sobre o valor do companheirismo e da transparência entre as relações. A nudez nos torna iguais seja em qualquer classe social, os valores impostos pela sociedade são deixados em casa ou no carro e você passa a fazer parte de um mundo mais humano, em que as pequenas coisas do cotidiano são valorizadas. O Naturismo realiza uma mudança interna no ser humano, faz acontecer o que os sistemas sociais todos não conseguiram fazer ao longo da história da humanidade. O Concílio Vaticano II (1965) estimulou os católicos a buscar uma maneira mais comprometida e atuante de vivenciarem a sua religiosidade, a partir daí a igreja católica passou a refletir sobre experiências que encaravam a nudez como uma purificação. Então, foi possível lembrar que Cristo foi pregado nu na cruz e que São Francisco despiu-se diante de toda Cidade de Assis: a nudez, neste caso, foi sendo associada ao desprendimento de todos os valores materiais, despido de qualquer ideologia e em profundo estado harmonioso com a natureza.

Nada melhor do que, na semana em que se comemora o Dia das Mães, podermos explicar o real sentido do Naturismo familiar. A mãe que cria seus filhos sem o preconceito representado pelas roupas como superação ou superioridade realiza um grande feito educacional, em geral são efetivamente mais despojados, desprendidos e nitidamente preparados para enfrentar a vida e seus percalços.

Lamentavelmente o apelo sexual da sociedade de consumo ao mostrar a nudez com conotação sexual seja numa capa de revista ou na internet, hoje ao alcance de qualquer criança, corrompe escancaradamente a juventude. A prática do Naturismo familiar vem justamente mostrar ao jovem o sentido puro e singelo do contato direto com "mãe" natureza.

Entendemos a prática naturista como uma estrutura alicerçada na família como valor fundamental. Entre nós existem casais solidamente constituídos, onde a prática da nudez, assumida de forma natural, contribui para um elevado nível psicossocial e humano.

Um pai praticante uma vez me contou seu testemunho; havia perdido toda a sua família em um acidente automobilístico fatal, sendo ele o único sobrevivente. Viveu à sombra desse pesar até encontrar uma nova companheira e, com ajuda do Naturismo como terapia, retornar a uma vida normal e reconstruir uma nova estrutura familiar. Afirmou categoricamente que, sem a ajuda do Naturismo, teria se tornado um mendigo ou praticado suicídio!

Segundo o presidente do Conselho Maior da Federação Brasileira de Naturismo, Elias Pereira, ao portal G1: "O Naturismo é um estilo de vida totalmente familiar", disse ele em entrevista. "Cresci vendo Naturismo, adoro o Naturismo e não há nada mais bom e inocente no mundo", afirma.

O Naturismo já reabilitou famílias, curou arestas e cicatrizou feridas; é um modo de vida voltado para o simples e a valorização da vida.

Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat. (www.goiasnat.com.br)


 

Laércio Júlio da Silva

"Não ande na minha frente, eu posso não te seguir. Não ande atrás de mim, pode ser que eu não te guie. Caminhe junto a mim e seja meu amigo."   Albert Camus

Publicado em

http://www.dm.com.br/materias/show/t/sobre_a_familia_naturista

Reproduzido com autorização do autor.