sexta-feira, 10 de abril de 2009

Homens desacompanhados – o eterno debate

E o debate continua. Abaixo a resposta do Sr. Rones ao artigo do Claudio Lacerda:

http://peladista.blogspot.com/2009/04/de-novo-esse-assunto-por-claudio.html


 

O texto original do Sr. Rones esta em http://br.groups.yahoo.com/group/Papo_Naturista/message/14676


 

Boa leitura


 

Prezado Cláudio,

Cabe a mim prestar alguns esclarecimento sobre sua mensagem abaixo, pois pelo que constatei, você não é muito bom interpretador de textos, senão vejamos.
2. Jamais emiti, em mensagem alguma, a opinião de que os homens devem ser proibidos de serem naturistas. Não comungo dessa idéia, ao contrário acho que se todos fossem naturistas a visão deles sobre a nudez e sobre as mulheres seria muito diferente. O que eu quis dizer em meu texto é que isso não ocorre no mundo dos homens e não dá para confiar na boa intenção de milhares deles que chegam à nossa portaria fingindo serem ovelhinhas.
3. A expressão "que não era obrigado a ficar vendo homens nus", se você rever os meus e_mail, vai verificar que se trata da transcrição de frases ditas por freqüentadores da praia e não de opinião minha sobre o assunto. Para ilustrar minhas mensagens uso sempre argumentos ouvidos de pessoas que conversam comigo, sem, contudo, dizer que comungo com o que elas dizem.
4. Também não declarei em momento algum que os homens redundam em única fonte de problemas. Temos dezenas de problemas nas nossas praias. Atacamos a todos indistintamente. Mas "homens desacompanhados" com certeza, é um dos maiores. Procuramos dar a todos uma solução. Atém o momento, neste caso, a proibição de entrarem desacompanhados, foi a que obtemos melhores resultados.

5. Entendi pelo seu texto que você se considera uma pessoa sem preconceitos, mas quando cita as prostitutas, descreve um caráter totalmente invertido. Prostitutas são seres humanos e, na grande maioria das vezes desprovidas de qualquer comportamento de depravação. Grande parte delas exercem esta profissão por absoluta necessidade de sobrevivência. Nossa experiência mostra que, alem de ser muito pequeno o número de homens que se utilizam desse expediente, essas prostitutas quando entram na praia demonstram comportamento absolutamente exemplar, mais até do que muitas pseudo-mães de família. Portanto não vamos fazer conjecturas baseados nas nossas opiniões podres sobre o comportamento humano. Este não é um dos problemas que nos preocupa no naturismo, pois ele é absolutamente ínfimo, comparado com outros de difícil solução.

6. Você jamais leu alguma opinião minha dizendo que "não gostava de ver grupos de machos". Isso nunca foi proferido pela minha boca e não é justo que você fique atribuindo a mim declarações das quais tenho verdadeira ojeriza. Isso não é verdade. O que gosto de ver são ambientes equilibrados, onde se vê mulheres e homens convivendo pacificamente. Ambientes com qualquer predominância de grupos, tendem a ser viciosos, sejam eles de qualquer linha de conduta ou preferência.

7. Quando você diz que eu, pelo visto tenho olhos só para mulheres, está sendo de uma maldade sem tamanho. Em nenhum dos meus textos demonstrei essa preferência. Agora, os seus textos sim, demonstram claramente que só tem olhos para os homens. Acho que naturistas não devem possuir olhos voltados para qualquer segmento. Ao contrário devem enxergar todos eles conjuntamente, sem qualquer vestígio de preconceito, malícia ou vício. Quando demonstrada essa preferência, acho que o trabalho de convencimento perde todo o seu poder. Sinceramente não acredito que uma praia cheia só de mulheres, ou só de homens, ou só de gays, tenha qualquer atrativo para um verdadeiro naturista. O naturismo como consequência deve de ser administrado observando essas discrepâncias e corrigindo os desvios encontrados, buscando a harmonia. Em nosso caso, se liberarmos a entrada de homens, com certeza, em menos de meia hora teremos quinhentos homens na praia e meia dúzia de mulheres. Situação, aliás, observada em algumas praias que adotam essa postura, mesmo situada em região bem diferente da nossa.

8. Quanto a acabar com a prática de Swing, isso não é tarefa do naturismo ou de qualquer outro ser humano. Não tenho a menor pretensão de fazer isso. Quem quiser praticar swing que o faça. Nossa missão é impedir que isso seja feito dentro das áreas naturistas e também que essas áreas sejam utilizadas como locais de arregimentação para a prática do swing. Mas devo informá-lo que os praticantes dessa filosofia que frequentam nossas áreas são uma grande minoria e quase todos absolutamente conhecidos. Situação que nos dá uma certa facilidade no seu controle. O grande volume de freqüentadores entretanto, são pessoas que estão ingressando na área pela primeira vez. São a elas que devemos dar absoluta prioridade e são a elas que devemos passar a imagem adequada e equilibrada do naturismo. Estas pessoas são os naturistas potenciais, são o futuro do naturismo e são elas que vão fazer o naturismo crescer. Por isso corremos atrás de solucionar os problemas que atravancam essa missão.

Abraços

Nelci-RONES Pereira de Sousa
Naturista

domingo, 5 de abril de 2009

DE NOVO ESSE ASSUNTO? Por Cláudio Lacerda Guerra.

Resposta ao texto do  Sr. Rones (Nelci-RONES Pereira de Sousa - rones2010@) para a lista papo-naturista com o titulo “HOMENS DESACOMPANHADOS E AUSÊNCIA DE MULHERES”, do Cláudio Lacerda Guerra (Moderador do grupo Naturistasgays e Homens solteiros naturistas) e freqüentador de Abricó a esse velho e recorrente tema.

Referências:

http://br.groups.yahoo.com/group/Papo_Naturista/message/14653 também publicado em  http://peladista.blogspot.com/2009/04/homens-desacompanhados-e-ausencia-de.html)


DE NOVO ESSE ASSUNTO? Por Cláudio Lacerda Guerra.

BEM, inicio meu comentário agradecendo a DEUS por morar no Rio e por ter ABRICÓ perto de casa. Aqui, caros amigos, TODOS são bem-vindos, desde que fiquem nus. "Ah, mas vocês têm seguranças"! Sim, claro que temos, e desde quando o mundo em pleno século XXI deixará de ter? Além disso, pelo longo discurso que o sr. Rones deu para justificar a forma como o homem encara a nudez e a forma diferente de como a mulher também encara, só me resta justificar que é melhor proibir que o homem seja naturista, certo???


Amigo, em 2005 quando eu dava murro em ponta de faca, tentando ser um ativista contrário a esse absurdo que você defende, ou seja, presumir por PRECONCEITO que o homem sozinho seja sinônimo de problema (mas a mulher NUNCA), você declarou em uns dos e-mails que trocamos o seguinte: "que não era obrigado a ficar vendo homens nus" na praia.


Pois é isso, amigos, o que todos querem: VER o que gostam. DIRIGIR SEU OLHAR PARA O QUE ESTÁ ESCONDIDO, OU SEJA, A NUDEZ!!! Não sejamos hipócritas, por favor! Se o naturismo no Brasil está engatinhando, pelo menos é praticamente impossível proibir que as pessoas olhem para o que gostam, certo??? Não vou criticar o seu texto histórico-explicativo que por sinal está muito bem editado, mas será que, se vocês copiassem o modelo de Abricó, ou seja, COM SEGURANÇAS VIGIANDO PARA EDUCAR E COIBIR quem saísse das normas naturistas, não seria melhor do que barrar muitos novatos (as) que poderiam se tornar verdadeiros naturistas e amigos? Ou então, criar uma espécie de local onde vocês pudessem conversar com os visitantes, deixar o (a) novato (a) em observação durante um tempo, sei lá.

E, me desculpe, achar que somente os homens são a fonte dos problemas é um erro grave de falta de observação antropológica, pois o senhor, por gosto pessoal e eu entendo, só tem olhos para as mulheres, portanto, vai defender que se elas não podem ser a maioria absoluta da praia, que levem seus machos, mas que pelo menos estejam lá.


Agora, o maior absurdo do texto está na parte que o senhor insinua e indica como solução que o homem sozinho deva arranjar uma amiga para entrar. Vejamos então: e se ele comprar uma prostituta? Aí vai ser perfeito, não é mesmo? Ainda mais se for gostosona!!! Dessa forma o equilíbrio do olhar estará perfeito, um "problema macho" vai entrar, mas como terão o deleite feminino, aí não vai ter problema.

Infelizmente eu odeio a hipocrisia e não tenho mais o e-mail que o senhor disse que "não gostava de ver grupos de machos". Pena mesmo, pois ali eu percebi que esse é o verdadeiro objetivo de que mulheres solteiras são mais do que bem-vindas, como se não fossem também seres humanos de educações diferentes, vidas diferentes, portanto tão susceptíveis como nós homens, de criar ou não problemas. Eu mesmo presenciei em Abricó, em 2005, um problema com duas senhoras que poderiam ser respectivamente minha mãe e minha tia pela idade que tinham. Elas entraram, não ficaram nuas de jeito nenhum e ainda arranjaram a maior confusão. Estou falando de duas senhoras com mais de 65 anos na época, ok? E não foi o único caso isolado. Aliás, pelo fato da relação heterossexual ser a considerada "aceita" pela sociedade, nosso maior problema lá é justamente como casais héteros que, achando que podem fazer tudo, vez por outra são expulsos da praia pelos seguranças. Vou explicar melhor: por preconceito, o casal gay tem receio de se beijar e se abraçar com mais força na frente de todos.

Mas eu tenho uma pergunta muito interessante a fazer: O homem depois que casa passa a ver a nudez como a mulher? Passa a ser um homem acima de qualquer suspeita? Deixa de ser um problema no mundo naturista? Quanta hipocrisia para esconder uma coisa tão simples, não é? A resposta é não! Ele continua sendo macho e ela continua sendo mulher, e quer saber? Pelo exercício do olhar, a maioria (mas não todos) que vai a locais onde a freqüência é controlada balanceada em casais héteros, vai para outros fins bem distantes do naturismo. Esqueçam que o mundo dos adultos não é um mar de rosas, ok? E, além disso, fomos criados para ficarmos nus apenas para transar e tomar banho.

Outra coisa abominável foi uma prática muito comum aqui dita: você poderá entrar se for ser amigo de alguém ou for indicado... Eu quase fui a Tambaba em janeiro desse ano e eu com certeza entraria por vários motivos, mas infelizmente o único que me daria o passaporte de ser um homem acima de qualquer suspeita era o fato de eu estar na companhia de dois amigos que sempre vão à praia. Ah, eles só entram porque levam uma amiga, o contrapeso visual...

Como eu disse, dou graças a Deus por estar bem longe de toda essa hipocrisia e de ter uma praia maravilhosa que é ABRICÓ Aproveito para convidar a todos que desejem conhecer e ver, (para os que não se importarem de ver muitos homens nus, claro), e isso inclui você, caro sr. Rones e amigo naturista autor do comentário que o parabenizou.

Espero que vocês tenham conseguido coibir a prática de swing, que eu saiba é feito por casais héteros, certo? Isso realmente não combina mesmo com naturismo.

Cláudio


(Moderador do grupo Naturistasgays e Homens solteiros naturistas)

sábado, 4 de abril de 2009

HOMENS DESACOMPANHADOS E AUSÊNCIA DE MULHERES

O texto abaixo foi enviado pelo Sr. Rones (Nelci-RONES Pereira de Sousa - rones2010@) para a lista papo-naturista ( ver em http://br.groups.yahoo.com/group/Papo_Naturista/message/14653).

Vários pontos são divergentes aos textos aqui postados nesse Blog, mas como sempre incomodamos que tal nos auto-incomodar com esse texto?

Boa Leitura.


 

Prezados Naturistas,

HOMENS DESACOMPANHADOS E AUSÊNCIA DE MULHERES: Tenho visto circular pela Internet, tanto nos grupos vinculados ao naturismo como nas comunidades do Orkut e em Blogs especializados, inúmeras opiniões e "indignações" pela prática das áreas naturistas em não permitir entrada de homens desacompanhados e também pela pouca quantidade de mulheres militando ou se assumindo naturistas. Embora eu tenha prometido a mim mesmo que nunca mais abordaria esses assuntos nos espaços virtuais, de vez que já emiti por diversas vezes minha opinião a respeito, ocasionando ainda mais polêmica na questão, não poderia me furtar de responder, para realçar a total "indignação" de muitos, às milhares de "baboseiras" que estou tendo a infelicidade de ler ultimamente.

2. Inicialmente gostaria de dizer que eu também tenho as minhas indignações. Senão vejamos:

a) Sou naturista praticante e militante real das áreas naturistas há mais de 20 anos, onde trabalho veementemente pela defesa do naturismo e das áreas em particular. Essa atuação é ali, no dia a dia, conversando invariavelmente com todas as pessoas que entram e saem das áreas. Apesar de nos últimos dois anos ter ficado afastado da direção de entidades, do dia 27 de dezembro de 2008 ao Carnaval de 2009, trabalhei todos os dias em Tambaba, de 8:00 h da manhã até as 18:00 h., período em que recebemos em torno 60.000 mil visitantes. Descobri nesse período, como resultado de minhas conversas e constatações, que os problemas do naturismo e de nossas áreas continuam os mesmos e as soluções também são as mesmas. Com base nisso, no final do período, fiz uma correspondência à direção da SONATA, com cópia para a Prefeitura Municipal, Conselho de Ética e FBRN, dando as minhas sugestões. Descobri, entretanto, que as pessoas que receberam a minha carta reputam as minhas ideias como radicais, fantasiosas, que possuo uma mente putrefa e não tenho respaldo para saber o que é melhor para o naturismo e para a praia. Deram preferência a ouvir os seus "puxa sacos", que não são naturistas e nem sequer freqüentam a praia. Esta é uma situação corriqueira que tenho visto dentro do naturismo ultimamente. Só quem sabe o que é melhor para os naturistas são os teóricos da nudez e os milhões de naturistas virtuais que sabem tudo de naturismo e de nudez, muitos dos quais jamais entraram em um espaço para a prática do naturismo. Assim consideram aqueles que militam diariamente nas áreas como uns loucos, otários e sem a menor noção do que realmente deve ser feito para o funcionamento adequado das suas áreas. Este é um absurdo é visível e palpável.

b) É também muito comum ler por aí que na Europa as praias funcionam "assim ou assado", que lá tudo é diferente, que lá nada acontece de anormal e que no Brasil deveríamos nos espelhar neles para administrar as nossas áreas. Ora, a cultura européia possui milhares de anos. Na origem de sua cultura a nudez nunca foi vinculada à sexualidade. O uso das roupas se deu único e exclusivamente por problemas climáticos. A Igreja Católica, juntamente com outros seguimentos religiosos, tentou durante a Idade Média impingir ao povo europeu uma áurea de pecaminosidade à nudez, vinculando-a ao desejo sexual. Como não se muda a cabeça das pessoas da noite para o dia, esse intento não foi concretizado totalmente, ficando ainda arraigado os resquícios da forma antiga de se viver. Razão esta de existir maiores facilidades na implantação do naturismo naquele continente. No Brasil fomos colonizados recentemente e sob forte influência Católica. Se pesarmos ainda que grande parte da população "civilizada" inicial do nosso país foi constituída de degredados e marginais, dos quais somos descendentes, podemos concluir que a nudez no país tem uma conotação totalmente diferente daquela experimentada nos continentes antigos. Para a esmagadora maioria da população brasileira, a nudez é utilizada exclusivamente com intuitos sexuais. Acham ainda que quem fica nu está logicamente mal intencionado e cheio de desejos inconfessáveis. Sendo assim achar que podemos administrar um espaço naturista dentro dos padrões europeus é de uma sandice inescrupulosa e de uma irresponsabilidade a toda prova.

3. Com relação aos homens desacompanhados, sou de opinião que todos devem ter acesso livre a qualquer área desde que sejam naturistas. A população não naturista do país tem um índice muito alto de discriminação com a nudez. Principalmente os homens. Todo homem não naturista tem uma obsessão enorme por ver uma mulher nua. Isto não é opinião, é contatação. Tanto é que isso é explorado visivelmente pela mídia, pela publicidade e pelos seguimentos de erotismo e pornografia do nosso comércio. A facilidade do homem em praticar a nudez é muito superior à da mulher. Principalmente se for com o intuito de apreciar um monte de mulher nua, essa facilidade é muito maior. Isso é o que escutamos e observamos a todo minuto, tanto na entrada das áreas naturistas, quanto nos nossos relacionamentos diários, em universidades, trabalho e diversões. Esta realidade não pode ser ignorada, negada ou mascarada. Ela está aí para qualquer um ver e constatar. O mundo naturista funciona de forma diferente e assim deve ser tratado. Todo naturista deve ser respeitado, estando ou não acompanhado de uma mulher, seja homossexual ou não. Mas vem a grande questão. Como identificamos se um homem é Naturista ou não? Como conhecermos um homossexual na portaria de uma área naturista? Se utilizarmos apenas o aspecto visual, estaremos cometendo um grande ato de preconceito. Pois são os que mais parecem os que menos são. A capacidade de fingimento é muito superior à nossa de identificar essa imitação. Partir do princípio que homossexuais possuem trejeitos é atitude extremamente preconceituosa. Em Tambaba não fazemos qualquer discriminação a homens desacompanhados ou a homossexuais, bastem que provem que são naturistas. Eu mesmo estou separado há cinco anos e nunca fui barrado na portaria da praia, pois todos me conhecem e sabem da minha inconfundível condição de naturista. Assim serão tratados todos os que comprovarem essa condição. Agora, não dá para ir na conversa de qualquer um que chega e diz que é naturista, seja homossexual ou não. Não da para ir na conversa de qualquer um que chega e diz que é homossexual. Quem trabalha na portaria desses espaços, sobretudo os de alta freqüência como é Tambaba e localizado em região de forte cultura machista, como é o nordeste, vê a cada minuto chegando alguém dizendo que é naturista ou que é homossexual, mas que, na realidade deixou mulher e filhos na área adjacente e tenta adentrar a área exclusiva para a pratica da nudez com objetivos escusos. Portanto o tratamento deve ser igual a todos do sexo masculino, independente da sua orientação sexual. Situação que não discrimina nenhuma minoria protegida pela legislação. Nossa experiência mostra que não dá nem para sonhar em liberar a entrada indiscriminada de qualquer um nas áreas, sob pena de vermos a naturismo definhar e tornar um local de problemas insanáveis. Homens que não são naturistas não possuem qualquer escrúpulo ou respeito. Vão às praias com o único objetivo de ver mulher nua e, quem sabe, conseguir uma transa rápida, fora um monte de fotos que ele quer levar para deleite solitário ou uso indevido na internet. Quem duvidar é só experimentar a ver o que acontece. Qual é a solução para os solteiros? Procure na sua região algum naturista conhecido, ou a direção de uma associação, convença a namorada, uma amiga, uma irmã, uma tia ou mesmo própria mãe (isto acontece com muita freqüência), comprove as suas boas intenções e consiga um passaporte que o credencia a freqüentar qualquer área em todo o território nacional, independente de companhia feminina. Garanto que em menos de 60 minutos de conversa, consigo identificar um naturista potencial.

4. Com relação às mulheres, a situação é totalmente oposta. A mulher geralmente se sente como objeto dos desejos dos homens. Ela acha que a sua nudez é sinônimo de provocação e desperta as mais altas sensações libidinosas nos homens. Os homens dizem isto a elas todos os minutos. Leem isto nas revistas e jornais todos os dias. As naturistas sabem que no mundo fora do naturismo isso é uma realidade. As não naturistas acham que isso acontece também no mundo naturista. Após a minha separação, fiz centenas de tentativas de levar moças à praia. Obtive sucesso com algumas, mas com a maioria o meu poder de convencimento foi insuficiente para tirar delas esse vínculo da nudez delas com a promiscuidade masculina. Invariavelmente elas acham que serão o centro das atenções e que todos olharão para elas com olhos de desejo. Fazer elas perder essa fixação é tarefa muito difícil. Aquelas que experimentam acabam por descobrir um outro mundo, mesmo assim não querem que seus familiares, amigos, colegas tomem conhecimento disso, pois sabem que eles pensam como elas pensavam antes de visitar a área. Como exemplo, uma colega da universidade foi comigo à praia e resolveu contar aos outros colegas a sua experiência. Arrependeu amargamente. Todos invariavelmente fizeram muita chacota com ela, perderam grande parte do respeito que tinham por ela. Fora o volume de perguntas que recebi, todas relacionadas com o estado de suas anatomias. Outras colegas que tinham vontade de ir desistiram e as que não desistiram fizeram o maior segredo. Na portaria das áreas naturistas, vemos, a todo instante, centenas delas cheias de vontade, mas receosas dessas situações. Este panorama só mudará o dia que mudar as atitudes dos homens. Em face disso a permissão para que entrem desacompanhadas nas áreas é um caminho que se utiliza para desmistificar essa situação. Todas aquelas que recebem tratamento respeitoso são multiplicadoras da filosofia, mesmo não disseminando que freqüentam. Elas invariavelmente voltam e, normalmente, trazem um amigo de sua confiança. Portanto os homens não devem encarar a liberalidade de permitir que a mulher entre sozinha como uma competição ou discriminação com os homens, mas como um grande fator de incremento das pessoas que aderem à prática e que, mais hora menos hora, pode reverter em seu próprio benefício. Não concordo com a afirmação de que temos poucas mulheres militando no naturismo. Isto não é verdade. Apenas devido ao machismo exacerbado da população, elas preferem ficar mais reservadas em divulgar que gostam do naturismo. Situação que mudará a partir do momento que os homens forem inteligentes e começarem a usar isso a seu favor.

5. Em face disso concluo que nada deve ser mudado na forma de se praticar o naturismo no país. Apenas devem ser recrudescidas as medidas que venham a preservar mais e mais a pureza do funcionamento das áreas. Se somos diferentes do resto do mundo, devemos tratar nossos problemas de forma diferente, dando um passo de cada vez. Não canso de dizer que "o dia que tivermos 200 praias naturistas e 50 milhões de praticantes, com certeza vamos poder tratar o naturismo como ele é tratado no resto do mundo". O que precisamos é de administradores que tenham essa visão e que não deixem nossas associações cair nas mãos erradas. Este é um risco que pode acabar com o naturismo no País. Existem centenas de pseudonaturistas, imiscuídos no nosso meio, doidos para assumir as nossas entidades e dar outros destinos a elas. Muitos deles ocupando os espaços virtuais emitindo as mais estapafúrdias opiniões. Discordamos também absolutamente da opinião de que da forma como foi concebido pelo Celso Rossi o naturismo no Brasil não vai chegar a lugar nenhum. O Celso é dos maiores expoentes do naturismo no País, com profundo conhecimento da filosofia praticada em todo o mundo. Quando fez as regras do Pinho ele tinha conhecimento de causa, sabia do futuro do naturismo para o Brasil. As mesmas regras foram implantadas em Tambaba. Quando chegamos à praia, eu e minha família, em 1999, tínhamos uma frequência de mais ou menos 5.000 visitantes anuais. Por causa da seriedade do trabalho ali implantado, espelhado nas idéias de Celso Rossi, hoje experimentamos uma freqüência de mais de 60.000 pessoas anuais. Um crescimento de mais de 1000 % em 9 anos, maior que qualquer seguimento turístico no mundo. NATURISMO SE FAZ COM SERIEDADE E TRABALHO, in loco, dentro das áreas, e não com balelas pela internet.

Um Abraço.

Nelci-RONES Pereira de Sousa
Naturista