sábado, 21 de fevereiro de 2009

DE VOLTA PARA O FUTURO

O TEXTO ABAIXO FOI ESCRITO NO DIA 18/02/09, QUE EU IRIA POSTAR APÓS MINHA VIAGEM A SÃO PAULO. VENDO NA TV O DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA DESTA CIDADE, A PRIMEIRA A ENTRAR NO SAMBÓDROMO QUE FOI ROSAS DE OURO COM O TÍTULO "FÁBRICA DE SONHOS", E LOGO DE INÍCIO ALGUMAS PESSOAS COM AS BANDEIRAS DE TODAS AS ESCOLAS DE SAMBA. SERIA UMA HOMENAGEM OU O SONHO DA UNIÃO? PROVAVELMENTE OS DOIS, AÍ RESOLVI DIVULGAR DAQUI MESMO ONDE ESTOU O TEXTO "DE VOLTA PARA O FUTURO", QUE ESPERO QUE SEJA ÚTIL PARA ALGUÉM.

ABRAÇO A TODOS.
EVANDRO TELLES

DE VOLTA PARA O FUTURO


Recordando o tempo da minha infância, lembro perfeitamente que existia uma Igreja Batista em frente à minha casa, nos alto falantes eram dados os seus sermões, os críticos também existiam na época, reclamando do volume do som, mas que na verdade era rixa que tinham entre crentes x católicos. Cada qual defendendo o seu lado, sempre um querendo sobrepor o outro nos argumentos religiosos. Quando começaram a aparecer os seguidores do Kardecismo, nossa, era o fim do mundo.
Com o passar do tempo, estas religiões passaram a aprender a conviverem e vemos que hoje existem excelentes trabalhos de solidariedade e caridades por parte de todas elas junto às comunidades em que atuam. As ofensas acabaram? Ainda não, de vez em quando surgem alguns agressores que em nada contribuem em termos espirituais, só serve para criar desentendimentos. Alguns casos são publicados pela imprensa de agressões ao menor por parte de alguns religiosos e nem por isso a religião perdeu o sentido maior de Amor e Caridade.
Da mesma forma tenho visto grupos naturistas fazendo críticas à Federação Brasileira e aos seus dirigentes e aqui faço uma observação importante: Naturismo não é a Federação e seus erros, quando os tem, não podem influenciar o objetivo maior do ser naturista.
Os mais importantes objetivos, julgo eu, estão nos campos social, psicológico e uma nova visão da nossa matéria, isto sim poderá mudar a história e criar uma geração mais espiritualizada.
Aprendi que quando eu aponto um dedo para outras pessoas, existem três apontados para mim, aprendi também que quando meu carro estiver atolado, eu sei que sairei dali colocando alguns paus em baixo da roda, irei empurrar um pouco, irei acelerar e depois de um bom tempo sairei. Mas se eu estiver com mais pessoas do meu lado, sairei muito mais rapidamente do buraco em que me encontro. Em outras palavras, FORÇAS NÃO SE MEDEM, SE UNEM.
Parece que o ser humano tem a tendência de colocar paredes, dividir, homens para um lado mulheres para o outro, religião x separada da religião y, políticos de esquerda x políticos de direita, e assim por diante. Os naturistas não devem criar divisões tais como naturistas, nudistas ou peladista. É uma divisão de um grupo já minoritário pela dificuldade que as pessoas tem de assimilar e aceitar como um estilo de vida harmonioso com a natureza, e mesmo porque já foi amplamente e muito bem exposto por Paulo Pereira em seu livro Corpos Nus e em seu artigo publicado no jornal olho nu em dezembro/2003 que nudistas e naturistas são sinônimos. Não há motivos para separar quando se tem muito para realizar, tipo palestras para universitários, conscientização da família para os benefícios da nudez, informações através da mídia do que pode representar o naturismo na vida das pessoas,etc. Cada proposta com o seu grau de dificuldade que, separados em seus argumentos, irá dificultar muito o desenvolvimento e a compreensão pelos não praticantes e também existirá a possibilidade da saída de pessoas que muito poderiam contribuir para o Naturismo.
Se seguirmos neste raciocínio e nos voltarmos para o futuro veremos que o naturismo pode contribuir muito para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos indivíduos, para o respeito das nossas diferenças, e se quisermos transformar o mundo, temos que iniciar por nós mesmos.
“SE QUER TRANSFORMAR O MUNDO, MEXA PRIMEIRO EM SEU INTERIOR” (Dalai Lama).
Tem que existir um esforço de superar as diferenças em benefício das novas gerações, é olhar para o futuro superando o passado e melhorando o presente. É voltar para o futuro e ver que o que foi feito no presente foi o que de melhor nós tínhamos para dar. Não se perde tempo em querer que todos pensem de formas idênticas, isto é utopia.
De volta para o futuro é ter condições de exigir das gerações futuras o que fomos capazes de dar no presente, que é o respeito pelas nossas diferenças e por todos os seres viventes neste planeta.

Evandro Telles
18/02/09

A situação de Pedras Altas

Como todo naturista que se preze, eu também gosto que existam muitas áreas naturistas pelo Brasil para que possamos visitar e freqüentar.

Como relata o meu amigo José Agripino, naturista de longa data e conhecedor de vários locais no Brasil e do mundo, Pedras Altas é um clube-praia na cidade de Palhoça-SC que parece "um pedacinho do paraíso. Tem um mar calmo e limpo, muita mata preservada (floresta atlântica mesmo e não este mato que não serve para nada), muitos animais silvestres e algumas poucas casas. É um lugar que infelizmente foi esquecido pela maioria dos Naturistas Brasileiros desde que Celso Rossi saiu de lá para posteriormente fundar a Colina do Sol."

Vemos um lugar lindo, contudo está realmente ameaçado! O problema de Pedras Altas é urgente e não vejo em nenhum dos comunicados da FBrN alguma solução ou iniciativa ou mesmo alguma negociação para resolver este problemão.

Segundo José Agripino "estamos para perder esta área agora em 2010. Ocorre que as terras não foram COMPRADAS pela Naturis - Celso Rossi. Eles apenas conseguiram uma autorização de uso de uma parte do parque municipal de Pedras Altas - Palhoça - SC. E esta autorização nem dava direito a construção de casas, assim sendo, já há muitos anos quem comprou da Naturis -Celso Rossi o direito de construção das casas, não pode nem reformá-las pois a prefeitura não permite e o pior disto é que a autorização de uso vence em 2010 e não existe nenhuma intenção da cidade em renovar esta autorização."

A FBrN sabe disto a muitos anos já que o casal incansável Beto-Joelma já comunicaram ao então presidente da FBrN Elias Pereira, a alguns conselheiros da FBrN e até ao atual candidato ao conselho de ética Marcelo Pacheco. Ninguém fez nada! Claro essa é a praxe do último ano da FBrN, finja que o problema não existe para ver se ele desaparece. Só existiu o congresso de Tambaba, mais nada.

Aliás esta tem sido a tônica da questão de Pedras Altas... Ninguém faz nada! Não há sequer uma linha nas atas da FBrN sobre o assunto. Não há sequer uma conversa informal em algum blog sobre este assunto. Sem contar as informações relatadas pelo José jamais escutei, li ou ouvi em nenhuma lista de discussão ou Orkut falando da questão.

Parece que Pedras Altas é o Patinho Feio da FBrN e que ninguém quer ajudar. Os amigos que estiveram lá, que conhecem o lugar, dizem que é exatamente o oposto! É um lugar LINDO que precisava ser mais divulgado e ajudado.

Continuando seu relato José disse que "Beto e Joelma jamais irão conseguir algo sozinhos! A entidade máxima do Naturismo Brasileiro deveria tomar partido e apresentar como uma entidade FEDERAL algum pedido e negociação junto a prefeitura da cidade de Palhoça ainda em 2009 para não deixar 2010 chegar sem nada ser feito e perdermos este lugar maravilhoso."

Consta que o interesse da prefeitura de palhoça é acabar com o naturismo em pedras altas e abrir a praia para pessoas vestidas freqüentarem, bem como desocupar as casas que são consideradas invasão em área de preservação ambiental permanente.

Como naturistas temos aí uma grande polêmica, pois também devemos preservar o meio ambiente e é totalmente impensável que destruamos área de preservação ambiental permanente, mesmo que seja para construir uma área naturista.

Como a FBrN se posiciona? Isto é uma incógnita! Não existe opinião e o tempo urge! Ah sim, esqueci o congresso de Tambaba foi lindo, a praia maravilhosa, o Brasil foi elogiado e o resto... que importa o resto.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

PELADISTAS DE PLANTÃO, ASSIM FOI MINHA CHEGADA NA EUROPA!

...Após tamanha decepção com esse meio naturista; resolvi sair em campo e continuar defendendo meu direito de ficar pelada sim, porque isso é um ato natural e não para me diferenciar de outras pessoas que se escondem atrás dos pudores; percebi que nossos pudores não estão escondidos atrás das roupas, mas atrás de pensamentos medíocres, e críticas prepotentes e arrogantes; também cansei de esperar que políticos aprovem alguma lei que me dê o direito de ser natural...


Resolvi tirar umas férias e pensei: preciso limpar minha mente e continuar defendendo o que acredito. Para onde poderia ir?!... Praias paradisíacas?... Não!, me lembrava o povo naturista. Preciso de algo mais... cultural, histórico e livre....uauauaua Holanda, porque não???...agora lá é inverno, hum... serei obrigada a ficar vestida por causa do frio, mas tudo bem, Amsterdam é uma cidade livre, artística, cultural, ai mal posso esperar.


Peguei um lindo avião rumo ao que para mim, naquele momento representava a liberdade... teria que ficar vestida nos próximos meses, mas a sensação era a de que estava ficando desnuda, livre. Cheguei a pleno inverno, milhões de roupas eram necessárias para minha sobrevivência... me apaixonei pela cidade, pelas pessoas, e percebi que estava em outro mundo; um mundo onde as pessoas respeitam-se mais e fazem menos apologia; uma cidade onde a maconha é liberada, ALGO QUE PARA NÓS BRASILEIROS É UM HORROR, MAS O FATO DE A MACONHA SER LIBERADA OU NÃO, NÃO VEM AO CASO, RESSALTO AQUI A MATURIDADE DAS PESSOAS QUE SÃO TRATADAS COMO ADULTAS PELO ESTADO; AH, o sexo nos parques é permitido, desde que longe das crianças, OUTRO PONTO QUE PARA NÓS BRASILEIROS PODE SER MORALMENTE DUVIDOSO, MAS ACONTECE AQUI NA EUROPA; o casamento gay é admitido e respeitado; o cigarro é proibido dentro dos bares, por questão de saúde e não porque alguns acham que seja um péssimo hábito e queiram lutar contra o fumo.... com toda essa liberdade e não vejo tantas agressões na rua. Aqui as pessoas são livres, mas educadas a serem responsáveis pelas conseqüências de seus atos.


Nossa, sinto-me tão bem, tão livre apesar de estar vestida igual a uma cebola, com várias camadas de roupa; se eu tivesse que fazer strip-tease levaria meia hora e ainda estaria de calcinha.


Resolvi ficar mais do que o que havia programado, para isso precisaria trabalhar e comecei a procurar o que fazer... Conversando aqui, conversando ali... me disseram que poderia trabalhar como modelo; consegui de uma amiga uma lista de artistas e liguei me oferecendo como modelo...


-Alô, sou Ariane, sou brasileira, e trabalho como modelo, como atriz e ...estou precisando trabalhar...


-Oh, yes, preciso de modelo, algum problema em posar pelada? Perguntou o artista.


-Pensei: pelada!!! Adooooro ficar!!! Só pensei... disse: sim, nenhum problema... Marcamos appointment... como diz aqui...peguei o endereço e lá fui eu..


No caminho de trem até o local combinado fui pensando: que ironia do destino, depois de tanta decepção tirando a roupa no Brasil, o meu primeiro emprego na Europa será tirar a roupa, ...oh my God, e ainda por cima sozinha eu e um homem,... Não que eu tivesse medo de homem, já sou bem crescidinha para isso... Bom agora não dá pra recuar vamos em frente... Encontrei o tal artista e fomos para o seu atelier...


Minha experiência no teatro já havia acontecido e eu tinha a personagem para me proteger, para me vestir, então de certa forma eu estava protegida por ela. Já como pessoa, como cidadã, até então havia ficado pelada somente para tomar banho e nos encontros de nudismo, quando conversava sobre trivialidades e às vezes ouvia banalidades... Ali, no atelier era diferente... A única semelhança era a de estar pelada... É! Estava eu pelada e na minha frente um homem que olhava pra mim o tempo todo; mas havia algo de diferente em seu olhar; ele me olhava nua, NÃO para criticar minhas formas ou fazer alguma masturbação mental; ele me olhava, pois queria reproduzir na tela exatamente como eu era, e ao contrário do desconforto que sentia com muitos olhares nos encontros de nudismo; ali me sentia a própria (Venus de... e ele meu Da Vinci) e o mais importante, me senti respeitada. Terminada a sessão, me pagou, me deixou no trem, e disse um muito obrigado!


Voltei para minha casa e no caminho de volta fui fazendo um balanço de minhas emoções daquele dia e das sentidas nos encontros anteriores no nudismo; e realmente descobri que estava no grupo errado... Sou peladista!