terça-feira, 4 de agosto de 2009

A beleza que ameaça a juventude

Por Laércio Júlio da Silva
Publicado no Jornal "Diário da Manhã"
A beleza que ameaça a juventude
01/08/2009

Se o nosso querido poetinha Vinicius de Moraes estivesse vivo, pensaria várias vezes em afirmar a sua mais polêmica frase: “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental.” Ele que foi o menestrel do pensamento idílico, constataria que a beleza estética anda sendo deturpada a ponto de se tornar uma paranóia que não leva em conta a saúde de quem a persegue. Para algumas pessoas, ultimamente a beleza tem se tornado o espelho de Narciso, que, segundo Mitologia Grega, teria vida longa desde que não contemplasse a própria figura. Muita gente tem perdido a vontade de viver pelo fato de não se aceitar em frente a um espelho.

Recentemente foi notícia de destaque na televisão o relatório divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica constatando que adolescentes entre 14 e 18 anos representam 13% dos pacientes que fazem algum tipo de procedimento estético. Em todo o Brasil, entre Setembro de 2007 e Agosto de 2008, cem mil jovens nessa faixa etária recorreram à cirurgia plástica. O mais escandaloso é que as cirurgias preferidas pelos jovens são de nariz, redução de mamas, próteses de silicone, lipoaspiração e correção no tamanho das orelhas, partes do corpo ainda em desenvolvimento na adolescência, caracterizado pelas mudanças naturais do crescimento (fonte: portal G1). Procedimento que futuramente em alguns casos faz a pessoa voltar à mesa de operações para novas “correções”, enchendo os bolsos da indústria de cirurgias plásticas que se formou neste País. Cirurgias que chegaram à marca de 1.200 por dia!

Lamentavelmente, a sociedade de consumo tem colocado na prateleira o produto beleza ao alcance de todos, com a possibilidade de se pagar em 36 meses com ou sem juros, transformando o desejo em algo aparentemente acessível como se fosse à compra de um carro novo com a possibilidade de acrescer vários “acessórios”. Somos impelidos a consumir incansavelmente para girar a roda da produção sem fim e isso atinge agora o corpo humano e sua aparência física. Numa época em que a ditadura da beleza é imposta na moda, em revistas e na televisão, a cirurgia plástica surge como alternativa mágica para corrigir o que a juventude acha que a natureza não se fez perfeita. Alguns de origem pequeno burguesa abrem mão da tradicional festa de debutante ou da sonhada viagem ao exterior para saciar o ego e deixar de ser motivo de piada e “bullying” na escola ou entre os colegas. Muitos pais apoiam os filhos nesta empreitada conscientemente, outros apenas o fazem para não ter mais um problema dentro de casa, fugindo mais uma vez da educação formal juvenil, tão em falta na formação do caráter do adolescente hoje em dia.

Generalizando, o mais grave é que, segundo José Yoshikazu Tariki, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos processos abertos em decorrência de cirurgias plásticas, 94% dos médicos demandados não possuíam especialização na área. A fome pela beleza perfeita entontece a sanidade da vítima ao ponto de o paciente cair em uma verdadeira arapuca, sem ao menos averiguar a idoneidade do dito especialista. Apenas seis dos 289 médicos processados no Conselho Regional de Medicina de São Paulo tinham título de especialista em cirurgia plástica (fonte: site da SBCP).

O fato é que não podemos deixar crescer uma geração apegada a valores fúteis vitimada por uma paranóia que não é inerente à da vontade de viver do jovem.

A verdade é que precisamos colaborar para um novo modo de vida que privilegie a beleza interior dando asas ao conhecimento e à alegria de viver como viemos ao mundo, universo esse dominado por paradigmas estéticos decorrentes da falsa consciência que a maioria tem de seu próprio corpo.

A prática do naturismo propaga o autoconhecimento necessário para a paz interior, advoga que o autorrespeito é fundamental para a busca da autoaceitação.
Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat.
www.goiasnat.com.br

quinta-feira, 30 de julho de 2009

NATURALIDADE DA VIDA

NATURALIDADE DA VIDA

Por que não desfrutar da naturalidade da vida?

Quando fazemos algo para não sermos criticados ou para que não dêem risada da gente, isto é artificial. O que é natural? É algo que não é criado pelo homem e sim pela própria vida. O ser humano quando altera o que há de natural, sempre provoca distorções, principalmente a si próprio.
Em nossas vidas não deveriam existir artificialidades. Deveríamos ser nós mesmos, indescritíveis e não conceitualizados. Poderíamos estar vivendo com a naturalidade de nossos corpos sem as aberrações de mentes doentias que só conseguem enxergar o sexo como se só isso fosse constituída a nossa matéria.
Esta doença mental ocorre numa grande parte de nossa sociedade educada em valores medíocres que impedem o indivíduo de se libertar das artificialidades. Este comportamento provoca angústia, ansiedade e medo. Causadores de muitos males físicos.
Vencer os desafios de viver sem roupas é uma das formas que existe para que se possa ter a consciência da unificação entre eu e natureza, como se fôssemos únicos e que realmente somos. É o encontro desta unificação sem artifícios que nos faz melhor, sem prepotência, arrogância, preconceitos. É o encontro da igualdade nas nossas diferenças, porque afinal, apesar de sermos indivíduos únicos, ainda assim, a essência é a mesma.
É vivendo na simplicidade e na pureza de nossas mentes que se pode encontrar a naturalidade da vida, e esta naturalidade somente é obtida através do respeito para com as pessoas e com a natureza, pois cria uma atmosfera melhor; RESPEITO AJUDA A CRIAR PAZ NO MUNDO como disse Sensei Gyomay Kubose em “O Centro Dentro de Nós”.
Numa palestra no interior de São Paulo, Joseane nos diz: “Naturismo pra mim é Vida, é Nudez permitida, é movimento sustentável”. Já que é vida, naturismo não se pratica, se vivencia através do pensamento naturalmente natural, e não há porque ser diferente. As agressões que partem dos “vestidos” são cheios de argumentos que a vida não sustenta, são artificiais e apoiados numa falsa moralidade existente nas mentes doentias e contrárias ao que é natural.
Não há nada mais decadente do que a pessoa que nega a vida, o nosso corpo deve ser visto de forma holística e não se tenta separar o indivisível, são artifícios maliciosos e nocivos à saúde, ocasionando muitas das vezes a doença do século: O estresse.
Alguns jogos de palavras maliciosas existentes principalmente entre os homens do tipo “você quer que coloque na sua ou na dele?” pode significar colocar na gaveta, na prateleira, na sua conta corrente, enfim variados significados. São somente para demonstrar o nosso rico português e são brincadeiras sem nenhum propósito, não há nada de errado nisso, devemos brincar sempre com o nosso corpo agindo como crianças e vivendo com alegria. Buscar motivos para rir faz bem para a saúde e se estamos nesta dimensão é porque existe a sexualidade humana. Tudo muito natural.
Viver com naturalidade é estarmos conscientes da vida como ela se apresenta. A água que corre em seu leito segue naturalmente sem nenhum esforço. Assim é viver naturalmente, é deixar a vida se manifestar, fazendo de nós simples observadores agraciados com presença Divina em todas as coisas e em todos os seres. Quem sabe ainda veremos um Naturista ganhando o prêmio Nobel da Paz?

Evandro Telles
30/07/2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A empresa nua por Laércio Júlio da Silva

Publicado no Jornal "Diário da Manhã"




Recentemente as emissoras de TV mostraram uma empresa que resolveu aplicar uma terapia inusitada para os padrões da sociedade vestida. Passou uma sexta-feira trabalhando nua. Além de uma grande jogada de marketing para o consultor e a empresa, já que ambos viraram notícia mundial, e com certeza irão alavancar a rentabilidade da empresa peladona, a experiência encerra grandes conjeturas. O “evento”, batizado de “Naked Friday” (Sexta-feira Nua), que substituiu o uso de roupas às sextas-feiras, agora se transformou em um programa de TV com sucesso garantido dada a repercussão do fato, enchendo a carteira de clientes do consultor Davis Taylor, autor da ação.


O que importa para nós naturistas não é o fato sensacionalista, mas uma análise crua, ou se preferir nua, das relações humanas no trabalho e a desmistificação da nudez. A ideia do agora famoso psicólogo David Taylor pretende melhorar a relação entre funcionários provocando uma onda de desinibições em que as pessoas poderiam falar mais abertamente sobre sua relação com a empresa e os colegas de trabalho gerando melhor entrosamento e consequentemente melhorar o desempenho da empresa. Segundo o testemunho da gerente de equipe que trabalhou totalmente nua durante o expediente: “Foi sensacional. Agora que nós já sabemos como parecemos sem roupa, não há mais barreiras entre nós. Não houve qualquer pressão. Quem quisesse, poderia trabalhar de roupas normais ou de roupa de baixo. Mas eu amo meu corpo e não fiquei com vergonha. Somos todos lindos, não importa se somos magros ou gordos. Nós descobrimos que era muito mais fácil falarmos abertamente uns com os outros – e isso continuou mesmo depois do experimento. A companhia melhorou muito”, disse Sam, que afirma ter esquecido que estava nua depois que se acostumou com a situação de autoconhecimento (fonte: Portal Terra).


Em 2007, um marceneiro americano ganhou na Justiça o direito de trabalhar nu. A corte do condado de Alameda, no Estado da Califórnia, declarou que Percy Honniball pode continuar a trabalhar como veio ao mundo. O marceneiro disse que gosta de trabalhar nu porque é mais confortável e ajuda a manter suas roupas limpas. Honniball enfrentou dois processos em 2003 após ser pego três vezes trabalhando nu em Berkeley, que proíbe nudez em público.


Uma pesquisa do portal Trend Hunter avaliou que 1 a cada 8 homens que trabalham em casa, trabalha sem roupa alguma. Entre mulheres a taxa é de 1 a cada 14.


Ainda no mundo do trabalho existe uma campanha mundial liderada por ambientalistas no sentido de se trabalhar com menos roupa, principalmente terno e gravata. O objetivo seria economizar no dispendioso uso do ar-condicionado. Aqui a medida se aplicaria com sucesso, já que na qualidade de país culturalmente neocolonizado, o Brasil tropical e quente utiliza as mesmas roupas usadas no hemisfério norte de clima bem mais frio sem qualquer necessidade prática e somente por valores estéticos. Bastaria usar roupas mais leves e adaptadas à temperatura ambiente.


O naturismo ou nudismo provoca relações mais abertas e fraternas compatíveis com o bom andamento de uma empresa que necessita de profissionais criativos e com abertura para inovações em um mercado cada vez mais competitivo, nesse sentido o experimento não é novidade para os frequentadores desse estilo de vida.


Entretanto, apesar de estarmos em um país que constitucionalmente assegura a liberdade individual, mesmo com o consentimento de todos, no Brasil a empresa correria o risco de ver aberto vários processos por assédio moral e constrangimento enquanto a legislação brasileira não desmistificar a prática da nudez. Afirma o consultor Max Gheringer: “Eu não acredito que nós vamos encontrar em empresas brasileiras grupos dispostos a tirar a roupa só para descontrair o ambiente” (fonte: Portal G1). Todavia, eu pessoalmente não duvidaria nem apostaria nisso!


Laércio Júlio da Silva é diretor da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e presidente da Associação Goiana de Naturismo, o Goiasnat (www.goiasnat.com.br)