domingo, 14 de abril de 2013

A UNIVERSALIDADE DO NATURISMO




Pressupõe universalidade aquilo que é comum a todos, por exemplo: O riso que é uma linguagem universal, comum a todos os seres humanos. Esta é a conclusão de um grupo de investigadores da University College London no Reino Unido, que realizou uma investigação com um total de 20 mil pessoas no seu próprio país e na Namíbia utilizando sons associados ao riso para estudar a questão. Não é difícil entender a causa do Naturismo também possuir essa característica, o corpo humano e a sua natureza, para delírio de alguns, é universal.

O pesquisador Waldo Vieira apresenta em seu livro “Homo sapiens pacificus” uma lista contendo 100 diferentes reações grupais ou condições humanas opostas à vivência do universalismo, entre esses estão os preconceitos, fanatismos, idolatrias, dogmas, nacionalismos, facciosismos, paroquialismos, provincianismos ou sectarismos de qualquer natureza.(1)

É bom que se tenha um melhor entendimento da relação de grupos sectários com o Naturismo e que não exista influência desses grupos porque fatalmente irá trazer conflitos e contradições maiores dos que já possuem. Pessoalmente questionei isso no CONGRENAT (Congresso Nacional de Naturismo), por que cantamos o hino nacional nesses eventos? A melhor resposta é que ainda estamos condicionados a pensar como grupo e não como um todo. Augusto Cury salientou esse comportamento em seu livro “O Vendedor de Sonhos”: Enquanto as nações pensarem de forma individualizadas a paz e harmonia que tanto defendemos jamais poderá ser conquistada. (2)

Não é diferente com relação às religiões, estimativa feita pelos britânicos Joanne O’Brien e Martin Palmer no Atlas das Religiões, segundo o qual existiriam 33.800 seitas cristãs espalhadas pelo Planeta, cada qual com diferentes interpretações da mensagem bíblica, pretensa revelação da “verdade única” e obrigatória a toda humanidade. (1)

Ora, o naturista pode ser o que ele quiser, tem toda a liberdade para isso, só não pode trazer para dentro do Naturismo suas orações e/ou cânticos que tragam implícitas as suas crenças individuais, as religiões trazem nas suas bases a impossibilidade do universalismo e o Naturismo não. Essas ações não devem acontecer até mesmo por uma questão de respeito por aqueles que em nada acreditam.

Luz del Fuego não ficou de fora dos conflitos políticos e religiosos de sua época (4), a universalidade pretendida não poderia ser compreendida por aqueles que fragmentavam o homem, isso era impossível naquela época e não é diferente na atualidade. Para aqueles que estão entrando para o Naturismo terão que romper e criar novas estruturas internas, como disse o amigo Viegas Fernandes da Costa: “Ao compreender isso, percebi a dimensão libertadora da nudez social. Libertadora porque contribuiu, primeiramente, para um processo de reconhecimento e aceitação pessoal, o que alterou estruturas internas, psicológicas.” (3)

Penso ainda que, mesmo para aquelas pessoas que há tempo praticam o Naturismo, terão que romper os grilhões criados por nossa sociedade, um mergulho para dentro de si mesmo será inevitável e é exatamente por isso que o Naturismo é transformador. O indivíduo irá buscar a sua essência humana e irá questionar suas ações com mais intensidade.

Vejam que não é a simples nudez causadora das verdadeiras transformações e sim das reações provocativas que o Naturismo desencadeia. Quando há o reconhecimento das superficialidades da vida que vivemos e a universalidade for verdadeiramente entendido, o ser humano não mais precisará matar uns aos outros, não mais será necessária as guerras, a vida será o que realmente temos de maior valor.

O problema não é a guerra, e as marchas de protesto não irão ajudar. O problema é a agressão interior nos indivíduos. As pessoas não estão à vontade consigo mesmas, daí precisar haver a guerra; do contrário, essas pessoas enlouquecerão. A cada década uma grande guerra é necessária para descarregar a humanidade de sua neurose. (5)

E assim os indivíduos ficam lutando entre si para conseguir fiéis às suas verdades que na realidade não são verdades absolutas. Se pelo menos tivermos uma pequena (não precisa se grande) noção da universalidade do homem, as guerras desapareceriam na face da terra e com certeza o Naturismo não é uma solução definitiva, mas pode ajudar muito.



Evandro Telles
10/04/2013





(1) Luz; Marcelo – Onde a Religião Termina?
(2) Cury; Augusto – O Vendedor de Sonhos e a Revelação dos Anônimos.
(3) Costa; Viegas Fernandes – Artigo “Sobre a Nudez Social”
(4) Luz Del Fuego – A Verdade Nua
(5) Osho – Alegria, A Felicidade que Vem de Dentro






sábado, 13 de abril de 2013

ÍSIS - UMA FLOR NO CONGRENAT




O Congresso Nacional de Naturismo, um evento realizado de dois em dois anos onde reúne naturistas oriundos de diversos lugares desse país, inclusive de outros países também. O XIII CONGRENAT realizado na Praia de Barra Seca, Linhares-ES, encerra hoje os seus trabalhos onde tivemos muitos assuntos importantes para o Naturismo Brasileiro e a eleição para Presidente e Conselheiros da FBrN (Federação Brasileira de Naturismo).

Dentro da programação estava prevista a palestra com o tema “Naturismo e o Respeito à Nudez” que seria por mim apresentada, mas não houve o tempo hábil para tal intento, o microfone só foi liberado às 13:00 hs e os participantes ainda nem tinham almoçado, mas ninguém estava reclamando, nem eu. Para falar a verdade, prefiro o silêncio, é mais significativo.

No silêncio aprendo mais, observo detalhes que fugiria aos meus olhares quase sempre muito atentos. Digo sempre aos meus amigos: Quer passar despercebido? Não fique no meio de quem escreve. Não se trata de qualidade ou defeito, é uma constatação da nossa própria natureza. O músico ouve sons que aparentemente ninguém consegue escutar, o escritor percebe o que ninguém consegue ver. É um perigo para os que gostam de mentir.

Na sexta-feira à noite tivemos duas apresentações teatrais na Pousada Lua Nua, a primeira, uma belíssima representação do Jorge Bandeira de Manaus, muito significativa e poderíamos analisar sob diversos aspectos, não pretendo fazer essa análise aqui. Ele mostrava se as roupas tivessem vida e no início ele dizia: “is she” ou “i si”, acho que ele queria dizer “Isis”.

Em seguida uma peça mostrando a resistência de duas crianças que precisavam conviver com a sua avó nudista, apresentando argumentos da nossa sociedade moderna. Uma dessas crianças foi a autora do enredo e que estava brilhantemente (no sentido exato da palavra) sendo a atriz, os demais foram coadjuvantes. Será que serei perdoado pelos amigos que estavam trabalhando na peça? Outra hora farei a justiça e os elogios que também são merecedores, mas agora não, meus olhos e ouvidos atentos estão focados na Ísis.

No segundo ato, a menina de 8 anos de idade, a própria Ísis, conversa com uma árvore. Só um naturista que atingiu seu ápice pode realizar tal diálogo, porque entendeu a universalidade da vida. Mas não é algo que se busca como meta, como se fosse um objetivo de um planejamento. Simplesmente acontece aos que nunca foram tocados pela sociedade e vivem livremente. São puros de coração e tudo admira, entendeu o “todo” que não pode ser separado, que a linguagem humana não é algo que a impeça de entender o que a natureza nos diz.

Quando fui apresentado a ela por sua mãe essa assim disse:
- Olha filha, esse é quem escreve os textos que a gente lê nos nossos encontros.
Ela responde
- Nossa!! Numa total demonstração de admiração
Mentalmente respondia
- Nossa!! Nunca tinha visto um anjo de verdade, como a admiro por sua simplicidade diante da sua própria natureza, estou comovido por sua admiração de algo que nada fiz por merecer.

Ficou difícil identificar quem ensinava ou quem aprendia. Isso se tornou indiferente porque se tornou uma só coisa, a mente não entendeu isso e embaralhou toda a lógica e assim foi possível o coração entender o que as palavras não poderiam explicar.

Obrigado Ísis pelo exemplo do que é ser uma naturista.


Evandro Telles
31/03/2013

Ísis foi uma deusa da mitologia egípcia foi cultuada como modelo de mãe e esposa, protetora da natureza. (Wikipédia). 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Veleiros, nudismo, e abuso

Era naturismo en familia, sin connotación sexual”, disse o dono da escola-veleiro Léonide Kameneff, preso em Venezuela em 2008, extraditado e condenado em Paris neste março a 12 anos de prisão por abuso sexual de cinco dos mais de 500 jovens, tipicamente entre 11 a 13 anos, que participaram do projeto educacional alternativo entre 1979 e 2002.

Parte da defesa do Kameneff era que o nudismo abordo do veleiro refletia os "ventos de liberação" de 1968. A condenação pode indicar para o naturismo brasileira a direção em que o vento está soprando.Vale notar as mudanças de padrões; a comercialização de nudez infantil por meio de filmes; e os lideres "carismáticos" e as regras que criaram uma "prisão psicológico".

"Normal na época"

A mudança de padrões foi um argumento de Kameneff para justificar a nudez abordo do navio, conforme o site DNotícias de Portugal:

Na sua página na Internet, a associação, suspensa desde 2008, descreve uma "experiência emancipadora", uma "alternativa à educação e aprendizagem" dos colégios convencionais, "rica em descobertas".
Em declarações antes do início do julgamento, a 5 de Março, Kameneff defendeu que certas condutas atualmente vistas "com suspeita" eram algo de habitual à altura dos factos.

Porém, conforme um site de Martinique, ilha que os navios visitaram,

"Em suas motivações, o Tribunal Criminal concluiu que "a atração pedófilo de Leonid Kameneff foi bem antes do barco-escola e os acontecimentos de maio de 1968". "A violação e agressão sexual cometidos contra meninos por mais de 20 anos não se encaixam tudo no contexto de uma era supostamente permissiva, mas no contexto de uma sexualidade desviante", disse o julgamento do Corte.

A nudez casual, especialmente entre crianças e quando todos eram do mesmo sexo, já foi bem mais aceito. A Justiça pode punir hoje o que ninguém questionou ontem. Vimos nos EUA pais sendo dedurados por laboratórios fotográficos devido a fotos de crianças no banho. Dr. Cec Cinder observa no seu monumental "The Nudist Idea" de que na Alemanha nos anos 30, era permissível imprimir fotos de crianças peladas, mas adultos não podia: e agora a situação se inverteu.

Filmes de crianças peladas

Houve pelo menos um filme feito das viagens do veleiro de Kameneff,"Western Lights", ainda disponível pelo Amazon e postado em onze partes no YouTube. IMDB lista Kameneff como escritor, e seu co-réu (que foi inocentado) Bernard Poggi como diretor. Um dos comentários no Amazon afirma que "o filme é a condensação para duas horas de um documentário de 13 episódios feitos para televisão francês." Um leitor critica a descrição do produto no Amazon: enfatiza "meninos bronzados", "aventureiros jovens e bonitos", e "natação pelado como nos velhos tempos". O que leva pessoas a comprar um filme destes?

Vale notar que outros filmes semelhantes sempre seguiram os passos do naturismo brasileiro. Richard West fez filmes tipo "Nude in the South of Brazil" na Colina do Sol, entre outros lugares. Suas filmes renderem processos para uso indevido de imagens de menores, um ainda correndo (ou engatinhando) na Justiça brasileira.

Mais recentemente, foi feito vários filmes pelo documentarista Peter Dietrich no Brasil estão disponíveis no site enature.net. Parte das imagens são claramente da Praia do Abricó. Quando fui lá ano passado perguntei dos filmes, e vários pessoas da praia me informaram que os "naturista" nunca aparecerem antes, ou depois. Um conhecedor de todas as áreas naturistas do Brasil me falou que não reconheceu nenhuma das pessoas que aparecem. Pessoas? Devo dizer, crianças. As descriçoés de enature.net falam do "grupo de naturistas jovens", de "festa de 13 anos", e as imagens mostrem tão-somente crianças e adolescentes.

E um filme, num veleiro.

Mas é tudo legal, não é? Bem, houve uma companhia chamado de "Azov Films", cujo site tinha um resenha detalhada do que a lei permitia e o que não, e como seus filmes estavam estritamente dentro da lei. Foi fechada pela polícia de Canadá em 2011, sua lista de assinantes repassada para o FBI americano, que passou a prender os fregueses no último trimestre de 2012. E vale lembra que quando o presidente da FBrN foi preso em 2007, os filmes e revistas de "Brasil Naturista" foram usados como evidência para manter-lo preso.

Lideres, filosofias, ideologias

No processo foi descrito uma "ideologia" de nudez frequente, massagens conjuntos, e relações sexuais entre menores e adultos. As matérias em conjunto descrevem um "prisão psicológico" de crianças isolados dos seus pais, sob a batuca de um "guru" carismático.

A naturismo brasileiro não tem uma "ideologia". Tem uma "filosofia". Nas minhas conversas com antigos frequentadores da Colina do Sol, ouvi da pressão para participar dos trabalhos "voluntários": quem não participava sofria represálias. E presenciei e documentei a pressão contra quem desafiava as acusações falsas de pedofilia orquestradas pela corja da Colina em 2007.

Filmes de crianças? Guru? Veleiro? Ideologia? Bajulação pela mídia? Conheço esta história. A demora para conseguir a Justiça, conheço também. Mas Léonide Kameneff, agora com 76 anos, que escapou durante décadas, deveria levar o restante dos seus dias atrás de grades. Espero que o fim aqui segue o de lá.