domingo, 28 de fevereiro de 2010

ARTIGO - PORQUE TIRAR AS ROUPAS

PORQUE TIRAR AS ROUPAS


Numa conversa informal entre Naturistas e Têxteis, podemos elencar algumas perguntas básicas que sempre se farão presentes; Uma dessas perguntas é: Porque tirar as roupas? Prova definitiva que realmente nada se sabe sobre Naturismo, apesar de termos uma variedade de informações sobre o assunto e em diversos lugares para serem pesquisados tais como:
http://www.jornalolhonu.com/
http://www.naturistascristaos.org/
http://peladista.blogspot.com/
http://mentelimpa-corpolivre.blogspot.com/
http://www.brasilnaturista.com/
http://www.barraseca.com.br/
E muitos outros aqui não listados.

Livros: (podem ser adquiridos no portal do jornal olho nu)
Corpos Nus – Verdade Natural
Naturalmente – Um Perfil Documentado
Verdades que as Roupas Escondem

Tese de doutorado na área de antropologia, monografias de mestrado etc.

Ainda é pouco porque as pessoas têm curiosidade, mas não tem tempo para estudar e ler sobre o assunto, já tem o seu julgamento pré-concebido que foi colocado na sua formação e assim não tem interesse algum em fazer questionamentos. Isso dá muito trabalho!

O indivíduo nascido numa cidade grande que desde pequeno recebeu informações e educação da negação ao próprio corpo, sentirá muita dificuldade em enxergar que os seus valores representam pensamentos sociais de uma massa puritana, machista e materialista. É o mesmo que um peixe no aquário e não sabe que fora dele existem outros mundos. São literalmente escravos de si mesmos; pensam, mas não fazem o que querem, tem medo da nudez, tem medo dos seus defeitos corporais, se tornaram autômatos. É anomalia de um indivíduo doente que só vive em função do seu sexo, não consegue enxergar que todos os nossos órgãos são igualmente importantes e tem suas funções vitais.

E para superar essas barreiras? Tem que lançar mão da nudez que nos coloca numa posição do que realmente somos; naturalmente naturais. Mostra-nos a nossa igualdade em relação aos demais. E algumas pessoas ainda questionam: Qual a graça de ficar sem roupas? Realmente, não é para ter graça alguma, ou melhor, é para sentir toda a Graça recebida de Deus. Quando jogamos nossas roupas para o lado estamos também retirando as vaidades, arrogâncias, malícias e a obsessão pela sexualidade.

A primeira idéia que se tem de áreas naturistas são as pessoas despidas, é só isso que conseguem ver. O que está por trás dessa linha divisória somente com a espiritualidade poderá ser vista. Igualmente importante é ter um pouco da sensibilidade dos filósofos (quando estes as têm) de reconhecer que liberdade da mente reflete também no corpo, é ter a mente limpa e o corpo livre de todas as idiotices criadas numa educação que valorizou a sexualidade, como este fosse um objetivo fim da nossa existência. Fomos enganados e não precisamos continuar enganando as novas gerações, podemos ser agentes transformadores e transmissores da paz.

Outro grande propósito de tirar as roupas é que passamos ter maior aceitação com o nosso corpo, ficamos mais tranquilos e em paz, mesmo com os nossos defeitos. O resultado reflete nos relacionamentos entre as pessoas pela facilidade da auto-aceitação não nos deixando frustrados pelo que somos ou que não somos. Somente podemos amar ao próximo quando também nos amamos; da forma como realmente nos apresentamos. Logo, a nudez humana é a nossa identidade única, universal e natural. O resto é pura idiotice de mentes doentias.

Há ainda de se considerar que somos únicos, não existe na face da terra duas pessoas exatamente iguais, somos todos diferentes na aparência e iguais na essência. Aprender a respeitar essas diferenças nos tornará melhor e mais humano. Se nos observamos como seres diante da imensidão deste universo, veremos que somos um cisco, uma poeira, que não tem nada de realeza nisso, porque tenho que ser escravo da roupa? Vou exercitar a minha nudez enquanto puder para que a Divindade se manifeste em mim na mente e no corpo.

E novamente assino embaixo o que disse Frei Betto: “Farei da nudez a mais pura revelação de todas as virtudes; assim, ninguém terá vergonha de mostrar o que Deus não teve vergonha de criar, e a culpa será redimida pelo amor”.


Evandro Telles
28/02/10

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A AMPLITUDE DO SER NATURISTA

A AMPLITUDE DO SER NATURISTA


Mesmo do conhecimento de todos, faço questão de repetir a definição de naturismo:
"Naturismo é um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, que tem por intenção encorajar o auto-respeito, o respeito pelo próximo e o cuidado com o meio ambiente"
Por essa definição já podemos sentir o tamanho da responsabilidade de ser naturista, somente pelo “cuidado com o meio ambiente” por si só, nos faz carregar uma bagagem superior da capacidade do carro que temos à nossa disposição.
Na Rede TV NEWS em 27/11/09 foi publicada a seguinte reportagem: “Milhões de animais são mortos de forma cruel para servir de vestuário a uma minoria. Nas ruas da França é fácil encontrar pessoas que usam casacos de pele”.
E ainda, “Raposas, linces, focas, coelhos quase sempre são mortos de forma cruel. Para não estragar os pelos, os caçadores matam os animais com pauladas na cabeça, afogamento ou utilizam armadilhas que provocam dores intensas e prolongadas. Em alguns casos a pele é retirada com o bicho ainda vivo.”
Eles são mortos para alimentar a vaidade humana. Se são caçados é porque têm quem compre.

Voltando à nossa definição, podemos afirmar que a “harmonia e respeito” criam um clima de paz em nossos relacionamentos. No entanto, é preciso despertar a consciência de que esses relacionamentos não resumem somente entre seres humanos. No artigo de Nuno Michael em “A Consciência da Massa”, ele cita que vivemos em diferentes níveis de consciência e evoluir para outro nível implica questionar e pensar por si mesmo, implica conviver com as conversas ocas, mecânicas de quem nos rodeia, implica ser livre.
Liberdade é o que sempre defendemos dentro do naturismo, mas ela tem um preço, a responsabilidade é maior. O raio de ação não pode ficar limitado à nudez, outras bandeiras têm que ser abraçadas, e uma delas, sem sombra de dúvidas, é a proteção com os nossos animais.
Para que possamos entender melhor a grave situação que nos encontramos, cito abaixo parte do artigo de Nina Rosa em “Escolher a Paz”.

Nós que vivemos na época atual estamos tendo a oportunidade de participar de uma dessas grandes mudanças. A mudança que prioriza os valores morais, os princípios, a ética. A mudança que nos fará também sentir a dor ou a alegria de um irmão nosso do reino mineral, vegetal ou animal, como se fosse a nossa própria dor ou nossa própria alegria.
Não é tão estranho assim olhar um rio de águas poluídas e fétidas e sentir sua dor… Não é difícil sentirmos a alegria de um riacho de águas claras e límpidas, correndo e cantando em seu caminho. Certamente podemos sentir sua alegria. Eles não precisam falar a nossa linguagem, aliás, bem limitada.
Nem precisamos ir até a Amazônia para assistir a espetáculos degradantes de desflorestamento e de negligência com o reino vegetal. É só sairmos às ruas, nas cidades e olharmos para nossas irmãs, cimentadas até o tronco, sem ter como armazenar água, sem consideração, muitas vezes usadas como lixeiras em sua base. Falta amor e gratidão pela beleza, pela sombra, pela purificação do ar, pela energia positiva, por nada, apenas por existirem, como direito que têm.
Por outro lado, quando estamos num bosque preservado, com árvores nativas, exuberantes, sentimo-nos parte de sua harmonia. Mesmo quando observamos uma só árvore na calçada, bem cuidada, sentimos sua harmonia, e somos envolvidos por ela.
E o que estamos fazendo ao reino animal? Exploração, exploração e mais exploração. E dor, e sofrimento. Desrespeito ao direito à vida, desrespeito a todos os seus direitos.
– Estamos degolando-os vivos, queimando e mastigando sua carne.
– Estamos arrancando sua pele e vestindo-a sobre nossa pele.
– Estamos confinando-os em pequenos espaços só para quando, e se tivermos vontade, olharmos para eles e satisfazermos nossa curiosidade.
– Estamos aprisionando os alados, por inveja ou vaidade, para que cantem só para nós, quando têm o céu por direito.
– Estamos confinando seres aquáticos a pequenos ou grandes aquários, para olhar ou nadar com eles por breves momentos, submetendo-os a toda uma vida de submissão, quando eles têm por direito a imensidão das águas.
– Estamos apoiando a ridicularização de grandes animais, rindo da sua dor e do roubo de sua dignidade em espetáculos circenses, como se fazia no passado com anões e mulheres barbadas e ensinamos nossas crianças a rirem também.
– Estamos jogando-os em arenas com os genitais fortemente amarrados, para que pulem de aflição e de dor, enquanto gritamos e rimos, alheios ao seu sofrimento.
– Estamos comprando-os como objetos, e descartando-os como objetos, na primeira dificuldade.
Todas essas barbaridades somos nós que fazemos quando apoiamos o consumo da exploração. Somos nós que patrocinamos e mantemos esses horrores acontecendo; e depois, com a barriga cheia de cadáveres, com a nossa aura manchada de dor e desamor, com indiferença pelo destino dos irmãos dos outros reinos, queremos para nós mesmos a paz?
“Desde que chega a esta Terra, o viajante toma, toma e não dá quase nada em troca.”
Se não queremos fazer parte disso, temos que mudar nosso paradigma; temos que passar e ver nossos irmãos dos outros reinos com o mesmo interesse que vemos a nós mesmos. Temos que colocar o interesse deles de não sofrer, paralelo ao nosso igual interesse. Temos que conhecer e respeitar seus direitos e sermos exemplo disso na prática
.
Os princípios do Naturismo são verdadeiramente belos e harmoniosos, mas as nossas ações deverão ser ampliadas, pelo motivo do aumento da nossa consciência que a natureza não está para servir somente ao ser humano.
É hora de pararmos com as críticas e agirmos. É hora de conscientizar também do peso da nossa responsabilidade.


Evandro Telles
29/11/2009

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